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TOP MÁQUINA

Eu faço Trail e sou uma Máquina. E isso é Top!

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Eu faço Trail e sou uma Máquina. E isso é Top!

Rescaldo nos bastidores do UTSF

por Pedro Caprichoso, em 30.06.16

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A APA—Agência Portuguesa do Ambiente emitiu ontem um comunicado no seguimento de inúmeros avistamentos de um indivíduo macho da espécie Lince Ibérico. Os avistamentos foram reportados, no passado Sábado, em diversas localidades da Serra da Freita. A APA pretende tranquilizar a população, assegurando às gentes da Freita que este Lince é domesticado e dá pelo nome de Jérôme Rodrigues. As cabras e galinhas dos populares estão a salvo. O mesmo não se poderá dizer dos coelhos e dos porcos, pois o Jérôme é exímio na caça ao [Bruno] Coelho e é uma enfardadeira de presunto.

 

[vídeo de Luis Costa.] 

[Daqui: https://www.facebook.com/PortGuns/videos/10153514394627676/]

 

Se o Zack Miller ficou famoso por comer chocolate à "javardo", o Jérôme ficará famoso por comer presunto à "lambão". Em resultado, agora vão todos começar a enfardar presunto nas provas de Endurance. Muito fará este vídeo pelas charcutarias e talhos deste país. Nenhum atleta do AMCF—Arrábida Trail Team foi ferido durante a realização deste vídeo. O presunto não é de javali. É de porco preto.

 

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Repararam no sex appeal do indivíduo que no vídeo acima publicado dá presunto na boquinha do Lince? Que brasa! Considero que esta brasa fez um excelente trabalho de assistência ao vencedor do UTSF. Muito longe, ainda assim, do profissionalismo exibido pela equipa de apoio do Tiago Aires. “Abastecimento à patrão” é a expressão que melhor encontro para descrever o tratamento que o Tiago recebeu em cada posto de abastecimento. Parecia a boxe de uma equipa de fórmula 1: cadeirinha de praia para o marmanjo se alapar, mudança de pneus soft flasks, nestum na boquinha, substituição de meias, cara lavada, barba feita e cabelo aparado. Só faltava pô-lo a fazer cocó e limpar-lhe o rabinho! Mas nem todos estão talhados para fazer esse serviço. Só eu é que o faço. Não é, Jérôme?

 

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As passagens pelos cursos de água do UTSF têm-nos dado imagens emblemáticas ao longo dos anos. Desta feita, não só nos deu imagens como também nos deu vídeos. No que toca às imagens, destaco a foto em que o Jérôme se prepara para se despir e dar um mergulho. Tivemos acesso às imagens em nu integral, mas a linha editorial do TopMáquina impede-nos de publicá-las. Metade do nosso público é pré-adolescente. O atleta da EDV-Viana Trail tirou primeiro a viseira e depois o resto do equipamento. Ficou apenas com as sapatilhas. Apercebendo-se de que o Lince se ia despir, o Bruno procurou logo arrefecer a zona genital de maneira a não ser apanhado pelos fotógrafos com a tenda armada. Quanto ao vídeo, vamos pegar na rubrica da Euronews e fazer deste o nosso momento «No Comment»:

 

[No Comment]

 

A Liliana trouxe a sua saia rodada para dançar. Infelizmente, não se podia dançar no único abastecimento onde havia música. Era proibido. Refiro-me à Póvoa das Leiras (k60). Ter música e não poder dançar é tortura psicológica—o que para muitos torna-se insuportável quando a esta se junta a tortura física imposta pela dureza da prova. Não admira, por isso, que este tenha sido o abastecimento onde mais atletas desistiram. Fizeram mal. Não deviam ter desistido. Não tê-lo-iam feito se soubessem que teriam oportunidade de dançar mais à frente. Perderam a dança da corda-bamba na subida da Besta.

