Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

TOP MÁQUINA

Eu faço Trail e sou uma Máquina. E isso é Top!

TOP MÁQUINA

Eu faço Trail e sou uma Máquina. E isso é Top!

THE SMELL RUN

por Pedro Caprichoso, em 28.04.15

Tenho o prazer de vos anunciar que fui ao Shark Tank. O programa só será emitido daqui a duas semanas, mas já vos posso dar um cheirinho. A palavra-chave é “cheirinho”. Abram por isso essas narinas e cheirem a ideia brilhante que eu tenho para vos apresentar.

 

The-Color-Run-.jpg

 

A minha ideia é inspirada na Color Run. A Color Run é um espectáculo visual. A Smell Run é muito mais do que isso: não só estimula a visão, como o paladar e o olfacto. A Smell Run arranca com uma mega-feijoada. Para além de um prato cheio de feijões, os participantes terão de mamar 2 litros de Coca-Cola e tomar um comprimido especial. Desenvolvido pela mesma farmacêutica que criou o Empenex, este comprimido tem um composto activo que dá cor aos gases expelidos pelo corpo humano, nomeadamente arrotos e traques. A Coca-Cola será responsável pelos arrotos e a feijoada o catalisador da flatulência.

 

1336580525232_634919.png

 

Depois da feijoada, é dado o tiro de partida dos 5km mais perfumados do mundo. A corrida será realizada num recinto fechado de maneira a aumentar a experiência olfactiva da “Smell Run”. O nosso slogan é: The Smell Run – It will put a smile on your face:

 

farting.png

Poncha - Isostar = Pé Partido

por Pedro Caprichoso, em 27.04.15

Mesmo coxo, Paulo Fonseca marcou presença na apresentação da Taça Ibérica de Trail. Um dos obreiros da Taça Ibérica partiu o pé no MIUT e, no Sábado, veio a público revelar as circunstâncias que estiveram na origem do acidente.

 

Os primeiros rumores indicavam que o Paulo seguia na peugada do seu colega de equipa Jorge Rocha no momento do sinistro. Comentou-se nas redes sociais que o Rocha tinha caído numa zona de transição e que o Paulo, ao se inteirar do seu estado, tirou momentaneamente os olhos do trilho e também foi ao chão. Hoje sabemos que isso é mentira. Tudo não passou de uma história inventada para encobrir a verdade.

 

A verdade é esta: o Paulo trocou o Isostar pela Poncha e espetou-se num buraco, de onde foi retirado com uma carraspana de caixão à cova. Não sei qual é a vergonha. A confusão é compreensível, já que os líquidos são da mesma cor: amarela. Pode acontecer a qualquer um.

 

12.jpg

P.S. Não deixa de ser irónico que o Paulo tenha feito a prova de muletas e continue de muletas.

Antevisão da Taça Ibérica de Trail

por Pedro Caprichoso, em 27.04.15

Sábado passado foi totalmente dedicado à Taça Ibérica de Trail. De manhã, um treino a ritmo confortável. De tarde, a apresentação da prova.

 

10991352_635129219924252_4787926766199974442_n.jpg

 

Um pelotão de 11 atletas efectuou os 20km correspondentes à prova intermédia da Taça Ibérica, com destaque para o CEO do Viana Trail e um destemido Pato-Bravo – termo carinhosamente atribuído aos estreantes no Trail – que se infiltrou no nosso grupo à última hora. Embora carregando uma mochila de campismo, o Sô Presidente exibiu-se a alto nível: nas descidas comandava a tropa; nas subidas incentivava os mais lentos por meio insultos, espicaçando-os. Quanto ao Pato-Bravo, este saiu-se melhor do que a encomenda. Surpreendeu-nos logo pela positiva ao levar sapatillhas de estrada para o monte. O objectivo era óbvio: treinar as quedas. Assisti a duas com excelente nota artística. Chegou dorido, mas chegou ao fim. Inteiro. Acho que apanhou o “bichinho”. Refiro-me ao bichinho do Pinheiro, já que uma das quedas resultou num encontro imediato com um Pinheiro.

