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TOP MÁQUINA

Eu faço Trail e sou uma Máquina. E isso é Top!

TOP MÁQUINA

Eu faço Trail e sou uma Máquina. E isso é Top!

Rescaldo GTSA 2015

por Pedro Caprichoso, em 01.10.15

Sábado. Dez da manhã. Tirei o meu Volkswagen Golf TDI da garagem, apanhei o Jérôme pelo caminho e partimos rumo à Senhora do Minho. Pelo caminho matei 2 ciclistas e 3 militantes do PCTP/MRPP. Não faleceram via atropelamento. O seu óbito foi provocado pelos fumos de escape emitidos pelo meu bolinhas. Ao enterrarmos os 5 cadáveres na berma da estrada, apercebi-me que o Jérôme tem muito jeito para cavar buracos. Se a sua carreira enquanto actor porno não resultar, espera-lhe um futuro brilhante enquanto coveiro. Bem vistas as coisas, tem tudo a ver com buracos.

 

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Era a puta da loucura! A Senhora do Minho rebentava pelas costuras. Nem em dias de romaria. As pedras não eram suficientes para tanto rabo nelas alapado. Estariam lá, seguramente, 10 mil pessoas. Metade pertencia aos quadros do Viana Trail. Uns de binóculos, outros de fio dental – facilmente identificável pela posição em que se encontravam sentados – e outros exibindo a t-shirt de cagão (i.e. finisher) da prova mais difícil que fizeram até à data. Todos com os olhos postos no ponto em que no horizonte surgiriam os primeiros atletas do GTSA – Vertical. Apostas eram feitas sobre o vencedor quando, ao longe, reconheci o Keanu Reeves sentado num calhau gigantesco. Não dá para ver, mas na foto abaixo publicada estão cinco atletas do Viana Trail atrás da pedra a tentar empurrá-la. Não percebo o que eles têm contra o actor norte-americano.

 

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Jérôme (a.k.a. “Escroto de Aço”) convenceu-me a descer até meio do Cerquido para acompanhar a prova mais de perto. Passou o Carlos Sá em funções de safety car, passou o Carlos Dias – o futuro vencedor – e passou o Diogo Fernandes em tronco nu. Não resistimos aos seus encantos e fomos atrás dele. «A Erica Fontes está à tua espera na meta», disse-lhe eu de maneira a motivá-lo. E acrescentei: «Jérôme, dá-lhe um empurrão pela rectaguarda». «Ele não faz o meu género», respondeu o Gigi de pronto. E rematou: «Se fosse o Bruno Sousa, já era outra história».

 

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Acompanhámos o Diogo até à base da ‘rampa da meta’. Deixámo-lo então partir em solitário sob os aplausos e incentivos da multidão de fãs do atleta de Santo Tirso. Assentámos arraiais, o Keanu Reeves juntou-se-nos e aí ficámos a apoiar os demais atletas, inclusive os utilizadores de muletas. A determinado momento apanharam-me a olhar para o rabo de um indivíduo do sexo feminino. O Jérôme, como não gosta de gajas, estava a olhar para o tronco nu do Penetra e do Paulo Machado, que vinham a seguir.

 

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Ficaram todos chocados ao tomarem conhecimento que o vencedor do GTSA-Vertical não corre. Só faz zumba. Posto isto, já marquei 10 aulas de zumba com a Tu Xa.

 

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Regressei da Senhora do Minho com a barriga a dar horas. Almocei sarrabulho, fiz crioterapia no rio de Outeiro, jantei sarrabulho, dormi 8 horas, comi os restos do sarrabulho e rumei em direcção a Dem.

 

 

Domingo. Sete da manhã. Era noite, estava nevoeiro e não se via a ponta de um corno. Não obstante, o tagarela Sô Doutor Eduardo Merino era facilmente identificável no meio da multidão. Aquela voz de barítono não engana ninguém. E assim é que se vê a diferença entre os amadores e os profissionais: enquanto uns apalhaçam e ficam no paleio até ao tiro de partida, outros há que se remetem ao silêncio de maneira a melhor se concentrarem na tarefa em mãos. Escusado será dizer que o Ricardo Silva pertence ao grupo dos profissionais – ele que acabou por fazer segundo e assegurar o título de Campeão Nacional do Circuito de Ultra-Trail. Consegui arrancar-lhe um bom-dia e nada mais.

 

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Dado o tiro de partida, os peões começaram a moverem-se (de acordo com a vontade da nossa Senhora do Minho) e a Juventude Vidigalense apanhou-se na liderança da prova à passagem por São Lourenço da Montaria (33k). O Presidente do Viana Trail estava de tal forma borradinho de medo, que a determinado momento despiu-se à minha frente, porventura na esperança de que eu me distraísse, tropeçasse e mandasse com os cornos no chão. Acontece que eu não gosto de homens de meia idade. Prefiro-os mais novos e tenrinhos.

 

Como se o estrume das vacas e dos garranos não fosse suficiente, o Rui Seixo e o André Rodrigues resolveram adubar a Serra D’Arga como se não houvesse amanhã. Apanhei os dois, de cócoras, a cagar à caçador. Quem não soubesse melhor, diria que eles haviam sido contratados pelo Ministério da Agricultura. Se os problemas gastrointestinais do Seixo não tiveram reflexo na classificação colectiva da sua equipa, o mesmo não se pode dizer em relação ao André. A Juventude Vidigalense contava com apenas 3 atletas, pelo que estes teriam obrigatoriamente de terminar a prova para classificar a equipa. Ou seja, a desistência do André deitou por terra as aspirações da equipa de Leiria. «As fezes do André souberam-me a mousse de chocolate», confessou o Presidente do Viana Trail a este vosso mui estimado cronista.

 

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Na última subida passei por um tipo estendido no chão. Estava com cãibras, o desgraçado. Baixei-me para ajudá-lo, mas tive uma cãibra e acabei sentado ao lado dele. Alonguei, rezei um Pai-Nosso e duas Avé-Marias, despedi-me dele e continuei. Graças à Senhora do Minho que por essa altura apareceram dois anjos do Trail Curto (23k) que se ocuparam dele. Bendita sejas, Senhora do Minho. Aleluia!

 

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Os atletas cabo-verdianos perderam-se inúmeras vezes. Primeiro na descida após a Pedra Alçada e, mais tarde, no Cerquido. Perderam-se, atalharam e foram parar ao topo do Cerquido, falhando o controlo que se encontrava na base deste. Tiveram por isso de descê-lo, passar pelo controlo e voltar a subi-lo. Ainda assim conseguiram correr atrás do prejuízo e acabar, respectivamente, em 8.º e 12.º lugares. No entanto, não foi isso o que mais me impressionou nos nossos amigos vindos de Cabo-Verde. Tendo em conta o calor que se fazia sentir, o que me deixou com os queijos no chão foi o facto de os ver correr com luvas. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo…

 

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Jérôme Rodrigues, o cabo-verdiano mais albino de Portugal, também se perdeu no Cerquido. Mas as duas situações não são comparáveis. Os problemas de orientação dos nossos amigos lusófonos apresentam atenuantes, pois era a primeira vez que corriam em Portugal. Já a avaria do GPS do atleta barcelense não tem desculpas. É imperdoável. Arga é o seu campo de treinos, por amor do santíssimo!

 

Para terem noção do à-vontade e classe dos 2 primeiros classificados, considerem estes 2 episódios:

 

  1. No segundo km de prova passei pelo Nuno Silva a atar os cordões das sapatilhas. O tipo nem se dá ao trabalho de verificar os atacadores antes da partida. Isto é a brincar com os atletas que dão três nós cegos com medo de terem de parar para os voltarem a atacar durante a prova.

 

  1. O Ricardo Silva encontrou um telemóvel (da marca com nome de fruta) durante a prova e entregou-o no final à organização. Pelo caminho ainda teve tempo de usá-lo para publicar um post sobre as barras Olimpo. Isto é a brincar com as pessoas que não têm patrocínios e têm de ficar com as coisas que encontram nos trilhos para conseguirem ganhar a vida. Relembro que o contrato do Ricardo com as barras Olimpo ascende a 2 milhões de euros por época.

 

Por fim, vejam só a tabela toda catita que eu fiz. Nela poderão verificar os tempos realizados pelo Top20 do GTSA entre os 33k - 53k. Três homens "estouro" são facilmente identificáveis: Délio, Pacheco e aqui o "fininho". O paneleiro do homem marreta apanhou-me no calor da última subida. Parecia que estava a andar de marcha-atrás. Tirando os mais rápidos, podemos também concluir que o Paulo Lopes (Paulo Silva) continua a marcar a diferença como um dos melhores "terminadores" do pelotão nacional. Ou será exterminador?

 

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Antevisão do GTSA

por Pedro Caprichoso, em 24.09.15

Domingo, todos os caminhos vão dar a São João da Pesqueira. O Salão Erótico de São João da Pesqueira é o evento a não perder por todos os aficionados da pornografia nacional. Caso São João da Pesqueira vos fique fora de mão, podem sempre dar um salto à Serra de Arga e assistir, ao vivo e a cores, ao Grande Trail Serra D’Arga.

 

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À semelhança do Salão Erótico, também em Arga poderão assistir a um espectáculo erótico de elevadíssima qualidade. Homens e mulheres usando linguagem badalhoca e gemendo em trajes reduzidos é coisinha que não faltará em Arga, nomeadamente nas subidas mais inclinadas do percurso. Não fiquem por isso chocados se derem de caras com um espanhol de muletas, com os calções de lycra enfiados na regueifa, lançando obscenidades pela boca fora. «Estoy hasta los cojones» (Estou farto), «Que coño» (Que raio/que chatice/que merda) e «Me cago en la leche» (Puta que o pariu) são algumas das bonitas expressões que poderão apreciar à conta da dureza da ascensão à Senhora do Minho.

 

Não nos cansamos de alertar os progenitores de crianças pequenas no sentido de protegerem as orelhas dos seus rebentos. Não queremos que os vossos filhos saiam de Arga a dizer asneiras, muito menos em espanhol. Posto isto, sugerimos a utilização de abafadores com um mínimo de atenuação de 25 decibéis.

 

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A tendência é querer assistir à passagem dos atletas no topo da Senhora do Minho. Acontece que os atletas são recebidos no topo ao som de chocalhos, pelo que o seu ruído abafará tudo o resto. Recomendamos antes a “zona espectáculo” localizada no último terço do Cerquido. É aí que os gemidos e palavrões atingirão o volume mais elevado. Podem fazer a experiência no Sábado aquando da realização do GTSA – Vertical. O Diogo Fernandes vai passar por vocês a gemer como se estivesse na marmelada com a Erica Fontes.

 

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Outra das “zonas espectáculo” definidas pela Organização localizar-se-á na descida da Pedra Alçada. Dadas as características da descida e o cansaço dos atletas a 4km da meta, a probabilidade de assistirem a um malho, espalhanço ou trambolhão é para cima de muita. Os atletas não gostam que o público se ria das suas quedas, mas eles que se lixem. Riam-se à vontade. Riam-se, tirem-lhes uma foto e depois gozem com eles no facebook. Não sejam egoístas. Partilhem as quedas.

 

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Tendo-se perdido na edição do ano passado, o nosso enviado especial ao GTSA reconheceu o percurso a pente fino e de fio-a-pavio. Pedro Caprichoso diz que é capaz de fazê-lo com os olhos fechados. Só não o fará porque tem medo que um tipo de muletas lhe vaze uma vista. Na vizinhança destes tipos convém estar com os olhos bem abertos. Segundo o próprio, o percurso encontra-se em excelentes condições para a prática da caça à toupeira. Ao descerem a Pedra Alçada perceberão o que ele quer dizer. Encontrarão subidas, descidas e partes planas. Podem ou não ter de atravessar cursos de água. Deparar-se-ão com zonas técnicas, zonas assim-assim, zonas lixadas e zonas erógenas. E, em jeito de cereja em cima do bolo, receberão uma beijoca da Emelie Forsberg. O Carlos Sá convidou a atleta sueca para saudar os atletas masculinos e entregar-lhes o seu merecido colete de finisher.

 

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«Fruto das condições meteorológicas previstas para o dia da prova (temperaturas na casa dos 30ºC), a organização decidiu eliminar a obrigatoriedade do impermeável como material obrigatório. Todo o restante material constante no regulamento continua a ser obrigatório.», anunciou hoje a organização. Isso é que era bom. Em mim ninguém manda. Por acaso não estava a pensar levar impermeável, mas agora que dizem que não é obrigatório é da maneira que o vou levar. Vou mais longe: só para meter nojo, em vez de impermeável, vou levar uma samarra alentejana. Segundo a Wikipédia, “a Samarra aquece nos dias frios e protege do calor nos dias quentes”.

 

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Para além do GTSA – Vertical, Trail Jovem, Caminhada, Ultra Trail, Trail Longo e Trail Curto, o GTSA contará este ano com duas novidades: O GTSA Sunsent e o Ultra Peso-Pesado. O Carlos lembrou-se de introduzir esta prova no seguimento das queixas de alguns dos principais candidatos à vitória. O André Rodrigues queixa-se que está gordo como um chibo; o Rui Sexo afirma que está com excesso de peso; o Ricardo Silva come 12 donuts por dia; o Jérôme Rodrigues confessou-me que já não cabe no tutu. Os atletas são pesados no início e no fim da prova. Quem perder mais peso em percentagem corporal será o vencedor. O prémio é um arroz de sarrabulho a seguir à prova e uma lipoaspiração no dia seguinte.

 

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A Massificação do Trail

por Pedro Caprichoso, em 22.09.15

Sinto-me feliz, contente e alegre com o crescimento exponencial do Trail Nacional. No entanto, nem tudo são rosas. Assim de repente, identifico 3 problemas associados à sua massificação:

 

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1. Chico-espertismo

 

Aproveitando o facto de o Trail estar na moda, o que não faltam por aí são chico-espertos procurando lucrar à conta do Zé—Povinho Atleta. Das 2 toneladas de provas que se realizam semanalmente em Portugal, é inevitável aparecerem provas sem qualidade. Este, porém, é o menor dos nossos problemas. A selecção natural encarregar-se-á de eliminar essas provas. É tudo uma questão de tempo.

 

2. Ganhar sem evoluir

 

A meu ver, a massificação do Trail tem prejudicado a evolução dos atletas. Há bons atletas que preferem ganhar a evoluir, escolhendo provas com menos concorrência em detrimento de provas mais concorridas. A massificação promove o aproveitamento de atletas medianos que “fogem” às provas com mais renome – onde sabem que terão mais concorrência – para alcançarem pódios nas provas mais pequenas. E o problema está justamente aqui, pois para evoluir é necessário competir com atletas melhores do que nós. O Trail precisa que os melhores atletas não se evitem – e compitam nas mesmas provas de maneira a evoluírem. A evolução advém da competição. Quem faz apenas provas pequenas não está interessado em evoluir; está apenas interessado nos aplausos.

 

3. Banalização dos campeões

 

Banalizou-se a palavra campeão. É-se campeão por tudo e por nada. Hoje, com as redes sociais, qualquer um é campeão. Pode não correr nada, mas basta fazer pódio no Trail de Curral de Moinas e publicar as fotos da prova no facebook para automaticamente receber o título de «campeão». A ignorância desportiva do Zé-Povinho faz com que seja difícil olhar para as características de uma prova (km e D+) e avaliar se o tempo do vencedor é digno de um campeão. Na estrada é fácil, pois as provas são geralmente planas – e ninguém fica impressionado, por exemplo, com um pódio numa Meia-Maratona se esta for corrida acima de 1h15. Já no Trail é complicado fazer essa avaliação, pelo que poucos olham para o tempo final dos vencedores – e estes são automaticamente encarados como “Campeões”, quando na verdade não passam de atletas mediados.

 

Neste momento, no activo, sem dizer nomes, são estes os verdadeiros campeões do Trail Nacional: para além dos incontornáveis Carlos Sá e Armando Teixeira, temos o André Rodrigues, o Nuno Silva, o Ricardo Silva, o Hélder Ferreira, o Luís Duarte e o Luís Fernandes. Numa prova com todos os melhores atletas nacionais, o vencedor sairia deste grupo. Qualquer um deles poderia ganhar aos outros dependendo das características da prova em causa. Pelo seu historial, temos obrigatoriamente de também aqui incluir o Leonardo Diogo e o Luís Mota. Mas é isto. São dez. No máximo. Os dedos de duas mãos. Temos depois bons atletas, atletas mediados e atletas fraquinhos.

 

Só vos peço uma coisa: tenham mais cuidado da próxima vez que usarem a palavra "campeão".

5 Dias em Cativeiro

por Pedro Caprichoso, em 21.09.15

Depois de 5 dias em cativeiro, estou finalmente em condições de vos relevar os factos ocorridos na última quinta-feira. Fui treinar para Valongo a convite do Jérôme Rodrigues. Não gosto do tipo, mas aceitei na mesma.

 

Choviam cães, gatos e canivetes. Por vezes a potes. Atacámos a primeira contagem de montanha do dia e fomos surpreendidos, no topo desta, por um bando de lunáticos. Contei nove. Seis de cara destapada, dois encapuzados e um tipo – o mais tagarela – com pinturas de guerra espalhadas pelo corpo. Dado o meu olfacto extremamente apurado, creio que as pinturas resultavam de uma mistura fétida de cinzas – decorrentes dos incêndios que fustigaram Valongo – com bosta de vaca. Seja como for, a GNR já tem em sua posse o retrato robô dos meliantes. Uma vez que o Ricardo Silva está à frente das investigações, a captura dos bandidos – que neste momento se encontram a monte – está para breve.

 

Fomos surpreendidos, mas não capturados. Não logo aí. Escapámos por um triz a essa primeira investida e eles só nos apanharam, 5km mais à frente, porque um ramo de eucalipto prendeu-se ao cabelo do Jérôme. Algemaram-nos as mãos e os braços, e conduziram-nos até à base do famoso “elevador”. Fizeram-nos trinta por uma linha: molharam-nos saltando nas poças de água, empurram-nos contra zonas enlameadas, peidaram-se na nossa direcção e insultaram-nos repetidamente. A mim, que trajava de amarelo florescente, apelidavam-me de “homem da Brisa”.