 

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O UTSF divide opiniões. É o UTSF e o Cristiano Ronaldo. Uns adoram-no; os outros detestam-no. Não há meio-termo. Uns adoraram o UTSF e prometem voltar; os outros detestaram-no e garantem que “na Freita nunca mais”. Excelente! Tal significa que a Freita é uma prova única. Citando o pai do Trail Nacional: “Quero lá saber se gostam ou não! Sempre que vierem à Freita é isto que vão ter, por isso é que lhe chamo Trail para Elite”. Uns gostaram tanto que, durante a prova, mudaram dos 65k para os 100k. Outros gostaram tanto que se entusiasmaram para além da conta e deu nisto:

 

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Ainda estou para perceber como é que o Paulo Lopes não foi desclassificado. Ele e o Rui Luz ficaram sem água ao k45 e mamaram das tetas da vaca que aparece na selfie abaixo publicada. Como se isto não bastasse, temos ainda o beijinho ilegal da Carla Reis ao k48. Acontece que o regulamento do UTSF é claro no que diz respeito ao apoio externo aos atletas. Reporto-me ao capítulo 4, artigo 254, alínea 6: “O apoio externo só é permitido nos postos de abastecimento, incluindo o apoio nutricional, emocional, afectivo e/ou amoroso.” Não estou contra as vacas. Querem mamar nas tetas da vaca? Tudo bem. Mamem. Mamem o que quiserem, mas mamem nos postos de abastecimento. Ponham o vosso porta-dorsais ao pescoço da bicha, levem-na até ao próximo posto de abastecimento e depois, aí sim, mamem à-vontade. E também não estou contra os beijinhos. Eu também dei beijinhos ao Jérôme, mas sempre a menos de 10 metros dos postos de abastecimento. Regras são regras. Já se devem ter esquecido disto. No estrangeiro cumprem as regras. Aqui é a bandalheira do costume.

 

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A organização do UTSF disponibilizou voluntários, polícia, bombeiros, enfermeiros, médicos, massagistas, psicólogos e o GOBS—Grupo Operacional de Busca e Salvamento. Dado o número de vítimas, faltou contudo providenciar um padre para dar a extrema-unção aos falecidos. Resgates, massagens e curativos é bom. No entanto, o que é isso comparado com entrar no purgatório com a alma limpa de pecados? O Faria e o Marcolino faleceram—e quem é que lá estava para salvar as suas almas? Pois é, nisto não pensam as organizações. O Rui Luz também chegou morto à meta, mas mesmo morto apresentava-se numa pose sexy. A isto chama-se “falecer com estilo”.

 

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Voltando aos bovinos, proponho fazermos todos uma vaquinha para comprar umas sapatilhas novas ao proprietário das pernas abaixo publicadas. Desengane-se quem pensa que a Freita é responsável pela destruição das sapatilhas. A foto foi tirada na partida, pelo que o rapaz não tem é mesmo dinheiro para comprar calçado. Eu, pela parte que me toca, já lhe estou a tricotar um par de meias. Aquele dedo ainda apanha um resfriado e depois é que são elas. O dinheiro que sobrar será aplicado num vale de compras de uma reconhecida clínica de podologia de Ermesinde. A foto não precisa de cheiro para chegarmos à conclusão de que o rapaz sofre de chulé crónico.

 

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Há dois momentos do UTSF 2016 que me ficaram na memória. O primeiro diz respeito à procissão das equipas de apoio que acompanharam os atletas de posto em posto de abastecimento, pedindo indicações uns aos outros, dando palpites sobre o desenrolar da prova, dividindo a merenda para matarem a fome. Prefiro correr, mas tenho de admitir que nos bastidores não se está nada mal. O segundo, só de pensar nele, deixa-me o rosto em lágrimas: estar entre os milhões de resistentes, que cagaram para o futebol (Portugal Vs Croácia) para estarem na meta a aplaudir os atletas, deixou-me com um nó na garganta. Chorei. Admito. Ainda assim, não tanto quanto algumas atletas que acabaram a prova à hora do jogo e foram encontrar a sua cara-metade no café a ver a bola.

 

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Por fim, para descontrair um pouco, proponho um momento Trivial Pursuit. Pergunta: quem são os tolinhos que este ano cometeram a proeza de completarem as 4 provas do Campeonato Nacional de Endurance (UTAX, MIUT, EGT e UTSF) e as 100 milhas do Oh Meu Deus? Estamos a falar de 575k e 30.700D+ em 6 meses. Conheço 2. Um gosta de chafurdar na lama; o outro enfarda cachos de uvas na véspera das provas. É fácil, não é? Refiro-me aos inigualáveis Lino Abel Luz e José Faria, que levam para casa o prémio da combatividade referente ao primeiro semestre de 2016. É favor levantarem o vosso prémio na sede da ATRP.

