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TOP MÁQUINA

Eu faço Trail e sou uma Máquina. E isso é Top!

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Rescaldo GTSA 2015

por Pedro Caprichoso, em 01.10.15

Sábado. Dez da manhã. Tirei o meu Volkswagen Golf TDI da garagem, apanhei o Jérôme pelo caminho e partimos rumo à Senhora do Minho. Pelo caminho matei 2 ciclistas e 3 militantes do PCTP/MRPP. Não faleceram via atropelamento. O seu óbito foi provocado pelos fumos de escape emitidos pelo meu bolinhas. Ao enterrarmos os 5 cadáveres na berma da estrada, apercebi-me que o Jérôme tem muito jeito para cavar buracos. Se a sua carreira enquanto actor porno não resultar, espera-lhe um futuro brilhante enquanto coveiro. Bem vistas as coisas, tem tudo a ver com buracos.

 

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Era a puta da loucura! A Senhora do Minho rebentava pelas costuras. Nem em dias de romaria. As pedras não eram suficientes para tanto rabo nelas alapado. Estariam lá, seguramente, 10 mil pessoas. Metade pertencia aos quadros do Viana Trail. Uns de binóculos, outros de fio dental – facilmente identificável pela posição em que se encontravam sentados – e outros exibindo a t-shirt de cagão (i.e. finisher) da prova mais difícil que fizeram até à data. Todos com os olhos postos no ponto em que no horizonte surgiriam os primeiros atletas do GTSA – Vertical. Apostas eram feitas sobre o vencedor quando, ao longe, reconheci o Keanu Reeves sentado num calhau gigantesco. Não dá para ver, mas na foto abaixo publicada estão cinco atletas do Viana Trail atrás da pedra a tentar empurrá-la. Não percebo o que eles têm contra o actor norte-americano.

 

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Jérôme (a.k.a. “Escroto de Aço”) convenceu-me a descer até meio do Cerquido para acompanhar a prova mais de perto. Passou o Carlos Sá em funções de safety car, passou o Carlos Dias – o futuro vencedor – e passou o Diogo Fernandes em tronco nu. Não resistimos aos seus encantos e fomos atrás dele. «A Erica Fontes está à tua espera na meta», disse-lhe eu de maneira a motivá-lo. E acrescentei: «Jérôme, dá-lhe um empurrão pela rectaguarda». «Ele não faz o meu género», respondeu o Gigi de pronto. E rematou: «Se fosse o Bruno Sousa, já era outra história».

 

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Acompanhámos o Diogo até à base da ‘rampa da meta’. Deixámo-lo então partir em solitário sob os aplausos e incentivos da multidão de fãs do atleta de Santo Tirso. Assentámos arraiais, o Keanu Reeves juntou-se-nos e aí ficámos a apoiar os demais atletas, inclusive os utilizadores de muletas. A determinado momento apanharam-me a olhar para o rabo de um indivíduo do sexo feminino. O Jérôme, como não gosta de gajas, estava a olhar para o tronco nu do Penetra e do Paulo Machado, que vinham a seguir.

 

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Ficaram todos chocados ao tomarem conhecimento que o vencedor do GTSA-Vertical não corre. Só faz zumba. Posto isto, já marquei 10 aulas de zumba com a Tu Xa.

 

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Regressei da Senhora do Minho com a barriga a dar horas. Almocei sarrabulho, fiz crioterapia no rio de Outeiro, jantei sarrabulho, dormi 8 horas, comi os restos do sarrabulho e rumei em direcção a Dem.

 

 

Domingo. Sete da manhã. Era noite, estava nevoeiro e não se via a ponta de um corno. Não obstante, o tagarela Sô Doutor Eduardo Merino era facilmente identificável no meio da multidão. Aquela voz de barítono não engana ninguém. E assim é que se vê a diferença entre os amadores e os profissionais: enquanto uns apalhaçam e ficam no paleio até ao tiro de partida, outros há que se remetem ao silêncio de maneira a melhor se concentrarem na tarefa em mãos. Escusado será dizer que o Ricardo Silva pertence ao grupo dos profissionais – ele que acabou por fazer segundo e assegurar o título de Campeão Nacional do Circuito de Ultra-Trail. Consegui arrancar-lhe um bom-dia e nada mais.

