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TOP MÁQUINA

Eu faço Trail e sou uma Máquina. E isso é Top!

TOP MÁQUINA

Eu faço Trail e sou uma Máquina. E isso é Top!

Antevisão dos Abutres 2016

por Pedro Caprichoso, em 27.01.16

Vejo muita gente assustada com os Abutres. Sobretudo os novatos. No facebook só leio publicações acagaçadas. Andam todos borrados de medo. Os finishers da última edição classificaram-na como a mais dura de sempre—e os novatos, com medo, andam por aí todos a borrar a cueca.

 

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Tenho inclusive um colega de equipa que tem padecido de pesadelos recorrentes. Não vou identificá-lo por uma questão de respeito. Dar-lhe-emos o nome fictício de Diogo Lopes. O Diogo confessou-me que já não dorme há uma semana e que o seu pesadelo é sempre o mesmo: escorrega, cai de cu em cima de um ouriço, esgaça o rabinho, não consegue levantar-se e é engolido pela lama. Perante isto, fiz o que estava ao meu alcance no sentido de tranquilizá-lo. Assegurei-lhe que o seu pesadelo jamais se concretizaria: «Em finais de Janeiro já não há ouriços», disse-lhe. «A época dos ouriços é no Outono, pelo que a probabilidade de algum se alojar no teu ânus é praticamente nula.» E rematei reconfortando-o: «Escorregar é garantido. Cair de cu uma certeza. Ser engolido pela lama uma possibilidade. Agora, esgaçar o rabinho num ouriço? Isso está fora de questão. Podes esgaçá-lo, mas não num ouriço. Talvez num eucalipto bebé ou numa pedra aguçada.» Penso que fui um bom amigo. Acredito que ele hoje já vai dormir mais descansado. Como um bebé.

 

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Dito isto, não tenham medo dos Abutres. Não acreditem em tudo o que vos dizem. Os Abutres não são esse bicho-papão que vos tentam vender. São muito piores. Preparem-se para o pior. Confessem-se, redijam o vosso testamento, acendam uma vela a São Olmo e escrevam uma carta de despedida aos vossos familiares. Pelo sim, pelo não. Acham que estou a exagerar? Então façam o favor de visualizarem o vídeo abaixo publicado. Tiro-vos o chapéu se conseguirem fazê-lo com as calças secas. O xixi vai estar em alerta vermelho. Depois digam que eu não vos avisei. A Dodot está em promoção no Continente. Aproveitem.

 

 

Por fim, um convite: apareçam e participem na tertúlia a realizar, sexta-feira, dia 29, no Mercado Municipal de Miranda do Corvo, por volta das 20h00. Para quê? Olha, por exemplo, para atirem ovos e tomates podres à minha pessoa sempre que eu disser um disparate. O que me dizem?

Os Melhores do Trail Nacional 2015

por Pedro Caprichoso, em 23.01.16

Plagiando (à descarada) o blogue Correr na Cidade, o TopMáquina vem por este meio promover uma votação no sentido de determinar os Melhores do Trail Nacional 2015. Os resultados serão divulgados a seu tempo. Ou seja, quando bem me apetecer.

 

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Os Melhores da Corrida 2015

por Pedro Caprichoso, em 20.01.16

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O blogue Correr na Cidade encontra-se a promover uma votação no sentido de determinar os Melhores da Corrida 2015. A votação é constituída por 3 temas agrupados em várias categorias e o júri composto por pessoas ou grupos convidados pelo supracitado blogue. Ainda estou em choque por não ter sido convidado. Falta de consideração. É o que é. Até aposto que o tipo do Tripas e Nortadas foi convidado. É por estas e por outras que. Vocês sabem o que eu quero dizer. Uns são filhos e outros enteados. É o sistema. Tráfico de influências. Corrupção. Cunhas. Padrinhos. Maçonaria.

 

Mas não julguem que me calam. Jamais calar-me-ão. Muito menos silenciarão. O que agora ficava bem era uma rima com tesão. Ou com feijão. Vocês ainda têm de comer muito arroz com feijão. E farofa. E picanha. Tal desconsideração não me vai porém impedir de influenciar a decisão dos jurados. And the running oscar goes to…

 

MATERIAL E MARCAS DE CORRIDAS

 

Melhor Marca de Running

Meia da Raquete.