Rescaldo Hard Trail Monte da Padela 2016

por Pedro Caprichoso, em 21.06.16

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Não consumo leite e seus derivados. Bebi-o até aos 16 anos como o nosso amigo Brad, mas depois ganhei vergonha na cara e deixei-me disso. Já não mamo. Agora só apalpo. O cancro da mama é lixado e a prevenção é o melhor remédio. A OMS diz que devemos apalpar—e eu apalpo. Levo a apalpação muito a sério. Comigo nunca fica uma mama por apalpar. Nunca me aconteceu apalpar só uma mama. Nunca me aconteceu apalpar uma mama e depois dizer: “Pronto, já chega. Estou bem assim. Fico-me por esta. Apalpo a outra amanhã.“ Nunca. Sempre que apalpei uma, apalpei a outra. Apalpo sempre aos pares. Isto tem um nome: profissionalismo. Pelas minhas contas, já salvei a vida a 116 mulheres. Não têm de quê. Sei que sou um herói aos olhos de muita gente, mas prefiro manter o anonimato. Sou muito humilde, lido mal com a fama e não gosto de me misturar com o povo. Cheiram mal.

 

Também apreciava leite de vaca, mas este causava-me flatulência e fui vítima de bullying por ser um cagão inveterado. Cagão de vento. Cheguei ao ponto de não conseguir controlar a tripa. Não tinha mão sobre ela. Padecia da síndrome do rabo esquizofrénico. Imaginem-me numa sala de aula no mais absoluto silêncio e, de repente, o meu rabo irrompe num festival de fogo-de-artifício a meio da prova global de Matemática. Do nada, de um momento para o outro, sem que nada o fizesse prever. Nesse dia, 18 de Junho de 1996, cheguei ao meu limite e jurei para nunca mais. Nunca mais bebi leite. Tive alguns problemas de saúde devido à falta de cálcio, mas agora tenho o meu amigo Calcitrin.

 

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Se no caso do leite fui obrigado a deixá-lo, no caso dos lacticínios foram eles que me deixaram. Nunca gostei de manteiga, iogurte e queijo—e quem não gosta de queijo não gosta de pizza. Já viram a volta que eu dei para fazer a ligação com a caixa de pizza oferecida pela organização do HTMP—Hard Trail Monte da Padela? Dizem que era um kit de participação. A mim calhou-me uma pizza. Crocante? Siciliana? Bolonhesa? Calabresa? Frio. Era uma pizza Caminheira. A pizza era feita à base de eritropoietina e trazia como brinde um autocolante com a inscrição «Hard Runner Inside» para colar numa superfície envidraçada. Tinha duas hipóteses: ou colava-o no vidro do carro ou no espelho do tecto do meu quarto. Uma vez que a ênfase está na palavra «Hard», optei pela segunda.

 

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Cheguei a Barroselas às 06h45 e executei à risca o meu ritual pré-prova: rezei um terço para dar sorte, alonguei para evitar lesões e fiz o n.º 2 para partir levezinho. Até parece que já estou a ver os moralistas do teclado a cortarem-me na casaca por poluir o monte com papel higiénico borrado. Calma. Menos. Os meus amigos ambientalistas podem sossegar a franga. Admito que não faço reciclagem e vazo embalagens vazias de gel no monte, mas sou muito fresquinho no que toca à minha higiene pessoal. Nesse sentido, usei toalhitas recicláveis e posso garantir que as minhas fezes não são radioactivas. Alimento-me apenas à base de produtos biológicos, pelo que o meu cocó é rico em fertilizantes naturais. No fundo, não caguei. Adubei. Não têm de quê.