 

No elevador voltámos a escapar. Ainda que de pés e mãos algemadas, os malfeitores não nos conseguiam acompanhar elevador acima. Prevendo essa possibilidade, dois deles anteciparam-se, atalharam caminho e fizeram-nos uma emboscada no topo do elevador. De maneira a prevenir nova fuga, deixaram-nos aí atados a um eucalipto de cara virada para a árvore.

 

Passámos 5 dias a Barras Olimpo e água da chuva. Os raptores trazia-nos uma ração de barras Olimpo ao nascer do dia e, sempre que lhes dirigíamos a palavra, respondiam com a mesma lengalenga de sempre: «Dos fracos não reza a história? Uns ganham nas provas. Outros ganham todos os dias.» Durante esse tempo fui violado por dois ursos, um lenhador e três escuteiros. Urso, se me estás a ouvir, o lenhador que me violou antes de ti tem uma doença sexualmente transmissível. Vai fazer análises. (*)

 

O Jérôme encontrava-se na mesma posição que eu, mas nele ninguém lhe tocou. Apenas o meu rabinho sofreu as consequências. Escangalharam-no. O dele permaneceu inviolado. Desconfio que tal tenha a ver com o facto do tipo tagarela me ter obrigado a vestir a sua t-shirt suada.

 

Na faculdade declarei-me anti-praxe e agora tenho de passar por esta humilhação?

 

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*Sim, isto é uma referência aos gatos fedorentos.

TRILHOS NA CIDADE? ONDE?

por Pedro Caprichoso, em 17.09.15

Com os Urban Trails de Lisboa e Porto à porta, importa ‘voltar à vaca fria’ e questionar que sentido faz usar o termo “Trail” na cidade.

 

904021_617191868309462_1882397384_o.jpgQuero deixar bem claro que não estou aqui para fazer juízos de valor. Não estou aqui para vos tentar convencer que o Trail em meio natural é melhor do que o Trail em meio urbano. Não é isso que está em causa. Gostos não se discutem.

 

Venho, isso sim, questionar simplesmente o facto de se associar o termo "Trail" a uma corrida feita na cidade. Porque não chamar-lhe outra coisa qualquer? Que tal “Urban Run”? “City Run”? “Street Run”? Ou, porque não, em bom português, tão-simplesmente “Corrida de Rua”? Sei lá. Puxem pela imaginação.

 

Porquê “Trail”? Apenas porque tem partes técnicas com bastante desnível? Isso chega para levar o carimbo de “Trail”? É que isso são apenas dois dos aspectos inerentes ao Trail Running. E a Natureza? E a Montanha? Não será isso mais importante?

 

A pergunta dos 10 milhões de euros é esta: Onde estão os trilhos na cidade?

 

Chamem-me conservador e bota-de-elástico, mas eu não consigo conceber o “Trail” sem ser na Natureza – e não me venham dizer que existe o conceito de “Natureza Urbana”, porque não existe. Vou mais longe: a Natureza, para mim, é o elemento essencial do Trail. A meu ver, por exemplo, é mais Trail uma prova plana disputada na natureza sem dificuldade técnica do que uma prova com muito desnível e tecnicidade disputada na cidade. São opiniões.

 

O conceito de "Trail Running", cuja origem remonta aos Estados Unidos, a meados da década de 70, está intimamente ligado à Natureza e à Montanha – e não tem nada a ver com o Ambiente Urbano. Estarei a dizer alguma asneira?

 

O que é que se segue? O “Track Trail”? O “Road Trail”? O “Gym Trail”? Pois para isso bastará introduzir obstáculos artificiais com muito desnível e dificuldade técnica em pistas, estradas e ginásios.

 

Eu crítico a utilização da palavra "Trail" no "Urban Trail" da mesma maneira que crítico a sua utilização noutro tipo de provas que, embora se disputem na natureza, nada têm a ver com o "Trail". Exemplo: seria como se os organizadores da “Marathon des Sables” mudassem o nome da prova para "Ultra Trail des Sables", visto que correr no Deserto também pouco ou nada tem a ver com o conceito de "Trail Running". Percebem onde eu quero chegar?

 

A verdade é esta: as organizações deste tipo de eventos apropriam-se da palavra “Trail” porque o Trail está na moda – e esperam com isso atrair mais participantes. Essa é a única razão pela qual o fazem.

10 Dicas para correr à chuva

por Pedro Caprichoso, em 15.09.15

Quem veio aqui ter através do facebook é um coninhas. Sim, leram bem: coninhas. És um coninhas. Dicas para correr à chuva? A sério? Só os coninhas precisam de dicas para correr à chuva. Alertas amarelos é para coninhas. Um trail runner corre debaixo de chuva, debaixo de granizo, debaixo de tempestades eléctricas, debaixo de porrada... Se fossem atletas de estrada, ainda se percebia. Agora, trail runners com medo da chuva? Onde é que isso já se viu? Tipos que atravessam rios têm medo de umas gotinhas de água e de umas rajadas de vento – e precisam de dicas para levantarem a peida do sofá em dias de chuva? Façam-me o favor. Vocês metem-me nojo!

 

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Estou a meter-me com vocês. Vocês vieram ao sítio certo. Ver em baixo as dicas do TopMáquina para correr à chuva:

 

1. Correr acompanhado

 

Correr acompanhado dá logo outra motivação, mais ainda em dias de chuva. Além da motivação, podemos também nos divertir empurrando os nossos amigos para as poças de água.

 

2. Correr de boné

 

Corro sempre de boné, faça chuva ou faça sol, para disfarçar o facto de estar a ficar careca. Mas o boné em tempo de chuva tem outra serventia: impede que a chuva nos bata nos olhos, coisa que me irrita profundamente. Este conselho pode igualmente ser adoptado pelas actrizes porno na medida em que o boné evita que a ranheta dos homens lhes vaze uma vista.

 

3. Tomar duche antes de sair de casa

 

«Que sentido faz tomar banho, se banho é o que vamos tomar ao correr à chuva?», pergunta o leitor. À primeira vista, de facto, não faz muito sentido. Mas eu não estou a falar em tomar duche nu. O segredo está em tomá-lo vestido, com água quente, de maneira a que aqueles primeiros quilómetros debaixo de chuva custem menos. Como bem sabem, o que custa mesmo é ficar ensopado. Depois de ficarmos ensopados, já nem ligamos. Até saltamos nas poças de água e tudo. Tal e qual as crianças.

 

4. Usar um escudo humano

 

O vento é outro dos nossos inimigos em dias de temporal. No seguimento do ponto 1, convém convidares amigos mais volumosos do que tu. Desta forma poderás usá-los como escudo humano de forma a te abrigares do vento.

 

5. Usar contra-pesos

 

Se fores um tipo lingrinhas, um pau-de-virar-tripas ou um trinca-espinhas, tens de correr com lastro para não levantares voo em dias de temporal. Pelo sim e pelo não, o melhor é correres com uma barra de ferro enfiada pelo rabo acima. Eu não preciso porque tenho tomates de aço, que me mantêm sempre ao nível do solo.

 

6. Usar calçado velho

 

Com ténis novos ficamos sempre mais relutantes em molhar os pés. Ninguém vai usar as suas novas Salomão Raptor 15 – adquiridas pela módica quantia de 160€ – à chuva, pelo que o melhor é correr com sapatilhas velhas. O ideal, mesmo, é que as sapatilhas tenham a sola esburacada de maneira a melhor escoar a água.

 

7. Correr sem meias

 

Sem meias o pé seca mais depressa. É um facto. Com meias o pé permanece ensopado, enruga e ganha bolhas com mais facilidade. A única desvantagem de não usar meias é que ficamos sem sítio onde limpar o rabo em caso de caganeira. Só se levarmos o papel higiénico dentro de uma bolsa de plástico, mas quem é que se lembra disso?

 

8. Correr sem roupa interior

 

Correr à chuva com roupa interior faz com que as nossas partes baixas permaneçam ensopadas – e, como bem sabemos, fruta húmida apodrece. Eu não quero que a minha fruta apodreça, a modos que a minha tomateira anda sempre à pendura de encontro à licra dos calções. Molha-se? Molha, mas não apodrece.

 

9. Beber um batido

 

Para prevenir pneumonias ou possíveis resfriados, tenho por hábito tomar um batido de fruta em dias de chuva. O segredo está nas vitaminas. Às frutas adiciono uma pitada de libidium fast de maneira a ficar com a tenda armada – e de tenda armada só se molha quem quer.

 

10. Ganhar um par

 

E que tal ganharem um par de tomates e treinarem sem desculpas? É água. Não é ácido sulfúrico.

Actor de filmes alternativos

por Pedro Caprichoso, em 14.09.15

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Depois de brilhantemente sagrar-se vice-campeão do Ultra Trail Canfranc-Canfranc, Jérôme Rodrigues foi entrevistado pela Organização da prova Espanhola. A entrevista ainda não foi oficialmente divulgada ao público, mas também não é preciso. O TopMáquina antecipou-se à concorrência, contratou um pirata informático e obtivemos o Making Of da entrevista registado pelo telemóvel do Presidente do Viana-Trail.

 

Devido ao vento que se fazia sentir, a qualidade sonora do vídeo deixa muito a desejar. Contratámos então um especialista em leitura labial e um editor de vídeo para legendar a entrevista. O problema é que estes parecem terem confundido o Jérôme com um actor de filmes alternativos. Confiram no vídeo em baixo:

 

 

O medo de levar no rabinho

por Pedro Caprichoso, em 10.09.15

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Os primeiros protegem o abono de família; os segundos protegem o rabinho. Uma vez que há a possibilidade de levar com uma bola nas partes baixas – coisa que aleija –, compreende-se o porquê dos jogadores de futebol protegerem a tomateira. Pelo contrário, não se percebe a razão que leva os atletas a taparem o rabinho no pódio. Terão medo que alguém venha por trás e lhes esbandalhem o traseiro? Nunca vi uma prova atribuir troféus na forma de supositórios, mas nunca se sabe…

Herói do EstrelAçor vítima de bullying

por Pedro Caprichoso, em 10.09.15

Depois dos primos Rodrigues (André, Pedro e Jérôme), o José Faria é o meu atleta preferido. Não sei por quê, mas é. O tipo não corre um peido, mas há ali qualquer coisa. Desconfio que seja a barba. Aquela barba é especial. “Magnética” é a melhor palavra que me ocorre. Barba magnética. Se fosse rabeta, era com ele que adoptaria um pretinho de África.

 

Dito isto, venho por esta via denunciar um caso de maus-tratos no seio do Trail Nacional. O bullying é uma tragédia conhecida nas nossas escolas e locais de trabalho, mas no desporto é inaudito. Não vou apontar o dedo a ninguém em particular. Direi apenas que não há palavras para descrever os abusos infligidos ao (meu) Faria pelo Presidente do Viana-Trail. É vergonhoso. No mínimo.

 

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A escola da vida que é o facebook ensina-nos que devemos ultrapassar os nossos limites e que desistir não é opção. Isso é uma coisa. Outra coisa é colocarmos a nossa vida em perigo com medo do nosso Presidente. O Presidente do Faria começou por dizer que lhe cortaria os prémios se ele não fizesse pódio no EstrelAçor. O Faria é um tipo que não liga a dinheiro e cagou para os prémios.

 

“Caguei para os prémios”, disse ele, lançando perdigotos, com o nariz a dois palmos do nariz do seu Presidente. Ao perceber que o corte dos prémios não era castigo suficiente, o vilão desta história voltou ao ataque e fez o impensável: ameaçou proibi-lo de treinar com o contingente feminino do Viana-Trail. Isto não se faz. Isto é terror psicológico da pior espécie. De referir que a foto abaixo publicada foi tirada no momento em que o Faria seguia na dianteira do EstrelAçor (180km) com cerca de 18h de prova.

 

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Assim, perante a possibilidade de não mais treinar com as meninas do VT, o Faria passou a encarar o EstrelAçor como uma prova de vida ou de morte. Resultado: os últimos 10 km foram feitos sob sofrimento extremo. Há testemunhas que o viram a chorar. De tal modo que desmaiou assim que tirou as sapatilhas, sendo depois transportado de urgência para o hospital da Guarda. As crocs que o Faria usou na cerimónia do pódio atestam bem o estado em que os seus pés ficaram.

 

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Nestas provas extremas, um tipo chega a um ponto em que deixa de conseguir controlar as emoções. Ora chora, ora ri, ora desespera, ora grita, ora geme, ora excita-se e fica com a tenda armada. Já todos passámos por isso. As emoções do Faria foram, porém, o menor dos seus problemas. Para além do desespero e do cansaço, o nosso herói vinha com uma entorse desde os 134 km. Ou seja, fez os últimos 46km manco. Uma maratona manco, imaginem só. Os últimos 7km, feitos a descer, foram percorridos a 2/3km por hora. Já mal caminhava e cortou a meta completamente desorientado.

 

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Para terem noção das condições em que se disputou o EstrelAçor, basta referir que o Jérôme Rodrigues só não desistiu na Maratona (42km) porque foi ameaçado pela mãe de um colega de equipa. Mais bullying, portanto. “A mãe do Diogo disse que nos dava um enxerto de porrada à frente do povo de Linhares da Beira caso desistíssemos”, afirmou o atleta barcelense mal cortou a meta no lugar mais alto do pódio. E mais não disse porque desfaleceu instantes depois, em resultado de uma insolação.

 

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Pior do que ficar com os pés e o orgulho destruídos, o Faria ficou triste porque não pôde cumprir a promessa que fez à sua amiga colorida. A promessa era a de com ela fazer a Maratona do EstrelAçor. Pese embora o estado deplorável em que se encontrava, o nosso herói garantiu que só não a fez porque o médico deu-lhe alta já depois do tiro de partida. Importa referir que o Faria havia cortado a meta 6 horas antes do tiro de partida da Maratona. Que macho!

A Solução para a Crise dos Refugiados

por Pedro Caprichoso, em 08.09.15

Este casebre subescreve a escola de pensamento de que se pode brincar com tudo. Tudo depende do contexto. Nesse sentido, eis a solução que o TopMáquina propõe para a crise dos refugiados:

 

Tendo de percorrer tantos quilómetros para fugir à guerra, parece-me evidente que muitos refugiados têm potencial para se tornarem excelentes Ultra-Maratonistas. Faria por isso todo o sentido que muitos deles fossem acolhidos por equipas do Trail Nacional. Sinceramente não percebemos como é ninguém se lembrou disto antes. O Presidente do Viana-Trail já disse que acolherá pelo menos 500.

 

«O Viana-Trail precisa de mais atletas. Os 125 que temos neste momento não são suficientes.», afirmou José Carlos Alcobia aos microfones da TSF depois de tentar convencer a Bárbara Baldaia a vestir a camisola do Viana-Trail.

Esmiuçamento da entrevista do Jérôme Rodrigues

por Pedro Caprichoso, em 07.09.15

À primeira vista parece uma entrevista banal, inocente e norteada por três hagás: honestidade, humildade e humor. No entanto, após repetidas audições, começamos a decifrar as indirectas, os recadinhos e as mensagens subliminares. É preciso ler nas entrelinhas para saber o que o Jérôme está, efectivamente, a dizer. Que é como quem diz: é preciso esmiuçá-la. Esmiuçá-la-emos então:

 

 

01:00 – «O Pedro Caprichoso coagiu-me a participar no Desafio Prozis.»

 

Coagir? Desde quando é que atar um gajo nu a uma cama e fazer-lhe cócegas nos pés é coagir uma pessoa? Que exagero!

 

04:02 – «No Ultra Trail tudo pode acontecer.»

 

Não pode. Para quê enganar as pessoas? Há coisas que não podem acontecer no Ultra Trail. Há impossíveis. Por exemplo, é impossível fazer o Ehunmilak abaixo das 25h, sem muletas e de fio dental entalado no rêgo do cu. Impossível.

 

05:25 – «Não vou esmiuçar o que eu como.»

 

Os jornalistas já deviam saber que o Jérôme não fala da sua vida privada – e faz ele muito bem. Eu também não falo de quem eu como ou deixo de comer.

 

06:55 – «A casa é que faz o atleta»

 

Esta magoou-me profundamente. Não tenho culpa dos meus pais terem um restaurante na Mealhada e de ter nascido numa Casa de Leitões. Já me chamaram porco de forma mais educada.

 

08:45 – «Não gosto muito de água.»

 

Isto é uma indirecta aos que o acusam de cheirar mal, eu incluído.

 

09:33 – «Foda-se, é demais ir 2/3 vezes ao fisioterapeuta!»

 

Isto é um pedido de ajuda camuflado. O tipo está viciado nas mãozinhas do Bizarro! Já não vive sem elas. Não é segredo que o Jérôme dorme à frente da clínica Bizarro e rouba auto-rádios para pagar o vício. Uma tragédia.

 

12:03 – «O nosso dirigente desportivo diz muita coisa».

 

Tradução: «Alcobia, cala-te!»

 

13:55 – «Comecei a correr para arranjar namorada».

 

Pronto, cá está ele a fazer-se de vítima. Ui, coitadinho, estava gordinho e ninguém lhe pegava. Começaste a correr para arranjar namorada? Olha que novidade. Começámos todos. Como diz a amiga da amiga de uma prima minha: “É a força da pachacha!”

 

19:13 – «Isto porque nós fizemos a tal prova, na Padela, há 3 anos atrás. Há 2 anos atrás… Não, melhor, há 3 anos.»

 

Em primeiro lugar, é redundante dizer “3 anos atrás”. Diz-se “há 3 anos”. Em segundo lugar, foi mesmo há 2 anos. Ver a prova em baixo. Isto para dizer que fiquei à frente do Jérôme na primeira edição do Hard Trail da Padela. Ora toma, embrulha e faz um lacinho.

 

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19:30 – «Recebi o convite do José Carlos Alcobia para integrar o Viana-Trail».

 

Grande coisa. Ele convida toda a gente. É assim que ele nos engana. Faz-nos sentir especiais e depois vimos a saber que ele vai com todos. Eu percebo a tua dor.