 

Melhor Modelo de Sapatilha de Estrada

Crocs Z-Lab Sense 5.

 

Melhor Modelo de Sapatilha de Trail Running

Adidas Speedcross.

 

Melhor Acessório de Corrida

COMPREX – O Preservativo para o Trailer do Século XXI.

 

 

TREINOS E PROVAS

 

Melhor Treino Social

5F Bravas à Hora do Bagacinho na Cova da Moura.

 

Melhor Prova de Estrada

Ermesinde Night Urban Trail Fucking Running.

 

Melhor Prova de Trail Running

Légua Nudista.

 

Melhor Circuito de Provas

Maratona de Provas de Enchidos de Aguiar da Beira.

 

 

FACTOS E PESSOAS

 

Melhor contribuição do ano

Os 2,5 milhões de euros da Prozis à ATRP.

 

Melhor atleta Feminino

Missy TraiLab.

 

Melhor atleta Masculino

Não vou nomear ninguém para não ferir susceptibilidades. Digamos apenas que é aquele que acumula as seguintes características:

 

  1. Tem página de atleta;
  2. Exibe o nome no equipamento;
  3. Publica fotos em lojas de desporto ainda que por estas não seja patrocinado;
  4. Tira uma selfie sempre que sai para treinar;
  5. Liga para as organizações das provas para conhecer a lista de inscritos;
  6. Escolhe as provas com menos concorrência;
  7. Justifica os maus resultados com desculpas esfarrapadas;
  8. Escarrapacha nas redes sociais todos os seus treinos: os quilómetros percorridos, o desnível vencido e as calorias gastas;
  9. No fim das provas, publica a foto do conjuntinho formado pelos brindes, medalha, sapatilhas enlameadas, relógio com o tempo de corrida, t-shirt de finisher e dorsal;
  10. Na véspera das provas, publica a foto do dorsal, acessórios, alimentação e equipamento dobrado em cima da cama.

12 Coisas que detesto no Trail Running

por Pedro Caprichoso, em 18.01.16

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1.

Encontrar uma secção de trilho totalmente alagada, fazer um desvio de maneira a contornar a água e, mesmo assim, molhar os pés.

 

2.

Dar de focinhos com uma poça de água, contorná-la com todo o cuidado para não molhar os pés e depois o nosso companheiro de treino desatar a chapinhar na água, encharcando-me dos pés à cabeça. Isto é o prato do dia nas 5F Bravas.

 

3.

Gajas feias que inundam a minha caixa de correio com pedidos de envio de roupa interior autografada. Já só tenho 2 pares de cuecas.

 

4.

Gente que faz provas de estrada com mochilas de hidratação. Dão mau nome ao Trail.

 

5.

Sair para um treino de 4h e a meio aperceber-me que me esqueci de passar creme antifricção nas virilhas. Dica: passar água na zona afectada só agrava a situação.

 

6.

Começar a chover assim que começamos o treino e parar de chover assim que chegamos a casa.

 

7.

Apanhar uma gaja de rabo-de-cavalo a correr à nossa frente, aumentar o ritmo para apanhá-la e, ao ultrapassá-la, aperceber-me de que é um homem.

 

8.

Ter de aliviar a tripa num descampado em dia de ventania invernal. Aquele frio entra por ali adentro e erriça os pêlos do rabo. Além disso, o cocó larga vapor—o que é particularmente nojento. Prefiro que o meu cocó não largue vapor. Acho mais higiénico.

 

9.

Esquecer um par sapatilhas molhadas na mala do carro e, no dia seguinte, abrir o carro com a sensação de que morreu um animal dentro da viatura.

 

10.

Treinar em grupo, esperar nas subidas por aquele nosso amigo badochas e este depois disparar nas descidas, deixando-me para trás. Como os treinos no monte acabam geralmente em descida, é depois vê-lo achando-se o maior. Atenção: isto não é dirigido ao José Carlos Alcobia.

 

11.

Nas partidas ter de ultrapassar em gincana os dois tipos de gente que fazem de tudo (incluindo cotoveladas) para partir à frente das provas: (1) os velhos que ainda pensam que são novos e (2) os atletas de ginásio artilhados com tecnologia de ponta dos dedos dos pés à ponta dos cabelos.

