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TOP MÁQUINA

Eu faço Trail e sou uma Máquina. E isso é Top!

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Rescaldo nos Bastidores do Campeonato do Mundo de Trail

por Pedro Caprichoso, em 04.11.16

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Começo por dirigir-me aos cagões. Falo dos tipos e tipas que, à boca cheia, andaram a espalhar nas redes sociais que participaram no TWC2016—Campeonato do Mundo de Trail. Não, não participaram. Apenas 12 portugueses participaram no TWC2016. O TWC2016 tinha 85k e 4.700 D+. Não tinha 55k e 3.000 D+. O TWC2016 partiu do Rio Caldo. Não partiu de Ambos-os-Rios. Os melhores do mundo não correram de babete. Vocês correram. Vocês não correram com os melhores do mundo. Vocês fizeram uma prova que não tinha nada a ver com o TWC2016. Tenham vergonha. Eu percebo: vocês têm amigos que não percebem a ponta de um corno de Trail e esperam que eles caiam na esparela. Poderá até haver quem acredite, mesmo, que vocês são “um dos melhores do mundo”. Todos temos um primo em segundo grau que não fecha bem a tampa e acredita em tudo o que lhe dizem. Eu também tenho um primo desses e, por vossa culpa, tive de explicar-lhe por que não participei no TWC2016. Eis a razão do meu asco. “Se até o Antunes—Ultra Runner participou, por que é que tu não participaste?” Acontece que isso comigo não pega. Não cola. Não tem tracção. Por falar em tracção, o que dizer das novas adipas boosta? As boosta agarram a tudo, inclusive a bosta de garrano. O novo campeão do mundo que o diga.

 

 

Passe a modéstia, a minha claque foi a melhor claque do TWC2016. Para além de fazermos mais barulho, estivemos no terreno desde as 5 da manhã e incentivámos todas as selecções graças à nossa soberba capacidade poliglota. Fizemos um curso intensivo de 3 meses em casa do Jorge Jesus de maneira a apoiar os atletas na sua língua materna e o resultado ficou à vista. Em espanhol gritávamos «Vamonos muchachos!», «Coño!», «Muchos Cojones!». Em francês bradávamos «Allez Allez!», «Courage Champignon!», «Puissance au Jambon!». Em italiano ululávamos «Coraggio!», «Andiamo Mafioso!», «Dá-lhe no Spaghetti!». Em japonês gaguejávamos «Arigato Sangoku!». Em alemão berrávamos «Scheiße!», «Flicken Merkel», «Himmeldonnerwetter Schäuble». Concorrência só da mota 1, que também lá esteve a cobrir o acontecimento. A vantagem da zundapp é que possui tracção motorizada e consegue acompanhar os atletas da frente durante mais tempo. Os elementos da minha claque, ao fim de 50 metros, já estavam com os bofes de fora.

 

 

Seguíamos em procissão entre o Gerês e a Serra Amarela quando a excursão ficou barrada à passagem de uma aldeia. Uma ambulância encontrava-se estacionada numa zona de tal forma apertada que inviabilizava a sua ultrapassagem. Soubemos mais tarde que estavam a socorrer um velhote. O coitado ficou com falta de ar quando assistia ao relato do Mundial de Trail pela TSF Runners. Desconhece-se, porém, se o piripaque teve a ver com a voz sexy da Barbara Baldaia ou com o facto do Tiago Aires estar na luta pelo top10. Felizmente que o Rui Pinho também seguia na caravana e lá conseguiu resolver o imbróglio. O idoso teimava que não entrava na ambulância—porque queria morrer em casa—e só mudou de ideias quando o patrão da ATRP prometeu que apresentar-lhe-ia a Emelie Forsberg. Eu acho que vai ser pior a emenda do que o soneto. Se ele fica com falta de ar com um relato, imaginem o que lhe vai acontecer quando ele vir a Sueca ao vivo e a cores. Eu teria um desfibrilador de prevenção, pelo sim pelo não.