 

11149713_715797091863340_6509877141810744726_o.jpg

 

A apresentação da Taça Ibérica à comunicação social minhota teve lugar na bonita biblioteca de Vila Nova de Cerveira. Só lá faltou a Rádio Geice. Ministrada a três vozes, a cerimónia contou com a presença da Vereadora da Câmara Municipal e da dupla de Presidentes da EDV e Viana Trail.

 

TIT_3.jpg

 

Cumprido o protocolo e devidas formalidades, a apresentação depressa se transformou numa conversa informal entre os apresentadores e o público. Ricardo Silva apresentou o seu parecer técnico: “É uma prova para se fazer com muita cabecinha”, alertou o vencedor dos Trilhos dos Abutres. Rui Seixo sublinhou a potencialidade da região enquanto destino para a prática do Trail. Paulo Fonseca salientou a necessidade de manter os trilhos transitáveis e devidamente sinalizados. Elói Malheiro transportou-nos pelos 3 percursos disponíveis, realçando a singularidade de uma zona que se distingue da Serra d’Arga pese embora a sua proximidade a esta.

 

TIT_2.jpg

 

Pedro Caprichoso é que não disse grande coisa, limitando-se a dizer que “a prova apresenta descidas brutais em single-track e subidas de mãos nos joelhos e focinho rente ao chão.” Os queixos da simpática Vereadora bateram no chão assim que a palavra “focinho” lhe chegou aos ouvidos. Ficou-se assim a saber que o Padrinho da prova precisa, urgentemente, de aulas de etiqueta.

 

TIT_4.jpg

 

Como diz o Alcobia, o traçado da Taça Ibérica destaca-se a nível nacional pela sua diversidade. Nele encontrarão o elevador do Paleozóico, as descidas em single-track dos Abutres e as paisagens arrebatadoras com vista para o mar à la Ultra Trail de Sesimbra. Embora nunca se atinjam altitudes muito elevadas, o que distingue esta prova, a meu ver, é a forma como as subidas rasgam a montanha. A procura constante do percurso mais curto entre a base e o topo de um pico remete-nos para as provas de SkyRunning. Não surpreende, por isso, que o percurso dos 20km apresente 1.500m D+ e o dos 50km mais de 3.000m D+. Basta dizer que os primeiros 9km têm quase 1.000m D+. As descidas, no entanto, apresentam inclinações menos acentuadas, porém bastante técnicas. Eis a primeira subida a sério do dia com 400m D+:

 

TIT.jpg

 

Vem a Cerveira no dia 10 e não te arrependerás.

REGULAMENTO DO PT281+ PARA TOTÓS

por Pedro Caprichoso, em 23.04.15

TOTÓS.jpg

 

A Organização da PT281+ – Ultramarathon diz que se inspirou “na prova estadunidense Badwater e na brasileira BR135+”. Não digo que não. No entanto, tendo em conta os preços de inscrição, quer-me parecer que também se inspiraram no UTMB.

 

1.jpg

 

Nas condições de participação aqui enumeradas, falta acrescentar que o atleta deve estar financeiramente preparado. O Novo Banco é que não anda a dormir e acaba de lançar um novo produto financeiro. O “UltraCredit” destina-se ao Trail Runner que não tem dinheiro para mandar correr um coxo – que é o correspondente no Trail à expressão “Não tem dinheiro para mandar cantar um cego”.  

 

WILD CARD

 

A Organização do PT281+ reserva-se o direito de atribuir Wild Cards. Dizem eles que “essas escolhas baseiam-se no historial competitivo do participante e [sua] conduta moral.” André Rodrigues, já podes tirar o cavalinho da chuva. Parece que não vais ter sorte. O teu historial competitivo é de alto nível, mas a tua conduta moral é que estraga tudo. Acho que terás mais sorte em obter um Wild Card na Color Run.