 

12.

Páginas de atleta de atletas amadores. Eu também faço um bacalhau à brás de ‘comer e chorar por mais’ e não é por isso que tenho uma página de chef no facebook.

Os Jogos Olímpicos dos Caminheiros

por Pedro Caprichoso, em 14.01.16

Estou triste. Não fui seleccionado para o UTMB. Sinto que a minha vida deixou de fazer sentido. O UTMB é tudo para mim. Não há vida para além do UTMB. Participar no UTMB seria como participar nos Jogos Olímpicos dos Caminheiros. Recuso-me a encontrar alternativas ao UTMB. Comigo é tudo ou nada. É o UTMB ou o sedentarismo. Adeus UTMB. Olá sofá.

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Tinha a certeza de que era desta que seria seleccionado. Contei aos meus amigos, ao pessoal do trabalho e à minha emprega de limpeza. Disse-lhes que era desta. Tinha inclusive reservado um restaurante para comemorarmos o feito. Tive de desmarcar tudo. Agora até tenho vergonha de encarar o Jorge da contabilidade.

 

Tinha dado entrada para a compra de uma GoPro, pedi emprestado um stick para tirar selfies e já tinha garantido alojamento em casa da prima de um amigo da minha ex-mulher. A rapariga vive a 1h30 de Chamonix e é boa como o milho. Podia ser que…

 

O meu erro foi achar que o meu nível de notoriedade faria com que a organização me endereçasse um convite VIP. Esperei, esperei, desesperei e o convite nunca chegou. Parece que este ano vou ter mesmo de coleccionar os pontos obrigatórios e candidatar-me com o comum dos mortais.

 

Este ano limitar-me-ei às funções de mochileiro do Jérôme Rodrigues. É degradante, eu sei. Mas não tenho alternativa. Foi uma aposta. Tê-lo-ia de fazer se ele fosse seleccionado—e não é que o cagão foi mesmo seleccionado? Sorte de principiante. Candidatou-se pela primeira vez e foi logo seleccionado. Deus dá dentes a quem não tem nozes.

Toda a Verdade sobre o TopMáquina

por Pedro Caprichoso, em 13.01.16

O JN Running pediu-me uma entrevista e a primeira coisa que eu fiz foi elaborar um discurso todo xpto. Tenho pânico de falar em público e pensei que me safaria melhor se tivesse a lição estudada. Enganei-me redondamente. Vocês já viram este vídeo e sabem do que eu estou a falar. Algumas partes escaparam-se-me e outras não resistiram à edição. Um desastre completo. Posto isto, de maneira a não acharem que eu sou um perfeito anormal, transcrevo em baixo a versão completa. Eis toda a verdade sobre o TopMáquina:

 

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 [TopMáquina na véspera de ir para a tropa]

 

Infelizmente não comecei a correr porque pesava 220kg e fumava 5 maços de tabaco por dia, pois nesse caso teria uma história emocionante de superação para vos contar. A realidade é bem menos interessante.

 

Comecei a correr no século passado. Provavelmente em 1997. Na altura jogava futebol nos escalões de formação, e foi-me proposto por um colega de equipa começarmos a correr nas férias grandes para chegarmos melhor preparados ao início da época futebolística. Lembro-me de sentir que aquele circuito—que nos levava 25min a subir e outros 15 a descer—era o nosso Kilimanjaro. Sempre pensei que teria uns 10km. Anos mais tarde, equipado com um relógio GPS, descobri que nem 4km tinha.

 

Entretanto, em 1998, fui estudar para fora. Deixei o Futebol, continuei a correr e fiz a minha primeira prova em 2000—então com 20 anos. Sobrevivi à Meia-Maratona de Viseu com 1h35, federei-me e continuei a fazer provas de estrada até 2012—ano em que fiz a minha primeira prova de Trail.

