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TOP MÁQUINA

Eu faço Trail e sou uma Máquina. E isso é Top!

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Rescaldo Hard Trail Monte da Padela 2016

por Pedro Caprichoso, em 21.06.16

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Não consumo leite e seus derivados. Bebi-o até aos 16 anos como o nosso amigo Brad, mas depois ganhei vergonha na cara e deixei-me disso. Já não mamo. Agora só apalpo. O cancro da mama é lixado e a prevenção é o melhor remédio. A OMS diz que devemos apalpar—e eu apalpo. Levo a apalpação muito a sério. Comigo nunca fica uma mama por apalpar. Nunca me aconteceu apalpar só uma mama. Nunca me aconteceu apalpar uma mama e depois dizer: “Pronto, já chega. Estou bem assim. Fico-me por esta. Apalpo a outra amanhã.“ Nunca. Sempre que apalpei uma, apalpei a outra. Apalpo sempre aos pares. Isto tem um nome: profissionalismo. Pelas minhas contas, já salvei a vida a 116 mulheres. Não têm de quê. Sei que sou um herói aos olhos de muita gente, mas prefiro manter o anonimato. Sou muito humilde, lido mal com a fama e não gosto de me misturar com o povo. Cheiram mal.

 

Também apreciava leite de vaca, mas este causava-me flatulência e fui vítima de bullying por ser um cagão inveterado. Cagão de vento. Cheguei ao ponto de não conseguir controlar a tripa. Não tinha mão sobre ela. Padecia da síndrome do rabo esquizofrénico. Imaginem-me numa sala de aula no mais absoluto silêncio e, de repente, o meu rabo irrompe num festival de fogo-de-artifício a meio da prova global de Matemática. Do nada, de um momento para o outro, sem que nada o fizesse prever. Nesse dia, 18 de Junho de 1996, cheguei ao meu limite e jurei para nunca mais. Nunca mais bebi leite. Tive alguns problemas de saúde devido à falta de cálcio, mas agora tenho o meu amigo Calcitrin.

 

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Se no caso do leite fui obrigado a deixá-lo, no caso dos lacticínios foram eles que me deixaram. Nunca gostei de manteiga, iogurte e queijo—e quem não gosta de queijo não gosta de pizza. Já viram a volta que eu dei para fazer a ligação com a caixa de pizza oferecida pela organização do HTMP—Hard Trail Monte da Padela? Dizem que era um kit de participação. A mim calhou-me uma pizza. Crocante? Siciliana? Bolonhesa? Calabresa? Frio. Era uma pizza Caminheira. A pizza era feita à base de eritropoietina e trazia como brinde um autocolante com a inscrição «Hard Runner Inside» para colar numa superfície envidraçada. Tinha duas hipóteses: ou colava-o no vidro do carro ou no espelho do tecto do meu quarto. Uma vez que a ênfase está na palavra «Hard», optei pela segunda.

 

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Cheguei a Barroselas às 06h45 e executei à risca o meu ritual pré-prova: rezei um terço para dar sorte, alonguei para evitar lesões e fiz o n.º 2 para partir levezinho. Até parece que já estou a ver os moralistas do teclado a cortarem-me na casaca por poluir o monte com papel higiénico borrado. Calma. Menos. Os meus amigos ambientalistas podem sossegar a franga. Admito que não faço reciclagem e vazo embalagens vazias de gel no monte, mas sou muito fresquinho no que toca à minha higiene pessoal. Nesse sentido, usei toalhitas recicláveis e posso garantir que as minhas fezes não são radioactivas. Alimento-me apenas à base de produtos biológicos, pelo que o meu cocó é rico em fertilizantes naturais. No fundo, não caguei. Adubei. Não têm de quê.

 

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Fiz um buraquinho, aliviei a tripa para dentro do buraquinho, limpei o rabinho da frente para trás, depositei as toalhitas borradas com os dejectos, tapei o buraquinho, esfreguei as mãos em folhas de eucalipto, regressei ao carro, equipei-me, lembrei-me—no ano passado esqueci-me—de colocar o chip na sapatilha, esgacei o pessegueiro—é mais saudável do que tomar comprimidos para os nervos—e fui informado de que um elemento da Organização havia sido espancado por um popular. O tipo andava de moto 4 a verificar as marcações e um octogenário chegou-lhe a roupa ao pêlo. O motociclista pisou as nabiças do idoso com a mota e o idoso esmagou os tomates do motociclista com o cabo da sachola. Com medo de me cruzar com o reformado durante a prova, os meus intestinos cederam e borrei a cueca. Novamente. Ou seja: mais um buraquinho, mais uma cagada, mais uma limpeza do rabinho da frente para trás—sempre da frente para trás—e mais um pacote de toalhitas. Desta feita, com a pressa, esqueci-me de limpar as mãos e só me apercebi disso depois de cumprimentar o Jérôme Rodrigues. Malditos octogenários! É por estas e por outras que eu sou a favor da eutanásia. Muito forte? Azar. Para quem não sabe, Je Suis Le Gay Cordes.

 

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Na foto acima publicada vemos o Presidente da Junta da ATRP a refrescar a moleirinha do vencedor do HTMP. Tal comportamento não é grave em si mesmo. Grave é o André ter sido o único a ter direito a semelhante tratamento. Se molhou o cocuruto de um, molhava o cocuruto de todos os associados da ATRP. De todos sem excepção. Se isto não configura tratamento preferencial… Enfim, é mais do mesmo. Uns são filhos e outros são enteados. Já estou habituado. O Rui a mim só me deu uma palmada no rabo como fazem aos ciclistas na volta à França. Não vou insinuar que foi por isso que o André ganhou, mas também não vou insinuar que não foi por isso que o André não ganhou. Percebem? Eu não trabalho com insinuações. Só com factos. E o facto é que o André ficou com remorsos e tirou-me o chip das sapatilhas em jeito de pedido de desculpas. Estava com dificuldades para me segurar em pé devido a uma queda de açúcar e ele ajudou-me a desapertar a sapatilha. Só me voltei a sentir bem após a décima sétima bola de berlim. Colocar bolas de berlim no abastecimento final foi, de longe, a melhor decisão do HTMP em termos organizativos. A segunda, se a queda de açúcar não me trai, foi colocar gajas em topless a entregar as medalhas de finisher. Estão todas de parabéns.

 

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Para além da situação descrita no parágrafo anterior, o HTMP ficou manchado por outro caso de conduta anti-desportiva. Bruno Coelho e Diogo Fernandes lutavam pelo segundo lugar na subida à Lage Negra quando o primeiro usou os bastões na pedra para lançar limalhas para os olhos do segundo. A imagem abaixo publicada não deixa margem para dúvidas. Depois de analisada pelo Conselho de Disciplina da ATRP, o Bruno pode incorrer numa pena de 6 meses a 2 anos de trabalhos forçados na Serra da Freita.

 

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O Diogo ficou compreensivelmente aborrecido com a injustiça e só o consegui acalmar no duche. Não tenho por hábito falar da minha vida privada, pelo que não vou entrar em detalhes. Direi apenas que o Sheriff possui um revólver de grande calibre.

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