 

REEMBOLSO DE TAXAS DE INSCRIÇÃO

 

A organização adverte que, "a todos os pagamentos efectuados, serão retidos 50€ para despesas administrativas". Ao contrário do que possam pensar, 50€ para despesas administrativas não é muito. Esperem até conhecer a administrativa em causa e logo perceberão o valor dos seus honorários. É que ela é mesmo muito boa. 

 

Hot-Corporate-Secretary.png

 

 Os restantes 50% da taxa de inscrição serão devolvidos nos seguintes casos:

 

  • “No caso de a corrida ser cancelada no último momento e por motivos de força maior.”

É curioso como as provas são sempre canceladas por motivos de força maior. Nunca por motivos de força menor ou por motivos de força bruta. 

 

  • “Se um atleta for forçado a retirar-se antes do início da corrida, como resultado de um acidente ou doenças certificadas.”

A Obesidade é uma doença certificada? Pergunto isto porque há uma grande controvérsia no seio da comunidade médica: uns dizem que é doença; outros dizem que é uma questão de um tipo não conseguir fechar a boca. Em que ficamos? Se eu me inscrever no PT281+ e chegar a Agosto gordo que nem um cachalote, será que tenho direito a reembolso?

 

  • “Por outros quaisquer motivos desde que encontre alguém que o substitua.”

Este ponto não me assiste. Eu sou insubstituível.

 

No entanto, com prejuízo dos casos acima enumerados, “a partir de 1 de Agosto não haverá lugar a qualquer tipo de reembolso.” Ou seja: se a corrida for cancelada no dia 2 de Agosto por um motivo de força maior, já foste; se ficares doente de uma doença certificada no dia 2 de Agosto, já foste; se até ao dia 1 de Agosto não arranjares alguém que te substitua, já foste. O PT281+ realizar-se-á nos dias 20 a 23 de Agosto de 2015.

 

 

APOIO AO PARTICIPANTE

 

“O apoio no percurso, pela equipa, é proibido e desclassifica imediatamente o participante. No entanto, todos os atletas podem comprar ou receber alimentos sólidos e líquidos nos locais por onde passam.”

 

Quer dizer, se um gajo estiver a morrer de sede não pode aceitar uma mini de um popular sob pena de ser desclassificado. No entanto, se comprar a mesma mini numa tasca de beira de estrada já não há qualquer problema. Mas isto cabe na cabeça de alguém?

 

 

EQUIPAMENTOS RECOMENDADOS:

 

A Organização recomenda uma “Muda de Roupa, Protector Solar, Óculos de Sol, Repelente de Insectos e Faca”.

 

Sim, leram bem: protector solar. Vamos lá ver uma coisa: a PT281+ é-nos vendida como “uma das provas mais extremas a nível mundial” e depois recomenda o uso de protector solar? Mas que merda é esta? Provas extremas são para atletas extremos. Não são para atletas de fim-de-semana que usam protector e evitam as horas de maior calor. Quanto à faca, faz todo o sentido. Aliás, mais do que recomendada, a faca deveria ser equipamento de uso obrigatório. Todos sabemos que o Sócrates se vai evadir, mais tarde ou mais cedo, do estabelecimento prisional de Évora, pelo que é recomendado que os atletas se encontrem armados na eventualidade de darem de caras com o Pseudo-Engenheiro e Ex-Primeiro Ministro da República Portuguesa.   

 

 

SEGURANÇA / ASSISTÊNCIA MÉDICA

 

No caso de acidente, a Organização informa que “a protecção civil pode ser chamada a assumir as operações, utilizando, para isso, os meios que considerem adequados, incluindo um helicóptero. Todos os custos decorrentes desse transporte excepcional será cobrado à pessoa que foi resgatada, de acordo com as normas em vigor.”

 

Mais se informa que o pagamento é efectuado a bordo do helicóptero. Caso a vítima não consiga liquidar o frete, esta será largada do heli em pleno voo.