 

Como sou um tipo que gosta de fazer as coisas com calma e não dar um passo maior do que a perna, escolhi os 70km do Ultra Trail Serra da Freita (UTSF 2012) para me estrear no Trail. A Freita é perto de casa dos meus pais, já tinha feito 3 Maratonas de estrada e julgava, do alto da minha sobranceria, que acabar o UTSF eram favas contadas. Fui ao engano. Completamente. Caí 10 vezes—sim, contei-as—e pensei em desistir outras tantas. Ainda hoje não sei como, mas lá consegui cortar a meta ao cabo de 11h30—já por essa altura o Mota havia tomado o seu duche e enfardado 3 bifanas. Depois da Freita fiz o UTAX, e depois outra e mais outra e mais outra… E agora aqui estou eu a ser entrevistado por aquilo que escrevo e não por aquilo que corro. No fundo, sou um atleta frustrado. Verdade.

 

Sempre escrevi. Tive muitos blogues ao longo dos anos, daqueles extremamente egocêntricos e nada interessantes. Entretanto, no final de 2014, comecei a escrever no facebook umas palermices relacionadas com o Trail e as pessoas pareciam reagir de forma positiva aos meus textos. Daí a criar o blogue foi um passo. O TopMáquina é a forma que eu tenho de não me levar a sério e de me rir de mim próprio. As provas são para competir, quanto mais não seja comigo próprio. Entre o tiro de partida e a meta só penso na competição. Fora isso, para não cair na obsessão da competição, sinto necessidade de apalhaçar. É quase como uma terapia, sendo que o melhor remédio é rirmo-nos de nós próprios.

 

Já que estou na televisão, posso mandar beijinhos para os meus Trail Runners preferidos? Refiro-me, como é evidente, aos primos Rodrigues (Pedro Rodrigues, Jérôme Rodrigues e André Rodrigues) e aos primos Silva (Nuno Silva, Ricardo Siva e Carlos Natividade Silva). Por fim, quero ainda mandar uma lambidela molhada à Missy TrailLab—a melhor atleta de 4 patas do Trail Nacional. [Nota para mim próprio: pegar na câmara e dar uma valente lambidela na lente de maneira a deixá-la embaciada.]

 

Já agora, em que canal é que isto vai dar?

7 Resoluções para 2016

por Pedro Caprichoso, em 12.01.16

Na passagem do ano decretei 7 resoluções para 2016. Decretei-as em voz alta enquanto dava as 12 tradicionais passas num charro de ervas daninhas e bebia uma taça do meu próprio xixi. Não me julguem. É uma tradição de família. O nosso xixi é extremamente efervescente. Faz bolhinhas. É genético.

 

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Sem surpresa, todas as resoluções tinham a ver com o Trail. Igualmente sem surpresa, 5 dias depois já tinha quebrado todas as promessas que havia jurado cumprir—e agora sinto-me um falhado. Ainda para mais eram resoluções totalmente realistas e exequíveis. Tive o cuidado de não dar um passo maior do que a perna, mas mesmo assim falhei em toda a linha.

 

1. Comer melhor.

 

Tenho tentado comer da forma o mais variada possível, mas em 2016 só tenho comido brasileiras. Suecas e Dinamarquesas nem vê-las. Todos sabem que as nórdicas são ricas em vitamina C, pelo que receio ficar com escorbuto.

 

2. Melhorar a minha técnica.

 

O André Rodrigues—também conhecido como o Rei da Cinestesia—aconselhou-me a correr no monte de olhos vendados como forma de aumentar os meus níveis de propriocepção. Aceitei a sugestão e, no dia seguinte, rachei os cornos ao embater com estes num poio de javali fossilizado. Ele veio visitar-me ao hospital e admitiu que estava a gozar contigo: «Nunca pensei que tentasses mesmo correr de olhos vendados. Tu és maluco? Não vês que isso é muito perigoso. O que eu faço é correr de noite sem frontal. É muito mais seguro.» O André não seria capaz de me enganar duas vezes, pois não?

 

3. Comprar menos sapatilhas.

Havia estipulado comprar apenas 2 pares de sapatilhas por ano. Já vou em 7: 1 para competir em piso molhado, 1 para competir em piso seco, 1 para os treinos longos, 1 para os treinos intervalados e 3 para andar no dia-a-dia de maneira a exibir-me com estilo. O que me vale é que são todas contrafeitas. Custaram-me 17€ o par no Aliexpress.

