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TOP MÁQUINA

Eu faço Trail e sou uma Máquina. E isso é Top!

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Rescaldo nos bastidores do UTSF

por Pedro Caprichoso, em 30.06.16

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A APA—Agência Portuguesa do Ambiente emitiu ontem um comunicado no seguimento de inúmeros avistamentos de um indivíduo macho da espécie Lince Ibérico. Os avistamentos foram reportados, no passado Sábado, em diversas localidades da Serra da Freita. A APA pretende tranquilizar a população, assegurando às gentes da Freita que este Lince é domesticado e dá pelo nome de Jérôme Rodrigues. As cabras e galinhas dos populares estão a salvo. O mesmo não se poderá dizer dos coelhos e dos porcos, pois o Jérôme é exímio na caça ao [Bruno] Coelho e é uma enfardadeira de presunto.

 

[vídeo de Luis Costa.] 

[Daqui: https://www.facebook.com/PortGuns/videos/10153514394627676/]

 

Se o Zack Miller ficou famoso por comer chocolate à "javardo", o Jérôme ficará famoso por comer presunto à "lambão". Em resultado, agora vão todos começar a enfardar presunto nas provas de Endurance. Muito fará este vídeo pelas charcutarias e talhos deste país. Nenhum atleta do AMCF—Arrábida Trail Team foi ferido durante a realização deste vídeo. O presunto não é de javali. É de porco preto.

 

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Repararam no sex appeal do indivíduo que no vídeo acima publicado dá presunto na boquinha do Lince? Que brasa! Considero que esta brasa fez um excelente trabalho de assistência ao vencedor do UTSF. Muito longe, ainda assim, do profissionalismo exibido pela equipa de apoio do Tiago Aires. “Abastecimento à patrão” é a expressão que melhor encontro para descrever o tratamento que o Tiago recebeu em cada posto de abastecimento. Parecia a boxe de uma equipa de fórmula 1: cadeirinha de praia para o marmanjo se alapar, mudança de pneus soft flasks, nestum na boquinha, substituição de meias, cara lavada, barba feita e cabelo aparado. Só faltava pô-lo a fazer cocó e limpar-lhe o rabinho! Mas nem todos estão talhados para fazer esse serviço. Só eu é que o faço. Não é, Jérôme?

 

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As passagens pelos cursos de água do UTSF têm-nos dado imagens emblemáticas ao longo dos anos. Desta feita, não só nos deu imagens como também nos deu vídeos. No que toca às imagens, destaco a foto em que o Jérôme se prepara para se despir e dar um mergulho. Tivemos acesso às imagens em nu integral, mas a linha editorial do TopMáquina impede-nos de publicá-las. Metade do nosso público é pré-adolescente. O atleta da EDV-Viana Trail tirou primeiro a viseira e depois o resto do equipamento. Ficou apenas com as sapatilhas. Apercebendo-se de que o Lince se ia despir, o Bruno procurou logo arrefecer a zona genital de maneira a não ser apanhado pelos fotógrafos com a tenda armada. Quanto ao vídeo, vamos pegar na rubrica da Euronews e fazer deste o nosso momento «No Comment»:

 

[No Comment]

 

A Liliana trouxe a sua saia rodada para dançar. Infelizmente, não se podia dançar no único abastecimento onde havia música. Era proibido. Refiro-me à Póvoa das Leiras (k60). Ter música e não poder dançar é tortura psicológica—o que para muitos torna-se insuportável quando a esta se junta a tortura física imposta pela dureza da prova. Não admira, por isso, que este tenha sido o abastecimento onde mais atletas desistiram. Fizeram mal. Não deviam ter desistido. Não tê-lo-iam feito se soubessem que teriam oportunidade de dançar mais à frente. Perderam a dança da corda-bamba na subida da Besta.

