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TOP MÁQUINA

Eu faço Trail e sou uma Máquina. E isso é Top!

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Rescaldo da Maratona do Mont-Blanc

por Pedro Caprichoso, em 01.07.15

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Realizei um estágio de 3 dias na Suíça, em preparação para a Maratona do Mont-Blanc, com o patrocínio do meu porquinho mealheiro. O objectivo era ganhar, pelo que não deixei nada ao acaso. Eu e a minha comitiva ficámos instalados num luxuoso empreendimento turístico contíguo ao Lago Léman. Para quem conhece a zona, digamos que fica a cerca de 5km da Mansão do Michael Schumacher, no sentido Genebra – Lausanne. Composto por 1 homem e 3 mulheres, o meu staff integrava um Responsável de Logística, uma Enfermeira e duas Técnicas de Laboratório. O primeiro era responsável pelo transporte, alojamento e cobertura fotojornalística; a segunda providenciava-me curativos, apoio psiquiátrico e administrava-me um cocktail explosivo de substâncias dopantes; as duas últimas limitavam-se à preparação diária do referido cocktail. Relembro a constituição do cocktail: 2 comprimidos de Libidium Fast, 1 comprimido de Imodium Rapid, 5 Red Bulls, 1 pau de Cabinda e 2 folhinhas de hortelã.

 

1795808_589008124572678_1330840880522841714_o.jpg [Da esquerda para a direita: Técnica de Laboratório, Enfermeira, Euzinho, Técnica de Laboratório e Responsável de Logística]

 

Foram 3 dias muito intensos. No primeiro pratiquei escalada indoor – para simular as partes mais técnicas do percurso. Aproveitando o calor que se fazia sentir, o segundo foi dedicado a fazer sku num parque aquático – caso encontrasse neve nos pontos mais elevados do Mont-Blanc e tivesse de usar o rabinho para deslizar. Ao terceiro dia, na véspera da prova, visitei a fábrica da Toblerone e enfardei 10kg de chocolate suíço – para apresentar-me à partida com as baterias devidamente carregadas. A visita à fábrica foi de manhã; a tarde passei-a na casa-de-banho a aliviar a tripa. Dos 10kg, 7 saíram pelo orifício oposto a jacto!

 

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Quanto à prova, a minha estratégia – que passava por fazer marcação cerrada ao Kilian Jornet – ficou comprometida pelo facto do espanhol não ter participado na Maratona. O morcão fez (e ganhou) as últimas 3 edições, mas este ano lembrou-se de disputar apenas no km vertical. Ser vedeta é isto: é ser egoísta; é pensar apenas em si próprio; é ignorar as necessidades dos outros – sobretudo nas minhas. O Kilian era um ídolo para mim, mas hoje morreu. Atirei um paralelo à vitrine de uma loja da Salomão, risquei-lhe a roulotte com a minha medalha de finisher, rasguei os posters dele que tinha colados no meu guarda-fatos e estou a usar o livro "Correr ou Morrer" para limpar o rabinho.

 

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O Leonardo Diogo é o meu novo ídolo. O Kilian já era. O madeirense alcançou um estrondoso 8.º lugar nos 80km – e ainda teve energia para apoiar os Portugueses na Maratona. Encontrei-o em 2 abastecimentos. No segundo, fez-me inclusive o favor de me encher os bidons, correu alguns metros ao meu lado e tirou-nos uma selfie em andamento. Tinha dele uma ideia completamente diferente: pintava-o como uma pessoa sisuda, mas é incrível ver a forma como ele vibra com a competição. Parece uma criança numa loja de guloseimas. É um dos nossos grandes.

 

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Na meta tínhamos uma equipa de massagistas francesas à nossa espera – malucas por meter as mãos em presunto tuga. Quando chegou a minha vez, duas delas olharam para mim e esgatafunharam-se à porrada. A vencedora teve a honra (e o prazer) de me massajar as coxas. Começou por pedir que eu me deitasse de costas – e eu fiz-lhe a vontade. Uma vez de costas, ela aproximou-se e sussurrou-me ao ouvido que me iria fazer uma massagem ligeira. Se eu quisesse uma massagem “completa”, teria de fazê-la em Chamonix. Importa referir que a meta distava 5km do centro de Chamonix. Uma vez que recebo recorrentemente este tipo de convites, julguei que ela me estava a convidar para outro tipo de “massagem”. Em Portugal, um serviço “completo” é outra coisa. Vai daí disse-lhe: « Oui, je veux un massage complet. Pointez ton adresse dans mon dossard, puis je serais chez-toi. » Como vocês não falam Francês, eu traduzo: “Sim, eu quero uma massagem completa. Aponta a tua morada no meu dorsal, que eu depois vou ter a tua casa.” Mal eu sabia que em Chamonix havia efectivamente uma segunda zona de massagens, onde os atletas teriam acesso a uma massagem mais longa e reforçada. Só espero que ela não tenha ficado com uma má imagem de mim, em geral, e do homem português, em particular.

 

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Deixo o seguinte conselho aos atletas que pretendam fazer a Maratona do Mont-Blanc: não bebam das tetas da vaca que apoia os atletas no início da primeira grande subida. Eu falhei um abastecimento, estava a morrer de sede e mamei delas – e posso-vos garantir que delas não sai leite. Sai outra coisa. Este aviso é particularmente dirigido ao Bruno Coelho, já que ele tem o hábito de mamar directamente do pipo.

 

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Esta vaca está presente em todas as edições da Maratona do Mont-Blanc. Como diz o André Rodrigues, é o equivalente ao Diabo da Volta à França.

 

Sendo a Maratona do Mont-Blanc uma prova de elevado nível competitivo, ficaram (não uma mas) 6 mulheres à minha frente. Tal facto é muito positivo, pois permitiu-me correr ao lado de algumas das melhores atletas do mundo, entre as quais a campeoníssima Ellie Greenwood – duas vezes campeã do mundo de 100km e recordista da Western States 100. Correndo ao lado dela ao longo de vários quilómetros, foi muito gratificante assistir à forma como as meninas fazem o xixi durante as provas. Elas usam uma equipamento especial que lhes permite mictar de pé. Nunca tinha visto tal coisa.

 

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É bom saber que o trabalho do TopMáquina é reconhecido no estrangeiro, pois um fã veio ter comigo antes da partida para me pedir um autógrafo e uma foto. Ao contrário do que se possa pensar, o fã em causa não é Português. O tipo chama-se Machine de la Montagne – e corre com uma bandeira de Portugal por ser um fã incondicional do Carlos Sá.

 

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Muitos espantaram-se com o tamanho dos meus pés na foto abaixo publicada. Eu explico: os meus tomatinhos são de aço e desestabilizam o meu centro de gravidade, pelo que corro com sapatilhas 5 números acima do normal para me equilibrar melhor.

 

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Não cumpri o meu objectivo – que era ganhar – mas fui compensado ao vencer o sorteio que premiou os finishers da Maratona. O meu dorsal foi sorteado e a foto em baixo ilustra o meu espanto assim que me informaram do prémio: um Ferrari de 1.6 milhões de euros.

 

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