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TOP MÁQUINA

Eu faço Trail e sou uma Máquina. E isso é Top!

TOP MÁQUINA

Eu faço Trail e sou uma Máquina. E isso é Top!

As Especificidades do Engate no Mundo do Trail

por Pedro Caprichoso, em 30.10.15

Rapaz conhece rapariga num Trail e pede-lhe amizade no Facebook. Ela não aceita logo para não parecer fácil. Aceita passado 2 dias. Ele examina as fotos dela e comenta aquelas em que ela aparece de top justinho a exibir a medalha de finisher. Ela leva a cabo uma investigação aprofundada do histórico de publicações dele à procura de ex-namoradas, amigas badalhocas e potenciais locais de treino onde os dois possam esbarrar um no outro por mera coincidência.

 

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"Olá Máquina!", escreve ele. Ela vê a mensagem mas só responde um dia depois. Ele massacra-a durante três dias. Põe "gostos" em posts como "Never give up!”, “Prefiro as sapatilhas aos saltos altos" ou "Girls just wanna have fun run!". Ela dá-lhe o número de telemóvel. Ele manda-lhe stickers com cães a correr de mãos dadas sobre um mar de corações cor-de-rosa.

 

Partilham links de promoções de material desportivo. Treinam juntos. Curtem. Fazem "o" amor no meio do monte.

 

Mudam o estado civil no Facebook para "numa relação com". Postam fotos juntos. A correr na praia, a cortar a meta de mãos dadas, acampados em Chamonix. Selfies com o Mont-Blanc em pano de fundo. "O Trail é melhor a dois" na legenda.

 

Ele adiciona as amigas dela. Ela descobre que ele colocou um gosto numa foto da Anna Frost quando esta veio a Portugal participar na Légua Nudista. Zangam-se. Ela posta frases enigmáticas como "Mais vale correr sozinha do que mal acompanhada".

 

Acabam. Ela elimina-o do Facebook.

 

Ele volta a atirar “barro à parede” e envia um pedido de amizade à Anna.

 

"Olá Máquina!"

 

[Baseado num texto hilariante d'A Gaja]

Sopa da Mamã Campeonatos Nacionais de Trail

por Pedro Caprichoso, em 27.10.15

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O circuito de provas que farão parte dos Campeonatos Nacionais de Trail, Trail Ultra e Trail Ultra Endurance foram ontem divulgados. A grande novidade para 2016 passa pela parceria firmada entre a ATRP e a maior loja asiática de suplementação desportiva. A “Sopa da Mamã” dará assim nome aos doravante designados Sopa da Mamã Campeonatos Nacionais de Trail, Trail Ultra e Trail Ultra Endurance.

 

 

O melhor do vídeo acima publicado é a música e o grafismo. Quanto às provas, estou em completo desacordo. Segundo um espião que temos a trabalhar infiltrado na ATRP, o critério de selecção das provas corresponde aos destinos de férias dos dirigentes da ATRP. Está mal, é uma vergonha e é por isso que este país não anda para a frente. A meu ver, o critério mais justo passaria por seleccionar as provas mais próximas da minha área de residência. De preferência próximas o suficiente para que eu não precise de tirar o meu Mini Cooper S da garagem da minha Vivenda de 5 assoalhadas.

 

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Muitos criticam o facto de nenhuma prova do Sopa da Mamã Campeonato Nacional de Trail se disputar acima de Vouzela (Viseu). “Esqueceram-se do norte”, dizem eles. Isso, a mim, não me chateia absolutamente nada. É para o lado que eu durmo melhor e é-me igual ao litro. Digo-vos mais: tanto se me dá como se me deu. Espero não chocar muita gente com esta declaração: a verdade verdadinha é que o Sopa da Mamã Campeonato Nacional de Trail  não interessa a ninguém… nem ao menino Jesus. Por alguma razão os melhores atletas nacionais disputam apenas o Circuito de Trail Ultra e o Circuito de Trail Ultra Endurance, e não existe nenhum Campeonato do Mundo de Trail Curto. Um atleta experiente a disputar o Campeonato de Trail Curto é o equivalente a um motociclista quarentão a disputar o Campeonato do Mundo de Moto 3.

 

O Trail Curto só faz sentido para o pessoal que se inicia no Trail, para atletas jovens com potencial (de que é exemplo o Romeu Gouveia) e para os Ultras ganharem ritmo competitivo. Fora isso, bah... Dito isto, fiquei extremamente excitado – para não dizer molhado – ao saber que o Poiares Trail fará parte do Circuito. Eles merecem. É gente boa. Se este ano lá for outra vez, é para ganhar... e depois posar para as fotos e cagar-me no facebook.

 

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É muito curioso verificar que os mais críticos do Calendário dos Campeonatos são justamente aqueles que menos correm e, consequentemente, aqueles que supostamente menos interesse teriam em disputá-los. Não estou a dizer que as críticas não são válidas. Acho é simplesmente adorável que aqueles que mais criticam o calendário são os mesmos que desvalorizam a competição, afirmando que o mais importante é a camaradagem e o divertimento. Ora, se a competição não vos interessa, qual o vosso interesse no local onde esta se disputa?