 

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Aproveito a oportunidade para deixar uma advertência ao indivíduo ou indívidua que usou o meu corno à socapa: eu tenho herpes e hemorróidas, por isso aconselho-te a fazer análises. Quanto digo herpes, falo de herpes genital. Quanto digo hemorróidas, falo de prurido no olho do cu. Uso a extremidade afiada do instrumento para coçar o rabo quando estou em casa aborrecido e não tenho nada melhor para fazer. Desconfio que tenha sido uma mulher, já que nele encontrei vestígios suspeitos. Podia ter sido o Jérôme Rodrigues? Podia, mas ele estava em prova. Tinha ido aliviar a tripa atrás de um monte de carqueja quando regresso à bancada do estádio do Soajo e encontro o corno com marcas de batom. Alguém havia tocado no corno sem o meu consentimento e fiquei ‘pior que fodido’.

 

A meta montada nos Arcos de Valdevez parecia a passerelle de um desfile de moda. Os modelos exibiam as t-shirts de finisher das provas mais duras que haviam feito até à data. É para os estrangeiros verem quem é a maior potência do Trail Mundial. [Quando digo estrangeiros, refiro-me às estrangeiras. Mais precisamente às mulheres. Mais precisamente às francesas. As gaulesas eram ‘mais do que as mães’ e estavam em todo o lado, incentivando os seus compatriotas. Saquei 6 números e agora só preciso de descobrir o indicativo de França para lhes ligar. Só por curiosidade, como se chama um ménage a trois com 6 francesas? Ménage a six?] Fiquei a saber, por exemplo, que pelo menos 10 portugueses fizeram o UTMB, 6 a Ronda del Cims e 64 a Corrida do Pai. Apreciei em particular aqueles tipos que faziam questão de envergar o casaco de finisher dos Campeonatos Nacionais de Trail, ainda que debaixo de um calor insuportável. Valentes! Os estranjas acham-se muito bons, mas não sabem com quem se estão a meter. No caganço ninguém nos bate.

 

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Desconfio que os desfalecimentos que se verificaram na meta não são estranhos ao homem da marreta. Se dúvidas havia de que ele existe, ei-lo na foto abaixo publicada a malhar num atleta norte-americano. Acham que é por acaso que os americanos tiveram uma prestação tão fraquinha no TWC2016?

 

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Depois dos excelentes resultados obtidos pela Selecção Nacional, há que arregaçar as mangas e continuar rumo ao infinito. O caminho faz-se caminhando, o voo faz-se voando, o nado faz-se nadando, o pedal faz-se pedalando, a corrida faz-se correndo e o trilho faz-se trilhando. São enumeras as acções de melhoria a implementar no sentido de promover a evolução do nível do Trail Nacional. Eis sete: (1) obrigar as organizações a introduzirem prémios monetários nas provas do Campeonato Nacional; (2) promover a presença dos melhores atletas nacionais em provas internacionais para estes ganharem mais experiência; (3) garantir maior visibilidade da modalidade na comunicação social de forma a atrair mais patrocinadores; (4) começar a investir na formação de novos talentos; (5) comprar meia-dúzia de picos nos Alpes franceses e plantá-los no Alentejo; (6) naturalizar duas centenas de quenianos e ensiná-los a usar bastões; (7) patrocinar a mudança de sexo dos bons atletas masculinos que competem em provas de aldeia em detrimento dos Campeonatos Nacionais—se têm medo da competição enquanto homens, pode ser que o percam enquanto mulheres. Tudo isto é importante. Ainda assim, sem prejuízo das medidas atrás elencadas, o mais importante está presente na imagem abaixo publicada. Nalgas? Sim, é isso mesmo. Nalgas de mulher é o elemento mais importante de uma política desportiva responsável ao nível do Trail Running. Funciona assim: quantas mais nalgas, mais mulheres a exibi-las nos trilhos e mais homens a apreciá-las. É por estas e por outras que o CEO deste pardieiro pertence ao conselho consultivo da ATRP.

 

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