 

4. Treinar em grupo.

 

Todos me dizem que treinar em grupo é que é bom. A única vantagem que eu vejo é se correr com tipos mais fraquinhos do que eu: dou-lhes um bigode e depois gozo com eles ‘forte e feio’. Acontece que até hoje só 3 pessoas se mostraram interessadas em treinar comigo: o Ricardo Silva, o Jérôme Rodrigues e o Tino de Rans—e com esses eu não faço farinha. São muita areia para o meu camião. Nomeadamente o Tino.

 

5. Correr de meias.

 

Tentei. Acreditem que tentei. Mas não dá. Poder-vos-ia dizer que de meias fico com os pés ensopados, que de meias o pé escorrega-me dentro da sapatilha nas descidas, que de meias preciso de esganar o pé para conseguir um mínimo de estabilidade, ou que de meias o cheiro a chulé é insuportável. Tudo isso é verdade. A maior verdade de todas, porém, é que correr sem meias é uma das minhas imagens de marca e eu sou um tipo extremamente cagão. Se agora começar a correr de meias, sabem no que é que eu me transformo? Passo ao anonimato num estalar de dedos e transformo-me em mais um runner, mais um igual a tantos outros—e o meu objectivo de vida não é esse. Eu quero justamente o oposto: quero destacar-me entre a carneirada, ter muitos gostos no facebook e viver feliz para sempre. Também já tentei usar suplementação em pó, mas acabo sempre por voltar à Sopa da Mamã. Por quê? Porque, embora rançosa, é outra das minhas imagens de marca. Lamento, mamã, mas tu não sabes cozinhar.

 

6. Largar o doping.

 

Confessei-me antes da missa do galo e o padre da minha paróquia mandou-me largar o doping. O vigário garantiu-me que largá-lo melhora as minhas hipóteses de conseguir um lugar no paraíso. Perante tal dilema, pus a mão na consciência, tirei-a do rabinho passado 5 minutos, fiz um piço com a mesma, apontei-o ao sacerdote e mandei-o passear. Escolho o doping. Tudo indica, portanto, que passarei a eternidade nos quintos dos infernos. Paciência.

Aquilo que a Santa Sé não percebe é que o doping tem uma grande vantagem: faz-nos correr mais. Além disso, como os atletas ainda não são controlados, não há qualquer risco de sermos apanhados. Só os pelintras—sem dinheiro para comprar droga—é que não se dopam. E eu não sou pelintra. O rendimento mínimo chega-me e sobra.

 

7. Responder a todos os meus fãs.

 

Ao correio electrónico do TopMáquina chegam-me diariamente centenas de mensagens. A maioria são ameaças de morte e convites de cariz sexual. Cheguei contudo à conclusão de que é humanamente impossível responder a todos os meus fãs. Das duas uma: ou arranjo uma assistente, ou inverto as minhas prioridades. Não estou porém disposto a fazer nem uma coisa nem outra. Arranjar uma assistente está fora de questão: não há orçamento. Quanto às minhas prioridades, esta lista está por ordem decrescente e em primeiro está a minha alimentação (ver ponto 1).

 

Desde então tenho vindo a penitenciar-me por meio de palmadas no rabinho. Sempre que falho uma resolução, telefono ao Joel José Ginga e ele vem a minha casa açoitar-me as nalgas. Pode não parecer grande castigo, mas o que vocês não sabem é que ele trabalha na agricultura e tem aquelas mãos bem calejadas. O homem, afinal de contas, é praticamente queniano: quando não está a correr, está a cultivar a terra.

Entrevista Top a uma Máquina

por Pedro Caprichoso, em 08.01.16

Aqui há uns tempos, uma tal de Ivete meteu conversa comigo no facebook e eu pensei: “Pronto, mais uma que quer um par de cuecas autografadas.” Afinal queria uma entrevista. Ei-la:

 

Balanço 2016

por Pedro Caprichoso, em 05.01.16

Quem diria que 2016 ficaria na história como o ano da revolução no Trail Nacional? 2016 teve de tudo: controlos anti-doping positivos, prémios monetários de 4 dígitos, cancelamento de provas por falta de participantes, o primeiro português campeão do mundo de Trail, o primeiro escândalo de corrupção, o primeiro escândalo sexual e a coincidência dos 6 Campeões Nacionais de Trail serem todos do signo Balança.

