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TOP MÁQUINA

Eu faço Trail e sou uma Máquina. E isso é Top!

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Eu faço Trail e sou uma Máquina. E isso é Top!

Rescaldo EGT 2016

por Pedro Caprichoso, em 26.05.16

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Parece que a RTP tem um novo concurso chamado «The Big Picha». Ouvi bem? O meu Inglês é muito fraquinho, mas juro-vos que é isso o que eles anunciam na promo. Escrevi esta pseudo-piada aqui há atrasado—e, pelos vistos, confirma-se. A ficção ultrapassou a realidade. Novamente. O concurso chama-se mesmo «The Big Picha». Ouvi bem. Não estou demente. Louvado seja São Francisco de Sales—padroeiro dos de difícil audição. O nome bem que me soava bem. Só assim se justifica o assédio sofrido pelo apresentador Pedro Fernandes às mãos do mulherio que com ele quiseram tirar uma selfie antes da partida do EGT46k. Disseram-me.

 

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Os famosos são uma espécie superior ao comum dos mortais. Custa admitir, mas é verdade. Fiquei hospedado no mesmo hotel do apresentador acima aludido, do cozinheiro Kiko e de um actor de telenovelas—cujo nome não tenho pachorra de googlar—e pude estudá-los durante o pequeno-almoço de Domingo. Sentei-me na mesa ao lado da deles e observei-os como um adolescente observa uma mulher nua pela primeira vez. Avaliei-os de cima a baixo e senti que estava na presença de seres incomparavelmente melhores do que eu. São tipos com muito swag, nomeadamente ao nível do andar. Há quem também lhe chame empeno. Robot style.

 

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Deixando as piadas porcas de lado, digam-me, com toda a sinceridade, o que vos faz lembrar a imagem acima publicada? Sejam sinceros. Digam-me que eu não sou um porco imundo que só pensa naquilo. Leia-se: pornografia geológica. Não tenho medo das palavras. Pornografia geológica é uma patologia sexual como outra qualquer. Se há quem olhe para as nuvens e nelas veja personagens da Disney a pinocar, qual é o problema de vislumbrar partes da anatomia feminina num afloramento rochoso? Dizem que passámos por dentro da Fenda da Talisca por volta do k13. Não me lembro—e olhem que eu lembro-me de tudo. Tenho memória de elefante. Lembro-me, inclusive, do meu nascimento—e estou em condições de vos assegurar que não foi cesariana.

 

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Muitos consideram que a Organização foi demasiado exigente em relação ao equipamento obrigatório. Discordo. A meu ver, pelo contrário, não foi exigente o suficiente. Exigiram casaco e calças impermeáveis, ligaduras, camisola térmica de manga comprida e dois frontais. No entanto, esqueceram-se do mais importante: raquetes de neve. O meu colega de equipa Jorge “Relógio Suíço” Rocha tentou correr na neve sem raquetes e o resultado saldou-se por um valente bate-cu. Por milagre, da queda não resultou nenhuma lesão. Por outro lado, bem vistas as coisas, a neve só lhe fez bem: anestesiou-lhe as nalgas da queda, arrefeceu-lhe o motor—que vinha em sobreaquecimento—e permitiu-lhe entrar no top10 da classificação geral.

 

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O feedback dos atletas com quem falei é altamente positivo: sinalização perfeita, percurso deslumbrante, organização competente, secretariado eficiente, PACS bem apetrechados, brindes fixolas, solo duro aconchegante, fotógrafos bem-dispostos, Carlos Natividade Silva e voluntárias giras. Queixas ouvi poucas: muito estradão nos últimos 30k, banho de água fria (para os atletas dos 90k) e zonas com algum mato. Apenas isso. Percebo o descontentamento dos descontentes, mas não concordo. Bem pelo contrário. O que para uns são pontos negativos, para mim são vantagens: venho da estrada, gosto de rolar e foi nos estradões onde ganhei mais lugares; o mato esfoliou-me a pele e esta semana já poupei 25€ em tratamentos de beleza; o duche em modo crioterapia minimizou-me o empeno e ainda fiquei com pernas suficientes com vista ao Azores Trail Run. A minha única crítica a sério—atenção que esta parte é a sério—tem a ver com a ausência de prémios por equipas. Não sei se a responsabilidade é do EGT ou da ATRP. O que eu sei é que não faz sentido que uma prova do Campeonato Nacional não atribua prémios por equipas. A razão é simples: se há classificação por equipas no âmbito do Campeonato Nacional, é evidente que as provas a contar para esse Campeonato devem prever uma cerimónia protocolar a nível colectivo.