 

No entanto, não vou negar que fiquei bastante surpreendido pela presença no calendário de uma prova disputada no Algarve. A primeira coisa que me ocorreu foi: Será esta a Maratona das Areias à Portuguesa? Queres ver que vamos correr nas dunas e nas arribas! Afinal, parece que a prova disputar-se-á na Serra de Monchique (cuja altitude máxima é de 902m) e que o padrinho da prova será o Joaquim Monchique (cujo guarda-roupa contém 902 peças de roupa).

 

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Rescaldo nos bastidores do UTAX 2015

por Pedro Caprichoso, em 22.10.15

Tirei uma sabática após 3 participações consecutivas no Ultra Trail Aldeias do Xixi. Muitos acham que eu borrei a cueca por ter borrado a cueca na edição do ano passado. É falso. Em 2014 padeci 4 horas com diarreia e outras 4 com caganeira, mas não foi por isso que borrei a cueca. Para vossa informação, eu nem sequer corro de cuecas. Eu sou dos que gosta de andar com o material ao pendurão. Acontece que cheguei à conclusão de que este ano havia muita concorrência no UTAX e decidi poupar-me para as provas de aldeia, nas quais existe a possibilidade de fazer pódio, posar para as fotos e armar-me em cagão no Facebook. Mais um exemplo: no próximo fim-de-semana realiza-se o Trail de Santa Catarina na minha zona de residência (Vila Nova de Famalicão) e eu telefonei à Organização para saber quem é que lá ia. Eles disseram-me que o Diogo Fernandes e o Nuno Silva estavam inscritos e eu anulei a minha inscrição na hora.

 

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Não corri, mas também não fiquei em casa. O Jeremias Rodrigues – vencedor eventual do UTAX – implorou que eu o acompanhasse nas funções de mochileiro. “Preciso do teu carinho durante a noite”, disse-me ele, ajoelhado aos meus pés, com as lágrimas a pingarem-lhe nas minhas sapatilhas novas da Salomão: 170€ + IVA. Como sou um tipo ‘coração de manteiga’ e escroto de aço, aceitei. Mas impus algumas condições. A saber:

 

[1] Em nenhuma circunstância passar-lhe-ia creme nos mamilos. Só nas virilhas e no rabinho.

[2] Massagens só acima dos joelhos e abaixo do umbigo.

[3] Não lhe seguraria no cabelo em caso de vomito.

[4] Em caso de hipotermia, não faria conchinha para aquecê-lo. A não ser que ele se despisse e ficasse nu. Nesse caso, faria o sacrifício.

[5] Caso ele ganhasse a prova, os papéis inverter-se-iam e ele teria, perdão, terá de ser o meu escravo na próxima edição da Corrida do Pai. Vem ao Pai.

 

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O vencedor do UTAX fez a prova para meter ritmo com vista ao Ultra Trail da Baixa da Banheira, tendo inclusive cochilado meia hora em Castanheira de Pêra. No entanto, ao contrário do Nuno Silva, não foi uma menina vestida com Salomão que acordou o Jeremias. Fui eu. Com um beijinho na careca!

 

Foi uma noite mmmuuuiiitttooo longa. Fiquei todo rotinho. Sem dúvida mais rotinho do que o Jeremias, que cortou a meta mais fresco do que uma alface a ser trincada pelos lábios carnudos do José Capela. É o que dá andar uma noite inteira a fazer de ama-seca das princesas do Viana-Trail. Não confundir ama-seca com ama-de-leite.

 

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Aprendi muito. Aprendi que não devemos apressar os atletas nos abastecimentos. O melhor é deixá-los respirar e adaptarmo-nos à velocidade (ou lentidão) com que eles abastecem. Aprendi que não devemos bombardeá-los com perguntas. O melhor é colocar as coisas à disposição deles e esperar que eles as peçam. E aprendi que apalpar-lhes o rabo, como fazem os jogadores de voleibol, não é a melhor forma de incentivá-los. O melhor é dar-lhes um beijinho no cocuruto, à semelhança do que fazia o Laurent Blanc com o Barthez antes do pontapé de saída. Para dar sorte. O que ainda faz mais sentido no caso do Jeremias, uma vez que este também nasceu em França e tem tanto cabelo quanto o ex-guarda-redes da selecção gaulesa.

 

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Os campeões não se medem só pelos resultados. Também se medem pela forma como comem presunto directamente do tupperware e pela forma como dão porrada nos agricultores que cometem o erro, perdão, o crime de roubar fitas. “Onde é que estão as fitas, caralho?!”  é a frase que vai ficar para a história do UTAX 2015. Esta frase transformou num inferno a vida do lavrador que roubou meia-dúzia de fitas entre o penúltimo (94k) e o último abastecimento (104k). O tipo tem acordado estremunhado a meio da noite com a imagem do Jeremias a gritar-lhe aos ouvidos e, segundo os vizinhos, até já anda no Psicólogo.

