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TOP MÁQUINA

Eu faço Trail e sou uma Máquina. E isso é Top!

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Rescaldo nos bastidores do UTAX 2015

por Pedro Caprichoso, em 22.10.15

Tirei uma sabática após 3 participações consecutivas no Ultra Trail Aldeias do Xixi. Muitos acham que eu borrei a cueca por ter borrado a cueca na edição do ano passado. É falso. Em 2014 padeci 4 horas com diarreia e outras 4 com caganeira, mas não foi por isso que borrei a cueca. Para vossa informação, eu nem sequer corro de cuecas. Eu sou dos que gosta de andar com o material ao pendurão. Acontece que cheguei à conclusão de que este ano havia muita concorrência no UTAX e decidi poupar-me para as provas de aldeia, nas quais existe a possibilidade de fazer pódio, posar para as fotos e armar-me em cagão no Facebook. Mais um exemplo: no próximo fim-de-semana realiza-se o Trail de Santa Catarina na minha zona de residência (Vila Nova de Famalicão) e eu telefonei à Organização para saber quem é que lá ia. Eles disseram-me que o Diogo Fernandes e o Nuno Silva estavam inscritos e eu anulei a minha inscrição na hora.

 

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Não corri, mas também não fiquei em casa. O Jeremias Rodrigues – vencedor eventual do UTAX – implorou que eu o acompanhasse nas funções de mochileiro. “Preciso do teu carinho durante a noite”, disse-me ele, ajoelhado aos meus pés, com as lágrimas a pingarem-lhe nas minhas sapatilhas novas da Salomão: 170€ + IVA. Como sou um tipo ‘coração de manteiga’ e escroto de aço, aceitei. Mas impus algumas condições. A saber:

 

[1] Em nenhuma circunstância passar-lhe-ia creme nos mamilos. Só nas virilhas e no rabinho.

[2] Massagens só acima dos joelhos e abaixo do umbigo.

[3] Não lhe seguraria no cabelo em caso de vomito.

[4] Em caso de hipotermia, não faria conchinha para aquecê-lo. A não ser que ele se despisse e ficasse nu. Nesse caso, faria o sacrifício.

[5] Caso ele ganhasse a prova, os papéis inverter-se-iam e ele teria, perdão, terá de ser o meu escravo na próxima edição da Corrida do Pai. Vem ao Pai.

 

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O vencedor do UTAX fez a prova para meter ritmo com vista ao Ultra Trail da Baixa da Banheira, tendo inclusive cochilado meia hora em Castanheira de Pêra. No entanto, ao contrário do Nuno Silva, não foi uma menina vestida com Salomão que acordou o Jeremias. Fui eu. Com um beijinho na careca!

 

Foi uma noite mmmuuuiiitttooo longa. Fiquei todo rotinho. Sem dúvida mais rotinho do que o Jeremias, que cortou a meta mais fresco do que uma alface a ser trincada pelos lábios carnudos do José Capela. É o que dá andar uma noite inteira a fazer de ama-seca das princesas do Viana-Trail. Não confundir ama-seca com ama-de-leite.

 

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Aprendi muito. Aprendi que não devemos apressar os atletas nos abastecimentos. O melhor é deixá-los respirar e adaptarmo-nos à velocidade (ou lentidão) com que eles abastecem. Aprendi que não devemos bombardeá-los com perguntas. O melhor é colocar as coisas à disposição deles e esperar que eles as peçam. E aprendi que apalpar-lhes o rabo, como fazem os jogadores de voleibol, não é a melhor forma de incentivá-los. O melhor é dar-lhes um beijinho no cocuruto, à semelhança do que fazia o Laurent Blanc com o Barthez antes do pontapé de saída. Para dar sorte. O que ainda faz mais sentido no caso do Jeremias, uma vez que este também nasceu em França e tem tanto cabelo quanto o ex-guarda-redes da selecção gaulesa.

 

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Os campeões não se medem só pelos resultados. Também se medem pela forma como comem presunto directamente do tupperware e pela forma como dão porrada nos agricultores que cometem o erro, perdão, o crime de roubar fitas. “Onde é que estão as fitas, caralho?!”  é a frase que vai ficar para a história do UTAX 2015. Esta frase transformou num inferno a vida do lavrador que roubou meia-dúzia de fitas entre o penúltimo (94k) e o último abastecimento (104k). O tipo tem acordado estremunhado a meio da noite com a imagem do Jeremias a gritar-lhe aos ouvidos e, segundo os vizinhos, até já anda no Psicólogo.

 

Quanto ao responsável máximo do Viana-Trail, já foi tudo dito. A dedicação, o esforço e o sex appeal deste homem não tem comparação a nível nacional. No entanto, se o Sô José Carlos é o Pinto da Costa do Dirigismo do Trail Nacional, eu sou o Reinaldo Teles. Foi uma honra e ao mesmo tempo um terror tê-lo servido enquanto seu braço direito. O terror explica-se pela condução alucinada do Presidente, que desesperava quando achava que não ia chegar a tempo ao abastecimento seguinte. Acho que deixei um buraco no chão do carro no lado do pendura, pois o meu pé direito fartava-se de carregar num travão fantasma ao reagir por reflexo aos pneus a chiar e às curvas negociadas em contramão. A honra, essa, está bem expressa no vídeo em baixo. Eu também verti uma lágrima, mas disfarcei melhor.

 

 

Para além do Jeremias, há que destacar o Faria, o Rui Seixo e o Pedro Rodrigues. O primeiro é uma lêndea viva! Depois do EstrelaAçor (onde acabou mais morto do que vivo)  e do GTSA (onde correu abaixo das suas potencialidades), o ‘ovo de piolho’ renasceu das cinzas e fez 5.º numa das provas mais duras a nível nacional. Dizem que o segredo está nas uvas. Não sei. Apenas sei que o vi despachar um cacho de uvas antes do tiro de partida. Seja ceguinho se não é verdade. Além disso, já ultrapassou o José Capela na categoria de “Atleta Minhoto sem Desistências no Currículo“. Depois desta performance, José “Krupicka” Faria entrou directamente para o Top3 dos meus atletas preferidos do Trail Nacional. Neste momento, à frente do Faria, só mesmo o e o Pedro “Troncos” Rodrigues. O Pedro é 100% trail. O tipo respira trilhos, come desnível e caga lama.

 

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O Rui “Leão” Seixo encara o treino como um pugilista em preparação para um combate. Uma vez que os combates são disputados consoante um determinado limite de peso, os pugilistas passam as últimas semanas a perder peso de maneira a respeitar esse limite. Da mesma forma, o nosso Leão perdeu cerca de 36 quilos em 2 meses – metade dos quais na Serra D’Arga via diarreia – e apresentou-se à partida do UTAX em pico de forma. Que isto sirva de exemplo àqueles que acham que conseguem competir todos os fins-de-semana sem um plano de treino bem definido e com objectivos a médio-longo prazo.

 

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Apesar da vitória no UTAX, o Jeremias saiu do meu Top3. Reparei que pintou um clima entre ele e o Bruno Coelho – e fiquei triste. E eu não quero cá tristezas no meu Top3.

 

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Para rematar em beleza, resta-me dizer que só é pena o vermelho não combinar com tanto amarelo!

 

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