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TOP MÁQUINA

Eu faço Trail e sou uma Máquina. E isso é Top!

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Eu faço Trail e sou uma Máquina. E isso é Top!

Rescaldo STUT 2019

por Pedro Caprichoso, em 21.02.19

Já não há pachorra. Se é duro, é porque é duro. Se é perigoso, é porque é perigoso. Se é rolante, é porque é rolante. Se não há marmelada sem glúten nos abastecimentos, é porque não há marmelada sem glúten nos abastecimentos. Não sou muito exigente: só peço um bocadinho de consistência. A verdade é que há gente que reclama por tudo e por nada—e não há nada a fazer em relação a isso. É deixá-los estrebuchar. Isto porque no fim da prova ouvi muitos iniciantes nestas andanças queixarem-se de que a prova era muito rolante. Não se falava de outra coisa. Muito rolante? Em Santo Tirso? Não me fodam! Não acredito. Sim, quer dizer, bem vistas as coisas têm toda a razão. É certo que o ponto mais alto de Santo Tirso só tem 600m de altitude, mas isso não é desculpa. A organização que se desenmerdasse e alugasse uma Serra com pelo menos 1.000m de altitude. Era o mínimo tendo em conta o valor da inscrição. Ouvi dizer que a Serra da Estrela estava disponível no passado fim-de-semana. Duas viagens de ida-e-volta com cinco camiões basculantes e punha-se a Serra da Estrela em Santo Tirso. Para além disso, não sei se já vos disse mas não havia marmelada sem glúten nos abastecimentos. Uma vergonha! Dito isto, não deixa de ser curioso verificar que os queixosos levaram todos com a marreta durante a prova, tendo sido apanhados pelos fotógrafos com aquele ar de quem está a encomendar a alma ao criador. Bufaram a bom bufar com os "míseros" 2.300D+ da prova e ainda queriam mais? Isto é que é gente de valor!

 

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[Créditos: Matias Novo]

 

Alguém me explica que caralho é que se passa com o nosso Sistema Nacional de Saúde? O Ministério da Saúde ultimamente só quer saber desta palhaçada da greve dos enfermeiros—e o resto do País que se lixe. Andam preocupados em decretar requisições civis e depois esquecem-se de decretar as situações de emergência que assolam a saúde física e mental da sociedade portuguesa. Em Novembro passado já havia sinais claros de que a situação estava feia—e ninguém mexeu uma palha. Os epidemiologistas da ATRP apontam Ferreira do Zêzere como epicentro do surto que tem arrasado a Comunidade do Trail Nacional. André Rodrigues—identificado pelos mesmos como paciente zero—venceu o Campeonato Nacional de Trail Ultra calçando umas Hoka e depois levou uma Ford Transit cheia de pares da marca francesa para o Desafio do Açor. Daí em diante, a virose tomou proporções de pandemia e muitos dos nossos companheiros de trilhos andam agora mais feios e mais pobres do que nunca—e todos se comportam como se nada fosse. Não é normal estourar metade do salário em 2 pares de tamancos de cores berrantes. Por amor do santíssimo: já ouvi falar de gente que anda por aí aos caídos a vender o cagueiro para comprar um par de Hokas. Cada um é para o que nasce e eu não tenho a ver com isso, mas acho mal. O que é que querem? Acho mal. Vender o rabinho por três tostões para comprar droga é de homem. Nada contra. Agora, para comprar sapatilhas? Ao ponto a que isto chegou. Já estão por tudo. Escrevam o que eu digo: qualquer dia ainda aceitam patrocínios com 5% de desconto em loja e fazem publicidade ao estabelecimento em troca.

 

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Vou agora falar-vos de gente. Há gente para tudo. Há gente que arrasta os filhos pela linha de meta contra a sua vontade. Há gente que não corre a ponta de um peido, mas faz questão de partir à frente em todas as provas. Há gente que parte à frente em todas as provas e depois queixa-se de que é atropelada durante a partida. Há gente que publica os seus resultados quando as coisas correm bem, mas esquece-se de publicar quando as coisas correm mal e desistem e/ou levam com a marreta nos cornos. O que vale é que há fotos para provar que eles foram à prova e assim podermos gozar com eles à força toda. E também há gente que em criança bateu com a cabeça na mesinha de cabeceira e agora vai para as provas dar saltos artísticos para a fotografia. Estes são os piores de todos. É gente que tinha o sonho de trabalhar no circo como trapezistas e acabaram por ir para as provas de Trail fazer palhaçadas. Para os novatos nestas andanças, convém porém esclarecer que no Trail não há nota artística. Só conta o tempo final para efeitos do resultado final. Mentira: também há a chamada nota artística do chico-espertismo, no que diz respeito a atalhos e boleias. Mas isso são outros quinhentos.

 

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[Créditos: Matias Novo e Fernado Ramos]

 

O STUT foi um fartote a nível de dobragens. Todos falam na técnica de subida e técnica de descida, mas ninguém fala na técnica mais importante de todas: a técnica de dobragem dos patos-bravos das provas mais curtas que entopem a progressão do pessoal mais rápido das provas mais longas. Já aqui falei sobre isto, mas nunca é demais repetir. Quero por isso compartilhar convosco a minha técnica de ultrapassagem de caminheiros, patos-bravos e atletas de fim-de-semana:

 

Se o caminheiro é homem, peço muito educadamente: “Pela esquerda. Só um jeitinho, por favor”. O caminheiro encosta-se à direita e eu ultrapasso-o nas calmas. Termino agradecendo: “Obrigado.”

 

Se for uma gaja boa, peço muito educadamente: “Pela esquerda. Só um jeitinho, por favor”. A gaja boa encosta-se à direita e eu vou contra ela, agarrando-me ao que estiver mais à mão. Termino desculpando-me: "Perdão.”

 

Se pela traseira não conseguirem distinguir se é homem ou mulher, aconselho-vos a fazerem um desvio pelo meio do mato. Ultrapassem-no o mais ao largo possível, não vá o «coisinho» achar-vos graça e fazer-vos marcação serrada até à meta.

 

Quanto aos queixosos que dizem assustar-se com a impaciência do pessoal mais rápido em ultrapassá-los, não quero saber. Nem quero ouvir. É-me igual ao litro. Tanto se me dá como se me deu. Sabem que mais? Estou-me cagando. Aliás, muita sorte têm eles que a maioria dos atletas semi-amadores da pseudo-elite nacional é bué cavalheira e avisa que a ultrapassagem está iminente. De outra forma seriam passados a ferro por meio de um chega-para-lá em jeito de encosto de ombro. O pessoal das provas mais curtas tem de meter na cabeça que tem obrigação de andar mais rápido do que o pessoal das provas mais longas. Se não andam, andassem. Que é como quem diz: estudassem.

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