 

Quanto ao responsável máximo do Viana-Trail, já foi tudo dito. A dedicação, o esforço e o sex appeal deste homem não tem comparação a nível nacional. No entanto, se o Sô José Carlos é o Pinto da Costa do Dirigismo do Trail Nacional, eu sou o Reinaldo Teles. Foi uma honra e ao mesmo tempo um terror tê-lo servido enquanto seu braço direito. O terror explica-se pela condução alucinada do Presidente, que desesperava quando achava que não ia chegar a tempo ao abastecimento seguinte. Acho que deixei um buraco no chão do carro no lado do pendura, pois o meu pé direito fartava-se de carregar num travão fantasma ao reagir por reflexo aos pneus a chiar e às curvas negociadas em contramão. A honra, essa, está bem expressa no vídeo em baixo. Eu também verti uma lágrima, mas disfarcei melhor.

 

 

Para além do Jeremias, há que destacar o Faria, o Rui Seixo e o Pedro Rodrigues. O primeiro é uma lêndea viva! Depois do EstrelaAçor (onde acabou mais morto do que vivo)  e do GTSA (onde correu abaixo das suas potencialidades), o ‘ovo de piolho’ renasceu das cinzas e fez 5.º numa das provas mais duras a nível nacional. Dizem que o segredo está nas uvas. Não sei. Apenas sei que o vi despachar um cacho de uvas antes do tiro de partida. Seja ceguinho se não é verdade. Além disso, já ultrapassou o José Capela na categoria de “Atleta Minhoto sem Desistências no Currículo“. Depois desta performance, José “Krupicka” Faria entrou directamente para o Top3 dos meus atletas preferidos do Trail Nacional. Neste momento, à frente do Faria, só mesmo o e o Pedro “Troncos” Rodrigues. O Pedro é 100% trail. O tipo respira trilhos, come desnível e caga lama.

 

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O Rui “Leão” Seixo encara o treino como um pugilista em preparação para um combate. Uma vez que os combates são disputados consoante um determinado limite de peso, os pugilistas passam as últimas semanas a perder peso de maneira a respeitar esse limite. Da mesma forma, o nosso Leão perdeu cerca de 36 quilos em 2 meses – metade dos quais na Serra D’Arga via diarreia – e apresentou-se à partida do UTAX em pico de forma. Que isto sirva de exemplo àqueles que acham que conseguem competir todos os fins-de-semana sem um plano de treino bem definido e com objectivos a médio-longo prazo.

 

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Apesar da vitória no UTAX, o Jeremias saiu do meu Top3. Reparei que pintou um clima entre ele e o Bruno Coelho – e fiquei triste. E eu não quero cá tristezas no meu Top3.

 

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Para rematar em beleza, resta-me dizer que só é pena o vermelho não combinar com tanto amarelo!

 

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Rescaldo Trail Senhora do Salto

por Pedro Caprichoso, em 16.10.15

Desloquei-me a Aguiar de Sousa a convite do Presidente do Viana-Trail e Padrinho da prova. A Madrinha era, nem mais nem menos, do que a SuperMulher Lucinda Sousa. Não podia recusar, pois tratava-se de uma excelente oportunidade para aplicar a 3.ª Dica Para Seres Um Grande Atleta. Evitei as provas com mais concorrência que se disputavam nesse fim-de-semana, como o Trail da Guarita e o RedcrossTrail, e parti com a intenção de fazer pódio, posar para as fotos e depois cagar-me no Facebook. Mas não pensem que foi fácil. Só alcancei o segundo classificado a 2km da meta e o primeiro dentro do último quilómetro.

 

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A partida foi dada por uma pistola muda. A Organização esqueceu-se de carregar a arma e o tiro saiu em falso. Também em falso, um atleta deu um passo em falso e espalhou-se ao comprido ainda dentro do primeiro quilómetro. A queda foi provocada pelos afloramentos de xisto, tão característicos daquela zona, que pontuavam todo o percurso. Saltei por cima da vítima de maneira a evitá-la, parei, assegurei-me de que ela bulia e continuei no encalço dos primeiros. Foi pena. Naquele primeiro quilómetro, ficou claro aos olhos de todos que o sinistrado ia ganhar a prova com uma perna às costas. Enfim… como se costuma dizer, ácido sulfúrico no cu dos outros é chá de camomila na minha barriguinha.

 

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O percurso surpreendeu-me pelo equilíbrio apresentado entre zonas rolantes, zonas técnicas e zonas erógenas (i.e. húmidas). Entre as últimas, destaco uma secção de rio com água pela cintura. Nesta secção, algumas caminheiras resolveram tirar o biquíni da mochila e transpô-la a nado – e em boa hora o fizeram. Gostei.

 

Fiquei em 147.º Geral em 8h26. Sim, acabei em primeiro, mas levei uma penalização de 6h por ter engravidado uma caminheira durante a prova. Jamais esquecerei a primeira edição do Trail Sra do Salto. Ao km 16 da prova concebi o meu primeiro filho. Vou ser pai... pelo menos isso é o que me disse a caminheira contra a qual embati pela retaguarda no passado Domingo. A culpa é do viagra. Troquei os comprimidos de imodium pelos de viagra – ambos azúis – e tomei dois a meio da prova. O problema é que fiz a segunda metade com a tenda armada e depois deu-se o azar de ter apanhado a futura mãe do meu filho numa curva mais apertada. A coitada, ainda por cima, estava de rabo empinado à procura de uma lente de contacto. É o destino. A rapariga não é da terra. A Christine é uma estudante francesa a fazer Erasmus em Ermesinde.