 

 

ALTERAÇÕES NO PERCURSO / CANCELAMENTO DA CORRIDA / INTERPRETAÇÃO DO REGULAMENTO

 

“A organização reserva-se ao direito de, a qualquer momento e sem aviso prévio, de fazer alterações à rota, à localização das bases de apoio ou nas barreiras horárias. (…) Reserva-se ainda a possibilidade interromper, mudar horários ou suspender a realização da prova na data e local previsto. Nestes casos, não haverá qualquer reembolso a fazer aos concorrentes das verbas já pagas ou aos patrocinadores. (…) A Organização declina toda a responsabilidade em caso de acidente, negligência, roubo, assim como dos objectos e valores de cada participante.”

 

Tradução para Português: Os atletas estão bem fodidos porque a Organização pode fazer o que bem lhe apetecer.

 

 

CLASSIFICAÇÕES

 

A grande novidade do PT281+ tem a ver com a forma como são determinadas as classificações. A Organização informa que “o vencedor da corrida será o corredor, ou equipa que precisar do menor tempo para alcançar a linha de chegada em Proença-a-Nova.” 

 

Isto é, o primeiro a chegar à meta é o vencedor – isto é revolucionário.

 

 

DIREITOS DE IMAGEM

 

“Os participantes que tiverem alguma restrição quanto ao uso da sua imagem deverão notificar a Organização com antecipação e por escrito. Caso contrário, estarão automaticamente a autorizar o uso em qualquer tempo, sem direito a receber compensação financeira por parte da organização.”

 

A restrição que eu tenho quanto ao uso da minha imagem é a seguinte: só autorizo o uso da minha imagem se esta se restringir ao perfil direito do meu rosto – que é o lado que mais me favorece. Tenho uma verruga do tamanho de uma bola de golfe na minha bochecha esquerda – e eu processarei o cabrão que me tirar uma fotografia desse lado.

 

 

PARTICIPAÇÃO

 

Embora não existam outros requisitos, após a inscrição ser-vos-á pedido o vosso CV. Será feita uma análise e a organização reserva-se o direito de não vos aceitar. Caprichem no CV, portanto. Eis algumas dicas:

 

  1. Não sejas cagão

Um C.V. não é mais do que um pequeno esboço do teu historial desportivo. Usa-o para chamar a atenção para os seus pontos fortes, sem entrar em demasiados detalhes.

 

  1. Enfatiza as tuas conquistas

Faz uso frequente de verbos activos, tais como: conseguir, alcançar, superar, empenar e pinocar.

 

  1. Trabalhe em ordem inversa

Começa cronologicamente com as tuas conquistas mais recentes e não te esqueças de incluir o nome de todas as provas que já fizeste até hoje, as datas e uma descrição bíblica das mesmas. Inclui toda e qualquer experiência desportiva relevante, incluindo a sexual e a realizada no WC.

 

  1. Constrói o teu CV à medida de cada prova

As Organizações apercebem-se logo se um CV foi feito tipo “linha de montagem” e despachado aos “caixotes” por correio. Faças-lhes sentir que conheces a prova e que estás verdadeiramente interessado em participar na mesma.

 

  1. Mente com quantos dentes tens

Mentir no CV é uma excelente opção para quem acabou de levantar o cu do sofá e ainda não tem muita experiência desportiva. Aldrabar em 20 posições a vossa classificação no Circuito Nacional de Trail pode não parecer uma ideia boa, mas é. A ATRP publica as classificações naqueles pdfs com letra miudinha, pelo que a probabilidade de alguém vos apanhar é muito reduzida.

CORRER SEM MEIAS

por Pedro Caprichoso, em 20.04.15

A redacção do TopMáquina recebe todos os dias resmas de cartas, contentores de faxes e paletes de emails. Destes, 40% têm a ver com o facto de eu correr sem meias, 30% são propostas sexuais de mau-gosto, 20% são ameaças de morte e 10% são ameaças de morte de cariz sexual. Exemplo de uma ameaça de morte de cariz sexual: ontem, o “CrazyMotherfucker685” disse-me que está mortinho por me introduzir um objecto perfurante pela minha regueifa acima, e que isso provocará o meu falecimento. Devo ter medo?