 

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Fiz um buraquinho, aliviei a tripa para dentro do buraquinho, limpei o rabinho da frente para trás, depositei as toalhitas borradas com os dejectos, tapei o buraquinho, esfreguei as mãos em folhas de eucalipto, regressei ao carro, equipei-me, lembrei-me—no ano passado esqueci-me—de colocar o chip na sapatilha, esgacei o pessegueiro—é mais saudável do que tomar comprimidos para os nervos—e fui informado de que um elemento da Organização havia sido espancado por um popular. O tipo andava de moto 4 a verificar as marcações e um octogenário chegou-lhe a roupa ao pêlo. O motociclista pisou as nabiças do idoso com a mota e o idoso esmagou os tomates do motociclista com o cabo da sachola. Com medo de me cruzar com o reformado durante a prova, os meus intestinos cederam e borrei a cueca. Novamente. Ou seja: mais um buraquinho, mais uma cagada, mais uma limpeza do rabinho da frente para trás—sempre da frente para trás—e mais um pacote de toalhitas. Desta feita, com a pressa, esqueci-me de limpar as mãos e só me apercebi disso depois de cumprimentar o Jérôme Rodrigues. Malditos octogenários! É por estas e por outras que eu sou a favor da eutanásia. Muito forte? Azar. Para quem não sabe, Je Suis Le Gay Cordes.

 

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Na foto acima publicada vemos o Presidente da Junta da ATRP a refrescar a moleirinha do vencedor do HTMP. Tal comportamento não é grave em si mesmo. Grave é o André ter sido o único a ter direito a semelhante tratamento. Se molhou o cocuruto de um, molhava o cocuruto de todos os associados da ATRP. De todos sem excepção. Se isto não configura tratamento preferencial… Enfim, é mais do mesmo. Uns são filhos e outros são enteados. Já estou habituado. O Rui a mim só me deu uma palmada no rabo como fazem aos ciclistas na volta à França. Não vou insinuar que foi por isso que o André ganhou, mas também não vou insinuar que não foi por isso que o André não ganhou. Percebem? Eu não trabalho com insinuações. Só com factos. E o facto é que o André ficou com remorsos e tirou-me o chip das sapatilhas em jeito de pedido de desculpas. Estava com dificuldades para me segurar em pé devido a uma queda de açúcar e ele ajudou-me a desapertar a sapatilha. Só me voltei a sentir bem após a décima sétima bola de berlim. Colocar bolas de berlim no abastecimento final foi, de longe, a melhor decisão do HTMP em termos organizativos. A segunda, se a queda de açúcar não me trai, foi colocar gajas em topless a entregar as medalhas de finisher. Estão todas de parabéns.

 

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Para além da situação descrita no parágrafo anterior, o HTMP ficou manchado por outro caso de conduta anti-desportiva. Bruno Coelho e Diogo Fernandes lutavam pelo segundo lugar na subida à Lage Negra quando o primeiro usou os bastões na pedra para lançar limalhas para os olhos do segundo. A imagem abaixo publicada não deixa margem para dúvidas. Depois de analisada pelo Conselho de Disciplina da ATRP, o Bruno pode incorrer numa pena de 6 meses a 2 anos de trabalhos forçados na Serra da Freita.

 

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O Diogo ficou compreensivelmente aborrecido com a injustiça e só o consegui acalmar no duche. Não tenho por hábito falar da minha vida privada, pelo que não vou entrar em detalhes. Direi apenas que o Sheriff possui um revólver de grande calibre.

TraiLoveMatch

por Pedro Caprichoso, em 07.06.16

O MIUT 2016 teve o condão de pôr a nu duas realidades distintas. A primeira é positiva: o MIUT foi um sucesso organizativo, colocando Portugal na rota do Trail Mundial. A segunda é negativa: os atletas nacionais ainda estão longe da elite mundial. Nesse sentido, de maneira a corrigir a segunda, venho por este meio oferecer uma sugestão de maneira a elevar o nível do atleta tuga e garantir o futuro competitivo do Trail Nacional. Não podemos esperar que o próximo Carlos Sá apareça como o original. Isto é, do nada. Temos de pensar a longo prazo e começar a implementar medidas no sentido de potenciar o aparecimento de novos valores. Os românticos acreditam que os grandes atletas fazem-se com treino. É falso. O treino é importante, mas a componente principal é genética. Pode-se treinar mais e melhor, que sem genética não se vai a lado nenhum. Essa é a crua realidade.