 

Ao km 12 encontrei um cadáver humano em avançado estado de decomposição. Penso que se trata de uma vítima das Quintas-Feiras bravas, uma vez que os “bravos” realizam as suas touradas por essas bandas.

 

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Esqueci-me de referir que me esqueci das calças no carro. Despi-me, tomei banho, limpei-me e só então me apercebi que não tinha calças. Uma vez que sou um tipo desenrascado, saí do balneário com o corta-vento enrolado à cintura. Acontece que fui imediatamente cercado por outras 3 caminheiras – e agora tudo indica que vou ser o pai babado de 4 crianças. A prova não me estafou, já as caminheiras… Se não fossem as 5 fêveras que comi à pala da Organização, não sei não. O mais provável é que neste momento ainda estivesse a soro no hospital de Recarei.

Campeões de Campismo de Montanhismo de Portugal

por Pedro Caprichoso, em 14.10.15

Depois do Campeão Nacional de Trail Ultra Endurance, do Campeão Nacional de Skyrunning e do Campeão Nacional de UltraSkyrunning, a ilha da Madeira produziu mais um Campeão Nacional. Trata-se do Campeão Nacional de Km Vertical.

 

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O problema do Campeonato Nacional de Km Vertical não tem a ver com o local e muito menos com os atletas. A ilha da Madeira é um dos melhores locais – senão o melhor – para realizar este tipo de eventos e os campeões em causa (Luís Fernandes e Ricardo Gouveia) são excelentes atletas. Vou mais longe: são do que de melhor temos em Portugal. Mas e os outros?

 

O problema tem a ver com as entidades (no caso Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal) que legitimam um campeonato nacional sem garantir a presença dos melhores atletas nacionais.

 

Enquanto no MIUT estiveram os melhores atletas nacionais de Trail e o Luís Fernandes sagrou-se com toda a legitimidade Campeão Nacional de Trail Ultra Endurance, o mesmo não aconteceu com os campeonatos disputados sob o aval da FCMP. É pena, sobretudo para os campeões, já que estes seriam igualmente candidatos à vitória na presença de mais e melhor concorrência – e, se ganhassem, veriam os meus títulos devidamente validados.

 

As pessoas precisam de meter na cabeça que as vitórias não são medidas pelo nome do título, mas pelo valor dos nossos adversários. São os outros atletas que legitimam e dão valor às nossas vitórias.

TRAIL RUNNING 15

por Pedro Caprichoso, em 09.10.15

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O Nuno Miguel Maia chamou-me a atenção para o lançamento do muito aguardado TRAIL RUNNING 15 – e em boa hora o fez. Descarreguei o torrent, instalei o jogo, copiei o crack, joguei 5 horas seguidas e agora estou aqui para fazer a review do jogo.

 

A EA mantém a tradição e lança TRAIL RUNNING 15 para consolas e PC. Para começar podemos afirmar que a espinha central do jogo permanece a mesma. Isto não é surpresa tendo em conta o sucesso de TRAIL RUNNING 14. Entre as novidades, é de realçar a agilidade e controle de cada atleta, apresentando um comportamento corporal mais realista quando estão a alimentar-se, a atravessar uma linha de água, a ultrapassar um obstáculo ou a levar com a marreta nos cornos, possibilitando que estes tropecem e sofrem quedas mais realistas. As expressões faciais dos atletas demonstram mais emoção, as animações do público foram melhoradas, os trilhos desgastam-se ao longo da corrida e os atletas vassoura estão mais “inteligentes”.

 

Temos à nossa disposição todos os percursos das provas que integram o Circuito Nacional de Trail, Ultra-Trail e Endurance, com destaque para os Trilhos dos Abutres em modo “temporal”. O que mais salta à vista, porém, são os detalhes dos atletas: as suas reacções com base nos outros atletas tanto podem provocar alegria como desespero. O público dá espectáculo entoando os cânticos oficiais de cada equipa, empurrando-a para a vitória. A narração fica por conta de Rui Pinho e Bárbara Baldaia.

 

Em relação aos modos de jogo, não há grandes mudanças. Apenas algumas melhorias em relação à versão anterior. O sistema de localização de atletas foi melhorado e agora é possível criarmos e compartilharmos as nossas equipas "ideais". Também foram introduzidos um máximo de 3 parâmetros a serem definidos de modo a variar o estilo de corrida de cada atleta. Por exemplo, podemos “dizer” a um atleta para atacar na primeira metade da prova ou, pelo contrário, para se guardar para a segunda parte da mesma. Temos também a opção de usar bastões, ténis minimalistas ou maximalistas. Infelizmente, em termos de alimentação, estamos limitados à água / isotónico e às barras / géis. Há muito que os jogadores exigem que sejam introduzidas mais variantes a este nível, tais como marmelada, canja, enchidos e minis.  

 

Como prometido pela EA, os atletas vassoura estão agora mais inteligentes e motivam de forma fantástica os atletas mais lentos. No entanto, não estão totalmente livres de erros. Em determinadas ocasiões vai tudo por água abaixo e somos surpreendidos por um atleta vassoura que saca de um bastão e dá o golpe de misericórdia a um caminheiro em sofrimento.

 

Em suma, quem é fã da série notará muitas diferenças (para melhor) nessa nova versão. Veredicto final: 8/10.

