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TOP MÁQUINA

Eu faço Trail e sou uma Máquina. E isso é Top!

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Rescaldo dos Abutres 2016

por Pedro Caprichoso, em 04.02.16

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Tirando aquela vez em que dei o rabinho ao vigário da minha paróquia, estes foram os 500 paus que menos me custaram ganhar até hoje. Com cachês destes vou deixar de trabalhar. Gosto muito de dar o rabinho, mas prefiro ganhar dinheiro abrindo a boca de outra forma. Abri a boca 5 vezes, 4 das quais para bocejar. Não que a tertúlia não estivesse a ser interessante. Estava. Eu é que estava morto de sono. Havia passado a noite anterior a dar o rabinho. Já vos disse que dou o rabinho? Não é sempre. Só de vez em quando: quando tenho o saldo bancário negativo e preciso de sapatilhas novas. Prometo que não falo mais do meu rabinho neste parágrafo.

 

 

Viram como eu cumpro as minhas promessas? Cumprida a promessa, voltemos ao rabinho. Desta feita não ao meu. Vamos antes focar-nos no rabinho do Sérgio Duarte. O rabinho do Sérgio—mais conhecido como o tipo das Barras Olimpo—fez deflagrar uma bomba de metano a escassos minutos do tiro de partida dos Trilhos dos Abutres. Instantes após a explosão, formou-se uma cratera à volta do Sr. Olimpo—e este foi avançando pelotão acima de maneira a partir à frente do mesmo. Não estou a insinuar. Estou a afirmar, enquanto perito em flatulência, que o traque foi premeditado. O tipo peidou-se intencionalmente para partir melhor posicionado. Estão a ver aquela passagem da bíblia em que Moisés abre o Mar Vermelho para possibilitar a travessia dos filhos de Israel? É a mesma coisa.

 

Era ver o pessoal a tirar os buffs da cabeça e a colocá-los à frente da boca; um atleta asmático, que se encontrava no epicentro do rebentamento, viu-se forçado a sacar do inalador; um espanhol, que se encontrava ao lado do Paulo César, teve um ataque de pânico ao julgar que estávamos a ser alvo de um ataque químico perpetrado pelo Estado Islâmico; e eu, que me encontrava atrás do Sérgio a atacar as sapatilhas, fiquei com as sobrancelhas chamuscadas. Já me perguntaram se ando a fazer quimioterapia.

 

Posto isto, impõe-se a pergunta: que raio têm as Barras Olimpo para produzirem tamanha devastação?

 

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Passei a noite de Sexta para Sábado no Centro de Trail de Miranda do Corvo e não dormi nada. Estava lá um tipo que ressonava como um tractor e não preguei olho. Se soubesse teria ficado com os meus colegas de equipa no solo duro. Poderia acordar com dores nas costas, mas ao menos teria descansado. Além de que o ambiente era mais aconchegante, como se pode verificar pela foto abaixo publicada. Agora percebo por que lhe chamam “solo duro”. Ênfase no duro.

 

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Ai se vocês soubessem o quanto eu gosto daqueles tipos que dizem mal das Organizações durante as provas—e, depois, quando chegam a casa, vão para as redes sociais anunciar que, neste caso, os Trilhos dos Abutres são mágicos, deslumbrantes, a life changing experience e o raio que o parta. Só para informar que me cruzei com meia dúzia destes espécimes. O que durante a prova eram trilhos com lama a mais, depois da prova transformaram-se em trilhos pesados; o que durante a prova eram trilhos que punham em perigo a vida dos atletas, depois da prova transformaram-se em trilhos desafiantes; o que durante a prova eram trilhos para caminheiros, depois da prova transformaram-se em trilhos para duros. A estes aconselho adquirirem um fazedor de coerência. Este electrodoméstico está em promoção no Lidl. Aproveitem.

 

Os atletas são unanimes ao reconhecerem que a Organização dos Abutres esteve ao mais alto nível, nomeadamente ao nível das marcações. Das marcações ninguém se pode queixar. Estavam perfeitas. De uma fita via-se a fita seguinte; e o sentido errado, nos cruzamentos mais duvidosos, encontrava-se devidamente barrado. Estavam tão, mas tão boas, que nem se notou o facto de serem brancas. Por outro lado, a presença de gajas boas na prova curta (25k) é o único aspecto negativo que aponto à Organização. Não é a união de provas que me incomoda. Pode haver união; o que não pode haver é gajas boas a disputar a prova curta. Eu gordos ultrapasso bem: passo-lhes uma rasteira. O problema são as gajas boas. Um gajo distrai-se quando seguimos atrás delas naqueles single-tracks apertadinhos: estamos constantemente a tropeçar, roçamo-nos nelas sem querer e quedamo-nos junto delas mais tempo do que o necessário. Contei 22 gajas boas e, junto a cada uma, perdi cerca de 3 minutos. Percebem agora por que fiquei a mais de 1h do primeiro?

 

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Os Abutres são uma prova de Trail. No entanto, por vezes, dada a quantidade de linhas de água, parecem uma prova de natação; por vezes, dado o piso escorregadio, parecem uma prova de ski; e, a determinado momento, a edição deste ano assemelhou-se, inclusive, a uma partida de bowling. Na descida assistida por corda antes do abastecimento de Nossa Senhora da Piedade (29k), um pedregulho do tamanho de uma melancia soltou-se e desatou a rebolar encosta abaixo. Não fosse o aviso de um colega de equipa e a Fernanda Verde teria sido abalroada pelo calhau como se de um pino se tratasse. Por sorte estava um cavalheiro nas imediações. O José Feiteira fez-se homem, pegou na pedra e carregou-a até à base da descida. Partiram o molde quando fizeram o José. Um senhor.