 

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Posto isto, proponho a criação de um site de encontros online para que os melhores atletas nacionais procriem uns com os outros e “produzam” os próximos Carlos Sás. A plataforma informática chamar-se-ia “TraiLoveMatch” e estaria sobre a alçada da ATRP, funcionando como uma espécie de agência matrimonial. É claro que a plataforma só estaria acessível a atletas descomprometidos. Não queremos estragar os “arranjinhos” que já existem no pelotão nacional, embora ande por aí muito casal que ainda não procriou—e já o devia ter feito. Eu e a Analice também estamos em falta, mas andamos a fazer por isso. Treze vezes por semana.

 

Para além do site, atrevo-me a enumerar mais algumas medidas de apoio à natalidade no âmbito do Trail Nacional.

  1. Disponibilização de babysitters em provas dos Campeonatos Nacionais;
  2. Vales de desconto em lojas de desporto para famílias numerosas em que ambos os progenitores são atletas;
  3. Deduções à colecta de despesas de psicotrópicos por parte dos avós que tomam conta dos piralhos enquanto os pais destes estão a treinar / competir.
  4. Introdução de novas categorias (à semelhança dos escalões etários) tendo por base o número de filhos: F1, F2, F3, F4, etc.
  5. Em vez de cabazes com produtos regionais, ofertar produtos para lactantes (fraldas, toalhitas, pó de talco, papa, leite de transição e bomba tira-leite) como prémios de pódio.
  6. Introdução, por parte da Prozis, de uma linha de suplementação para recém-nascidos;
  7. 50 pontos de bónus no Campeonato Nacional por cada filho nascido no ano correspondente;
  8. Ensino gratuito na Escola Abutrica para todos os filhos de atletas de elite;
  9. Inclusão da vacina de “pé de atleta” no plano nacional de vacinação, tornando-a assim gratuita.
  10. Agravar as consequências para as equipas que não cumpram as leis já existentes sobre protecção de atletas grávidas, passando a contra-ordenação de leve para grave; e impedindo as equipas, que tenham sido condenadas por despedimento ilegal de grávidas, de virem a receber quaisquer subsídios ou subvenções da ATRP.

Rescaldo Azores Trail Run 2016

por Pedro Caprichoso, em 03.06.16

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[video de Manuel Morais] 

 

Andam todos de trombas comigo. Dizem-se enganados. Marcam treinos e não me convidam. Ignoram-me. Garanti aos meus colegas de equipa que o Azores Trail Run era uma prova fácil—leia-se corrível—e eles ficaram de trombas. Acham que eu estava a gozar com eles e levaram a mal. Há 2 anos participei na primeira edição e os trombudos vieram-se aconselhar junto da minha pessoa. Aconselhei-os de graça e é assim que eles me agradecem. Já viram o desplante? Em 2014, a prova disputou-se em tempo seco e eu fi-la praticamente toda em passo de corrida. Que culpa tenho eu se este ano se abateu um temporal sobre a ilha do Faial? Sou responsável pelas acções do meu homónimo São Pedro? É isso? Seja como for, pese embora disputada num lamaçal, continuo a considerar a prova rolante. Parafraseando a minha amiga Liliana Gomes: “O percurso era rolante. A lama rolava que é uma beleza!” Rolava e deslizava como um caracol no orvalho. Nunca pensei dizer isto, mas fui aos Açores matar saudades dos Trilhos dos Abutres.

 

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Zaid Ait Malek era o favorito à partida do Azores Trail Run—Faial Coast to Coast (45k, 2.300D+). O campeão marroquino viu-se porém forçado a desistir logo à passagem do k2. A versão oficial é a de que ele ressentiu-se de uma lesão contraída em Zegama, disputada no fim-de-semana anterior. Mentira. Ele não estava lesionado. Não procurem justificações elaboradas para ocorrências simples. A verdade é simples: o Zaid borrou a cueca e desistiu porque não aguentou a pressão. O Presidente do EDV-Viana Trail recorreu à guerra psicológica, meteu conversa com ele e disse-lhe que o Jérôme Rodrigues lhe ia fazer a folha. O Jérôme olhou-o nos olhos, fez cara de mau e o Zaid começou a chorar como uma criança a quem lhe roubaram o chupa-chupa. Embora tremendo como varas verdes, ele ainda assim teve tomates para se apresentar à partida. Pior foi quando a Lucinda Sousa se começou a meter com ele. Ela disse-lhe que lhe ia estragar as sapatilhas e ameaçou atarraxar o porta-dorsais à cintura do marroquino, de maneira a que ele a rebocasse vulcão acima. Resultado: borrou a cueca.

