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TOP MÁQUINA

Eu faço Trail e sou uma Máquina. E isso é Top!

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Os Casalinhos do Trail Nacional

por Pedro Caprichoso, em 24.02.16

aqui escrevi que um dos erros mais comuns cometidos pelos praticantes de Trail Running é apaixonarem-se uns pelos outros. No entanto, pelos vistos, não valeu de nada. Andam-se todos a marimbar para os meus conselhos. Depois digam-me que eu não vos avisei. Depois venham pedir-me colinho. Ombro posso dar. Colinho nem pensar.

 

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Nunca como agora se viu tanto casal pelos montes do nosso Portugal e arredores. Antigamente viam-se alguns, mas esses não chegavam a sair das viaturas. Que praga! Tanto mel, tanto «fofinho», tanto “bebé», tanto «xuxu», tanto sorriso rasgado, tanta selfie a dois, tanta mão dada ao nascer-do-sol, tanto linguado ao pôr-do-sol, tanta declaração armada ao pingarelho, tanta jura de amor eterno. Como se o amor não lhes bastasse, ainda fazem questão de esfregar a sua felicidade na cara dos outros. Até metem nojo! Só pensam neles. Não pensam nos atletas que vivem na solidão e—cuidado que vem aí uma metáfora da construção civil—ainda não tiveram a sorte de encontrar a porca para a sua bucha.

 

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Não percebem que exibir a sua felicidade diminui a felicidade dos outros. Depilar as pernas da nossa cara-metade é muito bonito; fazer uma massagem de recuperação à nossa respectiva é muito bonito; passar creme antifricção no rabinho da nossa mais-do-que-tudo é muito bonito. Agora imaginem fazê-lo sozinho. É muito triste. Quando era solteiro, lembro-me de carpir enquanto passava vaselina nas virilhas. Não ter quem nos passe vaselina nas partes baixas é muito triste. Nisto ninguém pensa. A crise dos refugiados também é triste, mas não se compara.

 

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O Trail é um desporto propício ao amor: calções de lycra justinhos, rabos empinados, decotes convidativos, o ar da serra e a libertação de dopamina (associada ao exercício) são o combustível que faz acender o fogo da paixão. Há que, por isso, resistir à tentação. Por quê? Porque não vai funcionar. Metam isso na vossa cabeça: não vai funcionar. Falo por experiência própria: apaixonei-me loucamente pela Analice, mas a nossa relação foi de pouca dura. Eu queria fazer os Abutres; ela fez a Marathon des Sables. Eu depilo-me; ela prefere homens peludos. Eu queria que usássemos equipamentos a condizer; ela veste o que lhe apetece. Eu queria assentar; ela quer divertir-se. Até que passei o prazo de validade e ela trocou-me por um mais novo. Deu-me à troca.

 

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Dito isto, esta é mais uma daquelas situações em que se aplica a máxima: “Faz aquilo que te digo. Não faças aquilo que eu faço.” Pois parece que não aprendi a lição e já me meti noutra embrulhada:

 

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