 

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Dado o tiro de partida, os peões começaram a moverem-se (de acordo com a vontade da nossa Senhora do Minho) e a Juventude Vidigalense apanhou-se na liderança da prova à passagem por São Lourenço da Montaria (33k). O Presidente do Viana Trail estava de tal forma borradinho de medo, que a determinado momento despiu-se à minha frente, porventura na esperança de que eu me distraísse, tropeçasse e mandasse com os cornos no chão. Acontece que eu não gosto de homens de meia idade. Prefiro-os mais novos e tenrinhos.

 

Como se o estrume das vacas e dos garranos não fosse suficiente, o Rui Seixo e o André Rodrigues resolveram adubar a Serra D’Arga como se não houvesse amanhã. Apanhei os dois, de cócoras, a cagar à caçador. Quem não soubesse melhor, diria que eles haviam sido contratados pelo Ministério da Agricultura. Se os problemas gastrointestinais do Seixo não tiveram reflexo na classificação colectiva da sua equipa, o mesmo não se pode dizer em relação ao André. A Juventude Vidigalense contava com apenas 3 atletas, pelo que estes teriam obrigatoriamente de terminar a prova para classificar a equipa. Ou seja, a desistência do André deitou por terra as aspirações da equipa de Leiria. «As fezes do André souberam-me a mousse de chocolate», confessou o Presidente do Viana Trail a este vosso mui estimado cronista.

 

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Na última subida passei por um tipo estendido no chão. Estava com cãibras, o desgraçado. Baixei-me para ajudá-lo, mas tive uma cãibra e acabei sentado ao lado dele. Alonguei, rezei um Pai-Nosso e duas Avé-Marias, despedi-me dele e continuei. Graças à Senhora do Minho que por essa altura apareceram dois anjos do Trail Curto (23k) que se ocuparam dele. Bendita sejas, Senhora do Minho. Aleluia!

 

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Os atletas cabo-verdianos perderam-se inúmeras vezes. Primeiro na descida após a Pedra Alçada e, mais tarde, no Cerquido. Perderam-se, atalharam e foram parar ao topo do Cerquido, falhando o controlo que se encontrava na base deste. Tiveram por isso de descê-lo, passar pelo controlo e voltar a subi-lo. Ainda assim conseguiram correr atrás do prejuízo e acabar, respectivamente, em 8.º e 12.º lugares. No entanto, não foi isso o que mais me impressionou nos nossos amigos vindos de Cabo-Verde. Tendo em conta o calor que se fazia sentir, o que me deixou com os queijos no chão foi o facto de os ver correr com luvas. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo…

 

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Jérôme Rodrigues, o cabo-verdiano mais albino de Portugal, também se perdeu no Cerquido. Mas as duas situações não são comparáveis. Os problemas de orientação dos nossos amigos lusófonos apresentam atenuantes, pois era a primeira vez que corriam em Portugal. Já a avaria do GPS do atleta barcelense não tem desculpas. É imperdoável. Arga é o seu campo de treinos, por amor do santíssimo!

 

Para terem noção do à-vontade e classe dos 2 primeiros classificados, considerem estes 2 episódios:

 

  1. No segundo km de prova passei pelo Nuno Silva a atar os cordões das sapatilhas. O tipo nem se dá ao trabalho de verificar os atacadores antes da partida. Isto é a brincar com os atletas que dão três nós cegos com medo de terem de parar para os voltarem a atacar durante a prova.

 

  1. O Ricardo Silva encontrou um telemóvel (da marca com nome de fruta) durante a prova e entregou-o no final à organização. Pelo caminho ainda teve tempo de usá-lo para publicar um post sobre as barras Olimpo. Isto é a brincar com as pessoas que não têm patrocínios e têm de ficar com as coisas que encontram nos trilhos para conseguirem ganhar a vida. Relembro que o contrato do Ricardo com as barras Olimpo ascende a 2 milhões de euros por época.

 

Por fim, vejam só a tabela toda catita que eu fiz. Nela poderão verificar os tempos realizados pelo Top20 do GTSA entre os 33k - 53k. Três homens "estouro" são facilmente identificáveis: Délio, Pacheco e aqui o "fininho". O paneleiro do homem marreta apanhou-me no calor da última subida. Parecia que estava a andar de marcha-atrás. Tirando os mais rápidos, podemos também concluir que o Paulo Lopes (Paulo Silva) continua a marcar a diferença como um dos melhores "terminadores" do pelotão nacional. Ou será exterminador?

 

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