 

CTP.jpg

 

Muitos perguntam-me por que corro sem meias. Poderia dizer que o pé fica mais arejado; que é menos um item com que me preocupar; ou que sem meias o pé seca mais depressa depois de transpor um curso de água. Tudo isso é verdade. Mas a razão principal é outra: sofri um trauma com uma meia de compressão e nunca mais fui o mesmo. Lembro-me como se fosse hoje: era segunda-feira, dia 25 de Agosto de 2017, estava sozinho em casa, não estava a dar nada de jeito na TV e lembrei-me de realizar uma sessão de asfixia auto-erótica. Não preciso de dizer mais nada.

 

“Mas tu és patrocinado pela Meia da Raquete”, dizem vocês – e com razão. Sim, é verdade. Acontece que eu só uso meias da raquete para efeitos de recuperação. Venham a minha casa às 10 da noite e lá estarei eu, deitado no sofá, quase nu, apenas de cuecas e meias da raquete, a ver a novela da TVI.

 

hey-girl-lets-throw-on-some-compression-socks-and-

MIUT «À HOMEM»

por Pedro Caprichoso, em 16.04.15

O regulamento do MIUT previa a classificação geral masculina, geral feminina e respectivos escalões etários. No entanto, do meu ponto de vista, a organização do MIUT falhou redondamente ao esquecer-se da classificação mais importante de todas: a classificação «à homem.» Uma coisa é a classificação dos homens; outra coisa é a classificação «à homem».

 

Fazer o MIUT «à homem» é fazê-lo sem muletas. Isso de usar muletas é para meninos. «À homem» é fazê-lo vergando a mola, com as mãos nos joelhos e o focinho rente ao chão. Dito isto, eis o verdadeiro pódio do MIUT 115km.

 

CLASSIFICAÇÃO À HOMEM – MIUT 115KM :

TOP3.jpg

 

Para além de poder vir a integrar o UTWT - ULTRA TRAIL WORLD, o MIUT poderá também vir a integrar os Paraolímpicos devido ao uso generalizado de muletas. A candidatura está em fase de preparação:

 

MIUT.jpg

 

Não me interpretem mal: não tenho nada contra o uso de muletas, até porque lhes reconheço muitas vantagens. A saber:

 

1. São perfeitas para apanhar o lixo graças à sua extremidade pontiaguda;

 

2. Servem para incentivar um colega de equipa em quebra, espetando-lhe com a referida extremidade pontiaguda no rabo;

 

3. Podem ser usadas como arma de defesa pessoal contra um animal selvagem ou um foragido à justiça que se encontre a monte;

O ULTRATRAIL NÃO ESTÁ À VENDA

por Pedro Caprichoso, em 14.04.15

jt11_kleber.jpg

 

Não tenho nada contra a introdução de prémios monetários no UltraTrail. A palavra-chave aqui é «Ultra». Ao contrário de muitos, penso que o dinheiro nas Ultras não terá o efeito negativo de que por aí se fala. Poderá tê-lo nas provas mais curtas, visto que na sua essência são encaradas como provas de atletismo. Quanto às Ultras, podem estar certos e certinhos de que elas não perderão o seu encanto por um punhado de euros. Com o dinheiro haverá menos camaradagem, menos fair-play e menos respeito pela natureza? Não sei nem me interessa, pois não é isso que nos atrai nas Ultras. O que nos atrai nas Ultras é a superação – e a superação não se compra. Conquista-se. É a superação que conta. Tudo o resto – o companheirismo, o divertimento e a natureza – vem por arrasto.

 

Exemplo prático: no passado fim-de-semana realizou-se o MIUT e o Trail de Miranda do Douro (TMD). De um lado, uma prova de créditos firmados, que para muitos implica um elevado custo financeiro (por se realizar na Madeira) e sem prémios monetários. Do outro, uma primeira edição, realizada no Continente e com prémios monetários. Agora vejam o feedback dos atletas e o número de participantes numa prova e na outra.