 

22:36 – «Atleta é aquele que consegue viver do desporto».

 

Mais uma mentira. Há muita gente que vive do desporto e não é atleta, como por exemplo as mulheres dos jogadores de futebol – que vivem às custas deles.

 

25:25 – «Os meus heróis são pessoas palpáveis».

 

26:43 – «Colegas que me acabam por suscitar bastante prazer».

 

Não carece dizer nomes. Todos sabem a quem ele se está a referir. A nossa relação é muito física e fartamo-nos de nos apalpar um ao outro – o que nos acaba por suscitar bastante prazer.

 

Mais uma dica: reproduzam a entrevista de trás para a frente, dupliquem-lhe a velocidade e preparem-se para receber uma mensagem diabólica vinda dos quintos dos Infernos.

 

P.S. Dito isto, esta é, sem sombra de dúvida, a melhor entrevista no âmbito do Trail que já vi com estes olhos que a terra há-de comer. Deixem-se de merdas e merdinhas, de dicas e segredinhos, de truques e mesinhas – e sigam os conselhos indicados pelo Jérôme. Basta isso.

Adultério no Trail Nacional

por Pedro Caprichoso, em 04.09.15

Como é do conhecimento púbico (sic), Jérôme Rodrigues e Ricardo Silva anunciaram o fim da sua relação na passada quarta-feira. Em conferência de imprensa, a dupla vencedora do PGTA (Peneda Gerês Trail Adventure) evocou divergências irreconciliáveis como causa do rompimento. “Continuaremos a ser colegas de equipa no Viana-Trail, mas o nosso rompimento enquanto dupla é irrevogável”, afirmaram os atletas barcelenses de lágrima ao canto do olho.

 

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No entanto, segundo apurou o TopMáquina, na base do rompimento estará o atleta Pedro Caprichoso. Rodrigues e Caprichoso conheciam-se de vista, mas a “faísca” entre os dois só se deu a partir do momento em que o segundo foi anunciado como reforço da equipa vianense para a próxima época. Começaram a treinar juntos, no monte, à hora do bagacinho, e foi amor à primeira passada. Isto é, o Jérôme trocou o Ricardo pelo Pedro. Numa palavra: adultério. Ambos namoram gajas boas como o milho, mas há quem diga que isso é só para manter as aparências.

 

Fontes anónimas referem que ambos partilham inúmeros interesses, tais como a abordagem minimalista ao Trail e o gosto por acompanhar as últimas tendências da moda, como se pode verificar pela imagem abaixo publicada. O Presidente do VT vai mais longe, ao ponto de afirmar que “os dois são almas gémeas”. Em 2016 teremos, portanto, uma nova dupla no Peneda Gerês Trail Adventure. Ei-la:

 

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Da Estrada para os Trilhos

por Pedro Caprichoso, em 02.09.15

Escangalho-me a rir com as desculpas que alguns atletas de estrada inventam depois de experimentarem uma prova de Trail. É de ir às lágrimas. Participam numa prova de dificuldade baixa e juram para nunca mais, dando a entender que o Trail é coisa para maluquinhos que caminham nas subidas e arriscam a vida nas descidas.

 

Não está aqui em causa uma hipotética guerra “estrada vs trilhos”, pois tal coisa não existe. Sinto que, em termos gerais, há muito respeito entre o pessoal da estrada e o pessoal dos trilhos. O imbróglio é outro: as desculpas. As putas das desculpas. Parem com as desculpas. É feio. Fica-vos mal.

 

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Em boa verdade, estou-me nas tintas para vocês. Quero lá saber se vos fica bem ou mal. As vossas desculpas desvalorizam o Trail – e isso é que me preocupa. As desculpas usadas são, basicamente, de dois tipos: (1) O Trail é muito perigoso; (2) No Trail não se corre – e do que eu gosto, mesmo, é de correr.

 

Meu amigo asfaltado, a verdade verdadinha é esta:

 

  • O Trail é perigoso? Mas tu pensavas o quê? Que o Trail era feito em estradões e nos Passadiços do Paiva? Tenho uma novidade para ti: a beleza do Trail é que o Trail não é só força. É força; é gestão do esforço; é gestão da alimentação; e é técnica. Queres melhorar a tua técnica? Tens um bom remédio: treina!

 

  • No Trail não se corre? Ai corre corre. Aconselho-te a assistir ao GTSA do topo da Senhora do Minho e garanto-te que verás muito boa gente a trepar o Cerquido em passo de corrida. Lamento informar-te: se não consegues correr, é porque não tens pernas.

 

P.S. Para quem acha que eu só desanco no pessoal da estrada, ide aqui.

Armando Teixeira desclassificado do UTMB

por Pedro Caprichoso, em 31.08.15

A notícia caiu que nem uma bomba no seio do Trail Nacional. Armando Teixeira foi desclassificado após conquistar um brilhante 19.º CG (2.º V1) na prova rainha do Ultra-Trail mundial. Os bons resultados não se fazem apenas de vitórias e, segundo os especialistas, este teria sido um excelente resultado não fosse a desclassificação do atleta maiato.

 

Após reverem as imagens à passagem pelos postos de controlo, a organização decidiu desclassificar o Armando na base de que este recebeu ajuda externa na forma de beijinhos. O ponto 5 do regulamento do UTMB refere que “Qualquer ajuda externa que influencie o rendimento dos atletas por parte de pessoal externo à organização é expressamente proibida”, dando a entender que nenhum tipo de ajuda é permitido. Nem abraços, nem festinhas, nem cafuné, nem palmadinhas no rabinho – e muito menos beijinhos.

 

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  [Beijinho à passagem por Courmayeur]

 

Lamento imenso, mas tenho de concordar com a organização. A Ivone não faz parte do staff do UTMB e os seus beijinhos influenciam claramente o rendimento do Armando. Saber que vamos receber um beijinho da nossa cara-metade motiva qualquer homem a chegar o mais depressa possível ao próximo posto de abastecimento. Não vou ao ponto de dizer que é doping, mas não está muito longe. Que isto sirva de exemplo aos atletas que têm por hábito fazerem-se acompanhar pelas suas companheiras. Este aviso é dirigido directamente ao Luís Mota e ao Carlos Natividade Silva.

 

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[Beijinho na meta]

 

Por estas e por outras é que a minha Maria nunca vai às minhas provas. Fecho-a na dispensa em dias de prova. Mais vale prevenir do que remediar.

Quintas-Feiras Mansas à Hora do Bagacinho na Cova da Moura

por Pedro Caprichoso, em 28.08.15

Já não se morre. Agora falece-se. Já não há velhos. Agora há idosos. Já não se despede. Agora reorganiza-se. Já não há treinos. Agora há free runs. Mas não são umas free runs quaisquer. Estas exibem letreiros bem sugestivos: “Quintas-feiras bravas”, “Hora do Bagacinho”, “Quartas-feiras Mansas”, “Cova da Moura a Correr” e “Curral de Moinas Night Runners” são algumas das free runs mais conhecidas e concorridas do país.

 

A loucura é tal, que há quem suborne os organizadores para terem o privilégio de participarem nestes eventos. Melhor dito: para esfregarem na cara dos outros que participam nestes eventos. Tomem como exemplo este atleta anónimo que, segundo apurou o TopMáquina, comprou o Doutor Merino com duas sandes de presunto e um compal cenoura abacaxi (dos mais espessos) com vista a participar numa das recentes edições das “Quintas-Feiras Bravas”.

 

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Não me interpretem mal. Nada tenho contra o facto das pessoas darem nomes ‘abichanados’ às suas free runs . Com o ‘abichanamento’ posso eu bem. O problema é que se trata de publicidade enganosa. Dois exemplos: por quê “Hora do Bagacinho” se não há bagacinho? E por quê “Quintas-Feiras Bravas” se os participantes mais parecem terem saído do elenco das 'Mares-Vivas'? Homens de peito depilado a fazerem praia não me parece uma actividade lá muito brava. Bravas em quê?

 

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Duas galinhas poedeiras em troca da minha participação na próxima edição das Quintas-Feiras? O que me dizes, David Hasselhoff, perdão, Eduardo Merino?

A SIC DEIXA-ME SICK

por Pedro Caprichoso, em 25.08.15

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[Primeiro os elogios:]

Vocês sabem o que eu penso sobre as guerreiras do Trail Nacional, pelo que é um prazer aqui afirmar, a plenos plumões, que a Lucinda é uma grande mulher. Gigante. Com um bocadinho de sorte, ainda faz Top10 no UTMB. Homens, não se esqueçam do seguinte: sempre que numa prova forem ultrapassados por uma mulher, não pensem que ela é melhor do que vocês. Ela não é melhor do que vocês. Ela é MUITO melhor do que vocês.

 

A máquina de marketing da Prozis começa a dar os seus frutos. Não uso suplementação, mas tenho de dar a mão à palmatória. Estes meninos não brincam em serviço. Publicidade no telejornal da SIC não é para qualquer um. Parabéns. Quer-me parecer que a profissionalização do Trail começa aqui.

 

Depois de ter deixado bem claro que nada tenho contra a Lucinda e a Prozis – bem pelo contrário –, vamos às criticas a esta espécie de reportagem:

 

 

 

O modus operandi da TV generalista, no que toca às modalidades amadoras, é conhecido. Tirando o futebol, todas as outras modalidades são tratadas com doses iguais de amadorismo e caricatura.

 

Como é que é? Primeiro dizem que a Lucinda é profissional do Ultra-Trail há 3 anos e, mais tarde, que é professora em Gondomar? Em que é que ficamos? Digam olá ao amadorismo.

 

«O UTMB é uma das corridas mais difíceis do mundo». A sério? Sem desvalorizar o feito tremendo que é terminar uma prova com as características do UTMB, só a brincar se pode afirmar que o UTMB é umas das corridas mais difíceis do mundo. Assim, de repente, vêm-me logo à cabeça uma dezena de corridas mais difíceis do que o UTMB. Para quê exagerar? Não há necessidade. Digam olá à caricatura.

 

A Lucinda é “actualmente a melhor portuguesa nesta modalidade”. Não digo que não é. Mas também não digo que é. É discutível. Ela foi efectivamente a melhor Portuguesa no Campeonato do Mundo. Mas daí a afirmar, inequivocamente, que é a melhor portuguesa… Não acredito, sequer, que a Lucinda concorde com esse rótulo. Não vou cometer a deselegância de dizer nomes, mas a Ester Alves tem obrigatoriamente de entrar na discussão quando falamos da melhor atleta portuguesa de Ultra Trail da actualidade. É incontornável. Estamos a falar, afinal de contas, da actual Campeã Nacional. Custava muito, por isso, dizer “uma das melhores atletas” em vez “da melhor atleta”? O amadorismo está de volta. Digam olá.

 

A sensação que dá é que esta reportagem foi feita por encomenda. Nesse caso, mais mérito para a Prozis. Estes meninos sabem, mesmo, o que estão a fazer.

 

--xxx--

 

Tendo em conta a tareia que estou a levar à conta deste singelo post, convém esclarecer o seguinte para que não me interpretem mal:

1. A minha crítica aqui tem apenas e só a ver com o amadorismo dos jornalistas em relação às modalidades amadoras – e o Trai
l em particular. O meu alvo são os jornalistas. Mais ninguém. Que isso fique bem claro. Ou seja, eu não teria qualquer problema com esta reportagem se não fosse pelos erros que ela contém.


2. Eu sei que recorro muitas vezes à ironia e as pessoas pensam que estou sempre a ser irónico – o que não é o caso. De todo. Ou seja, eu não estou (sarcasticamente) a criticar a capacidade de marketing da Prozis em dar destaque à Lucinda. Nada disso. Bem pelo contrário. Eu isso aplaudo. Da mesma forma que aplaudo a Salomon por dar destaque aos seus atletas, embora por vezes de forma exagerada. Como se justifica, por exemplo, que a Ester tenha mais gostos na sua página do que muitas das melhores atletas do mundo? Ou que se façam títulos do estilo “Ester campeã nacional de Skyrunning” quando ela foi basicamente a única mulher a participar nessa prova? É marketing! Mas não posso ficar chateado por causa disso.


3. Eu não fico chateado por as marcas promoverem os seus atletas o melhor que podem. Eu fico fodido, isso sim, por ver atletas que não têm o destaque que merecem, como o Jérôme Rodrigues, o Ricardo Silva, o Nuno Silva (merecia muito mais!) e o meu xuxu Pedro Rodrigues. Cabe depois à comunicação social ter vergonha na cara e saber o que está a fazer.

20 SINAIS DE QUE ESTÁS VICIADO NO TRAIL [Actualização]

por Pedro Caprichoso, em 23.08.15

1. Cruzas-te com um(a) gaja boa / gajo bom nos trilhos e avalias-lhe primeiro os ténis e só depois o rabo.


2. Dás um trambolhão e a primeira coisa que fazes é parar o relógio. Só depois verificas se tens algum osso partido.


3. Já correste lesionado e agravaste a lesão.


4. No fim-de-semana deixas a tua cara-metade na cama e vais correr à chuva para o monte.


5. As pessoas à tua volta pedem-te, de joelhos, para não falares mais de quilómetros e desníveis positivos.


6. Vês um tipo na rua com um casaco da BERG e vem-te logo à cabeça o Carlos Sá.


7. Tens mais sapatilhas do que canais de TV.


8. Tens mais calçado para correr do que para andar no dia-a-dia.


9. 99% das fotos no teu facebook são de Trail, és membro de 79 grupos de corrida e metade dos teus amigos fazem Trail.


10. Marcas as férias e a esteticista em função das provas.


11. Fazes o truca-truca com a banda cardíaca ao peito. Eu faço.


12. Quanto estás aborrecido, o teu filho de 3 anos vem ter contigo com um par de sapatilhas nas mãos e grita: “Vai correr!”


13. Já foste apanhado, no trabalho, a ver TrailPorn.


14. És gaja e tens mais acessórios de Trail do que acessórios de moda.


15. És gaja e não falhas um treino, mesmo quando estás “naqueles dias”.


16. Quando te cruzas no Pingo-Doce com um tipo envergando uma t-shirt alusiva a uma prova de estrada, pensas para com os teus botões: «Fraquinho!»


17. Pior do que correr, já foste para o monte ver outros maluquinhos correr. Quiçá de madrugada. Quiçá à chuva.


18. Já sofreste de depressão pós-Ultra. O dia a seguir a uma Ultra é tramado.


19. Sabes quem são o Vitorino Coragem e o Homem da Marreta.


20. És fã do TopMáquina.

Desafio PROZIS

por Pedro Caprichoso, em 21.08.15

Premiado pela ATRP com o título de «Empresário do Ano», o Presidente do Viana Trail é mundialmente reconhecido como um dos melhores Empresários Desportivos do mundo. Arranjar patrocínios e comprar atletas por ‘tuta e meia’ é com ele. O que muitos desconhecem, contudo, é a sua vocação enquanto motivador e life coach.

 

O Mestre Alcobia tem um Mestrado em Psicologia Aplicada ao Trail pela Universidade de Chamonix e ninguém motiva melhor os seus atletas do que ele. Tomem como exemplo o email que nos foi reencaminhado por uma fonte anónima pertencente aos quadros da Prozis. Trata-se de uma candidatura realizada no âmbito da campanha lançada pela marca de nutrição desportiva no sentido de apoiar atletas na conquista dos seus desafios.

 

[Transcrição integral do email:]

 

Olá Prozis,

 

O meu desafio é simples: proponho-me dar um bigode ao José Faria no Grande Trail Serra d’Arga. O Faria é atleta do Viana-Trail e tem andado desmotivado. Andou a treinar descalço e à chuva no  escadório de Santa Luzia – e lesionou-se com gravidade no dedo mindinho da mão esquerda. Uma tragédia.

 

Para além da suplementação, vou precisar de duas gajas boas para o distraírem durante a prova. Elas terão ordens para se despirem à passagem do Faria e correrem atrás dele – o que não será difícil dado a forma em que ele se encontra. Este é o tipo de gajas que eu procuro:

 

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Eu peso, à vontade, mais 20kg do que ele – e se lhe ganhar, pode ser que ele finalmente ganhe vergonha na cara e comece a treinar como gente grande.

 

Tenho mesmo de lhe ganhar. A derrota não é opção. Pois se perder terei de envergar esta vestimenta durante a próxima época desportiva:

 

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 [Fim de email]

 

O próximo podes ser tu.

 

Basta escreveres para trailrunning@prozis.com e mostra a paixão pelo teu próximo desafio.

 

Até onde vais? Não interessa. Eles vão contigo!

TRIBE RUN

por Pedro Caprichoso, em 21.08.15

Recebi hoje um email de promoção da Tribe Run e vou ser sincero: não gostei. Não gosto quando uma Organização tenta minar o TopMáquina usando o humor como forma de atrair mais participantes. O humor no âmbito do Trail é marca registada do TopMáquina. Percebido?

 

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Tudo o que precisam de saber sobre o Tribe Run encontra-se resumido nos seguintes 9 pontos:

 

  1. Obstáculos criados especialmente para te proporcionar momentos de prazer.

 

  1. Existirão rampas de te levar à loucura.

 

  1. [Terá] lama mas não muita, para ninguém se sujar.

 

  1. Silvas que possivelmente podem picar.

 

  1. Por se tratar de um desafio, não existirão classificações.

 

  1. Todos mas todos serão vencedores.

 

  1. O ponto de partida será em Massamá.

 

  1. Faz as tuas pinturas de guerra e responde ao chamamento.

 

  1. Por cada inscrição será doado 1 euro à APADP (Associação de pais e amigos de deficientes profundos).

 

Descrição integral da prova aqui.

Rumo ao UTMB

por Pedro Caprichoso, em 19.08.15

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Muitos treinos, muito sofrimento, muitas lágrimas, muitas entorses, muitas assaduras, muitas diarreias, poucas quecas, muitas berlaitadas, dois divórcios e cinco meses sem ver os meus filhos. Tudo por um sonho: terminar o UTMB. O UTMB é o meu objectivo—e ninguém me vai impedir de alcançá-lo.