 

Parte I

 

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Como bem se lembram, os primeiros casos positivos ocorreram logo no rescaldo dos Trilhos dos Abutres. Se um dos casos detectados pela Agência Portuguesa de Anti-dopagem (APA) não foi surpresa para ninguém, o mesmo não se pode dizer do outro.

 

Só os mais distraídos ficaram admirados com a confissão da Analice aos microfones da TSF Runners. Relembro que à atleta Luso-Brasileira foi aplicada uma pena de suspensão por um período de 2 anos, ao que acresce serviço comunitário por igual período. Sinceramente não sei o que é pior: se a suspensão, se ser forçada a rebentar as bolhas dos finishers das provas que fazem parte do Campeonato Nacional de Trail Endurance. Ainda que só fossem as bolhas do José Faria, tal já seria castigo suficiente.

 

Sejamos sinceros: a Analice já vinha a pedi-las e teve o que merecia. O que dizer, porém, do controlo positivo do Rui Pinho? Ao contrário da sua amiga, o Rui remeteu-se ao silêncio durante todo o processo. Os seus advogados continuam a afirmar que o seu cliente desconhecia que o Calcitrin é composto por uma substância proibida pela APA. A extroderimetadonatina, vulgo ‘extracto de colhão de touro’, foi detectada numa amostra de xixi do Rui e posteriormente confirmada através de uma segunda análise.

 

Na única vez que falou em público sobre o assunto, na já famosa conferência de imprensa realizada numa Tasquinha do Porto, o autor do blog Tripas e Nortadas comeu 3 francesinhas e depois leu uma breve declaração perante os jornalistas. Transpomo-la em baixo na sua totalidade:

 

«A idade não perdoa e comecei a tomar Calcitrin por recomendação do meu amigo Eduardo Merino. Ele disse-me que a minha estrutura músculo-esquelética não ia aguentar por muito mais tempo, que isto já lá não ia com fisioterapia e que a única solução passaria por recorrer aos químicos. E assim fiz. Ainda experimentei o cogumelo do tempo, mas aquilo só me fazia gases. O José Capela é testemunha.»

 

Alguns juram a pés juntos que o Rui é inocente; outros querem despi-lo, mergulhá-lo num barril de óleo queimado, despejar-lhe um saco de penas de galinha em cima e obrigá-lo a fazer o UTSF nesses preparos. Seja como for, facto é que a ATRP teve mão pesada e aplicou-lhe um castigo exemplar. A ATRP obrigou o Rui a aceitar o cargo de Director de Comunicação da associação em troca da redução da pena de suspensão que lhe foi aplicada de 3 para 1 ano. Escusado será dizer que ele foi entretanto despedido por “promover a discussão sobre o estado do Trail Nacional” e a sua pena agravada em 5 anos.

 

Parte II

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Segundo os especialistas, o pico de popularidade do Trail atingiu-se por volta das 17h04 (UTC) do passado dia 29 de Julho de 2016. A modalidade atingiu aquele ponto em que todos os nossos amigos fazem Trail e já não temos mais ninguém para impressionar com os nossos feitos trailiteiros. Qual o interesse em praticar uma modalidade que todos praticam? Qual é a gaja que fica ‘com o pito aos saltos’ por um tipo que pratica a mesma modalidade da mãe dela? Namorado e mãe a praticarem a mesma modalidade não é, definitivamente, a coisa mais sexy do mundo. A prática do Trail, em meados de 2016, tornou-se assim o equivalente à prática de levantamento de copos na esplanada da Associação Cultural e Recreativa da Pontinha; ou, se quisermos, na versão feminina, à prática de croché numa tarde soalheira de inverno sob o calor das duas da tarde.

 

O Trail banalizou-se e a maior motivação do Zé-Povinho—Atleta, que consistia em cagar os seus feitos nas redes sociais, foi perdendo o seu encanto. Daí aos primeiros atletas trocarem o Trail pelo Ironman foi um passo. Começaram-se a verificar os primeiros cancelamentos de provas por falta de atletas, as Organizações viram-se obrigadas a abrir os cordões à bolsa e, no dia 18 de Dezembro, o V Curral de Moinas Christmas Trail atribuiu ao vencedor o inaudito prémio monetário no valor de €9.000. Começou-se também a verificar uma vaga de afogamentos entre o pessoal que se meteu no Triatlo sem saber nadar, mas isso são outros quinhentos.