 

Resta saber qual será o atleta escolhido para a capa da versão portuguesa. Fala-se em Quim Sampaio, mas ainda não está nada confirmado. O mais provável é que a ATRP promova um referendo junto dos seus associados.

TraiLeaks

por Pedro Caprichoso, em 08.10.15

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TraiLeaks é uma rubrica do TopMáquina que visa divulgar a parte oculta do Trail. Infelizmente, o desporto que tanto amamos está podre e é altura de dizer basta. Fundos, comissões, negociatas, tudo serve para enriquecer certos parasitas que se aproveitam do Trail, sugando os clubes e atletas.

 

Irei aqui divulgar resmas e resmas de material que me chegaram às mãos nos últimos meses através de fontes anónimas. Muita polémica, muitas curiosidades e muitas ameaças de bomba. Aceito doações, pois adquirir todo este material levou-me imenso tempo e é sempre bonito contribuir.

 

Iremos aqui divulgar os dados contratuais do Biana Trail, entre os quais a publicação integral do milionário vínculo laboral de Ricardo Silva à equipa de Biana do Castelo. E depois voltaremos à carga com uma nova palete de documentos supostamente confidenciais, não só do Biana-Trail mas também do Desnível Negativo e da Proxis.

 

O TraiLeaks, que anuncia como missão "divulgar a parte oculta do Trail", fará esta madrugada 4 novas revelações, disponibilizando os contornos do contrato proposto pela Proxis à Ester Alves, mas que a atleta de Vila do Conde se recusou a assinar em meados de Setembro. A fazer fé no contrato divulgado, a Proxis queria impor uma cláusula de exclusividade de €40 milhões caso a atleta venha a ingressar num clube português até 2021, acrescida de mais €25 milhões de compensação. Se a proposta viesse de um clube estrangeiro na próxima janela de transferências, o valor baixaria para €15 milhões.

 

Poremos a nu o diferendo entre o Biana Trail e o fundo de investimento “Chamonix Sports”, e publicaremos documentação relativa à transferência de Kilian Jornet para o Desnível Negativo. Revelaremos, ainda, que o Paredes Desventura tem uma dívida de dez milhões de euros ao empresário de Bruno Coelho, referente a duas prestações vencidas e não pagas pela transferência do referido atleta, a primeira das quais datada do mês de Julho.

 

Os casos Rodrigues e Caprichoso têm dado que falar, e o TraiLeaks dará agora acesso aos “contratos da discórdia”. Importa recordar que o desentendimento começou quando o Biana Trail rescindiu contrato com “Chamonix Sports”, contrato esse que atribuía 75% do passe de Pedro Rodrigues ao fundo.

 

De uma coisa podem estar certos: o TraiLeaks fará correr muita tinta.

As Alcunhas do Trail Nacional

por Pedro Caprichoso, em 06.10.15

A beleza do Trail está no facto de ser um desporto multidisciplinar. É muito mais do que uma variante do atletismo. Em parte é atletismo, pois implica correr e marchar. Em parte é escalada, pois amiúde implica escalar. Em parte é ski, pois por vezes implica fazer sku. E em parte é boxe, não porque andemos à porrada, mas porque todos os trail runners têm alcunhas. Se no boxe temos o Floyd “Money” Mayweather, o Manny “Pacman” Pacquiao e o Mike "The Baddest Man on the Planet" Tyson, no Trail Nacional temos o:

 

 

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 Rui "Leão" Seixo

 

 

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 Jérôme "Gigi" Rodrigues

 

 

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 Gabriel "Chaimite" Meira

 

 

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  Pedro "Fininho" Caprichoso

 

 

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Jorge "Relógio Suíço" Rocha

  

 

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 André "Homem-Bicho" Rodrigues

 

 

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 Pedro "Troncos" Rodrigues

  

 

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 José "Krupicka" Faria

 

 

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 Armando “Alta-Tensão” Teixeira

  

 

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José “Papa-Quilómetros” Capela

  

 

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Luís “Bombardeiro” Duarte

  

 

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  Paulo “(Ex)Terminador” Lopes

 

 

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 Rui “O Último dos Moicanos” Luz

 

 

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Ricardo “Robocop” Silva 

 

 

Esta lista  de alcunhas tem também o condão de ajudar os novatos a saberem como se devem dirigir aos veteranos do Trail Nacional. Cheguem-se ao pé do José Capela, tratem-no por “José” e depois admirem-se de levaram um par de bufardos nas fuças. Não é “José”. Não é “Sr. Capela”. É Sr. “Papa-Quilómetros”. Depois digam que eu não vos avisei. Ele tem um cinturão negro em “Jiu jitsu” e não está para brincadeiras.

 

Uma vez que não conheço as alcunhas de todos os trail runners nacionais, solicito que o leitor indique as que conhece na caixa de comentários em baixo. Não se esqueçam, porém, que as consequências decorrentes do que vocês escreverem é exclusivamente da vossa responsabilidade. A redacção do TopMáquina recusa qualquer tipo de responsabilidade a esse nível.

 

Estou muito curioso para saber, por exemplo, quais as alcunhas do Nuno Silva, Ester Alves, Analice e Vitorino Coragem.

