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TOP MÁQUINA

Eu faço Trail e sou uma Máquina. E isso é Top!

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Rescaldo Azores Trail Run 2016

por Pedro Caprichoso, em 03.06.16

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[video de Manuel Morais] 

 

Andam todos de trombas comigo. Dizem-se enganados. Marcam treinos e não me convidam. Ignoram-me. Garanti aos meus colegas de equipa que o Azores Trail Run era uma prova fácil—leia-se corrível—e eles ficaram de trombas. Acham que eu estava a gozar com eles e levaram a mal. Há 2 anos participei na primeira edição e os trombudos vieram-se aconselhar junto da minha pessoa. Aconselhei-os de graça e é assim que eles me agradecem. Já viram o desplante? Em 2014, a prova disputou-se em tempo seco e eu fi-la praticamente toda em passo de corrida. Que culpa tenho eu se este ano se abateu um temporal sobre a ilha do Faial? Sou responsável pelas acções do meu homónimo São Pedro? É isso? Seja como for, pese embora disputada num lamaçal, continuo a considerar a prova rolante. Parafraseando a minha amiga Liliana Gomes: “O percurso era rolante. A lama rolava que é uma beleza!” Rolava e deslizava como um caracol no orvalho. Nunca pensei dizer isto, mas fui aos Açores matar saudades dos Trilhos dos Abutres.

 

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Zaid Ait Malek era o favorito à partida do Azores Trail Run—Faial Coast to Coast (45k, 2.300D+). O campeão marroquino viu-se porém forçado a desistir logo à passagem do k2. A versão oficial é a de que ele ressentiu-se de uma lesão contraída em Zegama, disputada no fim-de-semana anterior. Mentira. Ele não estava lesionado. Não procurem justificações elaboradas para ocorrências simples. A verdade é simples: o Zaid borrou a cueca e desistiu porque não aguentou a pressão. O Presidente do EDV-Viana Trail recorreu à guerra psicológica, meteu conversa com ele e disse-lhe que o Jérôme Rodrigues lhe ia fazer a folha. O Jérôme olhou-o nos olhos, fez cara de mau e o Zaid começou a chorar como uma criança a quem lhe roubaram o chupa-chupa. Embora tremendo como varas verdes, ele ainda assim teve tomates para se apresentar à partida. Pior foi quando a Lucinda Sousa se começou a meter com ele. Ela disse-lhe que lhe ia estragar as sapatilhas e ameaçou atarraxar o porta-dorsais à cintura do marroquino, de maneira a que ele a rebocasse vulcão acima. Resultado: borrou a cueca.

 

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Fez-se história nos Açores. Fernanda Verde (EDV-Viana Trail) e Mary Vieira (Dr. Merino / Nutrifit) foram as primeiras atletas femininas do mundo a cortarem a meta de uma prova de Trail de mãos dadas. Fizeram praticamente toda a prova juntas, alcançaram o 4.º lugar ex-aequo e demonstraram que a amizade e o companheirismo não são exclusivos do pelotão masculino. Embora não tenham cortado a meta de mãos dadas, Miguel Martins (Dr. Merino / Nutrifit) e Jérôme Rodrigues (EDV-Viana Trail) também espalharam amor e carinho na meta do Azores Trail Run. Abraçaram-se e apalparam o rabinho um ao outro como fazem os jogadores e voleibol após ganharem um ponto. É caso para dizer: arranjem um quarto! Eu não devia dizer isto, mas não resisto: todos os atletas do EDV-Viana Trail têm um amigo colorido na equipa Dr. Merino / Nutrifit. O meu é o Diogo Fernandes. Os “Amigos Coloridos do Trail” é um projecto inter-equipas concebido pelos visionários Eduardo Merino e José Carlos Alcobia. Ainda ontem liguei ao Diogo porque estava com prisão de ventre e precisava de apoio psicológico para evacuar. Eram duas da manhã, o Sheriff atendeu o telemóvel de trombas, mandou-me à merda—e eu esguichei a dita cuja como se não houvesse amanhã. É disto de que falamos quando falamos em espírito do Trail. Por vezes cheira mal, mas sabe sempre bem.

 

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Por sorte do destino, demos de caras com o grande Gustave Lafume, um dos pioneiros do Trail Mundial. Uma referência, um exemplo e um modelo a seguir. Muito deu este homem ao Trail. Só é pena que a nova geração não saiba quem ele é. Foi emocionante assistir, num banal café do Faial, ao encontro de dois monstros do Trail Mundial. Separados por três décadas, Gustave e Jérôme relacionaram-se um com o outro como se fossem velhos amigos. Vitalidade capilar à parte, quase pareciam almas gémeas. A verdade verdadeira é que não faço a mínima ideia quem é o tipo. Gustave Lafume é nome fictício, resultado da conjugação de Gustavo (nome do gato do Jérôme) com Lafuma (a famosa marca francesa de desporto outdoor). Tanto quanto sabemos, ele pode chamar-se Gilberto da Silva. Simplesmente achámos-lhe graça e tirámos uma foto com ele. Depois afirmei, na brincadeira, que ele é um dos pioneiros do Trail Mundial e muitos engoliram a peta. Isto só serve para demonstrar, novamente, que há pessoas dispostas a acreditar em tudo. Por um lado, estão dispostas a acreditar em tudo; por outro, são preguiçosas ao ponto de emitir opiniões sobre assuntos que ignoram e sobre os quais não se dão ao trabalho de pesquisar. Espero que aprendam a lição: duvidem de tudo o que vos dizem e pesquisem. Cepticismo e pesquisa é o único caminho para evitar burlões e fazer figura de urso.