 

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Fez-se história nos Açores. Fernanda Verde (EDV-Viana Trail) e Mary Vieira (Dr. Merino / Nutrifit) foram as primeiras atletas femininas do mundo a cortarem a meta de uma prova de Trail de mãos dadas. Fizeram praticamente toda a prova juntas, alcançaram o 4.º lugar ex-aequo e demonstraram que a amizade e o companheirismo não são exclusivos do pelotão masculino. Embora não tenham cortado a meta de mãos dadas, Miguel Martins (Dr. Merino / Nutrifit) e Jérôme Rodrigues (EDV-Viana Trail) também espalharam amor e carinho na meta do Azores Trail Run. Abraçaram-se e apalparam o rabinho um ao outro como fazem os jogadores e voleibol após ganharem um ponto. É caso para dizer: arranjem um quarto! Eu não devia dizer isto, mas não resisto: todos os atletas do EDV-Viana Trail têm um amigo colorido na equipa Dr. Merino / Nutrifit. O meu é o Diogo Fernandes. Os “Amigos Coloridos do Trail” é um projecto inter-equipas concebido pelos visionários Eduardo Merino e José Carlos Alcobia. Ainda ontem liguei ao Diogo porque estava com prisão de ventre e precisava de apoio psicológico para evacuar. Eram duas da manhã, o Sheriff atendeu o telemóvel de trombas, mandou-me à merda—e eu esguichei a dita cuja como se não houvesse amanhã. É disto de que falamos quando falamos em espírito do Trail. Por vezes cheira mal, mas sabe sempre bem.

 

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Por sorte do destino, demos de caras com o grande Gustave Lafume, um dos pioneiros do Trail Mundial. Uma referência, um exemplo e um modelo a seguir. Muito deu este homem ao Trail. Só é pena que a nova geração não saiba quem ele é. Foi emocionante assistir, num banal café do Faial, ao encontro de dois monstros do Trail Mundial. Separados por três décadas, Gustave e Jérôme relacionaram-se um com o outro como se fossem velhos amigos. Vitalidade capilar à parte, quase pareciam almas gémeas. A verdade verdadeira é que não faço a mínima ideia quem é o tipo. Gustave Lafume é nome fictício, resultado da conjugação de Gustavo (nome do gato do Jérôme) com Lafuma (a famosa marca francesa de desporto outdoor). Tanto quanto sabemos, ele pode chamar-se Gilberto da Silva. Simplesmente achámos-lhe graça e tirámos uma foto com ele. Depois afirmei, na brincadeira, que ele é um dos pioneiros do Trail Mundial e muitos engoliram a peta. Isto só serve para demonstrar, novamente, que há pessoas dispostas a acreditar em tudo. Por um lado, estão dispostas a acreditar em tudo; por outro, são preguiçosas ao ponto de emitir opiniões sobre assuntos que ignoram e sobre os quais não se dão ao trabalho de pesquisar. Espero que aprendam a lição: duvidem de tudo o que vos dizem e pesquisem. Cepticismo e pesquisa é o único caminho para evitar burlões e fazer figura de urso.

 

Os açorianos jogavam em casa e quiseram mostrar serviço. Alguns partiram a matar, foram perdendo gás e, depois, ao serem ultrapassados, questionavam a nossa naturalidade: “És açoriano?”, perguntavam eles. Isto porque, pelos vistos, havia prémios a nível regional. É a mesma coisa com os atletas veteranos, quando estes são ultrapassados e questionam a nossa idade para saberem em que lugar se encontram no seu escalão. Nada contra. Parece-me, porém, que não seja boa política correr com o pensamento centrado na classificação. Como pode uma pessoa divertir-se focando-se apenas na possibilidade de fazer pódio? Só para foder com a cabeça deles, em vez de lhes indicar o meu escalão ou idade, indico-lhes antes a data do meu nascimento. Depois mijo-me a rir ao vê-los fazer contas de cabeça. Quanto aos açorianos, ainda tentei enganá-los imitando o seu sotaque, mas acho que eles não foram na conversa.