12 Dicas para Correr em Tempo de Crise

por Pedro Caprichoso, em 02.10.15

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1. Adoptar o minimalismo e o barefoot running

 

Nada melhor para poupar dinheiro em sapatilhas do que correr descalço ou de sandálias. Se quiserem ir mais longe, podem aplicar o minimalismo a outras áreas, como a alimentação e o vestuário. Jejuar com fartura e aderirem ao nudismo far-vos-ão poupar centenas de euros em comida e roupa.

 

“Isso é tudo muito bonito mas só há uma prova nudista em Portugal”, diz o nudista que existe dentro de ti. É verdade. Mas com o sucesso da “Légua Nudista”, desconfio que 2016 será o desabrochar – salvo seja! – das provas de pipi ao léu.

 

 

2.Vender o relógio GPS

 

Vendam o vosso relógio GPS e com o dinheiro comprem um Rolex de imitação nos Marroquinos. Isto fará sentido mais à frente. O resto podem investi-lo em Papel Comercial do Novo Banco. Para substituir o GPS, puxem pela imaginação. Eu tenho por hábito atar as extremidades de um cordel de 1 metro aos tornozelos e contar passos.

 

 

3.Fazer isotónico e géis caseiros

 

Receita: 1 litro de água, 2 colheres de chá de sal de cozinha, 2 colheres de sopa de açúcar amarelo e sumo de limão a gosto. Outra forma de obteres bebidas desportivas à borlix é treinares como gente grande, ganhares umas quantas provas e conseguires o patrocínio de uma marca de suplementação desportiva. Mas isso, como bem sabemos, dá muito trabalho. Cansa.

 

Quanto aos géis, recolham as embalagens usadas, lavem-nas, desinfectem-nas, injectem-lhes mel com café e fechem a embalagem com fita-cola. Não sabem onde encontrar embalagens usadas de géis? Basta procurar ao longo do percurso de uma prova realizada no dia anterior.

 

 

4.Correr com sapatilhas antigas

 

Atenção: não estou a falar em comprar ténis da colecção do ano anterior. Isso é para milionários. Estou a falar, isso sim, em arrombarem um daqueles contentores para recolha de roupas e calçado usado. Daqueles que depois são enviados para os pretinhos de África. Procurem bem e eventualmente encontrarão um par de sapatilhas à vossa medida.

 

 

5.Comprar roupa a custo zero

 

Poderíamos usar a dica indicada no ponto anterior? Poderíamos. Acontece que é difícil encontrar roupa técnica nos contentores para recolha de roupas e calçado usado. Falo por experiência própria. O melhor, mesmo, é comprá-la sem pagar. Há quem lhe chame «roubar», mas não se deixem dissuadir por uma palavra. Só custa a primeira vez. Dica: ninguém revista a barriga de uma mulher (supostamente) grávida. A minha Maria é a maior!

 

 

6.Casem-se com um treinador(a)

 

Ter um personal trainer não é para todos. Custa dinheiro. Mas não tem de custar. Eu sou casado com uma treinadora pessoal há coisa de 10 anos. Ou serão 15? Ou são 10 ou 15. Pensando bem, podem ser 7. São 9. Acho eu…

 

Seja como for, não gosto dela. É uma chata de primeira. Mas ao menos estou sempre em forma. Façam assim: paguem uma ou duas aulas particulares e seduzam-na(o). Às meninas basta-lhes usarem um decote até ao umbigo. Aos homens basta-lhes usarem um relógio de 10.000€. Lembram-se do Rolex que vocês trocaram (ponto 2) pelo vosso Relógio GPS? Pois bem, é aqui que vocês vão capitalizar o vosso investimento.

 

Não se finjam chocados. Há quem se case por razões mais fúteis: por dinheiro, por amor ou porque o tipo encontrava-se nu… e a determinado momento escorregou numa casca de banana… e acidentalmente enfiou a pilinha na pombinha da namorada… e embuchou a coitada.

 

 

7.Prolonguem a vida das vossas sapatilhas

 

Já ouviram falar em recauchutagem de pneus? Pois bem, não tem nada a ver. A melhor forma de fazer exercício sem danificar as vossas sapatilhas é andar de bicicleta. De bicicleta o calçado não toca no chão, impedindo o seu desgaste. Sim, é preciso uma bicicleta. E então? Hoje em dia já se encontram bicicletas mais baratas do que determinados modelos de determinadas marcas de sapatilhas. Além de que podem sempre aplicar o ponto 6 às bicicletas e gamá-las. Aquelas que se dobram todas, então, ‘é como limpar o rabinho a uma criança’. Tenho lá 7 em casa. Alugo-as à hora. Mandem-me uma mensagem privada e acertamos os honorários do aluguer.

 

 

8.Planeiem o vosso calendário com antecedência

 

A maior parte das provas oferecem descontos na primeira fase de inscrições. Inscrevam-se assim que possível nas provas que têm a certeza que farão. Eu não brinco em serviço e já inscrevi o meu filho (que ainda não nasceu) no UTSM 2045.

 

 

9.Voluntariem-se

 

As Organizações ganham milhões e estão sempre à procura de escravos, perdão, voluntários. A única diferença entre escravos e voluntários é que os primeiros trabalham de graça contra a sua vontade e os últimos trabalham de graça por vontade própria. Embora não vejam a cor do dinheiro, os voluntários recebem inúmeros benefícios e incentivos por parte das Organizações. Podem ficar com a t-shirt da organização, comem ‘à pato’ nos abastecimentos – não se esqueçam do tupperware – e ainda ficam com brindes que sobram. Querem melhor do que isto?