 

O sono comanda a vida. Dormir, correr, viver, vomitar, estourar bolhas e estar junto dos melhores atletas do mundo... nem que seja só à partida. Foram ânus, meses, dias... por 48 horas neste palco. Está a chegar o grande dia.

 

Sinto-me especial por ter sido escolhido para estar presente neste que é o Santuário de Fátima do Trail Mundial. É com muito orgulho que vou representar Portugal no UTMB. Obrigado Sr. Presidente da República Aníbal Cavaco Silva por me ter convocado. Prometo dar o meu melhor. Vou deixar a minha pele nos trilhos. Correrei inclusive nas partes planas, se for preciso.

 

As pessoas comuns vêem-nos como heróis, mas nós não somos heróis. Somos super-heróis. Apenas os super-heróis têm poderes—e o poder dos UltraRunners é correr sem parar, embora passemos a maior parte do tempo a caminhar.

 

O meu segredo? Identifico metas, defino objectivos, lavo os pés, peido-me na casa-de-banho e faço sexo com a luz apagada. A minha vida é isto. Às vezes até me esqueço de comer.

 

Sou o senhor do meu destino, o cinturão-preto da superação, o Presidente da Junta-de-Freguesia da resiliência. Quando acreditas em ti nada te pode parar, a não ser que sejas atropelado por um camião do lixo numa zona de transição. Confio cegamente nas minhas capacidades, menos naqueles dias em que fumo cannabis.

 

Adoro o Trail. Adoro a Montanha. Adoro subir ao topo da montanha, respirar fundo, comtemplar a paisagem, ver o pôr-do-sol e surpreender casais a pinocar no meio do monte. É isto que me faz viver.

 

Estou certo de que este é o caminho para alcançar o sucesso, a não ser que me perca e tenha de voltar atrás até encontrar uma fita. Não sei o que nos move. Penso que são os likes no facebook, mas não tenho a certeza.

 

#UTMB

#SUPERHEROES

#TÂNIA VANESSA – Terapia Manual e Orgasmo Garantido

‪#168KM

#PROZAC

#TESTOSTERONA

#EPO

#‎KEEPCALMANDWALK

+ 2 DICAS PARA SERES UM GRANDE ATLETA

por Pedro Caprichoso, em 19.08.15

A reboque do sucesso estrondoso das 10 Dicas Para Seres Um Grande Atleta, venho por este meio tornar o vosso dia mais alegre com a publicação de mais duas.

 

(…)

 

11. DAR A ENTENDER QUE SE FEZ UMA PROVA MAIS DIFÍCIL DO QUE AQUELA QUE SE FEZ NA REALIDADE

 

Todos conhecemos seres vivos da espécie humana que fizeram o OCC (50km) e dizem que fizeram o UTMB (168km); que fizeram o Trail Serra da Lousã (45km) e autodenominam-se finishers do UTAX (105km); ou que fizeram o TRAIL40 da Madeira (42km) e usam a abreviatura MIUT (115km) nas suas crónicas de corrida.

 

Os puristas do Trail Nacional não gostam. «Cada macaco no seu galho», gritam eles, enfurecidos e a espumar da boca. A meu ver, tal não passa de dor de cotovelo. Burros são eles que treinam que nem burros – lá está! – para terminarem uma prova com mais de 100km quando tal feito pode ser alcançado fazendo uma das distâncias mais curtas englobadas no mesmo evento. A isto chamo estupidez.

 

 

12. TATUAR OS LOGOTIPOS DAS PROVAS

 

Até tenho vergonha de não ter incluído este conselho na primeira edição de dicas. Tatuar os logotipos das provas mais emblemáticas nos membros inferiores é o caminho mais rápido para te transformares num grande atleta do Trail Nacional. Relembro que não tens mesmo de fazer as provas para tatuá-las no teu corpinho perfeito. Basta que sigas a dica indicada no ponto anterior.

 

P.S. Uma destas dicas é da autoria do VIP (Very Important Purista) Rui Pinho. Não digo qual.

MITOS DO TRAIL NACIONAL

por Pedro Caprichoso, em 18.08.15

Há uma série de mitos a circular nos seios do Trail Nacional – e está na hora de alguém os apalpar, perdão, desmascarar. Embora muitos já tenham sido cientificamente refutados, eles teimam em permanecer no nosso subconsciente colectivo. Eis alguns desses mitos que, simplesmente, não correspondem à verdade.

 

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  1. O Telmo Veloso e a Susana Simões são casados.

Falso. O Telmo e a Susana não são marido e mulher. Eles conheceram-se na primeira edição da Color Run e não passam de amigos coloridos.

 

 

  1. Treinar em jejum faz mal.

Mentira. Treinar em jejum faz bem. Faz emagrecer. Sobretudo se o treino for realizado depois das 6h da tarde.

 

 

  1. Jérôme Rodrigues tem o Speedy Gonzalez tatuado na coxa esquerda.

Errado. Não é o Speedy Gonzalez. É o rato Mickey com um chapéu de cowboy.

 

 

  1. O segredo da Analice é comer sopa de hortaliça ao pequeno-almoço.

Nem pensar. O segredo da Analice é outro. Chama-se doping. A atleta septuagenária já teve 3 controlos positivos, mas a ATRP abafou tudo. Uma vergonha.

 

 

  1. Não se deve fazer o truca-truca na véspera das provas.

Disparate! Este mito é um clássico. É claro que se pode. Aliás, deve-se. O ideal é fazê-lo meia-hora antes do tiro de partida. O truca-truca tem duas vantagens imediatas: relaxa os músculos e liberta a ‘carga’. Um tipo até parece que corre mais leve.

 

 

  1. Jorge Serrazina vai cortar o bigode quando fizer o Tor des Geants.

Incorrecto. Este mito é duas vezes falso. O Jorge já fez o Tor des Geants e não cortou o bigode como forma de celebrar o feito. Em vez disso, tatuou o logotipo da prova italiana abaixo do umbigo com a seguinte inscrição: “Estás na presença de um gigante!”

 

 

  1. O UTSF não faz parte do Circuito da ATRP porque o Moutinho não quer.

Podia ser, mas não é. Ninguém percebe por que razão o UTSF não faz parte do Circuito Nacional – e todos partem do princípio que o Mountinho está a marimbar-se para o Circuito da ATRP. De todo. Acontece que o UTSF distribui minis nos postos de abastecimento e tal viola o regulamento de álcool da ATRP. É essa a razão. Percebido?

 

 

  1. O Carlos Sá e o Armando Teixeira são grandes amigos.

Nada pode estar mais longe da verdade. A verdade é que o Carlos e o Armando não se podem ver. O último desentendimento entre os dois teve lugar num bar de Ermesinde. Testemunhas no bar afirmam que na origem da altercação esteve a disputa sobre qual é a prova mais dura do mundo: se o Tor Des Geants ou a Badwater. Armando defendia que é a Badwater; o Carlos que é a Tor De Geants.

 

 

  1. Misturar isotónico com gel causa diarreia.

Onde é que as pessoas vão buscar estas coisas? Misturar isotónico com gel causa flatulência. São coisas diferentes. Diarreia é cocó no estado líquido. Flatulência é cocó no estado gasoso. Este, porém, é um erro totalmente aceitável – pois é preciso um Mestrado em Química distinguir as duas coisas.

 

 

  1. O Autor deste blogue trabalha nas Produções Fictícias e namora com a Analice.

Deixem-me rir! Eu não trabalho nas Produções Fictícias.

 

 

  1. Calções de compressão melhoram o rendimento.

Depende. Melhoram o rendimento desportivo, mas prejudicam o rendimento sexual. O escroto é o saco de pele que abriga a tomateira e a mantém 3°C abaixo da temperatura do corpo (37°C). Se o tempo estiver frio, o escroto contrai-se e traz a tomateira para perto do corpo. Se estiver quente, mantem a tomateira afastada do corpo. Tudo para que a tomateira permaneça a 34°C com vista à produção óptima de espermatozóides. Acontece que a compressão impede que a tomateira se afaste do corpo, assando-a. Só mais uma vez: tomateira.

 

 

  1. Cãibra indica falta de potássio e a banana previne a sua ocorrência.

No fucking way! Cãibra indica falta de treino – e ocorre que tu és um banana por acreditares que a banana previne as cãibras.

 

 

  1. Correr deforma os seios das mulheres, especialmente se forem muito volumosos.

Santa ignorância! A corrida não deforma a mulher. Deforma o homem. Especialmente se o homem correr na companhia de mulheres com seios muito volumosos.

TÉCNICA DE DEPILAÇÃO REVOLUCIONÁRIA FAZ GANHAR 2SEG / KM

por Pedro Caprichoso, em 13.08.15

Vou entrar a pés juntos: se vieram aqui na esperança de que convosco partilharei uma técnica depilatória revolucionária que vos fará ganhar 2 segundos por quilómetro, podem tirar o cavalinho da chuva. Não sei onde é que vocês foram buscar essa ideia.

 

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Tens orgulho da tua farfalheira e estás a pensar depilá-la com vista a melhorar a tua performance desportiva? Não o faças. Não vale a pena. A depilação não melhora a performance no âmbito da corrida. Dou-vos 4 exemplos: Nuno Silva, André Rodrigues, Luís Duarte e Rui Pinho. São todos grandes atletas e nenhum faz a depilação. Como é que sei? Olha, porque sou apreciador de pernas masculinas. Não posso? É proibido? Não? Então metam-se na vossa vidinha e deixem os meus fetiches em paz. Avaliei ao vivo as pernas do Nuno (8/10) e do Luís (9/10). Quanto às do André e do Rui, tive o privilégio de lhes passar a mão: as do André evocam um esfregão de palha-de-aço e as do Rui um saco de sarapilheira.

 

A depilação faz sentido na natação (ganhos aerodinâmicos), no ciclismo (minimiza o risco de infecção no caso de queda) e no culturismo (facilita a injecção de anabolizantes nas veias). Já na corrida, não faz qualquer sentido. Os ganhos da depilação na corrida são marginais, pelo que só há uma justificação para um Trail Runner fazer a depilação: para ficar mais bonito. O motivo é estético. Vaidade. Nada mais.

 

Tendo em conta que é tudo uma questão de abichanamento, tens a certeza que ainda assim queres entrar no mundo pervertido da depilação masculina? Se sim, o melhor conselho que te posso dar é este: não dês ouvidos às mulheres. Elas vão garantir-te que a cera é o melhor método de depilação. É falso.

 

A cera apresenta algumas particularidades que aqui importa desmistificar:

 

  • A cera é mais dispendiosa que os demais métodos de depilação.
  • É uma carga de trabalhos: aquece cera, espalha cera, põe banda, tira banda, espalha cera, põe banda, tira banda, espalha cera, põe banda, tira banda...
  • Magoa que se farta. Sei por esperiência própria. Aqui há tempos fiz uma depilação à brasileira e a coisa não correu lá muito bem. A cicatriz de dois centímetros que tenho no meu tomatinho esquerdo está lá para contar a história;
  • Para o mulherio a depilação constitui um complexo ritual social, não tanto pelo aspecto prático (devido à maior ou menor dificuldade em alcançar certas zonas da anatomia) mas mais pelo apoio moral inerente ao ponto anterior: «Isto não vai doer nada! Vá, todas ao mesmo tempo. Vou contar até três e depois puxamos as bandas ao mesmo tempo. Um, dois…» Para os homens esta socialização é porém irrelevante. Homem que é homem não se depila à frente de outros homens. Homem que é homem depila-se com a Gillette da barba às escondidas da mulher.

 

Esqueçam por isso a cera e depilem-se como eu: com lama dos Abutres e carqueja da Freita. Primeiro a lama (para lubrificar) e depois a carqueja (para esfoliar). À macho.

10 DICAS PARA SERES UM GRANDE ATLETA

por Pedro Caprichoso, em 10.08.15

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Não és superdotado fisicamente e não gostas de treinar? Não faz mal. Isso de treinar a sério e dar o litro nas provas é coisa do passado. Hoje, na era das redes sociais, para ser um grande atleta são necessárias outras competências. Mais do que ser, o que conta é parecer. O que importa, verdadeiramente, é parecer um grande atleta.

 

 

1. PUBLICAR TODOS OS TREINOS NO FACEBOOK

 

O treino rende mais se publicarmos todos os nossos treinos no facebook? Não. Mas isso também não interessa. O que interessa é dar a entender que treinamos muito. Ênfase na quantidade. Nesse sentido, há duas estratégias indispensáveis para aumentar a nossa quilometragem semanal: (1) atarraxar o relógio GPS à bicicleta e publicar o treino de ciclismo como se fosse de corrida; (2) conduzir até ao topo do monte mais próximo, sair do carro, molhar a cara, fazer pose de campeão, tirar uma selfie, publicá-la no facebook e conduzir de volta a casa.

 

 

2. PROTELAR A CRÓNICA DA PROVA

 

O ruído nas redes sociais é ensurdecedor nos dias a seguir à prova, já que a maioria dos atletas publicam as suas crónicas mal rebentam as bolhas do rêgo do cu. De maneira a que a vossa crónica tenha mais impacto, o melhor é deixar assentar a poeira e protelar a sua publicação. Uma semana parece-me razoável. Deixem passar uma semana e, então, terás o destaque merecido.

 

 

3. ESCOLHER AS PROVAS MAIS FÁCEIS

 

Elevar o nosso estatuto de atleta passa por competir em provas de segunda linha. Nestas provas encontramos menos concorrência e a probabilidade de fazermos uma boa classificação aumenta exponencialmente. O ideal é participar nas primeiras edições de provas que se disputem no mesmo dia de provas consagradas. Participem numa prova disputada no mesmo fim-de-semana do Grande Trail Serra de Arga e entrarão no Top10 sem qualquer dificuldade.

 

 

4. PEDINCHAR PATROCINIOS

 

Não tenham vergonha. Liguem para as marcas e façam um choradinho. Podem conseguir um par de ténis da Adipas, uns calções pele-de-cona-de-andorinha, uma sacada de géis com extracto de pau-de-cabinda ou apenas um bidon de vaselina. Não interessa. Tudo o que vier à rede é peixe. Não acreditam nos produtos? Não interessa. Dêem-nos aos vossos amigos. O que interessa é agarrarem todos os patrocínios que conseguirem. Quantos mais, melhor. O meu lema é: atleta patrocinado, atleta valorizado.

 

 

5. ENCHER O FACEBOOK COM PUB

 

Uma vez conquistados os patrocínios indicados no ponto anterior, há que promovê-los nas redes sociais. Gosto particularmente dos atletas cujas publicações vêm sempre acompanhadas por algum tipo de product placement. Olhem para ele, de férias, no Algarve, deitado na espreguiçadeira com um bidon de isostar ao lado. Todos sabemos que atrás do bidon está um cocktail de rum com laranja e coca-cola, mas não faz mal. Não esquecer os cardinais: usem e abusem dos cardinais. É para isso que eles servem.

#sopadamama

#meiadaraquete

#adipas

 

 

6. ENFAIXAR-SE COM BANDAS NEUROMUSCULARES

 

Comprem 10 rolos de fita neuromuscular e enrolem-se nela em dias de prova. O objectivo é cobrir a maior área possível do vosso corpo e transformarem-se numa múmia. Quanto mais coloridas as bandas, melhor. Se não tiverem dinheiro para comprar as bandas, usem fita-cola isolante. O efeito é o mesmo.

 

 

7. COLOCAR O NOME NO EQUIPAMENTO

 

Ter o equipamento personalizado com o vosso nome dá logo outra imagem. É de profissionalismo que falamos. Se der para adicionar o grupo sanguíneo como fazem os pilotos de rally, melhor ainda.

 

 

8. PUBLICAR LESÕES

 

Os grandes atletas andam sempre lesionados. Estudos indicam que a foto de uma entorse equivale, no facebook, a pelo menos 100 likes. Se estiver roxa, são mais 50. Se tiveres dificuldade em te lesionar, não desesperes. Faz assim: veste uma camisola do Benfica por baixo do casaco, vai às compras ao mercado do bulhão e depois tira o casaco. Nada mais fácil.

 

 

9. CRIAR PÁGINA DE ATLETA

 

Atleta que é atleta tem página de atleta. Não corres um peido? Melhor ainda. Pois assim as pessoas ficam a saber que és atleta – coisa que até aí desconheciam. Trabalho é trabalho, conhaque é conhaque, cafuné é cafuné e fasceíte plantar é fasceíte plantar. Convém separar as coisas. Temos, portanto, o Zé Povinho–Pessoa e o Zé Povinho–Atleta. Num dia são pessoas; no outro são atletas – e assim é que deve ser.

 

 

10. CRIAR UM BLOGUE

 

Tomem como exemplo este pardieiro. Não preciso de dizer mais nada, pois não?

Abolição do Pódio Sénior

por Pedro Caprichoso, em 06.08.15

Vamos direitos ao assunto: Que sentido faz um atleta Sénior (<40 anos) fazer referência à sua classificação enquanto Sénior?

 

«Fiquei em 34.º Geral / 20.º Sénior», publica o Zé Povinho—Atleta no facebook. Parabéns. És o maior. Quero lá saber em posição é que tu ficaste no escalão Sénior. Um atleta Sénior tem obrigação de ficar à frente dos veteranos, pelo que a posição à Geral é a única coisa que interessa.

 

Sabem o que eu penso quando um tipo anuncia, no facebook, que ficou em 34.º à Geral e 20.º no escalão Sénior? Não penso: Eh pá, este tipo é mesmo bom, pois ficou no Top20 do seu escalão. Penso: Eh pá, este tipo é mesmo fraquinho, pois ficaram 14 velhos à frente dele.

 

Qual é a diferença entre isto e a interpretação desvairada do Governo em relação aos números do desemprego? Interpretar os resultados a nosso favor fica mal. Não é bonito. No fundo, tudo não passa de uma tentativa frustrada de transformar um mau resultado num bom resultado.

 

Como todos sabemos, para além da idade, o signo astrológico é o factor que mais influência a performance desportiva de um atleta. Portanto, não me surpreendia nada se amanhã der de caras com a seguinte aberração:

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Vou mais longe: o pódio para o escalão Sénior devia ser abolido. Fica a pergunta: num pódio Sénior estamos a celebrar exactamente o quê?

