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TOP MÁQUINA

Eu faço Trail e sou uma Máquina. E isso é Top!

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Surto de Bipolaridade no Trail Nacional

por Pedro Caprichoso, em 22.07.17

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Vossas excelências estais mui equivocados se achais que um corredor de montanha padece somente de maleitas físicas. Com efeito, não há forma de fugir à recorrente entorse, à pontual fascite plantar e à não menos rara diarreia. No entanto, hoje em dia, graças à evolução exponencial da medicina desportiva, todos sabemos que os males do corpo são facilmente e expeditamente solucionados com meio rolo de kinesio tape. Eu, pela parte que me toca, sou fã incondicional de kinesio taping. Uso-a em todo o lado: nos tornozelos para curar as entorses, na planta do pé para curar a fascite e no rabo para estancar a diarreia. É só enfiá-la naquela abertura onde o sol não brilha e está resolvido o problema. Uma rolha faria o mesmo efeito, mas não era a mesma coisa.

 

Os males do corpo são, portanto, coisa do passado. O mesmo não se poderá dizer dos males da cabeça. A culpa, dizem os especialistas, é das redes sociais. Exemplo: muitos são os desportistas de fim-de-semana, alguns dos quais exibindo a ocasional "barriguinha da cerveja", que têm página de atleta no facebook. E tudo muito bem. Nada contra. Acontece que os cientistas chegaram à conclusão de que ter duas páginas no facebook (uma de atleta e outra pessoal) promove o aparecimento de sérios problemas do foro psicológico. Quando o Zé-Povinho-Pessoa partilha a publicação do seu alter-ego Zé-Povinho-Atleta, o que vos parece que lhe vai acontecer a médio-longo prazo? Sim, é isso mesmo: vai padecer de distúrbios de dupla personalidade. Num momento são pessoas; no outro são atletas. Num momento são atletas; no outro são pessoas. Não há cérebro que aguente. O desgraçado fica todo chamuscado e as consequências estão à vista de todos.

 

Ainda se lembram do que aconteceu no ano passado no UTAX e este ano no UTSF? Deixem-se estar que eu refresco-vos a memória. Ao K73 do UTAX foi encontrado um Motorista / Atleta sentado em cima de uma pedra, com os braços esticados rodando um volante imaginário e fazendo "vruuummm" com a boca. Ao K87 do UTSF foi avistado um GNR / Atleta apontando um pau em forma de pistola a uma vaca amarela da Serra da Freita. "Vou limpar o sebo ao Pedro Dias", disse o agente da autoridade quando foi interceptado, dois dias depois, pelos seus colegas, perto de Vilar Formoso. São estes casos que nos deviam fazer parar para pensar e, acima de tudo, meter a mão na consciência. Eu já fiz a minha parte.

Elogio ao Pai do Trail Nacional

por Pedro Caprichoso, em 01.07.17

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O vencedor do UTSF havia cortado a meta há coisa de meia-hora e estávamos todos, na meta, à espera dos nossos restantes colegas de equipa. Eis senão quando o Moutinho se aproxima do Ricardo e começa a dissertar sobre a menina dos seus olhos. O orador de pé, o destinatário do sermão sentado no chão e os demais meninos à volta da fogueira.

 

O Pai do Trail Nacional era todo ele um espectáculo: o gesticular extravagante dos braços como se fosse abraçar o mundo; o movimento de ancas de trás para a frente como se estiveste a fazer uma pega de touros; e o entusiasmo inebriante da sua voz, deixando escapar meia dúzia de gafanhotos.

 

Estava de tal forma hipnotizado por aquela figura que, sinceramente, não ouvi metade do que ele disse. Os meus sentidos entraram em overload e, embora os meus olhos e ouvidos conseguissem captar a informação, o cérebro por vezes não tinha capacidade para interpretá-la. Precisaria de mais 4GB de RAM para que o meu sistema operativo conseguisse correr o programa Moutinho 1.0.

 

Ainda assim, pese embora o Alzheimer momentâneo, lembro-me de 3 postas de pescada que me marcaram. O Moutinho que me perdoe a indiscrição. Parafraseando, foi qualquer coisa do género:

 

"Eu não sou ninguém. Vocês é que são os intérpretes do que eu faço."

 

"A prova está desenhada para que vocês cheguem mortos aos 30k."

 

"Não me interessa que o vencedor seja o mais forte fisicamente. Interessa-me que seja alguém que se conheça bem a si próprio e saiba gerir bem a prova."

 

Deixo os ensinamentos do mestre à vossa consideração. Não vos quero influenciar. Digo-vos apenas que, assim que o sermão terminou e o Moutinho se afastou, virámo-nos boquiabertos uns para os outros no sentido de confirmar que os outros testemunharam o mesmo que nós. Penso falar por todos ao afirmar que o sentimento geral pode ser expresso pela seguinte frase:

 

"Este maluco é apaixonado pelo Trail."

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