Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

TOP MÁQUINA

Eu faço Trail e sou uma Máquina. E isso é Top!

TOP MÁQUINA

Eu faço Trail e sou uma Máquina. E isso é Top!

Em defesa dos Abutres

por Pedro Caprichoso, em 14.02.15

tiago (2).jpg

 

Já lá vão duas horas sobre a leitura deste texto, e estive na dúvida se devia ou não escrever estas linhas. Optei por escrevê-las para ficar de bem com a minha consciência.

 

1.

Quem ouviu “bons rumores do Trail dos Abutres e sua Organização”, por certo também ouviu que os Abutres é uma das provas mais duras e técnicas do calendário nacional.

 

2.

Vou emitir um simples facto: houve alterações ao percurso. Não se trata de uma opinião. É um facto. Um facto confirmado por colegas de equipa que treinam regularmente na zona. Dizer que uma Organização é mentirosa baseado numa opinião é feio. Assim como é feio colocar aspas em “Organização”. Se o objectivo é insinuar que a Organização não foi organizada, que tal chamar os bois pelos nomes? Para memória futura: o antónimo de Organização é Desorganização.

 

3.

Mesmo que o percurso não tenha sido alterado e o atraso tenha apenas servido para que o caudal das ribeiras ficasse mais “calmo”, não vejo onde está o problema. O problema era o elevado caudal das linhas de água que impedia a sua transposição – e esse problema ficou resolvido com o adiamento da partida em 2 horas. O que interessa, pois, se tal resultou da alteração do percurso ou da diminuição natural do caudal? Que eu saiba ninguém ficou barrado pelos obstáculos impostos pelo percurso. Muitos ficaram barrados, isso sim, por não terem conseguido fazer os primeiros 29km em menos de 5h30. Não é demais referir que a referida barreira horária vem escarrapachada no regulamento da prova.

 

4.

A salvaguarda dos atletas e a salvaguarda da organização são a mesma coisa. Não vejo como é que as 2 coisas são mutualmente exclusivas. Não são. Se um atleta sofre um acidente, isso reflecte-se necessariamente na Organização – e, em termos de imagem, pouco importa se esta foi ou não responsável pela sua ocorrência. Dito isto, é evidente que o barramento dos atletas serve para acautelar a Organização. Qual é o espanto? Relembro, porém, que ninguém podia impedir os atletas desclassificados de continuarem e chegarem ao fim – as fitas continuaram lá e o monte é de todos. Se os atletas acham que foram injustamente barrados, se acham que ainda estavam em condições físicas de continuar e se o objectivo é pessoal e não competitivo – como acredito que seja para o pessoal da segunda metade do pelotão – então por que é que não continuaram? Só porque não apareceriam na classificação final e não ganhariam o brinde de finisher? Só por isso?

 

5.

Se os limites de tempo fossem permeáveis à condescendência das Organizações, que sentido faz estabelecer limites de tempo in the first place? Se os limites de tempo forem susceptíveis de alteração em tempo real, de maneira a incluírem todos os atletas, mais vale não existirem limites de tempo. Para quê? Da mesma forma, que sentido faz estabelecer um limite de tempo baseado num determinado percurso se esse percurso for susceptível de ser alterado em tempo real? Uma coisa é haverem percursos alternativos e essa alteração ser comunicada aos atletas antes da partida; outra coisa é alterar os percursos em tempo real em prejuízo da justiça desportiva. Pois se a alteração do percurso em tempo real é irrelevante para os atletas de pelotão, o mesmo não se aplica aos atletas que lutam pela classificação geral.

 

6.

Não se esqueçam disto: as provas são para competir. As provas não são para fazer com que o maior número de atletas cheguem ao fim. O mais importante – seja no atletismo, no ciclismo ou no jogo do berlinde – é competir. As provas são feitas para competir. É que se o objectivo não é competir, quanto mais não seja com nós próprios, então para que raio pagar a inscrição, deslocação, alojamento e ir às provas? Não faz sentido. Nesse caso, mais vale ficarmo-nos pelos convívios de fim-de-semana com os amigos – os “Free Runs”, como agora se chamam.

 

7.

O clima faz parte do Trail. O clima não é desculpa. O mau tempo faz parte da montanha. A gestão da forma como se corre à chuva, ao frio e com lama está ao mesmo nível da gestão do esforço e da alimentação. Faz parte. Há gente que ainda não percebeu isto. Há gente que encara o Trail como se fosse Ténis. No Trail não dá para fechar a cobertura quando começa a chover.

 

8.

Os atletas são adultos, vacinados e responsáveis por si mesmos. Por que raio é que uma organização deve ser responsável pela maluqueira de seres maiores e vacinados? Relembro-vos – em nome do pai, do filho e do espírito santo – de que não estamos a falar de crianças, mas de adultos. E – por amor do santíssimo – não estamos a falar de Alta-Montanha, tipo Alpes ou Pirenéus, mas de Serras e Montes do nosso Portugal. É que nem há comparação possível. Posto isto, quem impediu os atletas (que se queixam da perigosidade do percurso) de desistirem? Se acham que a sua integridade física estava em risco, por quê continuaram? Os Abutres ainda assim não são a Freita, onde se passam horas e horas sem se ver viva alma. Nos Abutres, quem queria desistir teve inúmeras oportunidades de fazê-lo em zonas perfeitamente acessíveis aos meios de socorro.

 

9.

Há gente que fala como se fosse possível ter voluntários e meios de socorro a cada curva. Não é. E por não ser é que os atletas levam às costas o tal material de socorro e emergência: apito, manta térmica, telemóvel. Mais: se a tal atleta usou o apito e foi socorrida pelos bombeiros, o que é que correu mal? É justamente isso que é suposto acontecer.

 

10.

De que forma é culpa da Organização que alguns atletas tenham supostamente atalhado nos últimos quilómetros? Querem ver que as Organizações também são responsáveis pela desonestidade dos atletas? Ou será que é praticável controlar o respeito dos atletas pelo percurso em toda a sua extensão? Teríamos de ter um juiz a cada curva do percurso.

 

11.

Da mesma forma, de que forma é culpa da Organização que alguns atletas fiquem 30 minutos no duche e deixem os outros sem água quente? Todos sabemos que muita gente usou e abusou da água quente para lavar os ténis e equipamento. Basta ver o estado em que ficaram os balneários.

 

12.

Desafio o Zé a organizar uma prova mais dura, com um grau de dificuldade maior e com riscos quase nulos. Mais: desafio-o a organizá-la na Serra da Lousã, no mesmo dia dos Trilhos dos Abutres, para depois tirarmos a prova dos nove. Depois veremos quantos Rambos e quantos Rambinhos se apresentarão à partida da prova do Zé. Estou certo que dará para formar um batalhão.

 

13.

Por fim, por favor concretize: quais são essas organizações, ditas amadoras, que se comportam de forma mais profissional do que os Abutres? Quero saber. Estou curioso.

11 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D