 

 

O MIUT deixou todos rendidos. O TMD deixou muitos desiludidos. O TMD começou com 45min de atraso porque estava nevoeiro. Repito: porque estava nevoeiro. Havia estacas de madeira e cordéis de atar chouriças a fazer as vezes de fitas de sinalização. Havia pontos em que os atletas de diferentes provas se cruzavam, vindos de diferentes direcções, uns com 12km, outros com 20km e outros 28km. Apenas 10 atletas fizeram o percurso correcto porque nos primeiros 200m havia uma cortada à esquerda e placas à direita – e quase todos seguiram as placas. E não houve classificação feminina porque nenhuma mulher se encontrava entre os 10 atletas referidos anteriormente. Um desastre.

 

11133733_450051918478590_7397969089711350554_n.jpg

 

Em boa verdade, eu aplaudo a introdução de prémios monetários no Trail. Os nossos campeões merecem o dinheiro. Mais do que merecem, precisam. Mas que país é este no qual os seus melhores atletas andam rotos? O André Rodrigues, por exemplo, parece um sem-abrigo atropelado por uma debulhadora. O desgraçado anda na rua e as pessoas dão-lhe dinheiro para ele comprar umas sapatilhas novas. Assim não pode ser.

 

10403662_763077660475011_7122836562432058078_n.jpg

LISTA TOP! AVANÇA PARA A PRESIDÊNCIA DA ATRP

por Pedro Caprichoso, em 09.04.15

No seguimento da demissão do Presidente e dos órgãos sociais da ATRP, o TopMáquina avança com uma lista vencedora na figura do Dr. Máquina da Fonseca. Ei-la:

 

ATRP2.jpg

 

 

ÓRGÃOS SOCIAIS

 

DIRECÇÃO:

 

Presidente:

Máquina da Fonseca

 

Directores:

Zeinal Bava

Vanessa Pato-Bravo

José Sócrates (atleta)

 

MESA DA ASSEMBLEIA GERAL

 

Presidente:

Vale e Azevedo

 

Secretária:

Monica Lewinsky

 

Fiscal Único:

Ricardo Salgado

 

Mensagem do nosso candidato a Presidente da ATRP: 

 

 

Caras Amigas e Amigos Praticantes de Trail,

 

A nossa Associação de Trail Running de Portugal vive uma das situações mais difíceis da sua longa e rica história. Os problemas que atravessamos, se é verdade que são penosos, também é verdade que estão claramente identificados, bem como a sua origem e os seus protagonistas. É chegada a hora de serem apresentadas aos sócios as soluções que melhor servem os interesses da nossa Associação, para que estes, com informação factual, democraticamente e em consciência decidam o que consideram ser as melhores propostas para a Associação que todos amamos. Comigo, Máquina da Fonseca, a voz é e será sempre a dos Sócios, pelo que as obrigações para Convosco são sempre, inquestionavelmente, para se fazerem cumprir, seja em que situação for. Esta é para nós uma questão de honra. Pautaremos a nossa actuação pela prestação de informação regular, verdadeira e transparente, para que a cada momento os Sócios conheçam claramente a realidade da ATRP, e para que possam intervir esclarecidamente e da forma que considerarem mais adequada.

 

Há que assumir, sem receios, uma mudança positiva, construtiva e de verdade, pois consideramos que a ATRP não pode perder mais tempo em projectos e experimentalismos. Esta mudança (que se impõe) exige realismo, coragem e determinação, mas também competência, uma liderança forte e uma equipa extremamente coesa. Tudo isto implica alguém que conheça profundamente a ATRP, que a sinta, viva e ame. No fundo, que tenha genuinamente a ATRP no Coração. As soluções que defendemos passam, inevitavelmente, por uma reforma da ATRP, efectuada com sensatez, realismo e credibilidade. Só assim se criam as condições necessárias para a sua sustentabilidade e crescimento. Por isso, reiteramos que chega de projectos e promessas vãs, sendo essencial que nos centremos em soluções concretas e realistas, que sejam exequíveis e que possam ser implementadas logo que a equipa eleita tome posse.