 

Vejam as coisas nesta perspectiva: na luta pela Geral, os atletas veteranos partem em desvantagem (por causa da idade) e faz sentido que sejam recompensados com uma cerimónia de pódio. Tal não se aplica aos atletas Séniores, já que estes partem em vantagem em relação a todos os outros. Acontece que depois vemos coisas absurdas como atletas a subirem 2 vezes ao pódio (na Geral e no Escalão Sénior) e atletas, que ficam em 7.º ou 8.º na Geral, e são recompensados (com uma ida ao pódio no Escalão Sénior) embora tenham ficado atrás de 4 ou 5 atletas veteranos. Faz sentido, isto?

Rescaldo do UTNLO

por Pedro Caprichoso, em 04.08.15

Xixi, cocó, duche, berlaitada, porco no espeto, carro, banana, um Pai-Nosso, duas Avé-Marias e boleia no foguete do Viana-Trail. Assim começou o meu Sábado, não necessariamente por esta ordem.

 

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Apanhei boleia no autocarro da minha futura equipa e fiquei surpreendido com o ambiente que encontrei. As vedetas da equipa vianense partilharam experiências para facilitar a minha integração no grupo – e foi muito gratificante ouvir histórias bonitas de entreajuda e superação, como daquela vez em que o Jérôme foi atacado por um Lince Ibérico no Gêres enquanto arreava o calhau – o Jérôme, não o Lince. O Ricardo e o Faria passaram a viagem a cantar ao desafio e a mamar do garrafão do vinho: enquanto um cantava, o outro mamava. O Saleiro conduzia o pão-de-forma, o Rocha enfardava rissóis directamente do Tupperware, a Iva e o Pedra jogavam à sardinha, o Amândio automotivava-se falando sozinho, a Sónia fazia um gorro em malha para o Jérôme – muito frio apanha aquela careca – e os restantes mostravam o rabo aos transeuntes. Sinto a mística do Viana-Trail a apoderar-se de mim como uma doença contagiosa. Só não gostei da segregação de género imposta pelo Presidente, com as mulheres na parte da frente do autocarro e os homens escorraçados para a parte de trás. “Temos de poupar energia para a prova”, dizia ele. Ao menos deu o exemplo, já que a sua cara-metade fez a viagem toda na bagageira.

 

Uma vez em Óbidos, tirámos uma foto em grupo na barraca da Prozis. Só espero que a Sopa da Mamã não me retire o patrocínio por causa desta brincadeira. Levantámos depois os dorsais, jantámos tranquilos apesar da companhia do Capela e do Pinho, regressámos ao autocarro e ainda faltava uma hora para o tiro de partida quando nos começámos a equipar. A etiqueta dá preferência às mulheres, mas desta vez foram os homens que se equiparam primeiro. Para deleite de um grupo de idosas, cujo autocarro se encontrava estacionado ao lado do nosso, as velhas babavam-se violentamente (embaciando os vidros da viatura) e fartavam-se de tirar fotografias. O Faria, como seria de esperar, ainda lhes conseguiu sacar três números de telefone. Sem surpresa, eram números fixos.

 

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Há 2 tipos de pessoas a evitar nas partidas: (1) os velhos que ainda pensam que são novos e (2) os atletas de ginásio artilhados com tecnologia-de-ponta dos dedos dos pés à ponta dos cabelos. Estas duas espécies de gente fazem de tudo para partir à frente dos outros: cagaram de alto para o briefing do mestre Serrazina, empurraram-se, acotovelaram-se e logo se arrebanharam nas escadas de acesso ao local da partida. E para quê? Será que acreditam, mesmo, que são os 10 segundos que ganham no arranque que farão a diferença? Ou será que é só mesmo para aparecer na fotografia? Se este for o caso, é uma pena, pois os que fazem questão de partir à frente são justamente os mais feios – e as fotografias ficam estragadas.

 

Fernanda Verde foi atacada por um exibicionista à passagem pela Lagoa. O energúmeno baixou as calças à passagem da vencedora do UTNLO, insultou-a e exibiu-lhe o instrumento. A atleta do Desnível Positivo afirmou aos microfones do TopMáquina que “Era noite, ia sozinha e fiquei muito assustada quando lhe vi a pila.” A Fernanda que me desculpe, mas eu não acredito nela. Não acredito que ela lhe viu a pila porque todos sabemos que este tipo de energúmenos têm uma pila muito pequenina. Com estes tipos funciona a lei da compensação: muita bazofia e uma pilinha muito pequenininha. De dia e com uma lupa ainda “vá lá que não vá". Agora, de noite? Não acredito.

 

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Alguns atletas foram barrados no abastecimento dos 39km por lá terem chegado fora do tempo limite estipulado pela Organização. Ser-se barrado costuma implicar a desclassificação. Não em Óbidos. Barrado em Óbidos implica ser-se barrado com chocolate e sofrer a humilhação de ir nessa triste figura até à meta. O chocolate utilizado foi o que sobrou do 13.º Festival Internacional de Chocolate de Óbidos, realizado no passado dia 16 de Abril.

 

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Os sortudos que bateram o limite de tempo (e chegaram limpinhos ao Castelo) não se ficaram porém a rir. Na subida para o Castelo foram todos brindados com um fosso de merda. Testemunhas oculares afirmam que o Délio Ferreira mergulhou de cabeça no fosso e perdeu o terceiro lugar em resultado da queda. O atleta que com ele estava a disputar o pódio ganhou forças sobre-humanas e fugiu dele só para não levar com o cheiro.

 

Muitos facebookianos queixaram-se que Óbidos não era ao jeito deles porque era uma prova muito rolante. É a primeira vez que ouço atletas queixarem-se por uma prova ser mais fácil do que eles pensavam. Tenho a impressão de que estes queixosos são os mesmos queixosos que se queixam das provas muito técnicas e com muito desnível – porque do que eles gostam mesmo é de correr. O problema não está nas provas; está na cultura do queixume.

 

Citado pela Eurosport, Ricardo Silva afirmou que “Estas provas para o Hélder são como limpar o rabinho a um bebé”. Ó Ricardo, desculpa lá, mas esta metáfora é estúpida. Mas quem disse que é fácil limpar o rabo a um bebé? Não estou a ver muitos homens a dizerem: “Maria, vai tu levar o lixo enquanto eu limpo o rabinho à Tânia Marisa”. O Ricardo é um grande atleta, mas é muito fraquinho a empregar figuras de estilo.

 

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[Continuando na temática do rabinho:] Como é do conhecimento público, fiquei com o rabinho assado no UTNLO. Já sei o que vocês estão a pensar: o exibicionista apanhou-te na Lagoa e esgaçou-te o rabinho todo. Não, foi mesmo caganeira. Das antigas. De esguicho. O Rocha viu-me a defecar e pode confirmar. Nesse sentido, venho por este meio solicitar o vosso input: qual dos seguintes produtos vos parece o mais indicado para reparar os danos sofridos pelo meu rabinho?

 

a) Halibut (a escolha clássica)

b) Tabasco (dizem que o picante desinfecta, não é?)

c) Ice Power (ao menos refresca)

d) Maionese (yammi!)

e) Folhas de Eucalipto prensadas (é mais suave que o Ice Power e também refresca)

Elogio aos que vivem sem medo

por Pedro Caprichoso, em 02.08.15

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Não conhecia o João Marinho. Devo ter-me cruzado com ele um par de vezes – não mais do que isso – e sempre no âmbito do Trail. Não posso, por isso, falar dele enquanto pessoa. Posso, no entanto, por aquilo que é público, falar do seu estilo de vida.

 

O João era um apaixonado pela vida e, sobretudo, um apaixonado pela natureza. O João era um daqueles tipos que não se contenta por menos do que o máximo que a vida tem para nos oferecer. O João quis viver a sua vida ao máximo – isto é, sem medo – e viveu-a. Isto não é pouco. É muito. É tudo. Viver a vida sem medo é tudo a que nós podemos aspirar.

A morte é o único tabu que nos resta – e as pessoas encaram hoje a vida como se fossem viver para sempre. Daí a actual obsessão pela saúde associada à dieta, à estética e a um estilo de vida saudável. Estas pessoas esquecem-se do mais importante: de viver a vida sem medo. O João viveu a sua vida sem medo. Que é o mesmo que dizer: livre.

 

Claro que há o reverso da medalha, pois viver a vida sem medo implica correr riscos. Viver com "moderação" é, pois, o caminho mais sensato para quem deseja viver muitos e longos anos. Mas onde está o prazer de viver com moderação? Será que a qualidade de vida não é mais importante do que a quantidade de vida? O que é preferível? Viver sem medo durante 31 anos ou viver com moderação e morrer de tédio aos 92?

 

O grande drama da sociedade moderna é confundir conforto com qualidade de vida – e achar que o conforto é o caminho mais rápido para a felicidade. A verdade é que a nossa felicidade começa, justamente, fora da nossa zona de conforto. O João sabia isto – e por isso foi para a Montanha.

Antevisão do UTNLO

por Pedro Caprichoso, em 30.07.15

Aqui fica a minha brilhante crónica do UTNLO 2014 [52km, 1200m D+, 25.000.000.000.000 m3 de Areia] para que os estreantes tenham consciência do que os espera em Óbidos:

 

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21h00. Partida! Loucura. 4:00/km? Subida. Descida. Trambolhão. Fractura? Não. Siga. Areia. Pinhal. Escuridão. Mar. Escarpas. Dunas. Gambozinos. Palete? Lagoa. Xixizinho. Dobragens. Canavial. Anaconda? Subida. Escadas. Descida. Cordas. Fossa. Subida. Escada. Castelo. Meta! 02h15. Sopinha. Melancia. Coca-cola. Banana. Isotónico. Isobárico. Isotérmico. Pés? Destruídos. Descalçar. Areia. Limpar. Lavar. Enxaguar. 03h00. Carro. Auto-estrada. Água. PowerBar. Água. PowerBar. Água. PowerBar. Água. 5:00 AM. Casa. Banho. Areia. Halibut. Cama. Dormir. 11:00 AM. Acordar. Areia?

ALERTA À POPULAÇÃO

por Pedro Caprichoso, em 29.07.15

A ATRP emitiu um mandato de captura às três delinquentes que, no passado fim-de-semana, andaram a destruir painéis informativos na Serra da Lousã. Pede-se a todas as pessoas que tenham informações sobre este acto de vandalismo para entrarem imediatamente em contacto com a ATRP. Não se deixem enganar pela sua beleza: as três bandidas encontram-se a monte e são extremamente perigosas. A recompensa por informações válidas foi fixada em €100.000. Por favor partilhem esta mensagem.

 

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Ensaio sobre o Minimalismo

por Pedro Caprichoso, em 28.07.15

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A epidemia das lesões começou em finais dos anos 70, inícios dos anos 80, com a invenção do actual calçado de corrida: pesado, cheio de amortecimento e com um desnível acentuado entre o calcanhar e os dedos (doravante designado por drop).

 

A indústria do calçado é movida pela novidade – com o lançamento de 2 colecções por ano – e a novidade em finais dos anos 70 passou pela introdução da ideia peregrina de que correr não é natural e provoca lesões – e que a solução passaria por usar calçado corrector. O calçado corrector propunha corrigir a passada (através da introdução de inúmeros sistemas que restringem os movimentos naturais do pé) e proteger o pé do impacto ao nível do calcanhar (através da introdução de uma sola desnivelada e cheia de amortecimento). Pelo que o calçado aumentou de peso em igual medida.

 

Até se inventaram termos como “supinador” e “pronador”. Tais fenómenos não existem. São sobrenaturais, mitologicos e, em certo sentido, escatológicos. Não existem no sentido em que as pessoas não são naturalmente pronadoras ou supinadoras. A supinação e a pronação são resultado, justamente, da utilização de calçado muito pesado e com muito amortecimento (i.e. de calçado que restringe o movimento natural do pé). Ou vocês acham, mesmo, que o membro de uma tribo do Amazonas, que sempre correu descalço, sofre de supinação ou pronação? É justamente o calçado que provoca a supinação e a pronação. Neste caso, meus amigos, a cura é a doença.

 

O pé humano evoluiu descalço ao longo de milhares de anos – e é um erro crasso restringir os seus movimentos.

 

  • O pé descalço não inicia os apoios pelo calcanhar, mas pela zona do metatarso – a mesma zona onde os ciclistas encaixam nos pedais. Já agora, imaginem a tortura que seria pedalar com os calcanhares.
  • O pé descalço não precisa de amortecimento. O amortecimento é providenciado pelos tendões e meniscos. É para isso que eles servem.
  • O pé descalço não precisa de amortecimento, mas de protecção. São coisas diferentes.

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O ténis clássico de corrida é minimalista. Olhem para os ténis com que a Rosa Mota ganhou os Jogos Olímpicos e confirmem. Acontece que a indústria modificou o ténis clássico (aumentando o seu peso, amortecimento e drop) com o argumento de que tal minimizaria o risco de lesão – quando as lesões, na realidade, ocorrem justamente em resultado da utilização desse tipo de tamancos. No fundo, é o mesmo que dizerem a um obeso que a solução para o seu problema é comer mais.

 

O CALÇADO IDEAL

 

O melhor calçado é aquele que deixa o pé trabalhar da forma o mais natural possível (i.e. o mais próximo do correr descalço) ao mesmo tempo que o protege do terreno. Posto isto, são 4 as características que definem um bom par de sapatilhas: leveza, flexibilidade, drop reduzido e protecção suficiente.

 

O livro “Born to Run” diz-nos que o ser humano é feito para correr. Sim, é feito para correr, mas para correr em terreno plano. Os nossos antepassados caçaram durante milhares de anos correndo descalços na savana, pelo que os nossos membros inferiores adaptaram-se à corrida em plano. Alguns ajustes têm por isso de ser feitos no que diz respeito ao Trail.

 

Em estrada e terreno plano, o ideal é correr com ténis o mais minimalistas possível – extremamente leves e, se possível, zero drop – pois isso é o mais próximo do correr descalço. No Trail, porém, devido ao desnível e piso irregular, faz todo o sentido correr com mais protecção e algum drop. Algum mas não muito: o ideal, no meu caso, é entre 3 – 6mm. Os meus ténis de eleição, neste momento, são os Inov-8 212 X-Talon: 212gr e 6mm de drop. De referir que a maioria dos ténis actuais têm mais do que 10mm de drop – o que, para mim, neste momento, é o equivalente a andar de altos altos.

 

A necessidade de maior protecção no Trail parece-me evidente. Quanto ao drop, este é vantajoso sobretudo nas subidas. Zero drop obriga a um maior esforço muscular, nomeadamente ao nível dos gémeos e tendão de Aquiles. O calcanhar encontra-se numa posição mais elevada com 6mm de drop do que com zero drop, pelo que o esforço em subida é menor. No fundo, é como se o terreno fosse menos inclinado quando corremos com ténis com mais drop. O problema é que o aumento de drop implica aumento de peso e isso restringe o movimento natural do pé, sendo necessário encontrar o equilíbrio que mais nos convém. Por isso é que nem mesmo o Krupicka usa ténis zero drop – os que ele usa actualmente têm 4mm – e o Kilian tem vindo a "forçar" a Salomon a fazer ténis cada vez mais minimalistas. Os ténis que o Kilian usa são neutros, muito leves e com apenas 4mm de drop.

 

Independentemente da marca, os predicados de um bom par de ténis são:

 

  • Flexibilidade: a sola deve ser de borracha e não pode ter nenhum tipo de sistema de controlo na sola. Tem de ser flexível o suficiente de maneira a que a sua ponta toque no calcanhar;
  • Baixo perfil: no meu caso, tudo para cima de 6 mm é como correr de saltos altos;
  • Leveza: o calçado deve ser o mais leve possível;
  • Protecção suficiente: apenas o suficiente para proteger o pé do terreno.

 

TRANSIÇÃO PARA CALÇADO MINIMALISTA

 

A passada muda naturalmente quando corremos descalços porque o corpo tende a proteger-se do choque (e da dor). Isto observa-se facilmente quando uma pessoa tenta iniciar os apoios pelo calcanhar correndo descalço: o corpo ajusta-se automaticamente de maneira a corrigir a passada: endireita-se, a amplitude da passada diminui, a sua frequência aumenta e os apoios passam a iniciar-se pelo metatarso (por oposição ao calcanhar).

 

A transição para calçado minimalista pressupõe um período de adaptação para permitir que os músculos se adaptem ao esforço (suplementar) que lhes é exigido. Correr descalço “puxa” mais pelos músculos, já que estes encontram-se “atrofiados” devido à utilização de calçado que restringe os movimentos naturais do pé. O mesmo acontece quando não fazemos abdominais há algum tempo e, depois, quando voltamos a fazê-los, ficamos todos empenados. Por isso se nota um aumento significativo da massa muscular quando se começa a correr com ténis minimalistas: os músculos deixam de estar “atrofiados”, libertam-se e desenvolvem-se.

 

A diferença (entre correr descalço e com ténis minimalistas) é que com ténis minimalistas a passada não muda do dia para a noite. Isto observa-se em atletas de estrada –que treinam durante a semana com ténis normais e, depois, nas provas, usam ténis de competição minimalistas – uma vez que a "má" passada persiste nas provas. Nas provas, os atletas encaram a dor como algo natural e resistem à tendência do corpo para se proteger – o que passa pela redução da amplitude da passada para evitar que os apoios se iniciem pelo calcanhar.

 

Pior do que correr mal com ténis “normais”, é correr mal com ténis minimalistas. A transição tem por isso de ser gradual de maneira a diminuir o risco da ocorrência de lesões. Uma vez que os ténis “normais” têm 10 mm ou mais de drop, o mais sensato é começar a transição com uns ténis com 5-6 mm de desnível (exemplo: Asics Fuji-Racer) e depois evoluir, gradualmente, até ao zero drop ou perto disso.

 

No entanto, se não for possível fazer a transição de forma gradual – já que isso implica, por exemplo, a compra de muitos pares de ténis –, recomendo que os primeiros treinos sejam lentos e realizados em terreno plano.

