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Herói do EstrelAçor vítima de bullying

por Pedro Caprichoso, em 10.09.15

Depois dos primos Rodrigues (André, Pedro e Jérôme), o José Faria é o meu atleta preferido. Não sei por quê, mas é. O tipo não corre um peido, mas há ali qualquer coisa. Desconfio que seja a barba. Aquela barba é especial. “Magnética” é a melhor palavra que me ocorre. Barba magnética. Se fosse rabeta, era com ele que adoptaria um pretinho de África.

 

Dito isto, venho por esta via denunciar um caso de maus-tratos no seio do Trail Nacional. O bullying é uma tragédia conhecida nas nossas escolas e locais de trabalho, mas no desporto é inaudito. Não vou apontar o dedo a ninguém em particular. Direi apenas que não há palavras para descrever os abusos infligidos ao (meu) Faria pelo Presidente do Viana-Trail. É vergonhoso. No mínimo.

 

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A escola da vida que é o facebook ensina-nos que devemos ultrapassar os nossos limites e que desistir não é opção. Isso é uma coisa. Outra coisa é colocarmos a nossa vida em perigo com medo do nosso Presidente. O Presidente do Faria começou por dizer que lhe cortaria os prémios se ele não fizesse pódio no EstrelAçor. O Faria é um tipo que não liga a dinheiro e cagou para os prémios.

 

“Caguei para os prémios”, disse ele, lançando perdigotos, com o nariz a dois palmos do nariz do seu Presidente. Ao perceber que o corte dos prémios não era castigo suficiente, o vilão desta história voltou ao ataque e fez o impensável: ameaçou proibi-lo de treinar com o contingente feminino do Viana-Trail. Isto não se faz. Isto é terror psicológico da pior espécie. De referir que a foto abaixo publicada foi tirada no momento em que o Faria seguia na dianteira do EstrelAçor (180km) com cerca de 18h de prova.

 

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Assim, perante a possibilidade de não mais treinar com as meninas do VT, o Faria passou a encarar o EstrelAçor como uma prova de vida ou de morte. Resultado: os últimos 10 km foram feitos sob sofrimento extremo. Há testemunhas que o viram a chorar. De tal modo que desmaiou assim que tirou as sapatilhas, sendo depois transportado de urgência para o hospital da Guarda. As crocs que o Faria usou na cerimónia do pódio atestam bem o estado em que os seus pés ficaram.

 

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Nestas provas extremas, um tipo chega a um ponto em que deixa de conseguir controlar as emoções. Ora chora, ora ri, ora desespera, ora grita, ora geme, ora excita-se e fica com a tenda armada. Já todos passámos por isso. As emoções do Faria foram, porém, o menor dos seus problemas. Para além do desespero e do cansaço, o nosso herói vinha com uma entorse desde os 134 km. Ou seja, fez os últimos 46km manco. Uma maratona manco, imaginem só. Os últimos 7km, feitos a descer, foram percorridos a 2/3km por hora. Já mal caminhava e cortou a meta completamente desorientado.

 

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Para terem noção das condições em que se disputou o EstrelAçor, basta referir que o Jérôme Rodrigues só não desistiu na Maratona (42km) porque foi ameaçado pela mãe de um colega de equipa. Mais bullying, portanto. “A mãe do Diogo disse que nos dava um enxerto de porrada à frente do povo de Linhares da Beira caso desistíssemos”, afirmou o atleta barcelense mal cortou a meta no lugar mais alto do pódio. E mais não disse porque desfaleceu instantes depois, em resultado de uma insolação.

 

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Pior do que ficar com os pés e o orgulho destruídos, o Faria ficou triste porque não pôde cumprir a promessa que fez à sua amiga colorida. A promessa era a de com ela fazer a Maratona do EstrelAçor. Pese embora o estado deplorável em que se encontrava, o nosso herói garantiu que só não a fez porque o médico deu-lhe alta já depois do tiro de partida. Importa referir que o Faria havia cortado a meta 6 horas antes do tiro de partida da Maratona. Que macho!

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