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TOP MÁQUINA

Eu faço Trail e sou uma Máquina. E isso é Top!

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Eu faço Trail e sou uma Máquina. E isso é Top!

Rescaldo UTAM 2015

por Pedro Caprichoso, em 25.11.15

Parafraseando o grande Marco Paulo:

 

Eu tenho dois amores

Que em nada são iguais

Mas não tenho a certeza

De qual eu gosto mais

Um deixa-me a pilinha tesa

O outro é o favorito dos meus pais

 

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Após liderarem a prova de fio a pavio, a dupla Robocop / Lince Ibérico cortou a meta de mãos dadas, olhar sensual e rabinho empinado, numa demonstração de grande desportivismo e extraordinária paneleirice. O Cyborg fez questão de oferecer a vitória ao Felino, mas este mostrou-se reticente em aceitar semelhante honraria. Nada que a ameaça de umas bastonadas no lombo não resolvessem. Não queiram ver o Robocop a puxar do cassetete. O animal em vias de extinção baixou então a bolinha e cruzou a meta com o rabinho entre as pernas. Não se via uma coisa assim desde que aquele branco obrigou aquele preto a ganhar aquele corta-mato no país vizinho. Não se faz.

 

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A EDV-Viana Trail bateu o recorde do mundo do maior número de atletas a cortar a meta de uma prova de Trail de mãos dadas. Foram 6 no total: as duas «Amélias» acima referidas e um ajuntamento constituído pelo Presidente do clube e 3 atletas aurinegros. Estamos, portanto, perante o primeiro ménage à quatre do Trail Nacional.

 

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De destacar ainda o terceiro lugar de Gabriel Meira no escalão M40. Embora padecendo de problemas intestinais durante a segunda metade da prova, o atleta veterano “puxou dos galões” e aguentou a terceira posição com muita valentia. O chaimite teve problemas no cano de escape, foi fazer a revisão e voltará mais forte do que nunca.

 

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A primeira metade da prova não correu nada bem à minha pessoa. Desde logo porque encontrei o José Capela e o Bruno Sousa na bicha para cagar no WC de uma pastelaria. Eu cago em casa. Depois porque fui alertado, a escassos 10 minutos do tiro de partida, que o frontal fazia parte do equipamento obrigatório. Não li o regulamento e não tinha o dito frontal. O mundo caiu-me ao chão e, por breves instantes, passou-me pela cabeça atacar o Ricardo Silva com um paralelo e roubar-lhe o frontal. O tipo já tinha assegurado o título de Campeão de Trail Ultra e não precisava desta prova. Felizmente não foi preciso recorrer à violência. Graças a Nosso Senhor Jesus Cristo que o nosso Presidente é um homem precavido e emprestou-me um que tinha em reserva. Por fim, já em prova, enfaixei-me contra um árvore que se encontrava atravessada no trilho à altura da cabeça. Que marrada! Até fiquei a ver estrelas. Literalmente.

 

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Tudo mudou, no entanto, por volta do km38, quando o meu companheiro de equipa José Faria me insultou. Dei de caras com um tronco atravessado na perpendicular de um ribeiro e borrei a cueca. O tronco parecia escorregadio, tive medo e preferi atravessar o ribeiro com a água pela cintura. O Faria – que seguia atrás de mim – alcançou-me nesse momento e, escolhendo atravessar pelo tronco, chamou-me «mariquinhas». Maquinhas? Eu? Se há coisa que eu não sou é maricas, como se pode comprovar pela última foto publicada nesta crónica. “Já vais ver quem é o mariquinhas”, disse eu de mim para comigo. Colei-me a ele, fui um bom tempo na sua roda e depois dei-lhe um bigode na última subida. Ora toma que já almoçaste!

 

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Sou um bocadinho masoquista. Gosto de correr com duas molas da roupa atarraxadas aos mamilos, gosto que derretam uma vela no meu corpinho durante o coito e gosto de correr sem meias. No entanto, um tipo tem de começar a pensar na vida e coiso quando as coisas começam a ultrapassar o limite do aceitável. No meu caso, descobri no último fim-de-semana que esse limite situa-se entre as bolhas de sangue e as bolhas de terra. Eu explico: uma coisa é um tipo fazer bolhas de sangue em resultado da sujidade que inevitavelmente entra nas sapatilhas; outra coisa são as bolhas de sangue rebentarem e transformarem-se em bolhas de terra quando a sujidade se aloja entre a pele e a carne, provocando dores dilacerantes sempre que o pé toca o chão. Imagino que isto é o equivalente a ser torturado por um mestre de acupunctura. Assim sendo, parece que é desta que vou começar a usar meias. Fiquei convencido pela cara de nojo com que o Ricardo Silva olhou para os meus pés depois da prova. O coitado teve um refluxo gástrico e só não vomitou à minha frente para não parecer mal. Para além das meias, também vou começar a pintar as unhas como a Tu Xa. A pintura, porém, é apenas por questões estéticas. Acho que me vai ficar a matar.

 

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Tenho andado a fumar 5 maços de cigarros de chocolate por dia e preciso da vossa ajuda para tentar perceber uma coisa que me anda a afligir a alma. A esmagadora maioria dos praticantes de Trail Running dizem que praticam Trail apenas pelo divertimento e que se estão a marimbar para as classificações. Não é verdade? Posto isto, que sentido faz que esta gente depois fique chateada quando não há classificações? Parece que o Trail Longo não teve classificações. E então? Qual é o problema? É só para o divertimento, esqueceram-se?

 

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Pronto, agora toda a gente já conhece o nosso ritual antes das provas. Espero bem que o Jérôme tenha usado preservativo, pois sei que ele na noite anterior estive com o nosso Presidente e ele tem herpes genital.

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