 

  • De forma lenta porque com ténis minimalistas há a tendência de correr mais depressa dada a leveza dos mesmos – e é muito difícil resistir a essa tentação;
  • Em terreno plano porque correr em terreno acidentado vai obrigar os músculos (sobretudo o tendão de Aquiles e os gémeos) a um esforço a que não estão habituados – e, no dia seguinte, as dores vão ser para cima de muitas.

 

Quanto ao resto, o mais importante é mesmo ouvir o nosso corpo e resistir à tentação de querer fazer as coisas muito depressa. O vosso corpo vai “falar” convosco: é perfeitamente natural sentir algumas dores no início, sobretudo ao nível do Aquiles e dos gémeos – e, nesse caso, há que descansar e recuperar antes de voltar aos treinos. Treinar dorido nunca é boa ideia.

I am Ultra

por Pedro Caprichoso, em 27.07.15

«Um ateu, um vegan e um ultramaratonista entram num bar. Como é que sabemos que eles entraram no bar? Porque fizeram questão de dizê-lo a toda a gente.»

 

Li esta anedota no outro dia e escangalhei-me a rir. Importa referir que, para além de Ultra, também sou ateu e simpatizante da causa vegan. Carne, comigo, só ao fim-de-semana. Durante a semana de trabalho faço voto de castidade.

 

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Os Ultras adoram dizer a toda a gente que são Ultras, como se o simples facto de serem Ultras fosse um feito de outro mundo. Tu corres? Que bom para ti. Parabéns. A verdade verdadinha é que qualquer um, com o mínimo de preparação, consegue fazer uma Ultra. Tudo depende do ritmo.

 

Um Ultra não tem mais mérito do que um corredor de 10km só porque é Ultra. Há gente que corre depressa e há gente que corre devagar – esta é a única diferença. Para mim tem mais mérito um atleta que faça 10km em 35min do que um Ultra que faça, por exemplo, o próximo UTNLO em 8horas. O problema está em partir do princípio de que um Ultra tem mais mérito porque sofre mais. É falso. Um Ultra até pode sofrer mais nas provas, mas não sofre mais no treino. Quem pensa que o treino específico das distâncias clássicas (5.000, 10.000, Meia-Maratonas e Maratonas) é pêra-doce, é porque nunca o fez.

 

Verdade seja dita: os Ultras são arrogantes. A arrogância é consequência da corrida de longa distância devido à falta de cultura desportiva do nosso país. Os Portugueses só percebem de Futebol – e mal. O Zé—Povinho fica impressionado quando alguém lhe diz que fez uma Maratona – e os Ultras aproveitam-se disso para se motivarem. Os Ultras alimentam-se da admiração dos outros. Sabemos que fazer uma Maratona não é nada de especial, mas os louvores que recebemos não são piores por isso. À superfície somos humildes, mas no fundo somos cagões. Vivemos para os aplausos.

 

Quando estiverem a falar com um Ultra de pelotão, repararem na tendência que ele tem para desviar qualquer assunto no sentido da corrida – essa é, aliás, a principal função deste pardieiro. Pode ser de forma muito discreta, mas o assunto vai parar invariavelmente ao treino, às lesões, àquela prova ou àquele par de ténis novos que…

Glossário do Trail Running

por Pedro Caprichoso, em 23.07.15

Dada a importância da comunicação no mundo actual, os novatos no mundo do Trail Running podem encontrar em baixo a tradução de algumas das expressões mais utilizadas no âmbito do nosso desporto. O TopMáquina faz serviço púbico (sic).

 

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«És uma máquina»

Tradução: És melhor do que eu.

 

«Sou finisher»

Tradução: Cheguei ao fim com o dobro do tempo do vencedor.

 

«Estou todo empenado»

Tradução: Não consigo pôr-me de cócoras e cagar à caçador. Para além disso, tenho dores das unhas dos pés à ponta dos cabelos.

 

«Estou todo assado»

Tradução: Tenho o rêgo do cu em ferida, as virilhas em carne viva e os tomatinhos chamuscados.

 

«Levei com a marreta»

Tradução: Estava a sentir-me nas nuvens e, de repente, perdi todas as minhas forças. Fui do céu ao inferno num estalar de dedos. Transformei-me num zombie.

 

«Vou fazer a prova em ritmo de treino»

Tradução: Não tenho pernas para fazer um bom resultado, por isso finjo que vou fazer um treino rápido.

 

«Tive problemas ao nível do aparelho gastrointestinal»

Tradução: Caguei-me todo!

 

«Não gosto de provas muito técnicas»

Tradução: Tenho medo de cair nas descidas e rachar os cornos contra um eucalipto.

 

«Não gosto de inventar desculpas, mas…»

Tradução: Sou um génio na arte de inventar desculpas.

 

«Faço provas só para me divertir.»

Tradução: Não tenho pernas para lutar por uma boa classificação.

 

«Para mim os resultados não contam.»

Tradução: Não tenho pernas para lutar por uma boa classificação.

 

«Obrigado a todos os que me apoiam.»

Tradução: Obrigado, docinho, por tomares conta da Tânia Vanessa enquanto eu vou correr; e por teres o jantar pronto quando eu chego do treino.

 

«Never give up!»

Tradução: Eu nunca desisto… a não ser que me aconteça algo que me impeça de acabar a prova.

 

«Não tenho treinado nada.»

Tradução: Tenho treinado mas não tenho pernas para lutar por uma boa classificação.

 

«Treino no limite, tenho cuidado com a alimentação e levo o descanso muito a sério.»

Tradução: Corro quando me apetece, como batatas fritas de pacote e adormeço no sofá enquanto a minha mulher vê a Anatomia de Grey.

 

«Doem-me as mamas a correr.»

Tradução: O período não é uma doença, mas é uma excelente desculpa para não treinar.

 

«Estou sem motivação para treinar.»

Tradução: Corro porque está na moda e não tenho paixão pela corrida. Se tivesse paixão, não precisava de motivação.

Vendo o meu rabinho por 2 tostões

por Pedro Caprichoso, em 22.07.15

O pretensos donos da moralidade e dos bons costumes do Trail Nacional precisam de ouvir o seguinte: não nos podemos queixar que o Trail Running não tem apoios e depois dizer que os atletas são uns vendidos por se associarem às marcas. Podemos criticar os atletas por promoverem produtos em que não acreditam, mas não podemos criticá-los por aceitarem os apoios de que tanto necessitam.

 

Posto isto, venho por este meio pôr o meu rabinho à venda por 2 tostões. No entanto, ao contrário dos outros, não são as marcas que vêm ter comigo. Sou eu que vou ter com as marcas. Nesse sentido, são estas as marcas a quem eu darei a honra de me patrocinarem na próxima época desportiva.

 

EQUIPAMENTO: INOV-8

 

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Peço desculpa à Adipas, mas vou trocar de patrocinador. Não há nada melhor do que INOV-8. Eu era um autêntico nabo a descer: mais lento que o Telmo Veloso, como se tal fosse possível. Mas as inov-8 agarram a tudo e dão-me uma confiança incrível nas descidas, ao ponto de conseguir acompanhar o Pedro Marques. Estou rendido. Percebo que sejam caras e possam não ser as mais indicadas para o pessoal mais pesado, mas para pessoal mais leve e de passada forefoot são o ideal.

 

DESLOCAÇÕES / ALOJAMENTO: Marchi Mobile

 

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A eleMMent Palazzo, construída pela empresa austríaca Marchi Mobile, é a autocaravana mais luxuosa e mais cara do mundo: 2,17 milhões de euros. Tem 12 metros de comprimento, pesa cerca de 20 toneladas e, fruto de uma aerodinâmica apurada, é capaz de atingir 155 kms/h. Tem um terraço elevatório, o chão é aquecido, possui bar e uma suite com um plasma de 102 cms, com casa-de-banho privativa.

 

FISIOTERAPIA / MASSAGENS: MASSASNAKE

 

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O Eduardo Merino e o Pedro Bizarro são bons fisioterapeutas? São. Mas não chegam aos calcanhares das anacondas da minha amiga Li Lang.

  

NUTRIÇÃO: SOPA DA MAMÃ

 

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Dado o meu reconhecido gosto pelo chupanço, ainda fui abordado pela Chupa-Chups. No entanto, vou manter-me fiel à Sopa da Mamã. De outra forma, corria o risco de ser deserdado.

 

MOTIVAÇÃO: KILLIMANJARO

 

 

Enquanto adepto de roqueandrolle, os Killimanjaro têm a minha bênção para tocarem para mim, ao vivo, em todos os abastecimentos. As malhas da banda de Barcelos exercem sobre mim o efeito equivalente a 5 comprimidos de libidium fast empurrados por 5 redbulls de penalti.

O Segredo do TOPMÁQUINA

por Pedro Caprichoso, em 20.07.15

Todos sabemos a importância do cross-training no Trail Running. O Trail Running é um desporto bué impactante a nível muscular, articular e genital – e a prática de outras modalidades minimiza essa moléstia. Uns fazem ciclismo. Outros fazem ginásio. Outros fazem natação. Outros dão porrada nos filhos. Outros levam porrada dos filhos. Outros fazem sexo tântrico com a patroa. Eu jogo basquetebol.

 

 

Pode não parecer à primeira vista, mas o Basquetebol é o complemento perfeito ao Trail Running. São 3 as razões que me levaram a introduzir o Basquetebol no meu plano de treinos. A saber:

 

I

Os exercícios com bola são ideias para simular as mudanças de direcção tão características do Trail Running. Aprimoramos a nossa capacidade motora para melhor contornar obstáculos, tais como calhaus, pinheiros e aquela nhaca esverdeada que encontramos nas pedras à passagem dos cursos de água. Dizem que é musgo. Para mim é ranheta de peixe.

 

II

Os dribles, fintas e simulações do Basquetebol servem de treino para colocar os nossos adversários em apuros.

 

Exemplo 1: nos single-tracks, quando me deparo com um morcão que se recusa a ceder-me a passagem, simulo que vou pela direita e ultrapasso-o pela esquerda. Se for bem feito, dá tempo para aplicar-lhe um valente ‘calduço’ no cachaço. É para aprenderem.

 

Exemplo 2: quando sinto que estou a ser perseguido e os meus adversários já vêm na mama há muito tempo, escolho um obstáculo, vou direito a ele, desvio-me no último instante, os “anjinhos” saem do trilho, despistam-se e ficam fora de combate. Esta artimanha tem especial piada quando se trata de um buraco. Olho para trás e vejo-os mergulharem de cabeça. Parece um desenho animado.

 

Pequeno aparte: nunca percebi essa coisa de avisar os atletas que nos perseguem dos obstáculos que se aproximam. Para quê? Em que é que isso vos beneficia? Eu nunca aviso. Quer dizer, aviso mas é só para induzi-los em erro. Do tipo: digo “cuidado com a cabeça” quando estamos a ir direitos a um buraco; e digo “cuidado com o buraco” quando estamos a passar por uma zona de ramos baixos. Olho para trás e vejo-os levarem com os ramos na tola. Escangalho-me a rir só de pensar nisso.

 

 

III

 

O facto de saber encestar não é muito relevante no Trail Running. No entanto, dá sempre jeito quando um gajo se esquece de deixar o lixo nos abastecimentos e, à passagem por um carro com as janelas abertas, lançamos uma embalagem vazia de gel da linha dos 3 pontos. Não pensem que eu sou um badalhoco sem escrúpulos. Eu só faço isto com os carros mal-estacionados.

Trail de Praia

por Pedro Caprichoso, em 20.07.15

Na ressaca das recentes conquistas do David Quelhas (3.º no Eiger Ultra Trail) e do Jérôme Rodrigues (2.º no Ehunmilak), é ruidoso o silêncio que a Comunicação Social tem dedicado ao Trail Nacional. Hoje as Televisões e os Jornais vomitam Futebol de Praia. Futebol de Praia? Que merda interessa o Futebol de Praia? A sério: os “brinca-na-areia” passaram a ser os heróis nacionais? É isso? Façam-me o favor! Para terem noção do nível competitivo do Futebol de Praia, basta dizer que vencemos a final do Campeonato do Mundo contra uma marca de Shampoo.

 

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No entanto, como diz o povo: se não os consegues vencer, junta-te a eles. Nesse sentido, para que o Trail ganhe mais prestigio junto da comunicação social, proponho que os nossos melhores atletas criem uma equipa de Futebol de Praia. Este é o meu Dream Team:

 

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Rui, peço desculpa, mas sabes como é: o mais "gordinho" vai sempre à baliza.

É correcto usar a t-shirt de uma prova em que se desistiu?

por Pedro Caprichoso, em 14.07.15

Há uma dúvida existencial que atormenta os Trail Runners. Não estou a falar da prática do truca-truca na véspera das provas. Quanto a isso podem ficar descansados: o truca-truca não prejudica a performance desportiva. Aliás, os meus melhores desempenhos desportivos ocorreram depois de uma noite de paixão com o meu companheiro moçambicano. Mas é outra a interrogação que aqui me traz.

 

«É correcto usar a t-shirt de uma prova em que se desistiu?» é uma das perguntas que mais me fazem via email. Outra é se sou casado. Já agora, aproveito o altifalante do TopMáquina para anunciar publicamente o seguinte: celebrei com o meu Eusébio, no passado dia 7, um contrato de matrimónio em regime de separação de bens. No entanto, eu e o meu Eusébio temos uma relação aberta, pelo que há sempre espaço para mais um, ou dois, ou três… Lá estou eu a dispersar-me novamente.

 

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Pegando o fio à meada, a resposta é não. É evidente que não é correcto usar a t-shirt de uma prova em que se desistiu. Quando muito, só é apropriado envergá-la depois de voltar à prova no ano seguinte e terminá-la dentro do tempo limite. Ou seja, tem de haver um período de nojo de pelo menos 1 ano. Acontece que eu estou-me nas tintas para o que é correcto – e é com muito orgulho que envergo as t-shirts do UTSM, embora não tenha ainda logrado terminar nenhuma edição da prova alentejana. Gosto especialmente da t-shirt de 2014, ano em que morri na praia, desidratado, ao km 90: tamanho XXS, cor-de-rosa, justinha, curtinha, deixando antever o umbigo depilado à frente e a tatuagem atrás. Já vos disse que tenho o nome do meu Eusébio tatuado no fundo das minhas costas? Tatuei-a 2 centímetros acima do início do rego do meu cu. É linda.

 

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Mas há um senão: parece que usar a t-shirt de uma prova em que se desistiu dá azar. Até há quem diga que se trata da “maldição da t-shirt”. Se não acreditam, perguntem ao Pedro Rodrigues. O Pedro também não acreditava até ao dia em que teve o azar de pisar uma garrafa de vidro enquanto treinava com uma t-shirt do Ultra-Trail do Piodão 2014. A garrafa de Compal Manga Laranja estava partida, espetou-se-lhe no pé e ele agora vai ter de ir à faca. Até eu já sofri um acidente enquanto envergava uma t-shirt do UTSM: escorreguei para trás a descer, caí com o rabo em cima de um eucalipto bebé e esbandalhei o meu rabinho todo. Pensando bem, esse acidente até nem foi mau de todo.

GIGI EM DESTAQUE NO EHUNMILAK

por Pedro Caprichoso, em 13.07.15

Uma vez que a comunicação social está a marimbar-se para os feitos do Trail Nacional, o TopMáquina vem por este meio dar destaque a quem merece ser destacado. Ao contrário de outros, o TopMáquina é um meio de comunicação independente, que recusa baixar as calças ao capitalismo das marcas.

 

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Jérôme Rodrigues (Gigi para os amigos) alcançou um extraordinário 2.º lugar no Ehunmilak – e só não ganhou porque não usa muletas e teve cãibras na última descida. Apesar do feito, nem uma frase sobre a performance do atleta Barcelense na imprensa especializada. Ao que parece, as capas dos 4 jornais desportivos nacionais estão mais interessadas na nova namorada do Vitorino Coragem, no primeiro linguado em público do Kilian e da Emelie, no terceiro controlo anti-doping positivo da Analice e na possível transferência do Anton Krupicka para a Hoka One One.

 

Verdade seja dita: parte é culpa do próprio Jérôme. O tipo é um grande atleta, mas nunca o vemos a gabar-se no facebook. Atleta que é atleta, tem de gabar-se no facebook. Onde estão as selfies no topo dos montes, as fotos dos troféus, as sapatilhas enlameadas, as desculpas esfarrapadas, a publicação diária dos quilómetros percorridos, o relógio com o tempo de corrida e a t-shirt de «finisher»? Onde, Jérôme? O tipo nem o relato das provas faz. Assim é difícil.

 

Jérôme, tenho uma palavra para ti: cagão. Tens de ser mais cagão. Anda pr'aí gente que vende o cu por 2 tostões, mas o Jérôme não. Acha-se especial. Acha-se melhor do que os outros. Não vejo outra explicação. O Ricardo Silva é farinha do mesmo saco. Mas esse, ao menos, partilha música de inegável bom-gosto nas redes sociais. Valha-nos isso.

 

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Para além dos 3 estarolas (Ricardo Silva, Rui Seixo e Gabriel Meira) que ganharam por equipas, não esquecer a excelente prestação do Paulo Freitas. O Paulo é um tipo pesado de passada lenta, mas corre que se farta. É o chamado falso lento. Ou seja, é uma espécie de Pedro Barbosa do Trail Nacional. Para além disso, o nosso enviado especial correu com ele no Sicó e tudo indica que “O Paulo tem um rabo muito jeitoso.”

 

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7 Perguntas Top para a Máquina Rui Pinho

por Pedro Caprichoso, em 03.07.15

É uma espécie de cancioneiro da corrida

Ele não faz relatos; ele escreve com o coração 

É o atleta barra poeta dos trilhos desta vida

E, pelo que dizem, vai fazendo das tripas motivação

 

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  1. Por que é que as pessoas apertam o comando da televisão com mais força quando a pilha está fraca?

    Se apertares com força esguicha sempre uma réstia de energia. É uma teoria comprovada pelos alentejanos, que dizem que “por muito que um homem sacuda, a última pinga é sempre para as cuecas”.