 

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O UTSF divide opiniões. É o UTSF e o Cristiano Ronaldo. Uns adoram-no; os outros detestam-no. Não há meio-termo. Uns adoraram o UTSF e prometem voltar; os outros detestaram-no e garantem que “na Freita nunca mais”. Excelente! Tal significa que a Freita é uma prova única. Citando o pai do Trail Nacional: “Quero lá saber se gostam ou não! Sempre que vierem à Freita é isto que vão ter, por isso é que lhe chamo Trail para Elite”. Uns gostaram tanto que, durante a prova, mudaram dos 65k para os 100k. Outros gostaram tanto que se entusiasmaram para além da conta e deu nisto:

 

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Ainda estou para perceber como é que o Paulo Lopes não foi desclassificado. Ele e o Rui Luz ficaram sem água ao k45 e mamaram das tetas da vaca que aparece na selfie abaixo publicada. Como se isto não bastasse, temos ainda o beijinho ilegal da Carla Reis ao k48. Acontece que o regulamento do UTSF é claro no que diz respeito ao apoio externo aos atletas. Reporto-me ao capítulo 4, artigo 254, alínea 6: “O apoio externo só é permitido nos postos de abastecimento, incluindo o apoio nutricional, emocional, afectivo e/ou amoroso.” Não estou contra as vacas. Querem mamar nas tetas da vaca? Tudo bem. Mamem. Mamem o que quiserem, mas mamem nos postos de abastecimento. Ponham o vosso porta-dorsais ao pescoço da bicha, levem-na até ao próximo posto de abastecimento e depois, aí sim, mamem à-vontade. E também não estou contra os beijinhos. Eu também dei beijinhos ao Jérôme, mas sempre a menos de 10 metros dos postos de abastecimento. Regras são regras. Já se devem ter esquecido disto. No estrangeiro cumprem as regras. Aqui é a bandalheira do costume.

 

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A organização do UTSF disponibilizou voluntários, polícia, bombeiros, enfermeiros, médicos, massagistas, psicólogos e o GOBS—Grupo Operacional de Busca e Salvamento. Dado o número de vítimas, faltou contudo providenciar um padre para dar a extrema-unção aos falecidos. Resgates, massagens e curativos é bom. No entanto, o que é isso comparado com entrar no purgatório com a alma limpa de pecados? O Faria e o Marcolino faleceram—e quem é que lá estava para salvar as suas almas? Pois é, nisto não pensam as organizações. O Rui Luz também chegou morto à meta, mas mesmo morto apresentava-se numa pose sexy. A isto chama-se “falecer com estilo”.

 

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Voltando aos bovinos, proponho fazermos todos uma vaquinha para comprar umas sapatilhas novas ao proprietário das pernas abaixo publicadas. Desengane-se quem pensa que a Freita é responsável pela destruição das sapatilhas. A foto foi tirada na partida, pelo que o rapaz não tem é mesmo dinheiro para comprar calçado. Eu, pela parte que me toca, já lhe estou a tricotar um par de meias. Aquele dedo ainda apanha um resfriado e depois é que são elas. O dinheiro que sobrar será aplicado num vale de compras de uma reconhecida clínica de podologia de Ermesinde. A foto não precisa de cheiro para chegarmos à conclusão de que o rapaz sofre de chulé crónico.

 

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Há dois momentos do UTSF 2016 que me ficaram na memória. O primeiro diz respeito à procissão das equipas de apoio que acompanharam os atletas de posto em posto de abastecimento, pedindo indicações uns aos outros, dando palpites sobre o desenrolar da prova, dividindo a merenda para matarem a fome. Prefiro correr, mas tenho de admitir que nos bastidores não se está nada mal. O segundo, só de pensar nele, deixa-me o rosto em lágrimas: estar entre os milhões de resistentes, que cagaram para o futebol (Portugal Vs Croácia) para estarem na meta a aplaudir os atletas, deixou-me com um nó na garganta. Chorei. Admito. Ainda assim, não tanto quanto algumas atletas que acabaram a prova à hora do jogo e foram encontrar a sua cara-metade no café a ver a bola.

 

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Por fim, para descontrair um pouco, proponho um momento Trivial Pursuit. Pergunta: quem são os tolinhos que este ano cometeram a proeza de completarem as 4 provas do Campeonato Nacional de Endurance (UTAX, MIUT, EGT e UTSF) e as 100 milhas do Oh Meu Deus? Estamos a falar de 575k e 30.700D+ em 6 meses. Conheço 2. Um gosta de chafurdar na lama; o outro enfarda cachos de uvas na véspera das provas. É fácil, não é? Refiro-me aos inigualáveis Lino Abel Luz e José Faria, que levam para casa o prémio da combatividade referente ao primeiro semestre de 2016. É favor levantarem o vosso prémio na sede da ATRP.

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