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TOP MÁQUINA

Eu faço Trail e sou uma Máquina. E isso é Top!

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Rescaldo UTPCN 2016

por Pedro Caprichoso, em 28.07.16

Por duas ocasiões, em 17 anos de corridas, senti-me como um atleta a sério. A primeira foi há coisa de 2 anos. Estava a cuscar a página de facebook do Kilian quando, num desvario tresloucado, passou-me pela cabeça fazer uma página de atleta. Foram os 10 segundos mais bonitos da minha carreira desportiva. Graças a Deus-Nosso-Senhor-Jesus Cristo que tal não passou de uma quebra de tensão—e descartei a ideia assim que recuperei os sentidos. Nesse dia tinha-me cortado a depilar a tomateira. Deve ter sido por isso. Não gosto de ver sangue e alucinei.

 

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A segunda foi na passada sexta-feira. Ter boleia da organização de uma prova não é para qualquer um. A comitiva da EDV-Viana Trail aterrou no Funchal, com vista a disputar o UTPCN—Ultra Trail Porto da Cruz Natura, e tínhamos a Olívia Sousa à nossa espera. Não merecíamos tão ilustre motorista. Senti-me a melhor importação da Madeira. Sim, a frase anterior é uma referência ao anúncio protagonizado pela progenitora do Cristiano Ronaldo. Esqueci-me de referir que na limusine também seguia o Presidente do Conselho de Administração da ATRP. É para vocês verem quão simpáticos são os Madeirenses. Até ao Rui Pinho deram boleia. Não era eu que dava boleia àquele fala-barato. Que fosse de táxi. É para isso que serve a cota de associado.

 

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“Onde é que se bebe a melhor poncha da Madeira?”, perguntou o Pedro Rodrigues mal entrou na limusine. “Primeiro temos de caçar o nosso Jantar. Primeiro o Jantar, depois a Poncha”, retorquiu a Olívia. Depois de estabelecido quem mandava, levantámos os dorsais numa bomba de gasolina, fizemos o check-in no Hotel de 7 estrelas do Cristiano Ronaldo e rumámos a todo o gás com destino ao Pico Areeiro. Daí partimos a pé em direcção ao Pico Ruivo na companhia dos moços do Madeira Trail Tours, onde encetámos a tão aguardada caça à perdiz.

 

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O dia estava perfeito nos picos: céu limpo; um mar de nuvens de algodão, virado ao oceano atlântico, do nosso lado direito; e o Curral das Freiras, lá ao fundo, do nosso lado esquerdo. Como diz o Vitor de Sousa: “Os Alpes são bonitos, mas a Madeira é mais barata.” O meu colega de equipa Hugo Sousa acusou vertigens, mas ainda assim conseguiu apanhar uma perdiz. Senti-me mal ao vê-lo caçar uma cria. As crias de perdiz são pequeninas, não têm muito que comer e ele ia passar fome. Tive pena dele. Coitado. Muito ou pouco, certo é que a macarronada de perdiz estava divinal. «De trás da orelha», como se diz no Continente.

 

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Para além de duas perdizes gordas como cachalotes, o Pedro Rodrigues também apanhou um Pokémon no Pico Ruivo. É raro, chama-se Empenatchu, bebe 2 litros de poncha por dia e usa uma marreta como arma. Os participantes do MIUT sabem de quem eu estou a falar.

 

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Domingo. 06h00. Tiro de partida e primeira fuga do dia. Um velhote belga tentou isolar-se ao quilómetro zero, mas foi coisa de pouca dura. A EDV-Viana Trail organizou-se no pelotão e anulou rapidamente a fuga ao fim de 200 metros. Isto só comprova a minha teoria de que há 2 tipos de pessoas a evitar nas partidas: (1) os velhos que ainda pensam que são novos e (2) os atletas de ginásio artilhados com tecnologia-de-ponta dos dedos dos pés à ponta dos cabelos. Estas duas espécies de gente fazem de tudo para partir à frente dos outros. Será que acreditam, mesmo, que são os 10 segundos que ganham no arranque que fazem a diferença numa prova de 100k? Deve ser só mesmo para aparecerem na fotografia. É pena, pois os que partem à frente são justamente os mais feios—e as fotografias ficam estragadas.