  

  1. Para quando um livro de auto-ajuda dirigido ao Zé-Povinho—Atleta intitulado “Das Tripas Motivação”?

    Talvez nunca. Iria ser transformado em papel para limpar alívio de tripa. Se bem que um aperto da tripa é sempre uma excelente motivação para correr rápido. Ou só para correr, já que não conheço nenhum corredor com prisão de ventre. Conheces?

 

  1. [Pergunta retórica:] Na tua opinião, qual é o melhor blog humorístico do Trail Nacional?

    O teu tem piada, mas acho ainda mais piada àqueles que publicam estudos sobre atletas que fazem 15 km por semana. Ou aos dos atletas que têm página de atleta e que andam sempre com fasceítes ou canelites.

 

  1. No ano passado, nos Açores, na viagem de autocarro entre o Aeroporto e o Hotel, lembro-me de teres pedido o número de telefone da Bárbara Baldaia. Já o conseguiste?

    Estás enganado, não pedi. A guia da agência de viagens é que o repetiu até à exaustão. Ora como eu estava ainda afectado pela altitude, e sofrendo danos irreparáveis na areia da cabeça devido à intensa humidade característica dos Açores, decorei-o. Eu e meio autocarro, já que a guia continuou a repeti-lo.

  

  1. Escreveste recentemente no Facebook que “o Facebook não é a vida real” – e esta frase não me tem deixado dormir. É que se “o Facebook não é a vida real” e tal foi escrito no Facebook, o que devemos concluir? Que o Facebook é a vida real? Estou a dar em doido. Concretiza, por favor!

    Fácil. O Facebook não é a vida real. É apenas um guião para a vida real.

 

  1. O que te parece a ideia de no Trail substituírem os escalões etários por escalões de peso?

    Parece-me bem. Já teria ganho algumas provas. Tu e o Capela é que estão lixados, vão perder sempre para o André Rodrigues.

 

  1. [Pergunta pessoal de resposta facultativa:] Tripas ou Nortadas?

    O nome do blogue foi escolhido quando comia muito, pesava mais, fumava... Era um equilíbrio entre o que me sabia muito bem – comer, e o que me incomodava nas praias do norte no verão – as nortadas, que transformavam um dia de Agosto num dia de Outono.
    Agora faz sentido que seja uma luta contra a adversidade com força saída de dentro. Se for das tripas, melhor. É combustível ;)

Rescaldo da Maratona do Mont-Blanc

por Pedro Caprichoso, em 01.07.15

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Realizei um estágio de 3 dias na Suíça, em preparação para a Maratona do Mont-Blanc, com o patrocínio do meu porquinho mealheiro. O objectivo era ganhar, pelo que não deixei nada ao acaso. Eu e a minha comitiva ficámos instalados num luxuoso empreendimento turístico contíguo ao Lago Léman. Para quem conhece a zona, digamos que fica a cerca de 5km da Mansão do Michael Schumacher, no sentido Genebra – Lausanne. Composto por 1 homem e 3 mulheres, o meu staff integrava um Responsável de Logística, uma Enfermeira e duas Técnicas de Laboratório. O primeiro era responsável pelo transporte, alojamento e cobertura fotojornalística; a segunda providenciava-me curativos, apoio psiquiátrico e administrava-me um cocktail explosivo de substâncias dopantes; as duas últimas limitavam-se à preparação diária do referido cocktail. Relembro a constituição do cocktail: 2 comprimidos de Libidium Fast, 1 comprimido de Imodium Rapid, 5 Red Bulls, 1 pau de Cabinda e 2 folhinhas de hortelã.

 

1795808_589008124572678_1330840880522841714_o.jpg [Da esquerda para a direita: Técnica de Laboratório, Enfermeira, Euzinho, Técnica de Laboratório e Responsável de Logística]

 

Foram 3 dias muito intensos. No primeiro pratiquei escalada indoor – para simular as partes mais técnicas do percurso. Aproveitando o calor que se fazia sentir, o segundo foi dedicado a fazer sku num parque aquático – caso encontrasse neve nos pontos mais elevados do Mont-Blanc e tivesse de usar o rabinho para deslizar. Ao terceiro dia, na véspera da prova, visitei a fábrica da Toblerone e enfardei 10kg de chocolate suíço – para apresentar-me à partida com as baterias devidamente carregadas. A visita à fábrica foi de manhã; a tarde passei-a na casa-de-banho a aliviar a tripa. Dos 10kg, 7 saíram pelo orifício oposto a jacto!

 

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Quanto à prova, a minha estratégia – que passava por fazer marcação cerrada ao Kilian Jornet – ficou comprometida pelo facto do espanhol não ter participado na Maratona. O morcão fez (e ganhou) as últimas 3 edições, mas este ano lembrou-se de disputar apenas no km vertical. Ser vedeta é isto: é ser egoísta; é pensar apenas em si próprio; é ignorar as necessidades dos outros – sobretudo nas minhas. O Kilian era um ídolo para mim, mas hoje morreu. Atirei um paralelo à vitrine de uma loja da Salomão, risquei-lhe a roulotte com a minha medalha de finisher, rasguei os posters dele que tinha colados no meu guarda-fatos e estou a usar o livro "Correr ou Morrer" para limpar o rabinho.

 

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O Leonardo Diogo é o meu novo ídolo. O Kilian já era. O madeirense alcançou um estrondoso 8.º lugar nos 80km – e ainda teve energia para apoiar os Portugueses na Maratona. Encontrei-o em 2 abastecimentos. No segundo, fez-me inclusive o favor de me encher os bidons, correu alguns metros ao meu lado e tirou-nos uma selfie em andamento. Tinha dele uma ideia completamente diferente: pintava-o como uma pessoa sisuda, mas é incrível ver a forma como ele vibra com a competição. Parece uma criança numa loja de guloseimas. É um dos nossos grandes.

 

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Na meta tínhamos uma equipa de massagistas francesas à nossa espera – malucas por meter as mãos em presunto tuga. Quando chegou a minha vez, duas delas olharam para mim e esgatafunharam-se à porrada. A vencedora teve a honra (e o prazer) de me massajar as coxas. Começou por pedir que eu me deitasse de costas – e eu fiz-lhe a vontade. Uma vez de costas, ela aproximou-se e sussurrou-me ao ouvido que me iria fazer uma massagem ligeira. Se eu quisesse uma massagem “completa”, teria de fazê-la em Chamonix. Importa referir que a meta distava 5km do centro de Chamonix. Uma vez que recebo recorrentemente este tipo de convites, julguei que ela me estava a convidar para outro tipo de “massagem”. Em Portugal, um serviço “completo” é outra coisa. Vai daí disse-lhe: « Oui, je veux un massage complet. Pointez ton adresse dans mon dossard, puis je serais chez-toi. » Como vocês não falam Francês, eu traduzo: “Sim, eu quero uma massagem completa. Aponta a tua morada no meu dorsal, que eu depois vou ter a tua casa.” Mal eu sabia que em Chamonix havia efectivamente uma segunda zona de massagens, onde os atletas teriam acesso a uma massagem mais longa e reforçada. Só espero que ela não tenha ficado com uma má imagem de mim, em geral, e do homem português, em particular.

 

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Deixo o seguinte conselho aos atletas que pretendam fazer a Maratona do Mont-Blanc: não bebam das tetas da vaca que apoia os atletas no início da primeira grande subida. Eu falhei um abastecimento, estava a morrer de sede e mamei delas – e posso-vos garantir que delas não sai leite. Sai outra coisa. Este aviso é particularmente dirigido ao Bruno Coelho, já que ele tem o hábito de mamar directamente do pipo.

 

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Esta vaca está presente em todas as edições da Maratona do Mont-Blanc. Como diz o André Rodrigues, é o equivalente ao Diabo da Volta à França.

 

Sendo a Maratona do Mont-Blanc uma prova de elevado nível competitivo, ficaram (não uma mas) 6 mulheres à minha frente. Tal facto é muito positivo, pois permitiu-me correr ao lado de algumas das melhores atletas do mundo, entre as quais a campeoníssima Ellie Greenwood – duas vezes campeã do mundo de 100km e recordista da Western States 100. Correndo ao lado dela ao longo de vários quilómetros, foi muito gratificante assistir à forma como as meninas fazem o xixi durante as provas. Elas usam uma equipamento especial que lhes permite mictar de pé. Nunca tinha visto tal coisa.

 

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É bom saber que o trabalho do TopMáquina é reconhecido no estrangeiro, pois um fã veio ter comigo antes da partida para me pedir um autógrafo e uma foto. Ao contrário do que se possa pensar, o fã em causa não é Português. O tipo chama-se Machine de la Montagne – e corre com uma bandeira de Portugal por ser um fã incondicional do Carlos Sá.

 

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Muitos espantaram-se com o tamanho dos meus pés na foto abaixo publicada. Eu explico: os meus tomatinhos são de aço e desestabilizam o meu centro de gravidade, pelo que corro com sapatilhas 5 números acima do normal para me equilibrar melhor.

 

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Não cumpri o meu objectivo – que era ganhar – mas fui compensado ao vencer o sorteio que premiou os finishers da Maratona. O meu dorsal foi sorteado e a foto em baixo ilustra o meu espanto assim que me informaram do prémio: um Ferrari de 1.6 milhões de euros.

 

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Antevisão du Marathon du Mont-Blanc

por Pedro Caprichoso, em 23.06.15

Depois do ‘Azores Ultra-Trail’ e da ‘SkyMarathon Madeira’, a ‘Marathon du Mont-Blanc’ será minha terceira prova no estrangeiro. Não vou esconder a minha ambição: o objectivo é ganhar. Não vou fazer por menos. O Kilian comigo não faz farinha.

 

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O facebook está constantemente a dizer-me que «não há impossíveis» e que «para ganhar basta acreditar». Acontece que eu não acredito nessas fantochadas. Os que acreditam em impossíveis e no poder do pensamento são os mesmos que ligam para o 760 10 30 10 na esperança de que uma burlona lhes resolva os problemas financeiros com um baralho de cartas. Pensar positivo vale pouco se não houver pernas e pulmões para alcançarmos os nossos objectivos. E, lamento informar-vos, mas há impossíveis, como por exemplo fazer uma Maratona abaixo das 3h com um extintor enfiado pelo rabo acima. Dito isto, não há milagres. Há que fazer pela vida. Para ganhar em Chamonix, das duas uma: ou se tem pernas ou se faz batota – e eu não tenho pernas.

 

RECORD-238091.jpgA minha estratégia não podia ser mais simples: vou dopar-me ‘à força toda’ e farei marcação cerrada ao Kilian Jornet do início ao fim da prova. Vou ser a sombra do Kilian recorrendo a um cocktail explosivo de substâncias dopantes. A saber: 2 comprimidos de ‘Libidium Fast’, 1 comprimido de ‘Imodium Rapid’, 5 Red Bulls, 1 pau de Cabinda e 2 folinhas de hortelã. Não é por acaso que «cock» está presente na palavra «cocktail». Depois, na recta da meta, sugiro-lhe cortarmos a meta juntos: dou-lhe a mão, corro um bom bocado com ele de mão dada – e, já em cima da meta, deslargo-lhe a mão, fujo dele e ganho isolado. Brilhante, não é?

 

Em Chamonix, não é a concorrência que me assusta. Todos têm duas pernas, dois pulmões, duas orelhas e três tomates como eu. Mais que dos adversários, do que eu tenho medo é de me distrair com as vistas, espetar um biqueiro num calhau, espalhar-me ao comprido e ficar com um tomate entalado na raiz de uma árvore. Nesse sentido, para focar-me exclusivamente no trilho e evitar que a paisagem me desconcentre, incluirei palas de burro no meu material obrigatório.

 

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Flatulência no Trail Running

por Pedro Caprichoso, em 19.06.15

Ninguém fala disto. É tabu. Mas todos o fazemos. Alguns mais de 50 vezes por dia. A flatulência é um problema de saúde pública – e tem de ser encarado como tal.

 

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Sofrem os flatulentos, cuja vida social é destruída – pois ninguém consegue estar à beira deles. E sofrem os flatulentos passivos, que inalam o perfume emitido pela peida de terceiros e vêem-se obrigados a confrontá-los. Conheci uma indivídua que acordava com os próprios traques. A tipa dormia, largava um morteiro e acordava estremunhada. Não conseguia dormir mais de meia-hora seguida, a coitada. Não dormia ela e não dormia eu. Era vegan, só comia repolho e aquilo mexia-lhe com a tripa. Estou a falar a sério. Que me caia um satélite nos cornos se não é verdade.

 

A flatulência é uma calamidade nos elevadores, nos transportes públicos, no ambiente de trabalho, debaixo dos lençóis, na fila do Pingo Doce e nas provas de Trail Running – sobretudo no Trail Running. Mais do que em qualquer outro desporto, o Trail Running favorece a flatulência ao promover as causas que estão na origem da formação de gases no nosso aparelho intestinal, nomeadamente:

 

  1. O movimento da corrida em si – que não passa de uma sucessão de saltos – promove o movimento intestinal;
  2. Acidentalmente engolir ar em resultado de comer e beber depressa – ar que depois, mais tarde ou mais cedo, tem de sair pelo lado oposto;
  3. A ingestão de Coca-Cola (com gás carbónico) e de adoçantes processados de ingestão rápida (tais como géis) contribuem de forma decisiva para o incremento do nível de flatulência;

 

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De certeza que já vos aconteceu serem obrigados a ultrapassar um indivíduo, num treino em grupo, porque ele passa o treino a largar-se. E irem a trepar em fila indiana, com as mãos nos joelhos e o focinho rente ao rabo do atleta que segue à vossa frente, e levarem com um peido nas trombas? Alerta: nunca se deixem ficar para trás num treino de Fartlek em grupo – não é por acaso que “Fart” está presente na palavra “Fartlek”.

 

Já nos aconteceu a todos – inclusive ao José Capela. “Já me aconteceu ir junto duma menina e estar a conter-me para não me largar. Entretanto ela larga-se e pede desculpa, e eu larguei-me de seguida e disse: estás desculpada!”, comentou há dias o Capela no facebook.

 

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A minha experiência diz-me que são justamente os cagões que mais se cagam. O fedor libertado pelo rabo dos atletas que envergam Salomon da cabeça aos pés e correm com uma Gopro atarraxada à cabeça é particularmente repugnante. Sugestão para a Salomon: calções com carvão activado.

 

Nem tudo é negativo. A flatulência também tem vantagens: (1) o impulso providenciado pela libertação do traque não é negligenciável, projectando o atleta para a frente; (2) o peido violento – mais ruidoso do que fedorento – serve muitas vezes de alerta para informar de que está a caminho uma enxurrada de cocó, permitindo ao atleta meter um “Imodium Rapid” no bucho antes de ser obrigado a arrear os calções atrás de um eucalipto.

 

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P.S. Àqueles que desvalorizam a flatulência e nela só vêem motivo de riso, relembro o seguinte: o peido é merda no estado gasoso.

Rescaldo do HTMP – Hard Trail Monte da Padela

por Pedro Caprichoso, em 17.06.15

Deixemo-nos de merdas, merdinhas e caldinhos de galinha – e vamos direitos ao assunto. Os factos são estes: eu (dorsal 89) fiquei em 6.º da Geral (ex-aequo com o meu companheiro de aventura Miguel Martins, ao qual aproveito para mandar uma beijoca) no HTMP – Hard Trail Monte da Padela. Acontece que me esqueci de colocar o chip fornecido pela Lap2Go e fui desclassificado à conta disso. Tive o cuidado de indicar em todos os pontos de controlo que não tinha chip e a organização foi apontando o meu dorsal. Como é que eu sei? Sei porque apareço classificado no P1, P2 e no Uphill. Só não apareço classificado na meta. Pelos vistos, o chip só era preciso na meta. [De referir que a Lap2Go entretanto já me mandou email muito simpático, informando-me de que as classificações já foram corrigidas.]

 

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Não me interpretem mal: eu considero que fui muito bem desclassificado. Eu desclassificar-me-ia a mim próprio se tivesse a oportunidade. Não só fui bem desclassificado porque o regulamento prevê a desclassificação pela não devolução do chip – que eu não o devolvi –, assim como beneficiei claramente do facto de ter corrido sem ele. "O chip é pesadíssimo e tu foste claramente favorecido por teres corrido sem o dito cujo atarraxado à sapatilha”, disse-me o Bruno Coelho no fim da provaTem toda a razão.

 

5 gramas – o peso do chip – podem não parecer muito, mas são. Não é preciso um génio para chegar à conclusão de que 5gr X 80.658 passos(*) são 403,29kg: o equivalente a duas Teresas Guilhermes e meio. É muito. Se uma Teresa Guilherme é muito, agora imaginem duas e meia! Para além do peso em si, não esquecer que o chip é atarraxado a uma das sapatilhas. Isto faz com que o peso fique mal distribuído, exercendo mais pressão sobre uma das pernas. A perna do chip fica assim obrigada a exercer mais força para cobrir a mesma distância que a sua simétrica, o que pode levar à ocorrência de lesões gravíssimas ao nível do músculo chipinoidal.

 

(*) Para além de monitorizar a distância, o desnível, a temperatura, a velocidade do vento, as calorias, o batimento cardíaco e a potência muscular, tenho também por hábito contar o número de passos que dou durante as provas. Para além de ser um importantíssimo indicador de performance desportiva, contar passos serve-me de meditação e é uma forma espectacular de ignorar os insultos dos nossos adversários quando estes nos tentam deitar psicologicamente a baixo. Infelizmente, tal não resultou com o Pedro Marques.

 

Podia devolver o chip por correio à Lap2Go? Podia. Mas não o vou fazer. Há uma fã do TopMáquina que me prometeu uma noite de prazer em troca do chip autografado, que ela depois transformará num colar à semelhança das chapas que os militares exibem ao pescoço. Esqueci-me de mencionar uma coisa: a fã em causa é boa como o milho, como podem atestar pela foto abaixo publicada:

 

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Dos 66km, fiz 50km na companhia do Miguel Martins. Mas a dupla foi, em grande parte, uma tripla. Tirando a última descida, na qual ele se nos escapou, o Pedro Marques foi o “Facada” desta tripla maravilha. Escusado será dizer que eu fui o “Cocó” (dada a minha reconhecida capacidade flatulenta) e o Miguel o "Ranheta" (dada a sua reconhecida capacidade de expectorar pelo nariz, tapando uma narina com um dedo e projectando ranho pela outra com a força de um rinoceronte).