 

Levaremos a cabo uma gestão com o máximo rigor, competência e empenho, colocando, como sempre fizemos, os interesses da ATRP acima de quaisquer outros. Garantiremos uma ATRP a uma só voz, com uma liderança clara e inequívoca, e órgãos sociais responsáveis e conhecedores do desporto e da gestão. Adoptaremos políticas financeiras adequadas para a sustentabilidade da Associação, que permitam honrar os nossos compromissos financeiros e fazer face às novas regras de fair-play financeiro, mantendo índices de competitividade altamente exigentes. Exigiremos o respeito devido à nossa Associação por parte das entidades que tutelam o Trail e a Comunicação Social. Financeiramente, a ATRP e a sua SAD têm vários desafios pela frente, dos quais temos plena consciência. Confiamos no futuro da ATRP.

 

Seremos competentes e cumpridores, mas exigiremos o total respeito por parte dos nossos parceiros financeiros para se poder realizar uma reestruturação justa, que sirva de base para o equilíbrio e crescimento da ATRP. O modelo que aqui apresentamos é aquele que no actual contexto entendemos ser o que melhor serve os interesses da ATRP e o que mais rapidamente lhe poderá devolver o lugar que por direito próprio é o seu, honrando o seu passado, vivendo com dignidade o presente e que permita a sustentabilidade e sucesso futuros. Lutaremos por uma ATRP campeã. Queremos uma ATRP que optimize os recursos disponíveis e cumpra eficiente e eficazmente aquilo que todos os seus associados esperam da Associação que amam: Esforço, Dedicação, Devoção e Glória. Somos uma lista agregadora, somos uma candidatura motivadora, somos uma candidatura da ATRP para a ATRP, dos praticantes de Trail e para os praticantes de Trail.

 

«ATRP no Coração, Confiança no Futuro.» – é este o nosso lema.

 

Máquina da Fonseca

Pedro Rodrigues – o Excêntrico

por Pedro Caprichoso, em 06.04.15

A Santa Casa da Misericórdia designa os vencedores do Euromilhões como “excêntricos.” Mas os verdadeiros “excêntricos” não são os que ganham e ficam milionários – pois ganhar resulta de um mero golpe de sorte. Os verdadeiros “excêntricos” são os que ganham e recusam o prémio. Ganhar a lotaria e recusar o prémio – isso, sim, é excêntrico.

 

Euromilhões.jpg

 

No universo do Trail, ser seleccionado para Zegama é o equivalente a ganhar o Euromilhões. Por isso, o que dizer de um tipo que ganha a lotaria de Zegama e recusa participar na prova rainha do Trail? É um excêntrico. É o que o Pedro Rodrigues é: um excêntrico. Deus Nosso Senhor Jesus Cristo dá nozes a quem não tem dentes.

 

Muitas são as teorias que têm surgido nas redes sociais a propósito da recusa do Pedro Rodrigues em participar em Zegama. Uns dizem que o Pedro foi destacado para a segurança privada do Presidente da República e que este acompanhá-lo-á numa visita de estado a Moçambique no fim-de-semana de Zegama. Outros dizem que a Organização do UTSM – que se realiza no mesmo fim-de-semana – desembolsou um cachê milionário para garantir a presença do atleta da Juventude Vidigalense em Portalegre. Fala-se em 50 paus, 2 sandes de presunto, um cabaz de doçaria conventual e um fim-de-semana na Pousada da Juventude de Curral de Moinas.

 

A verdade é que o Pedro não vai a Zegama porque a sua cara-metade não o deixa. Segundo fontes próximas do casal, a Ana não gostou do presente que o Pedro lhe deu no dia de São Valentim – ela queria umas Bushido e ele deu-lhe umas Trabuco. Como se isso não bastasse, uma fanática colombiana andou a perseguir o Pedro no facebook e a Ana não achou muita piada ao sucedido.

Zés-Povinhos—Atletas na Barkley Marathons

por Pedro Caprichoso, em 03.04.15

DSCN1165.JPG

 

[Para aumentar o efeito dramático da coisa, vamos fazer isto numa só frase. Respirem fundo.]