 

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 [Penha D’Águia]

 

Anulada a fuga, levámos logo com uma parede nas trombas para abrir o apetite. Já levaram uma chapada de um jogador da NBA? Não? Eu também não, mas desconfio que a sensação é parecida. O topo da “Penha D’Águia” foi alcançado aos 4k e 580m de altitude. Dada a dureza da primeira subida, seguiram-se os 1.600D+ da subida ao “Poiso” para relaxar. Coisa pouca. Mais longa do que dura, o ponto mais alto do percurso (com 1.400m de altitude) foi alcançado de forma gradual, com uma boa gestão do esforço e uma perna às costas (ver duas fotos abaixo). “Se o ponto mais alto tem 1.400m, como é que a subida tem 1.600mD+?”, pensa o leitor armado em esperto. Vocês são mesmo burros, não são? Tem 1.600mD+ porque a subida iniciou-se abaixo do nível do mar. É só fazer as contas: 1.400 - 1.600 = -200m. Percebem agora? Burros.

 

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 [Lombinho]

 

Ultrapassado o aquecimento providenciado pela “Penha D’Águia” e pelo “Poiso”, o verdadeiro divertimento começou aos 35k com a subida do “Lombinho”. Uma vez que foi ele quem sugeriu o “Lombinho” à Organização, sinto que ao subi-lo fiquei a conhecer melhor o Luís Fernandes. Tenho agora a certeza de que o Luís é sádico. Lamento, mas 600mD+ em 1,8km é coisa de sádico. É. Não há outro adjectivo para descrever o desejo de ver os outros a sofrer. Querem provas? Pois bem: reparem no sorriso dele no cartaz acima publicado. Ele está a subir o “Lombinho” e aquilo não é sorriso de quem está feliz por alcançar o seu topo. Aquilo é sorriso de quem está a imaginar o sofrimento dos que aí iriam levar com a marreta no dia da prova.

 

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Não tenham pena do Tiago. O tipo não é perneta. Toca corneta mas não é perneta. Bem pelo contrário. O nosso «Todo-o-Terreno» achou a prova de tal forma fácil que fê-la com uma perna às costas. Pegou numa guita, atou a perna esquerda à mochila e fez 4.º lugar à geral. Conhecem a expressão fiz não-sei-o-quê “com uma perna às costas”? Pois bem, este é um desses casos. Nem quero imaginar o resultado que ele teria alcançado se tivesse corrido com as duas pernas às costas.

 

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Detesto puxar a brasa à minha alheira, mas o facto é que a EDV-Viana Trail foi a grande dominadora do UTPCN. Sem espinhas. Com 4 atletas no top10 e 6 no top15, vencemos colectivamente e demos um passo de gigante com vista à revalidação do título de Campeões Nacionais de Trail Ultra. A nível individual, o destaque vai para os dois primeiros da classificação geral. Ricardo Silva fez primeiro e Pedro Rodrigues fez segundo, ambos posteriormente entrevistados na meta pela RTP Madeira. O «Robocop» confessou que tinha comprado uma garrafa de poncha na véspera da prova e, por lapso, troco-a pelo seu isotónico habitual. A poncha e o isotónico são da mesma cor, daí a confusão. O «Troncos» havia assado as partes baixas durante o MIUT e mostrou-se felicíssimo com os seus novos calções.

 

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Fui ao pódio em representação do meu colega de equipa Victor Correia (1.º M45) e estava à espera que me dissessem que era novo demais para M45. “Tens uma pele muito macia e um rabinho jeitoso demais para M45”, diriam eles. Mas ninguém disse nada. Estarei assim tão acabado? É que ainda são 10 anos de diferença. Tenho 35 e, para o Ministério da Agricultura, 35 anos ainda é jovem. É-se Jovem Agricultor até aos 40. Seja como for, certo é que o Victor e o Tiago (3.º SM) tinham voo de regresso ao Continente à hora da entrega de prémios. No entanto, isso não os impediu de estarem presentes. É para estas coisas que serve o Photoshop.

 

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Por fim, é com tristeza que noticiamos mais um caso de violência doméstica no Trail Nacional. Cristina Couceiro venceu destacada o UTPCN e o seu marido, José Feteira, deu-lhe um banano por ela ter tido o desplante de ficar à frente dele. Que se passa com vocês? Quem vos viu e quem vos vê. Antes só beijinhos e agora só bananos. Em baixo, como prova do crime, vemos a Cristina a meter gelo na vista esquerda.

 

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Querem saber mais? Vejam a reportagem:

 

 

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