 

Parte III

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Aqui há uns anos, se bem se lembram, o BPI respondeu a uma OPA do BCP com uma contra-OPA ao BCP. Ou seja, o gigante BCP ameaçou adquirir o pequenino BPI e este, em resposta, pôs-se em bicos de pés e ameaçou adquirir o BCP. Na altura, tais manobras não deram em nada. Acontece que a ATRP pegou no exemplo do BPI e, como é do conhecimento público, apresentou uma OPA à FPA no dia 28 de Maio de 2016. Aproveitando o crescimento do Trail e o definhamento do Atletismo, a ATRP pegou nas cotas dos seus 350 mil associados e fez uma Oferta Pública de Aquisição à Federação Portuguesa de Atletismo. Em 2015, a ATRP integrava a FPA enquanto “associado extraordinário”. Hoje, dia 5 de Janeiro de 2017, é a FPA que integra a ATRP enquanto “secção amadora”. No seguimento desta aquisição têm-se vindo a verificar algumas alterações ao nível do Atletismo em Portugal, das quais destacamos as seguintes:

 

  1. Criação de novas disciplinas, de que são exemplo os ‘100 metros com lama até aos joelhos’ e o ‘quadruplo-salto por cima de bosta de cavalo’;
  2. A designação “Maratona” passou a ser atribuída a qualquer prova entre 30k a 70k;
  3. O lançamento do bastão foi introduzido em substituição do lançamento do dardo;

 

Parte IV

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A ATRP, em conluio com a ATRB (*), promoveu uma festa de pijama entre uma dezena de brasileiras e os principais candidatos estrangeiros à vitória no Campeonato do Mundo de Trail, disputado no Parque Nacional da Peneda-Gerês no passado mês de Outubro. A festa teve lugar na véspera da prova e metade dos favoritos não se conseguiram sequer apresentar à partida. Os restantes ficaram-se pelo primeiro abastecimento, com problemas intestinais e dores insuportáveis ao nível do rabinho. Veio-se mais tarde a descobrir que as brasileiras eram transexuais.

 

O escândalo sexual foi espremido até à última gota pela comunicação social e não vale a pena estar a chover no molhado. O que muitos desconhecem, porém, é que ao escândalo sexual está associado um igualmente escandaloso escândalo de corrupção envolvendo as altas esferas da ITRA. Embora não se tenha provado a existência de pagamentos em dinheiro, a acusação alega que teve lugar o crime de corrupção por terem sido encontrados produtos regionais nos quartos de hotel dos representantes da ITRA. Para que estes fechassem os olhos à referida festa do pijama, cada elemento terá alegadamente recebido um cabaz recheado com um sortido de produtos de fumeiro, dois garrafões de vinho carrascão, três queijos de bode e um presunto de porco malhado.

 

No meio disto tudo, Jérôme Rodrigues acabou por sagrar-se Campeão do Mundo de Trail e Barcelos decretou 7 dias de festa. As buscas levadas a cabo pela PGR encontraram ainda uma peruca (semelhante às usadas pelas brasileiras) na residência do atleta barcelense. Uma vez que se tratam de provas circunstanciais, nenhuma acusação foi instaurada contra o Lince Ibérico.

 

(*) Associação de Trail Running do Brasil.

 

Parte V

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Se 2016 não foi um bom ano para o Trail, foi-o ainda pior para a Astrologia. A coincidência dos 6 Campeões Nacionais de Trail serem todos do signo Balança fez cair em descrédito a pseudociência do oculto. Relembro-vos que todos os Astrólogos garantiram que 2016 seria um ano péssimo para os nativos de Balança, apontando Carneiro como um dos signos mais beneficiados pelo ano que agora acabou. Há milhares de estudos científicos que refutam os princípios da Astrologia, mas foi preciso uma coincidência destas para que as pessoas abrissem finalmente os olhos. Acabaram-se os grupos de treino com signos compatíveis; acabaram-se os planos de treinos baseados no Mapa Astral do atleta; e acabaram-se os Treinadores / Astrólogos, de que é exemplo esta menina.

 

to be discontinued…

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