 

A Barkley Marathons é uma prova de Trail com uma taxa de desistência de 98%, tem 160 km, 9000m D+, $1,60 de inscrição, limite máximo de 40 participantes, 60h de tempo limite e realiza-se todos os anos em Congelado Head State Park, Tennessee, Estados-Unidos, no final de Março ou início de Abril, cuja partida é dada pelo acender do cigarro do criador do evento, cujo percurso é actualmente constituído por um circuito de 5 voltas de 32 km, sendo a terceira e a quarta percorridas em sentido contrário, sem postos de abastecimento (excepto o carro dos atletas e água em 2 pontos) e cujo controlo é feito por meio de vários livros (espalhados pelo percurso) dos quais é rasgada a página correspondente ao dorsal de cada atleta, que para participarem tiveram de escrever um ensaio intitulado "Why I Should be Allowed to Run in the Barkley."

 

 

Posto isto, como é evidente, já há uma dezena de Zés-Povinhos—Atletas dispostos a participar na Barkley. Já alugaram o autocarro, já fizeram uma vaquinha para juntar os 16 dólares da inscrição e já se inscreveram num curso de Inglês com vista a escreverem o ensaio "Why I Should be Allowed to Run in the Barkley."

 

5d001011-6a0b-46d1-8766-33fc684842ec.jpg

 

O TopMáquina é que não brinca em serviço e já teve acesso à composição de um dos candidatos tugas à Barkley. O texto está em português (?), como seria de esperar, visto que as aulas de Inglês só agora começaram.

 

"Pq é k é k eu me deberia ser me permetido currer na Barkley" – por Zé-Povinho Atleta:

 

Eu me deberia ser me permetido currer na Barkley pq sou 1 pessoa umana com sentimentos e k gosta de dezafios… alem disso sou um ateleta mákina k nunca diziste mesmo k por bezes mapeteça dizistir!!! lol Corru já à mais de 10 anos atraz sempre há prokura dos meus limites enkuanto ser humano da espésie humana do pelaneta terra… Já fis muitas provas top e em Portugal fiz-las todas como a cólóre rane e a meiamaratona da ponte do salazar e mais reçentemente os traileres hurbanos... mas agora estou há prokura dum novo dezafio k me permita-me tirar umas çelfies top para assim ter muitos gostos no faceboooke. lol abraço mákina...

TOP 5 das frases inspiradoras mais estúpidas de sempre

por Pedro Caprichoso, em 01.04.15

1. «Never Give Up»

 

Toda a gente que é gente já desistiu: Carlos Sá, Armando Teixeira, Kilian Jornet, Anton Krupicka… e a lista nunca mais acaba. Os expoentes máximos do Trail já desistiram pelo menos uma vez na vida. Quem nunca desistiu é porque nunca foi levado ao limite. Posto isto, proponho o seguinte:

 

NGU.jpg

 

2. «Nothing is Impossible»

 

Não posso estar mais em desacordo. Há muito mais coisas impossíveis do que possíveis. Basta puxar pela imaginação. Exemplo: correr 85km em menos de 3h com um extintor enfiado pelo rabo acima. Posto isto, proponho o seguinte:

 

NII.jpg

 

 3. «Never Stop Running»

 

A sério? Nunca? Não brinquem comigo. Então e se tiverem vontade de fazer cocó? Fazem o cocó a correr? Xixi é possível. Cocó não me parece. Posto isto, proponho o seguinte:

 

NSR.jpg

 

4. «Just Run»

 

Só Correr? Quê? Tipo 24 horas por dia? Não acredito. Há que pelo menos salvaguardar as nossas necessidades fisiológicas, pois sem elas não conseguimos sobreviver. Posto isto, proponho o seguinte:

  

just.jpg

 

5. «It does not matter how slow you go as long as you don’t stop.»

 

Isto é muito bonito se um leão (ou um fiscal das finanças) não vos estiver a perseguir. Ou se não estiverem em competição. Ou seja, esta frase estúpida só faz sentido se estiverem a correr sozinhos no meio do deserto. Posto isto, proponho o seguinte:

 

slow.jpg

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D