 

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Rebentou-se-me uma veia do nariz por volta do k65 e tive de improvisar um tampão para estancar a hemorragia. Enrolei uma embalagem vazia de gel—como quem enrola um charro—e enfiei-a pela minha narina esquerda acima. Descobri, assim, por mero acaso, que o efeito de absorção do gel é maior snifado do que ingerido. Por instantes, senti-me na pele da Uma Thurman no Pulp Fiction após levar uma injecção de adrenalina no coração. Parecia um foguete na aproximação ao abastecimento dos 70k, onde cometi o erro de ingerir canja de galinha. A canja cancelou o efeito do gel e tive de penar na última e interminável contagem de montanha. É pena, pois acho que ainda ia a tempo de ganhar se tivesse enfiado outro gel pelo nariz acima. Agora que penso nisso, será que o efeito é o mesmo se o enfiar no rabo? Já estou habituado a enfiar objectos fálicos no rabo, mas embalagens de gel é novidade. Vai tudo correr bem. Também, se correr mal, é só telefonar ao meu contacto no Hospital de Viana do Castelo. Ele já está habituado a tirar-me coisas do rabo—e é de um profissionalismo à prova de bala.

 

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O meu colega de equipa Tiago “Todo-o-Terreno” Teixeira é um dos tipos mais duros que eu conheço. “Vi a morte à minha frente”, exclamou ele quando o encontrei mais branco do que cal no PAC3 (30k). O TT bebeu água à guloso, sofreu uma paragem digestiva, viu a morte à frente, olho-a nos olhos, mandou-a à merda, meteu os dedos à garganta, chamou o Gregório e fez-se homem. 2h depois, o mesmo Tiago chegava à Torre com o 7.º tempo mais rápido do km vertical entre os finishers. Tiro-te o chapéu, Tiago. Bastava-me metade da tua força. Em baixo vemo-lo a estudar o perfil da prova numa fatia de pão. Já tinha ouvido falar de gente que vislumbra a figura de Jesus Cristo em torradas e manchas de humidade, mas nunca o perfil de uma prova numa fatia de Panrico.

 

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O colete de finisher do EGT é o melhor colete de finisher do mundo. Por quê? Porque livrou-me de uma multa. Passo a explicar: a polícia mandou-me parar à entrada de Seia quando regressava a casa da Serra da Estrela. Pediram-me os documentos da viatura, pediram-me para soprar ao balão e pediram-me o triângulo e o colete reflector. Tinha o triângulo; não tinha o colete. Havia-o emprestado ao meu primo Asdrúbal, que mo cravou para ir a Fátima a pé pagar uma promessa. O coitado perdeu finalmente a virgindade aos 41 anos e eu presenteei-o com o colete. Perdeu-a com uma reformada corcunda de 69 anos. São gostos. O berbicacho é que me esqueci de comprar um colete novo e o agente já estava com ela fisgada para me multar… quando me lembrei do colete do EGT. “Espere lá, chefe! Eu afinal tenho aqui um colete.” Mostrei-lho e ele condescendeu: “Bem, não é reflector mas é florescente. Por hoje passa, mas compre um como manda a lei. Certo?” Só por isso já valeu a pena ser finisher.

 

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A Ana Rocha confessou, na sua página de facebook, que a Sofia Roquete deu-lhe um abraço quando esta a ultrapassou na última subida do EGT. É bonito? É. Acontece que elas não foram as únicas a espalharem mimo pelos trilhos da Serra da Estrela. Eu também espalhei. Ai se não espalhei! Sempre que ultrapassava um atleta, apalpava-lhe o rabinho. Não acreditam? Perguntem ao Gonçalo Mota. Ultrapassei-o doze vezes. Além disso, sempre que nos abastecimentos me cruzava com o Farfas Farfinhas, dava-lhe um xi-coração.