 

Os açorianos jogavam em casa e quiseram mostrar serviço. Alguns partiram a matar, foram perdendo gás e, depois, ao serem ultrapassados, questionavam a nossa naturalidade: “És açoriano?”, perguntavam eles. Isto porque, pelos vistos, havia prémios a nível regional. É a mesma coisa com os atletas veteranos, quando estes são ultrapassados e questionam a nossa idade para saberem em que lugar se encontram no seu escalão. Nada contra. Parece-me, porém, que não seja boa política correr com o pensamento centrado na classificação. Como pode uma pessoa divertir-se focando-se apenas na possibilidade de fazer pódio? Só para foder com a cabeça deles, em vez de lhes indicar o meu escalão ou idade, indico-lhes antes a data do meu nascimento. Depois mijo-me a rir ao vê-los fazer contas de cabeça. Quanto aos açorianos, ainda tentei enganá-los imitando o seu sotaque, mas acho que eles não foram na conversa.

 

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Lamento o que parece estar a tornar-se hábito por parte das organizações: atribuir classificação por equipas e, no fim, nem prever cerimónia de pódio colectivo nem atribuir o merecido prémio. Perde a festa, perdem as equipas, perdem os atletas e perdem os patrocinadores que apoiam as equipas e merecem o devido destaque. Mais lamentável ainda é quando estas provas fazem parte do Campeonato Nacional. A EDV-Viana Trail já declarou, em de sede própria, que no próximo ano seleccionará as provas em que irá participar: “A ATRP terá que garantir que as organizações cumprem os regulamentos se quiser continuar a contar com a presença da nossa equipa nos seus Campeonatos. As organizações obrigam os atletas a cumprir regulamentos, pelo que estas também têm de cumpri-los sob pena de serem excluídas dos Campeonatos. Algumas organizações simplesmente não respeitam os sacrifícios pessoais e financeiros que os atletas fazem para estarem presentes nas suas provas, preocupando-se essencialmente com a maximização do lucro. Os atletas e as equipas estão a fazer o trabalho de casa; é tempo dos restantes envolvidos no processo fazerem o mesmo.”

 

As Organizações não são obrigadas a atribuir prémios por equipas. Cada uma atribui o que lhe apetece; até há algumas que escolhem não atribuir prémios por escalões. São escolhas. Cabe depois aos atletas escolherem se querem ou não participarem nessas provas. Até aqui tudo bem. O problema surge quando o regulamento faz referência à classificação colectiva (e à forma como esta é determinada) e depois não há cerimónia protocolar para premiar a dita classificação—e foi justamente isso o que aconteceu nos Açores. A Organização do Azores Trail Run fazia referência à classificação colectiva no regulamento, mas não previu uma cerimónia de pódio para premiar as equipas. Está mal. Tal, porém, não nos impediu de subir ao pódio. Protestámos, fizemos barulho, fizemos as nossas contas, juntámos as 3 equipas vencedoras (EDV-Viana Trail, Morcegos Trail e Dr. Merino / Nutrifit) e subimos ao pódio à mesma. Os nossos patrocinadores merecem.

 

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As equipas não tiveram direito a participar na cerimónia protocolar, mas os gordos tiveram. Sabemos que estamos perante uma prova pouco competitiva quando pessoas com barriga sobem ao pódio. Falo de alguns vencedores de escalão do Family Trail. Anafados no pódio? A sério? Não custava nada medirem o perímetro abdominal dos vencedores antes de subirem ao pódio. Mais de 60cm e não subiam. É a imagem da prova que está em jogo.

 

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Jérôme Rodrigues e Tiago Aires—o eventual e merecidíssimo vencedor da prova—seguiam na frente quando falharam uma viragem por volta do k30. Ao falharem-na, seguiram no sentido errado, perderam a liderança da prova e cerca de 7min. Ler fitas faz parte do Trail e não vale a pena entrar na discussão se o dito entroncamento estava bem ou mal marcado. Só lamento o facto dos elementos da organização (que se encontravam nesse ponto) não terem avisado os atletas de que iam na direcção errada. Mais pessoas viriam a enganar-se no mesmo local, com os referidos elementos dentro dos automóveis, possivelmente a actualizarem a sua página de facebook. Assim que se aperceberam que se tinham enganado, ambos voltaram para trás e cruzaram-se novamente com os automobilistas. Estes baixaram o vidro embaciado do carro e perguntaram-lhes: “Vocês perderam-se, não perderam?” Imagino, com a minha imaginação tresloucada, que estariam a fazer o amor enquanto fumavam canábis e actualizavam a sua página de facebook. O facebook tem culpas no cartório—quanto a isso não tenho dúvidas.

 

Muitos arrependeram-se de não terem levado bastões para os Açores e depois fabricaram-nos pelo caminho. Embora usem-nos, alguns têm vergonha de fazerem figuras e deitam-nos fora no último km. No Faial, o depósito de muletas localizava-se a 500m da meta, no início do trilho de cinzas do vulcão dos Capelinhos. Outros há que não têm vergonha nenhuma e cruzaram a linha de meta nestes preparos:

 

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