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Os Atletas mais Subvalorizados do Trail Nacional

por Pedro Caprichoso, em 29.03.16

Estive para fazer uma lista dos atletas mais sobrevalorizados do Trail Nacional, mas depois arrependi-me. Apercebi-me que tal seria de mau-gosto. Até para mim. Tanto que para alguns seria injusto. Há quem não seja responsável pela sua sobrevalorização—e não merece que se lhe seja apontado o dedo. Assim sendo, decidi fazer o contrário: elaborar uma lista dos atletas mais subvalorizados no sentido de valorizá-los aos olhos dos mais desatentos.

 

Os atletas mais subvalorizados são aqueles em que se verifica maior discrepância entre o seu valor desportivo e a percepção que o público tem deles. Ao contrário do que possam pensar, os melhores atletas não são necessariamente aqueles que têm mais “patrocinadores”; que mais hashtags usam nas suas publicações; que mais vezes são promovidos pela comunicação social; ou que, tendo um blogue como este, são mais conhecidos por aquilo que escrevem do que por aquilo que correm.

 

1. PEDRO RODRIGUES

 

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Embora seja um dos melhores, o “Troncos” continua a ser um dos atletas mais subvalorizados pelas marcas. Ainda para mais, é uma pessoa de quem todos gostam. O Pedro conhece toda a gente. É o Relações Públicas do Trail Nacional. A única explicação, portanto, é que as marcas andam a dormir. Este homem merece todo o apoio do mundo. Eu recuso-me a ser patrocinado antes do Pedro. Sim, leram bem: até a mim já me ofereceram patrocínios. Primeiro a mim do que ao Pedro. Cabe isto na cabeça de alguém? Posto isto, o meu recado para as marcas é o seguinte: só aceito apoios depois do Pedro ser apoiado. Percebido?

 

2. PAULO LOPES

 

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O Paulo “(Ex)Terminador” Lopes é o tipo de atleta que eu gostaria de ser quando fosse grande. Inteligente pela forma como aborda as provas, fazendo-as sempre de trás para a frente. Ele não se poupa para atacar na segunda metade; ele tem é a capacidade de não entrar em loucuras e fazer as provas ao mesmo ritmo do início ao fim. Nos últimos 10k, não é ele que está mais rápido; somos nós que estamos mais lentos. O homem é M40 e ficou em 5.º no Campeonato Nacional de Trail Ultra. Ainda assim, só os mais atentos parecem conhecê-lo e apreciá-lo. É uma pena.

 

3. JORGE ROCHA

 

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Jorge “O Relógio Suíço” Rocha é uma das minhas referências. Humilde e reservado, o Jorge é o paradigma da consistência. Dando sempre prioridade aos interesses da equipa, é o abono de família da EDV-Viana Trail. Sabiam, por exemplo, que ele fez top10 nas 3 últimas edições do UTAX? Sexto, sexto e oitavo? De certeza que não sabiam. Aliás, como poderiam vocês saber se vocês estão mais interessados em analisar o Strava de um tipo qualquer que não corre um peido?

 

4. PEDRO MARQUES

 

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O Pedro é um dos pioneiros do Trail Nacional. Eu ainda não sabia que o Trail existia e ele já andava a cortar a meta do UTSF de mãos dadas com o Nuno Silva. Aos 50 anos—repito: 50 anos—continua a fazer resultados ao nível de um top10 no UTAX. As pessoas desvalorizam-no porque ele não depila as pernas e publica fotos com sandes de presunto e minis em vez de isotónico e bidons de suplementação.

 

5. LUÍS DUARTE

 

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Fui interpelado por muitos atletas (das provas mais curtas) enquanto lavava as vergonhas nas piscinas de Miranda do Corvo—e muitos não sabiam quem é o Luís Duarte. Verdade. Queriam saber quem tinha ganho o UTAX, eu respondi-lhes e muitos pediram explicações. Luís? Quem? Fiquei estupefacto—e, só por isso, merece ser mencionado aqui. O Luís é outro dos que comete o erro de ser muito humilde. Sim, os conhecedores do Trail sabem quem ele é. Para nós é um dos melhores, senão o melhor. Acontece que ele faz poucas provas—e isso prejudica-o ao nível da sua projecção mediática. O “Bombardeiro” não precisa de fazer provas todos os fins-de-semana para sentir-se validado. Isto tem um nome: classe. Também pode ser que ele não compita mais por motivos profissionais. Que seja. Não me interessa. É classe à mesma, pois não o vejo queixar-se por causa disso. Gosto do facto de haver quem aparece de vez em quando só para mostrar aos outros como é que se faz.

 

O problema dos tipos acima aludidos é que raramente se gabam. Atleta que é atleta tem de gabar-se no facebook. Onde estão as selfies no topo dos montes? As fotos dos troféus? As sapatilhas enlameadas? As desculpas esfarrapadas? A publicação diária dos quilómetros percorridos? O relógio com o tempo de corrida e a t-shirt de finisher? Onde, pessoal? Há tipos que nem o relato das provas fazem. Assim é difícil. Tenho uma palavra para vocês: cagão. Têm de ser mais cagões. Anda por aí gente que vende o cu por 2 tostões, mas vocês não. Vocês acham-se especiais. Acham-se melhores do que os outros. Não vejo outra explicação.

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