 

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Os Trilhos dos Abutres são sinónimo de dureza. Tal dureza ficou bem demostrada este ano, não tanto pelo perfil ou altimetria, mas antes pelo facto de muitos atletas terem alucinado durante a prova: uns afirmam que viram um casal de javalis a acasalar; outros juram a pés juntos que se cruzaram com um veado; e até há um que diz que foi mordido por um cão. A meu ver, o que aconteceu foi: pensam que viram javalis, mas na verdade eram dois atletas do Arrábida Trail Team a fazerem miminhos um ao outro; pensam que se cruzaram com um veado, mas na realidade tratava-se de uma Gazela—a tal que ficou em 8.º lugar da geral; e o Délio foi mordido por um cão d’avenida com hipoglicemia, como é evidente.

 

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As cãibras não quiseram faltar à festa e marcaram presença em força nos Abutres 2016. Muitos foram os atletas que se queixaram delas no fim da prova. Uns tiveram-nas a subir, outros tiveram-nas a descer e até houve um desgraçado que as teve nos tomates. Perguntem ao Jorge que ele conta-vos os pormenores. Ainda na zona da genitália, o que dizer do homem com o maior badalo dos Abutres? Chama-se Romeu Gouveia, tem 12 anos e já lhe dá no badalo como gente grande. É de jovens atletas apaixonados pela modalidade que o Trail precisa. Mandem vir mais 3 paletes e 5 resmas de Romeus, sff. Farto-me de dizê-lo e volto a repeti-lo: mais malucos do que os malucos que correm no monte, são os malucos que vão para o monte ver outros malucos correr.

 

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O trio constituído por Ricardo Silva, André Rodrigues e David Quelhas dominou os primeiros 2/3 da prova, altura  (37k) em que o último decidiu atacar rumo à aldeia de Gondramaz. O atleta da equipa Coimbra Trail Running arriscou tudo na descida e seguiu isolado até à meta, deixando a luta em aberto pelo segundo lugar. No entanto, num bonito gesto de desportivismo, Ricardo e André decidiram cortar a meta juntos. Uma vez que seguiam juntos à entrada dos últimos 2km, não faria sentido resolver no alcatrão o que não ficou resolvido nos trilhos. E ainda andam por aí uns iluminados que dizem que o Trail já não é o que era. Façam-me um favor: ide dar banho ao cão.

 

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Tendo em conta a diferença de 10 minutos entre o primeiro e os segundos classificados, poder-se-á supor que o David ganhou com facilidade. É falso. Foi tudo menos fácil. Os seus joelhos ensanguentados contam outra história: a história de uma descida estabanada. É certo que o rapaz tem tomates de aço e o lastro fá-lo ganhar velocidade, mas não subestimem a sua técnica. Esta tem de ser apuradíssima. De outra forma, estaríamos no próximo Sábado a celebrar a sua missa de sétimo dia. Seja como for, certo é que o David teve ainda tempo de fazer 20 pull-ups. Testemunhas na meta afirmam que ele justificou o exercício pelo facto de usar aqueles trilhos como circuito de manutenção e que, por instantes, se esqueceu de que estava em prova.

 

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A EDV-Viana Trail foi a grande vencedora colectiva dos Trilhos dos Abutres 2016. A meio da prova, no entanto, para surpresa de todos, era a equipa da Satecnosol que liderava com 3 atletas posicionados entre o primeiro (Ricardo Silva) e os restantes atletas da equipa de Viana do Castelo. Atacando a prova desde o início, os amarelos da Satecnosol perderam gás na segunda metade e caíram para o segundo lugar. Nada que porém desvalorize aquilo que todos consideraram um resultado brilhante. Em terra de veados, o Gazela foi um dos que mais correu.

 

O nome “Satecnosol” deriva do apelido “Sá”, do diminutivo “tec” e do detergente “Sonasol”. “Sá” porque José Sá é o Presidente/Director-Desportivo/Atleta da equipa com sede em Paredes; “tec” porque o seu equipamento vem artilhado com tecnologia de ponta; e “Sonasol” porque esse é o ingrediente secreto que os seus atletas colocam no isotónico. É um nome com pedigree, embora um tanto ou quanto fleumático. Vai daí sugeri ao Sá que mudassem o nome para “Bandido Trail Running Fucking Team”. Tudo indica que ele fez ouvidos moucos da minha brilhante sugestão.

 

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A nota negativa desta edição dos Trilhos dos Abutres vai para a equipa Dr. Merino/Nutrifit. Não estou a falar da sua performance desportiva, que foi excelente. Não estou a falar do seu fair-play, que foi admirável. Estou antes a falar da forma como os homens da aludida equipa tratam as suas mulheres. Sabem o que os marmanjos fizeram? Terminaram a prova, foram ao banho, não esperaram pelas meninas, fugiram com a chave da viatura da equipa e deixaram-nas ao frio. Aliás, este parágrafo está a ser escrito a pedido das manas Vieira. Parece-me pois evidente que já não há cavalheiros em Paredes. Em nome da EDV-Viana Trail, venho nesse sentido demonstrar a nossa disponibilidade em acolher as manas Vieiras e restante contingente feminino da Dr. Merino/Nutrifit. Meninas, peçam recomendações à Fernanda Verde e releiam o episódio do pedregulho acima descrito. Nós tomamos conta das nossas mulheres.

 

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Por fim, suplico-vos: não corram sozinhos. Juntem-se a uma equipa. O resto é papo-furado.

 

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