 

 

10.Evitem lesões

 

Muita massa gastam os meus amigos em fisioterapia, massagens, consultas médicas, acupunctura e idas à bruxa. Tudo para se curarem da epidemia de lesões que afecta o pelotão nacional. Um tipo lesionar-se é tão 1998! Deixem-se disso. Já não se usa. Hoje em dia só se lesiona quem quer. Da mesma forma que a melhor solução para evitar uma gravidez indesejada é a abstinência, a melhor forma de evitar lesões é não correr. Não corram e garanto-vos que não se lesionarão. Palavra de TopMáquina. Também podem aplicar o ponto 7 aos Fisioterapeutas e casar com um. Ouvi dizer que o Pedro Bizarro está livre como um passarinho e é um tipo extremamente bem apessoado.

 

 

11.Compitam perto de casa

 

É muito fixolas viajar, correr em novos trilhos e conhecer pessoas novas. Mas tudo isso tem custos. O transporte, alojamento e refeições saem-nos do bolso. Considerem isto: pelo preço de uma participação no MIUT poderão fazer 20 Trails de Curral de Moinas. Melhor ainda: organizem provas no quintal de vossa casa, convidem os vossos amigos mais fraquinhos, ganhem a prova e publiquem as fotos no facebook. Durante um ou dois dias vais sentir-te como um verdadeiro campeão.

 

 

12.Encornem o vosso cônjuge no monte

 

Em vez de levarem a vossa amante para o Hotel, que tal marcarem um treino / escapadinha no meio do monte? Fazem exercício, dão a queca atrás de um eucalipto e poupam dinheiro na diária. Só vantagens.

Rescaldo GTSA 2015

por Pedro Caprichoso, em 01.10.15

Sábado. Dez da manhã. Tirei o meu Volkswagen Golf TDI da garagem, apanhei o Jérôme pelo caminho e partimos rumo à Senhora do Minho. Pelo caminho matei 2 ciclistas e 3 militantes do PCTP/MRPP. Não faleceram via atropelamento. O seu óbito foi provocado pelos fumos de escape emitidos pelo meu bolinhas. Ao enterrarmos os 5 cadáveres na berma da estrada, apercebi-me que o Jérôme tem muito jeito para cavar buracos. Se a sua carreira enquanto actor porno não resultar, espera-lhe um futuro brilhante enquanto coveiro. Bem vistas as coisas, tem tudo a ver com buracos.

 

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Era a puta da loucura! A Senhora do Minho rebentava pelas costuras. Nem em dias de romaria. As pedras não eram suficientes para tanto rabo nelas alapado. Estariam lá, seguramente, 10 mil pessoas. Metade pertencia aos quadros do Viana Trail. Uns de binóculos, outros de fio dental – facilmente identificável pela posição em que se encontravam sentados – e outros exibindo a t-shirt de cagão (i.e. finisher) da prova mais difícil que fizeram até à data. Todos com os olhos postos no ponto em que no horizonte surgiriam os primeiros atletas do GTSA – Vertical. Apostas eram feitas sobre o vencedor quando, ao longe, reconheci o Keanu Reeves sentado num calhau gigantesco. Não dá para ver, mas na foto abaixo publicada estão cinco atletas do Viana Trail atrás da pedra a tentar empurrá-la. Não percebo o que eles têm contra o actor norte-americano.

 

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Jérôme (a.k.a. “Escroto de Aço”) convenceu-me a descer até meio do Cerquido para acompanhar a prova mais de perto. Passou o Carlos Sá em funções de safety car, passou o Carlos Dias – o futuro vencedor – e passou o Diogo Fernandes em tronco nu. Não resistimos aos seus encantos e fomos atrás dele. «A Erica Fontes está à tua espera na meta», disse-lhe eu de maneira a motivá-lo. E acrescentei: «Jérôme, dá-lhe um empurrão pela rectaguarda». «Ele não faz o meu género», respondeu o Gigi de pronto. E rematou: «Se fosse o Bruno Sousa, já era outra história».

 

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Acompanhámos o Diogo até à base da ‘rampa da meta’. Deixámo-lo então partir em solitário sob os aplausos e incentivos da multidão de fãs do atleta de Santo Tirso. Assentámos arraiais, o Keanu Reeves juntou-se-nos e aí ficámos a apoiar os demais atletas, inclusive os utilizadores de muletas. A determinado momento apanharam-me a olhar para o rabo de um indivíduo do sexo feminino. O Jérôme, como não gosta de gajas, estava a olhar para o tronco nu do Penetra e do Paulo Machado, que vinham a seguir.

 

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Ficaram todos chocados ao tomarem conhecimento que o vencedor do GTSA-Vertical não corre. Só faz zumba. Posto isto, já marquei 10 aulas de zumba com a Tu Xa.

 

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Regressei da Senhora do Minho com a barriga a dar horas. Almocei sarrabulho, fiz crioterapia no rio de Outeiro, jantei sarrabulho, dormi 8 horas, comi os restos do sarrabulho e rumei em direcção a Dem.