 

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Lamento o que parece estar a tornar-se hábito por parte das organizações: atribuir classificação por equipas e, no fim, nem prever cerimónia de pódio colectivo nem atribuir o merecido prémio. Perde a festa, perdem as equipas, perdem os atletas e perdem os patrocinadores que apoiam as equipas e merecem o devido destaque. Mais lamentável ainda é quando estas provas fazem parte do Campeonato Nacional. A EDV-Viana Trail já declarou, em de sede própria, que no próximo ano seleccionará as provas em que irá participar: “A ATRP terá que garantir que as organizações cumprem os regulamentos se quiser continuar a contar com a presença da nossa equipa nos seus Campeonatos. As organizações obrigam os atletas a cumprir regulamentos, pelo que estas também têm de cumpri-los sob pena de serem excluídas dos Campeonatos. Algumas organizações simplesmente não respeitam os sacrifícios pessoais e financeiros que os atletas fazem para estarem presentes nas suas provas, preocupando-se essencialmente com a maximização do lucro. Os atletas e as equipas estão a fazer o trabalho de casa; é tempo dos restantes envolvidos no processo fazerem o mesmo.”

 

As Organizações não são obrigadas a atribuir prémios por equipas. Cada uma atribui o que lhe apetece; até há algumas que escolhem não atribuir prémios por escalões. São escolhas. Cabe depois aos atletas escolherem se querem ou não participarem nessas provas. Até aqui tudo bem. O problema surge quando o regulamento faz referência à classificação colectiva (e à forma como esta é determinada) e depois não há cerimónia protocolar para premiar a dita classificação—e foi justamente isso o que aconteceu nos Açores. A Organização do Azores Trail Run fazia referência à classificação colectiva no regulamento, mas não previu uma cerimónia de pódio para premiar as equipas. Está mal. Tal, porém, não nos impediu de subir ao pódio. Protestámos, fizemos barulho, fizemos as nossas contas, juntámos as 3 equipas vencedoras (EDV-Viana Trail, Morcegos Trail e Dr. Merino / Nutrifit) e subimos ao pódio à mesma. Os nossos patrocinadores merecem.

 

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As equipas não tiveram direito a participar na cerimónia protocolar, mas os gordos tiveram. Sabemos que estamos perante uma prova pouco competitiva quando pessoas com barriga sobem ao pódio. Falo de alguns vencedores de escalão do Family Trail. Anafados no pódio? A sério? Não custava nada medirem o perímetro abdominal dos vencedores antes de subirem ao pódio. Mais de 60cm e não subiam. É a imagem da prova que está em jogo.

 

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Jérôme Rodrigues e Tiago Aires—o eventual e merecidíssimo vencedor da prova—seguiam na frente quando falharam uma viragem por volta do k30. Ao falharem-na, seguiram no sentido errado, perderam a liderança da prova e cerca de 7min. Ler fitas faz parte do Trail e não vale a pena entrar na discussão se o dito entroncamento estava bem ou mal marcado. Só lamento o facto dos elementos da organização (que se encontravam nesse ponto) não terem avisado os atletas de que iam na direcção errada. Mais pessoas viriam a enganar-se no mesmo local, com os referidos elementos dentro dos automóveis, possivelmente a actualizarem a sua página de facebook. Assim que se aperceberam que se tinham enganado, ambos voltaram para trás e cruzaram-se novamente com os automobilistas. Estes baixaram o vidro embaciado do carro e perguntaram-lhes: “Vocês perderam-se, não perderam?” Imagino, com a minha imaginação tresloucada, que estariam a fazer o amor enquanto fumavam canábis e actualizavam a sua página de facebook. O facebook tem culpas no cartório—quanto a isso não tenho dúvidas.

 

Muitos arrependeram-se de não terem levado bastões para os Açores e depois fabricaram-nos pelo caminho. Embora usem-nos, alguns têm vergonha de fazerem figuras e deitam-nos fora no último km. No Faial, o depósito de muletas localizava-se a 500m da meta, no início do trilho de cinzas do vulcão dos Capelinhos. Outros há que não têm vergonha nenhuma e cruzaram a linha de meta nestes preparos:

 

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