 

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Com a chancela de uma das referências incontornáveis do Trail Nacional, o Armando Teixeira conseguiu reunir no EGT muitos dos melhores atletas nacionais. A vitória sorriu, todavia, a um estrangeiro. Oriundo dos Estados Unidos da America, Thiago Jurek—irmão mais novo da lenda viva Scott Jurek—venceu de forma convincente, cumprindo os 90k e 5.300D+ do EGT no brilhante tempo de 10h09. As semelhanças são evidentes: mesmo cabelo encaracolado, mesma bandolete e mesma marca de mochila.

 

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Rescaldo TLSM 2016

por Pedro Caprichoso, em 18.05.16

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Quero dedicar a minha prestação no TLSM—Trail Longo de São Mamede a uma pessoa muito especial. Sem ela, nada disto seria possível. É nela em que eu penso nos maus momentos—e nos bons também. No fundo, estou sempre a pensar nela. Obrigado, Jérôme. O meu 6.º lugar também é teu. O Lince disse-me que precisava de “soltar-se” e eu aceitei aquecer com ele meia-hora antes do tiro de partida. Atenção que o “soltar-se” do Jérôme tem dois sentidos: há o “soltar-se” a nível muscular e há o “soltar-se” a nível intestinal. Certo é que ele abafou-me nos dois sentidos—e eu, em boa hora, resolvi abdicar da estratégia que havia preparado para a prova. O plano era partir a matar, aproveitar o facto do Jérôme e do Ricardo virem de lesões, queimá-los e dar-lhes um bigode de maneira a cair nas boas graças da direcção da EDV-Viana Trail. Estou farto de ser o número 3 aos olhos do nosso Presidente. No entanto, depressa tirei o cavalinho da chuva quando senti que o careca estava mais forte do que eu—e fui obrigado a encarar a prova com mais juízo. Escapei assim ao homem da marreta, terminei a prova a dançar o vira e ainda sobraram-me pernas para fazer o EGT.

 

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O felino aproveitou o aquecimento para ir ao monte aliviar a tripa. Tudo normal. O que não é normal é o cocó ter saído florescente. Como é que eu sei? Sei porque era de noite. A prova começou à meia-noite, lembram-se? Eu estava a 20 metros do cagão e os excrementos eram visíveis a essa distância. Não admira que depois tenha havido pessoal a perder-se nos primeiros 500m de prova. Confundiram o cocó com a sinalização da organização e lixaram-se. Parece que as fezes florescentes são resultado de um novo protótipo das barras Olimpo. As Barras “Simpson” são polvilhadas com pepitas de urânio e plutónio—e foram desenvolvidas em homenagem ao trabalhador de central nuclear mais famoso do mundo: Homer Simpson. Aproveitando a deixa, uma vez que «quando caga um português, cagam logo dois ou três», também eu arreei o calhão de maneira a partir mais leve. Como não tinha toalhitas comigo, vi-me porém obrigado a limpar o rabo a uma fita. Voltei a colocá-la no sítio, como é evidente, pese embora lhe ter dado o vento e ter levado com o lado borrado na cara. É a Lei de Murphy em acção.

 

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Uma grande equipa vê-se nos detalhes. Exemplo: para a EDV-Viana Trail, uma prova não começa com o tiro de partida. Começa muito antes do que isso. Foi por isso lindo assistir ao trabalho de equipa levado a cabo pelo Jérôme e pela Fernanda Verde. Estávamos já todos reunidos, como gado, à espera da largada, quando um grupo de meninas se junta à minha frente. A saber: Cristina Couceiro, Fernanda Verde, Sara Brito e Salete Tavares. Inicialmente falavam de moda, censuravam as atletas decotadas e cortavam na casaca dos seus respectivos. Nisto, do nada, a Fernanda atira: “Já viram a mochila do Jérôme? Está muito gira.” E enquanto as outras admiravam a dita mochila, a Fernanda aproveitou e, pelas costas, encheu-lhes as mochilas com pedras. É verdade que de pouco lhe serviu, já que a atleta da EDV-Viana Trail foi obrigada a desistir no seguimento de uma gripe mal curada. Ainda assim, seja como for, foi lindo de ver. Orgulho!