 

 

Domingo. Sete da manhã. Era noite, estava nevoeiro e não se via a ponta de um corno. Não obstante, o tagarela Sô Doutor Eduardo Merino era facilmente identificável no meio da multidão. Aquela voz de barítono não engana ninguém. E assim é que se vê a diferença entre os amadores e os profissionais: enquanto uns apalhaçam e ficam no paleio até ao tiro de partida, outros há que se remetem ao silêncio de maneira a melhor se concentrarem na tarefa em mãos. Escusado será dizer que o Ricardo Silva pertence ao grupo dos profissionais – ele que acabou por fazer segundo e assegurar o título de Campeão Nacional do Circuito de Ultra-Trail. Consegui arrancar-lhe um bom-dia e nada mais.

 

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Dado o tiro de partida, os peões começaram a moverem-se (de acordo com a vontade da nossa Senhora do Minho) e a Juventude Vidigalense apanhou-se na liderança da prova à passagem por São Lourenço da Montaria (33k). O Presidente do Viana Trail estava de tal forma borradinho de medo, que a determinado momento despiu-se à minha frente, porventura na esperança de que eu me distraísse, tropeçasse e mandasse com os cornos no chão. Acontece que eu não gosto de homens de meia idade. Prefiro-os mais novos e tenrinhos.

 

Como se o estrume das vacas e dos garranos não fosse suficiente, o Rui Seixo e o André Rodrigues resolveram adubar a Serra D’Arga como se não houvesse amanhã. Apanhei os dois, de cócoras, a cagar à caçador. Quem não soubesse melhor, diria que eles haviam sido contratados pelo Ministério da Agricultura. Se os problemas gastrointestinais do Seixo não tiveram reflexo na classificação colectiva da sua equipa, o mesmo não se pode dizer em relação ao André. A Juventude Vidigalense contava com apenas 3 atletas, pelo que estes teriam obrigatoriamente de terminar a prova para classificar a equipa. Ou seja, a desistência do André deitou por terra as aspirações da equipa de Leiria. «As fezes do André souberam-me a mousse de chocolate», confessou o Presidente do Viana Trail a este vosso mui estimado cronista.

 

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Na última subida passei por um tipo estendido no chão. Estava com cãibras, o desgraçado. Baixei-me para ajudá-lo, mas tive uma cãibra e acabei sentado ao lado dele. Alonguei, rezei um Pai-Nosso e duas Avé-Marias, despedi-me dele e continuei. Graças à Senhora do Minho que por essa altura apareceram dois anjos do Trail Curto (23k) que se ocuparam dele. Bendita sejas, Senhora do Minho. Aleluia!

 

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Os atletas cabo-verdianos perderam-se inúmeras vezes. Primeiro na descida após a Pedra Alçada e, mais tarde, no Cerquido. Perderam-se, atalharam e foram parar ao topo do Cerquido, falhando o controlo que se encontrava na base deste. Tiveram por isso de descê-lo, passar pelo controlo e voltar a subi-lo. Ainda assim conseguiram correr atrás do prejuízo e acabar, respectivamente, em 8.º e 12.º lugares. No entanto, não foi isso o que mais me impressionou nos nossos amigos vindos de Cabo-Verde. Tendo em conta o calor que se fazia sentir, o que me deixou com os queijos no chão foi o facto de os ver correr com luvas. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo…

 

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Jérôme Rodrigues, o cabo-verdiano mais albino de Portugal, também se perdeu no Cerquido. Mas as duas situações não são comparáveis. Os problemas de orientação dos nossos amigos lusófonos apresentam atenuantes, pois era a primeira vez que corriam em Portugal. Já a avaria do GPS do atleta barcelense não tem desculpas. É imperdoável. Arga é o seu campo de treinos, por amor do santíssimo!

 

Para terem noção do à-vontade e classe dos 2 primeiros classificados, considerem estes 2 episódios:

 

  1. No segundo km de prova passei pelo Nuno Silva a atar os cordões das sapatilhas. O tipo nem se dá ao trabalho de verificar os atacadores antes da partida. Isto é a brincar com os atletas que dão três nós cegos com medo de terem de parar para os voltarem a atacar durante a prova.

 

  1. O Ricardo Silva encontrou um telemóvel (da marca com nome de fruta) durante a prova e entregou-o no final à organização. Pelo caminho ainda teve tempo de usá-lo para publicar um post sobre as barras Olimpo. Isto é a brincar com as pessoas que não têm patrocínios e têm de ficar com as coisas que encontram nos trilhos para conseguirem ganhar a vida. Relembro que o contrato do Ricardo com as barras Olimpo ascende a 2 milhões de euros por época.

 

Por fim, vejam só a tabela toda catita que eu fiz. Nela poderão verificar os tempos realizados pelo Top20 do GTSA entre os 33k - 53k. Três homens "estouro" são facilmente identificáveis: Délio, Pacheco e aqui o "fininho". O paneleiro do homem marreta apanhou-me no calor da última subida. Parecia que estava a andar de marcha-atrás. Tirando os mais rápidos, podemos também concluir que o Paulo Lopes (Paulo Silva) continua a marcar a diferença como um dos melhores "terminadores" do pelotão nacional. Ou será exterminador?

 

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