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7 Comportamentos Estúpidos do Zé-Povinho Atleta em Provas de Endurance

por Pedro Caprichoso, em 13.07.16

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1. Partir à frente do pelotão

Partir à frente só para aparecer na fotografia, ainda que depois se seja rapidamente engolido pelo pelotão. Há 2 tipos de pessoas a evitar nas partidas: (1) os velhos que ainda pensam que são novos e (2) os atletas de ginásio artilhados com tecnologia-de-ponta dos dedos dos pés à ponta dos cabelos. Estas duas espécies de gente fazem de tudo para partir à frente dos outros. Será que acreditam, mesmo, que são os 10 segundos que ganham no arranque que fazem a diferença numa prova de 100k? Deve ser só mesmo para aparecerem na fotografia. É uma pena, pois aqueles que partem à frente são justamente os mais feios—e as fotografias ficam estragadas.

 

2. Correr ofendido

Já vos aconteceu ultrapassarem um tipo—apenas os homens exibem este comportamento—e ele ficar ofendido com a vossa ultrapassagem? O tipo partiu a matar, levou com a marreta aos 40k e vai a dar as últimas. Vocês ultrapassam-no e, cheios de boas intenções, largam um “Tudo bem?”. Ele ofende-se com a pergunta e, para se vingar, ultrapassa-vos de seguida fazendo um sprint à Usain Bolt. Vinte metros mais à frente, vocês voltam a ultrapassá-lo. Desta feita, ao passarem novamente por ele, deixam escapar um “Força!” em jeito de gozo. É o que eu faço. Se ainda não chegámos a meio da prova, um “Já falta pouco” também fica bem.

 

3. Questionar a idade dos outros

Conto pelas palmas de 7 mãos os atletas veteranos que em competição questionaram a minha idade para saberem em que lugar se encontravam no seu escalão. Nada contra. Creio é que não seja boa política correr com o pensamento centrado na classificação. Como pode uma pessoa divertir-se numa prova de Endurance focando-se apenas na possibilidade de fazer pódio? Só para foder com a cabela deles, em vez de indicar-lhes a minha idade, indico-lhes antes a data do meu nascimento. Depois mijo-me a rir ao vê-los fazer contas de cabeça.

 

4. Desistir por machismo

Há tipos que desistem a meio de uma prova quando são ultrapassados por uma mulher e sabem que acabarão atrás dela. Este fenómeno ocorre quando um homem (que nas Ultras fica à frente das mulheres) é papado por uma mulher numa prova de Endurance. Elas gerem melhor o esforço—não partem à maluca como muitos homens fazem—e depois eles são “comidos de cebolada” na segunda parte das provas. Quando isto acontece, cai-lhes a pila e desistem. Para terem noção da estupidez que isto representa, basta dizer que o top3 masculino nacional está ao mesmo nível do top3 feminino mundial. Ou seja, contam-se pela palma de uma mão os Tugas com capacidade para ganhar às melhores do mundo. Não vão obrigar-me a relembrar-vos o que se passou no MIUT, pois não? Ah… acho bem.

 

5. Desistir por orgulho

Há tipos que desistem a meio de uma prova quando sabem que não conseguirão alcançar os seus objectivos definidos à partida. Isto é estúpido em geral, mas é particularmente estúpido em provas de Endurance. O objectivo à partida de uma prova de Endurance deve ser só um: chegar ao fim. Tudo o resto deve ser ditado pelo desenrolar da prova. A Endurance implica superação—e superação não é ficar na posição x ou fazer o tempo y. Superação é ultrapassar os obstáculos com que nos deparamos. Quem não encarar as coisas desta forma está no desporto errado. A expressão “Never Quit” é igualmente estúpida, pois desistir por motivos de saúde não é sinal de fraqueza; é sinal de inteligência. Por outro lado, desistir por orgulho—pois é disso que se trata—é bué estúpido. [No meu tempo, bué era tótil.] No fundo, o raciocínio é: mais vale desistir do que assumir que não alcancei os meus objectivos pré-definidos e estupidamente publicados no facebook. Publicar objectivos nas redes sociais antes de uma prova tem um nome: auto-sabotagem.

 

6. Lutar contra o Homem da marreta

Há quem cerre os dentes e lute contra o homem da marreta depois de levar com ela nos cornos. É errado. Mais do que errado, é estúpido. É impossível derrotar o homem da marreta. O máximo que podemos fazer é recuperar o mais depressa possível da marretada. Para tal há que ter calma, não entrar em pânico, alimentar-se e reduzir o ritmo. Quem faz provas de Endurance precisa mentalizar-se de que vai passar por pontos baixos—e há que encarar esses momentos com naturalidade. Usando uma analogia fofa: o remédio para recuperar de uma marretada não é andar à porrada com o homem da marreta, mas antes aceitá-lo e recebê-lo de braços abertos.

 

7. Fixação com a bandeira nacional

Muitos são os atletas de pelotão que vão correr ao estrangeiro e levam a bandeira nacional na mochila para desfraldá-la quando cortam a meta. Pessoalmente, acho estúpido o patriotismo bacoco da exibição da bandeira. Se ainda houvesse algum subtexto inerente à bandeira, de que é exemplo a bandeira basca sempre que esta é usada em contexto desportivo. Agora, exibir a bandeira por exibi-la? Para quê? Para anunciar ao mundo que somos Portugueses? Que mérito há em ser Português por oposição a ser Francês, Alemão, Chinês ou de outra nacionalidade qualquer? Seja como for, ainda vejo algum sentido em desfraldar a bandeira quando se participa numa prova em representação do nosso país. O mesmo não se aplica quando se participa numa prova a título individual. Nesse caso, quando muito, representamo-nos a nós próprios e à nossa equipa. A nível colectivo, se querem desfraldar uma bandeira, que tal desfraldarem a bandeira da vossa equipa?

 

Parece-me que o desfraldar da bandeira nacional é reflexo de algum complexo de inferioridade do povo português, pois não vejo os atletas de pelotão de outras nacionalidades desfraldarem a sua bandeira na mesma proporção. Os atletas de elite estrangeiros fazem-no quando vencem em representação do seu país. Mas, no caso dos atletas de pelotão, tal comportamento é muito português. Basta atender aos finishers do UTMB (que na meta desfraldam a bandeira do seu país) para verificar que a maioria são portugueses. Há aqui uma certa necessidade de afirmação nacionalista que é transversal aos povos oprimidos, como é o caso dos bascos. É evidente, também, que o hábito recente de exibição da bandeira está intimamente relacionado com a Selecção Nacional de Futebol pós-Euro2004. 

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