 

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O Jérôme ficou amuado porque não foi o único a estrear equipamento novo em Portalegre. Pedro Marques—também conhecido como o Ranheta Cinquentão—participou no UTSM e estreou uma t-shirt em homenagem a este post do TopMáquina. Quanta honra! Quanto caganço! Quanto desespero! Tanto trabalho só para aparecer novamente neste espaço. É triste ao ponto a que as pessoas chegam. Há quem já me tenha oferecido o seu corpinho como forma de pagamento. A propósito, aproveito para informar que não gosto de homens de meia-idade. Prefiro-os mais novinhos—e tenrinhos. Só é pena o Facada ter-se cortado—deve estar a poupar-se para uma prova de aldeia—e o Cocó tenha escolhido participar no TLSM. Tivessem todos disputado o UTSM e teriam certamente vencido por equipas.

 

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O Rui Luz enganou-se no último km, cortou caminho e acabou à frente do Jérôme sem tê-lo ultrapassado. Perante isto, exibindo o fair play que o caracteriza, o javali escreveu o seguinte na sua página do facebook: “Caso algum dos atletas/equipas se sinta prejudicado com o facto de eu ter sido classificado na prova, poderá escrever aqui, enviar mensagem privada ou contactar a Organização.” Assim sendo, dirijo-me por este meio ao Rui de maneira a informá-lo de que me sinto extremamente prejudicado. Não pelo teu erro involuntário—o percurso no local em causa mudou em relação aos anos anteriores e eu próprio ter-me-ia enganado se o Semedo não me tivesse avisado—mas antes pelo teu penteado. Eu gosto de ser o centro das atenções e tu, com o teu penteado, roubaste-me o protagonismo. Basta dizer que, em Portalegre, só autografei 2 soutiens e 3 cuecas de homem. Resta dizer que o Rui foi inicialmente alvo de uma penalização de 5min e que o Jérôme recusou-a. Achou pouco. Queria mais. O Rui fez-lhe então uma nova proposta: juntou-lhe mais 2min de penalização e uma massagem relaxante depois do duche. Escusado será dizer que o Lince aceitou na hora. “Nesse caso, esquece os 2min. Chega-me a massagem”, rematou ele.

 

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A Organização está de parabéns. Finalmente uma prova que presenteia os atletas com um conjunto de prémios com utilidade e aplicabilidade no dia-a-dia. Pessoalmente, estou farto de bibelots. Foram 8h de viagem entre Viana do Castelo e Portalegre e, à vinda, demos uso às cadeiras de cortiça e às garrafas de vinho para fazer um piquenique a meio da viagem. O nosso Presidente está infelizmente com excesso de peso (ver vídeo abaixo) e sentou-se no troféu do Ricardo, partindo-o. Vendo-o partido, o vencedor do TLSM amuou e mamou uma garrafa de penalti.

 

 

Termino partilhando alguns exercícios de descompressão recomendados pelo departamento médico da EDV-Viana Trail. Realizem-nos 1h após a prova e prometo-vos de que no dia seguinte sentir-se-ão como novos. São exercícios anti-empeno. Em baixo, em primeiro plano, vemos o nosso Presidente a descomprimir os meus glúteos com a sua zona pélvica. Em segundo plano, temos o nosso Director Técnico a alongar os Isquiotibiais da nossa campeã Fernanda Verde. Não têm de quê.

 

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Lista de Favoritos Tugas ao EGT

por Pedro Caprichoso, em 18.05.16

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1. Luís Duarte 

O homem ganhou o UTAX e é um autêntico “bombardeiro” neste tipo de terreno, onde a força é o que mais conta. Além disso, fez o EGT2015 e conhece bem o percurso. Lembro-vos que ele em 2015 seguia isolado a poucos kms da meta—e depois perdeu-se ou sofreu uma insolação. Já não me recordo bem. Foi uma das duas.

 

2. Nuno Silva

É preciso dizer mais alguma coisa em relação ao Nuno? São muitos anos a virar frangos em provas de Endurance, sempre ao mais alto nível. Vê-lo fazer 5h24 na Taça Ibérica de Trail em ritmo de treino é um excelente indicador. Só não o coloco a par do Luís porque o bombardeiro ficou à frente dele no UTAX.

 

3. Ricardo Silva / André Rodrigues

O Ricardo tem maior e melhor historial em provas de Endurance. Por outro lado, o Ricardo vem de lesão e o André parece-me em melhor forma. Equivalem-se, portanto. Ainda vão acabar de mãozinhas dadas como nos Abutres.

 

5. Tiago Aires

Apareceu de surpresa no mundo do Trail Nacional—e, o mínimo que se pode dizer, é que chegou, viu e venceu. No entanto, nunca fez uma prova de Endurance. Poderá fazer pódio. Não digo que não. Mas para isso terá de fazer uma prova muito inteligente no sentido de gerir as dificuldades inerentes a tipo de prova—e fazer essa gestão sem a experiência da competição (em Endurance) não é fácil.

 

6. Jérôme Rodrigues

Só não meto o meu Xuxu à frente do Tiago porque o Lince vem de lesão e ainda não se encontra nas melhores condições. Todos sabemos, no entanto, que o seu ponto forte é a Endurance. Prometi-lhe uma massagem completa caso ele fique no top50.

 

[Não me pronuncio em relação aos “estranjas”, uma vez que não os conheço bem. Reconheço os nomes, mas não os tenho acompanhado. No entanto, é evidente que vão estar na luta.]

O fraco orgulho dos adeptos de futebol

por Pedro Caprichoso, em 16.05.16

Em vez de andar a correr como um maluquinho, vou começar a andar com um cachecol ao pescoço e reclamar a vitória de uma equipa como se fosse minha—como se tivesse sido eu a marcar os golos. Para quê fazer desporto se posso ser aplaudido ao ver os outros a fazê-lo? Os adeptos de futebol não dão um único pontapé na bola, mas recebem parabéns dos adeptos rivais e dizem-se orgulhosos.

 

Orgulhosos? De quê exactamente? De festejarem os golos dos outros? De fazerem figas quando o adversário falha um penalti? De irem a Fátima a pé se o clube do coração for campeão? De fazerem muita força, cerrarem o olho do cu e enviarem energia positiva aos jogadores via telepática? Orgulho, por definição, implica mérito. Se sentimos orgulho por algo é porque tivemos mérito na sua conquista. Por outras palavras: como podemos ter orgulho em algo sobre o qual não tivemos qualquer influência?

 

Alguns argumentam que sentem orgulho porque são sócios, pagam as cotas e vão ao estádio apoiar a sua equipa. Tudo bem. Por mais insignificante que essa influência seja, é certo que ela existe. No entanto, só um lunático acredita, verdadeiramente, que são as suas cotas e o seu apoio que fazem com que as bolas entrem na baliza do adversário.

 

Outros argumentam que sentem orgulho porque tiveram a sensatez de escolher o clube A em vez do clube B. A sério? Escolheram? Escolheram merda nenhuma. Um tipo é de determinado clube por acaso: por influência de familiares, amigos ou, simplesmente, porque esse é o clube que mais vezes ganha—e todos gostamos de vencedores.

 

Se têm “orgulho” do vosso clube, experimentem fazerem em vez de verem os outros fazerem. Em vez de verem os outros jogarem, joguem vocês. Pratiquem desporto, compitam e ganhem alguma coisa pelas vossas próprias mãos. Talvez então saibam o que é sentir orgulho a sério.

 

O meu orgulho é este:

 

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 EDV-Viana Trail: Vencedores por equipas do TLSM—Trail Longo de São Mamede

[3.ª Etapa do Campeonato Nacional de Trail Ultra]

TrailCoaching

por Pedro Caprichoso, em 05.05.16

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É preciso uma cara-de-pau do caralho para ser-se Lifecoaching. Auto-intitular-se “Lifecoach” é o mesmo que afirmar, de nariz empinado, que se é melhor do que os outros. Não há outra forma de encarar esta pseudo-profissão. O adjectivo “arrogante” é simpático demais para qualificar esta gente. Burlão é mais adequado. Olhar uma pessoa nos olhos e afirmar que somos melhores do que ela (nesta coisa a que chamamos vida) tem um nome: fraude. Não há outra palavra.

 

Já repararam que os Lifecoaches são todos jovens? Seria expectável que fossem mais velhos: gente vivida, experimentada, calejada—cuja sabedoria ser-nos-ia transmitida em função da sua experiência de vida. Mas não: são todos jovens, na casa dos trintas e quarentas, de corpo ripado e sorriso branqueado. Sabem quem é o meu Lifecoach? O meu avô.

 

O que me alegra é saber que estes parasitas, mais tarde ou mais cedo, vão meter o pé na poça. É uma questão de tempo. E, quando esse dia chegar, serão expostos por aquilo que são na realidade: fraudes; vendedores de banha da cobra; burlões dos tempos modernos; campeões da treta; especialistas da verborreia; técnicos superiores da aldrabice; bocas de esterco; trafulhas com o dom da palavra; vigaristas munidos com um cardápio de frases feitas e lugares comuns vomitados sem um pingo de vergonha. É só uma questão de tempo.

 

Vivemos num mundo de certezas, em que os mais certos—ou, pelo menos, os mais assertivos na sua certeza—são retractados como os mais fortes. Certeza é sinónimo de força, de carácter, de liderança—e hoje em dia temos todos de ser lideres, não é? Hoje não há espaço para dúvidas, hesitações ou perguntas. Tudo são frases feitas, vomitadas por um sorriso branqueado entre o jornal da noite e os bastidores da selecção. A felicidade é-nos vendida em pequenas concentrações de certeza—e à certeza vem sempre associada a simplicidade, a rapidez, a solução milagrosa, tanto faz se para a prisão de ventre se para os problemas amorosos. Há solução para todos os males, conquanto esta não nos tome mais do que 5 minutos por dia e traga como oferta um conjunto de facas de carne se formos um dos primeiros a ligar. Se aprendi alguma coisa em 35 anos de vida, é que a vida é muito complexa. Duvidem sempre das pessoas que parecem muito certas do que dizem e apresentam soluções simplistas para problemas complexos. Eu incluído. A verdade é que ninguém sabe o que anda a fazer: andamos todos às apalpadelas, a tentar perceber como é que “isto” se faz. E se isto é verdade na nossa vida social e profissional, é-o ainda mais na nossa vida pessoal.

 

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Dito isto, se o Gustavo Santos pode, eu também posso. O Gustavo Santos não é melhor do que eu. Eu também sou bonito, musculado e tenho uma cara-de-pau do caralho. Passe a modéstia, considero-me um vigarista de alto gabarito. O meu conceito é, porém, menos ambicioso. Não pretendo ser Lifecoach; contentar-me-ei em ser Trailcoach. Trailcoach é um conceito que vai para além do treino. O treino não me interessa. Para isso existem Treinadores com formação na área da Educação Física. No fundo, trata-se de aplicar a filosofia do Lifecoaching ao Trail Running. O meu pacote de TrailCoach inclui 10 sessões de empowerment com a aquisição de capacidades mentais ao nível de um super-herói da Marvel; um workshop de fotografia no âmbito das selfies; um catálogo de dicas para sacar patrocínios; um calendário de provas de aldeia para obter resultados à campeão; um tutorial de caganço nas redes sociais; um manual de engate de atletas de Trail; e um curso à distância de escrita criativa aplicada às crónicas de corrida. Tudo isto pela módica quantia de €499/mês—ou em suaves prestações de €200/semana. Não se atropelem, que eu chego para todos!

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