 

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Nunca pensei dizer isto de um veterano do Trail Nacional, mas o Pedro Marques é um estroina. De maneira a não ferir susceptibilidades, vou dar apenas 3 exemplos ligeirinhos do terror que é correr com o Pedro:

  1. O Pedro mete conversa connosco para que a gente se desconcentre e bata com os cornos no chão;
  2. O Pedro come bananas e depois atira as cascas em direcção aos nossos pés para ver se a gente escorrega e bate com os cornos no chão;
  3. O Pedro dispara subida acima, pára, espera por nós, incentiva-nos como se estivéssemos em Zegama, depois arranca novamente, ultrapassa-nos e volta a fazer o mesmo. Tudo para psicologicamente nos deitar a baixo e ver se a gente leva com a marreta.

 

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Também fiz alguns quilómetros na companhia do Bruno Coelho, que a determinada altura decidiu beber directamente do pipo. Pessoal, não se preocupem que o Bruno não tem herpes. Ele tem tomates de aço, mas aparentemente isso não se pega.

 

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Cruzei-me igualmente com o Rui Seixo durante a prova – e foi muito gratificante ver que os grandes atletas do Trail Nacional também levam com a marreta. Ele diz que foi uma mini-marretada, mas para eu ter ficado à frente dele é porque ele deve ter levado em cheio com uma daquelas bolas de demolição.

 

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Depois de alcançar um excelente 3.º lugar nas 100 milhas do “Oh Meus Deus”, Artur Costa veio à Padela ao engano. O desgraçado pensava que iria fazer mais 100km.

 

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Aqui vemos o Presidente do Viana-Trail a correr atrás de mim para me dar uma coça. Estou a brincar: não era para me dar uma coça; era para recolher o lixo que eu propositadamente deixava depois do abastecimento para obrigá-lo a correr um bocadinho. Mandrião!

 

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Antevisão do HTMP – Uma prova dos Diabos!

por Pedro Caprichoso, em 12.06.15

Amanhã vou participar no Hard Trail Monte da Padela [HTMP] e confesso que não me estou a sentir muito bem. Estou com um mau pressentimento. A maleita não é física. A maleita não é mental. A maleita é espiritual.

 

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Telefonei para o 760 10 30 10, expus a minha situação e a Bruxa da SIC disse-me que tenho a alma possuída pelo Demónio. Disse-lhe que amanhã iria fazer uma prova de 66km – e a Bruxa não precisou de ouvir mais nada:

 

«O meu amigo vai participar num evento demoníaco! De uma prova de 66km realizada no sexto (6.º) mês do ano resulta o número da besta: 666. Muito cuidado!» – avisou a Bruxa.

 

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A puta da Bruxa fodeu-me bem! Quer dizer, esmifrou-me 0.60€ + IVA para quê? Para me dizer que o HTMP é uma prova 'dos diabos'? Não preciso que me digam que o HTMP é uma 'prova dos diabos'. Isso já eu sabia. Basta ver o perfil da prova, que mais parece o electrocardiograma de uma teenager ‘com o pito aos satos’ num concerto do Mikael Carreira:

 

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O povo diz que o “diabo está nos detalhes”. No HTMP, o diabo está nos detalhes... e nas subidas. Na parte inicial, teremos o coisa-ruim a sussurrar-nos ao ouvido no Uphill – uma subida cronometrada, quase em linha recta, com cerca de 1km de extensão e inclinações que podem chegar aos 45%. Na parte final, teremos novamente o Mafarrico – incentivando-nos a desistir – na subida da Pedra da Morte:

 

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Seja com for, vou seguir a receita da Bruxa da SIC. Segundo ela, para exorcizar o Demónio terei de cortar o pescoço de uma galinha, às 6h06m06s da manhã, na linha de partida do HTMP, misturar o sangue da galinha no isotónico e bebê-lo durante a prova. Mal não fará.

 

Se o remédio passar por beber sangue de galinha, que seja. Tudo para não acabar assim:

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7 Perguntas Top para a Máquina André Rodrigues

por Pedro Caprichoso, em 08.06.15

Fomos encontrar o André Rodrigues, na Praia do Meco, em preparação para a Légua Nudista. Tivemos de insistir para que ele vestisse os calções. Fora isso, a entrevista correu lindamente.

 

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1. Se os homens são todos iguais, porque é que as mulheres escolhem tanto?

É sempre o mesmo! Para as princesas da Solomon é só perguntas simples, para o Pedro “Troncos” Rodrigues igual. Chega ao André e entra-se logo assim a matar…. Aviso já que se isto continua assim DESISTO…

 

2. Quantas gajas já facturaste à conta de seres a cara chapada do Keanu Reeves?

Eu até podia contar daquela vez em que fui ao shopping, ao cinema, às compras, saí a noite, etc. Mas como eu só ando no mato e lá só há cabras e ovelhas, prefiro não responder esta questão. [se é que me entendes ;)]

 

3. É verdade que não depilas as pernas porque isso é contra a tua religião?

Pois, eu bem que gostava de me poder depilar todinho, usar o calção apertadinho, colocar o cremezinho hidratante, levar a barbinha feita, usar o bastão da moda, e essas coisas todas que mostram a masculinidade de um Homem, mas infelizmente a minha religião não mo permite.

 

4. A aposta que fizeste com o Nuno Silva ainda está de pé?(*)

Naturalmente! Mas ainda terei de consultar o regulamento da minha religião para saber se depilação com fogo é permitida.

 

5. Confirmas o rumor de que em criança foste mordido por uma cabra do monte – e que é por isso que desces como um verdadeiro caprino?

Já disse que prefiro não comentar a minha intimidade com as cabras e outros bichos do monte. Começo a sentir um certo desconforto com esta entrevista, e serei forçado a DESISTIR se isto assim continua!

 

6. Quantas pizzas são necessárias para te convencer a fazer uma prova de estrada?

Nem que me desses 20 Pizzas e 1 Cabra!

 

7. [Pergunta pessoal de resposta facultativa:] Quantos pares de sapatilhas rebentaste durante o ano da graça de 2014?

Cheguei ao meu limite, isto não apresenta as mínimas condições de uma entrevista de qualidade. DESISTO. E aviso já que no meu relatório de entrevista no Facebook contarei tudo o que aqui se passou!

 

(*)Relembro aos nossos telespectadores que a aposta determina que o primeiro dos dois a fazer Top10 em Zegama ganha o direito de depilar o peito do outro com um maçarico.

A MODA DA MINI-SAIA

por Pedro Caprichoso, em 05.06.15

Com a crescente adesão do público feminino ao Trail, é inevitável que comecem a surgir as primeiras tendências nos trilhos portugueses. São poucas as meninas que resistem às viseiras da compressport(*), às meias de compressão cor-de-rosa, à cueca com o símbolo da ATRP ou à manta de compressão com a cara estampada do Diogo Fernandes.

 

No entanto, nenhuma moda tem hoje mais adeptas do que a mini-saia. Vêem-se hoje mais mini-saias nos trilhos portugueses do que numa discoteca frequentada por jogadores de futebol. Até eu já pensei aderir à mini-saia. Nas Ultras costumo ficar assado nas partes baixas – e a mini-saia é uma excelente solução para manter a fruta arejada. Admito que um homem andar de mini-saia é um bocadinho abichanado. Por isso, em vez de mini-saia, vou passar a correr de kilt:

 

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Há esta ideia generalizada de que a Salomon foi a precursora da mini-saia no Trail, já que este adereço foi pela primeira vez avistado no corpo das atletas da marca francesa. É mentira. Repito: é mentira. A verdade é que a moda começou com a Cármen Pires.

 

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Como todos sabemos, a Cármen foi jogadora profissional de Ténis antes de se iniciar nas lides do Trail. Um belo dia, a Cármen enganou-se e meteu todo o seu equipamento de corrida na máquina de lavar. No dia seguinte, quando se viu sem equipamento e com um treino agendado na Serra de Sintra, a Cármen 'não foi de modas' e tirou o equipamento de ténis do armário.

 

Acontece que o fundador da Salomon (Pierre Salomon) estava de visita a Portugal e cruzou-se com a Cármen na Serra de Sintra. O tipo roubou-lhe a ideia e agora temos gente como a Ester Alves, a Ana Rocha, a Tu Xa, a Anna Frost e a Emilie Forsberg a exibir o presunto por esse mundo fora. É um escândalo!

 

Se fosse a Cármen, metia a Salomon em tribunal e exigia uma indeminização choruda.

 

(*) isto não é uma indirecta ao Pedro Rodrigues.

7 Perguntas Top para a Máquina Pedro Rodrigues

por Pedro Caprichoso, em 03.06.15

Entrevista ao Pedro Rodrigues – o relacções públicas do Trail Nacional e, de longe, o meu Trail Runner preferido.

 

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1. Quando inventaram o relógio como sabiam que horas eram para poderem acertá- lo?

Segundo o meu amigo António Moreira, responsável pela área da corrida da Decatlon, antes do relógio já o pessoal se orientava pelo Sol. O relógio é uma modernice, bonito mesmo é ir para o monte sem relógios, telemóveis e afins... só o homem e a natureza.

 

2. Légua Nudista – com ou sem bastões?

Ainda bem que fazes essa pergunta, pois é muito pertinente! Para a maior parte dos atletas é melhor levar bastões, mas para mim não me dão muito jeito porque já tenho um "bastão" comigo, por vezes já me chamaram o tripé andante.

 

3. Enquanto agente de autoridade, qual o atleta de Trail em que gostarias de dar umas bastonadas?

Bastonadas? Ao André Rodrigues, sempre que ele tem a infeliz ideia de desistir só me apetece malhá-lo de cima a baixo. No entanto, houve uma acasião em que realmente usei o bastão, foi quando em 2014 meti o Pedro Caprichoso, já inconsciente, dentro do carro aos 90k no UTSM, admito que lhe dei umas valentes bastonadas para ver se o acordava, daí ele ter gritado tanto, muitos pensaram que eram caimbras.

 

4. [Pergunta com rasteira:] Qual o maior docinho do Trail Nacional?

Pergunta difícil, depois de muito pensar, em 1º lugar vem a boleima de Portalegre, em 2º os rebuçados de ovo de Portalegre, em 3º as bolas de berlim do Natário, em 4º os pastéis de nata de Leiria e muitos outros podia acrescentar a esta lista, mas é melhor parar por aqui, pois isto abriu-me o apetite e já tenho de ir comer Nestum com 3 colheres de sopa de açúcar.

 

5. Que tal a sensação de um ferreiro nos arrancar uma unha podre com um alicate e sem anestesia?

É quase como nos irem ao rabinho sem vaselina (não é que eu saiba, mas ouvi dizer). A sorte é que a minha mãe foi comigo e deu-me a mãozinha enquanto me arrancavam a unha, porque isto do trail é coisa de macho!

 

6. Com esses troncos a que chamas pernas, é verdade que compras calças feitas à medida?

Agora já não... Felizmente a Berska Man abriu no Forúm em Coimbra e agora compro as calças lá, as calças com 10% de elastano são perfeitas para mim. Finalmente, consigo experimentar calças sem as rasgar, até já me tratam por tu na loja, sou tipo cliente VIP. Ainda por cima, agora estão com uma promoção fantástica, na compra de 2 pares são só 19,99€.

 

7. [Pergunta pessoal de resposta facultativa:] Gillette ou cera?

Cera, sem dúvida, a gillette é para meninos! Além disso, a gillette faz alergia em certas partes à minha senhora quando estamos a fazer o amor.

O FIM-DE-SEMANA DA RAPOSA

por Pedro Caprichoso, em 02.06.15

Das 5 toneladas de provas de Trail realizadas no passado fim-de-semana, duas delas realizaram-se sobre o signo da Raposa.

 

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O Trail da Raposa, disputado em Paredes, destacou-se pela prestação da atleta Rosa Madureira. A Campeã Nacional de Montanha fez uma “perninha” no Trail e cilindrou tanto a concorrência feminina como a masculina, acabando num estratosférico 5.º lugar à Geral.

 

Melhor do que isto, só mesmo a ironia associada ao facto de que muitos passaram a semana nas redes sociais a dizer que iam “caçar” a raposa... quando, na verdade, foi uma raposa chamada Rosa que os caçou a eles. Os predadores viraram presas e, destes, só 4 se safaram.

 

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No mesmo dia, em Porto de Mós, realizou-se o Trail da Raposa Manhosa. Neste destacou-se a presença de uma raposa verdadeira – que, debaixo de um calor abrasador, cometeu a proeza de alcançar um brilhante 4.º lugar à Geral. Eis a Bárbara Fernandes, em baixo, à caça da Raposa. Escusado será dizer que a caçada da Bárbara não foi bem sucedida. Conseguiu arrancar o rabo à bicha, mas esta acabou por fugir. 

 

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7 Perguntas TOP para a MÁQUINA Ester Alves

por Pedro Caprichoso, em 01.06.15

O TopMáquina dá hoje início a uma nova rubrica. Com o sugestivo título «7 Perguntas TOP às Máquinas do Trail Nacional», esta rubrica pretende ser um espaço de entrevista aos atletas TOP do Trail Nacional – um espaço plural, de perguntas directas e respostas honestas.

 

São inúmeros os meios de comunicação social que cobrem o Trail feito em Portugal. No entanto, como bem sabemos, estes limitam-se ao sensacionalismo e ao acessório. Esta rubrica vem, portanto, no sentido de contrariar essa tendência e recentrar a discussão nos temas fracturantes do Trail made in Portugal.

 

Nesta primeira entrevista, demos preferência às Senhoras na figura da nossa Campeã Ester Alves.

 

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  1. Por que razão os Flintstones comemoravam o Natal se eles viviam antes de Cristo?

Porque a Wilma conseguia prever o Futuro sempre que gritava «Da-da-da duh da-da CHARGE IT».

 

  1. Enquanto ex-campeã nacional de ciclismo, tens alguma técnica especial para prevenir pisaduras no rabinho?

Esse é o maior segredo do ciclismo… o Bettini já colocava maionese no rabinho e «afins»… hoje em dia a maionese já vem com muitos conservantes que estimulam as partes baixas e provocam vários efeitos secundários, um deles é o ardor…por isso é que as médias tem aumentado significativamente… aquilo de motores nas bicicletas é tudo mentira: é a maionese…

 

  1. Qual o acessório mais inútil que transportas na tua mochila de hidratação?

Papel higiénico. Não me venham dizer que é a manta térmica porque nunca a usei….

Mas o papel higiénico…

 

  1. Compartilhas a opinião generalizada de que a Emilie Forsberg é uma badalhoca?

Prefiro conhecer primeiro a posição do professor Marcelo Rebelo de Sousa… depois formo uma opinião baseada na dele…

 

  1. Fazes ideia de como começou a moda das meninas correrem de mini-saia no Trail?

Deve ter sido alguma badalhoca que começou essa moda… Mas o professor Marcelo também deve saber quem foi…

 

  1. Na tua opinião, quem ganharia numa luta entre a Anna Frost e a Susana Simões?

Eu cá acho que nos queques de chocolate ganhava a Anna…. Mas ninguém ganha à Susana quando há cozido à portuguesa… até dá nojo de a ver comer aquela carne toda.

 

  1. [Pergunta pessoal de resposta facultativa:] Quem é o homem mais sensual no Mundo do Trail: Kilian Jornet, Anton Krupicka ou Carlos Natividade Silva?

O Kilian tem o rabo achatado…. O Anton não lava as mãos depois de sair do WC… Eu cá vou sem sombra de dúvida para o Carlos Natividade. Até já lhe disse que se ele começasse a correr só de calção «à homem» e mochila, o clube de fãs aumentava…

 

-----XXX----- 

 

P.S. Com este espaço ganham os atletas, ganha o Trail e ganha o TopMáquina. Ganhamos todos. Obrigado, Ester, pelo fair-play das respostas.

 

 

Entrevista ao TopMáquina

por Pedro Caprichoso, em 29.05.15

A pedido de uma multidão de fãs, transcrevo em baixo a entrevista ao TopMáquina no final do Poiares Trail.

 

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José Guilherme Féteira [FT] – Temos agora aqui connosco o grande, o superlativo, o estratosférico TopMáquina – o melhor atleta barra blogger do planeta terra e arredores. Uma grande salva de palmas para o TopMáquina, por favor…

 

O público levanta-se e bate palmas, de pé, durante 15 minutos.

 

TopMáquina [TM] – Pronto, já chega… Parem com isso! Estou com dor de cabeça.

 

O público continua a bater palmas.

 

TM – Se não param de bater palmas, vou-me já embora e já não há sessão de autógrafos para ninguém.

 

O público fica mudo. Só se houve uma criança, ao longe, a chorar.

 

FT – Pronto, está tudo bem. Eles já se calaram.

 

TM – Até que enfim…

 

FT – É uma honra ter-te aqui connosco.

 

TM – Acredito que sim.

 

Neste momento, uma fã despe-se, fica com as maminhas ao léu – nas quais se pode ler: «Casa comigo» – e atira-se aos pés do TopMáquina.

 

TM – Ui, que nojo! Tirem-me esta criatura histérica daqui. Já!

 

FT – Socorro! Segurança!

 

TM – A segurança não vai ser precisa.

 

O TopMáquina começa então a desatacar as sapatilhas e dá-as à criatura. Por isso o TopMáquina aparece descalço na foto acima publicada. Visivelmente mais calma, com as sapatilhas apertadas entre as mãos e as maminhas, a criatura regressa calmamente para junto do público. Perante este gesto, o público irrompe numa nova ovação ao TopMáquina.

 

FT – Calem-se! – grita o speaker. – Não ouviram o homem? Ele está com dor de cabeça.

 

TM – Obrigado.

 

FT – Só confirmaste a tua presença ontem e nós estivemos “vai não vai” para cancelar a prova, pois sem a tua presença nada disto faria sentido. Felizmente, decidiste aceitar o nosso convite. O que te fez vir correr a Poiares?

 

TM – O cachet.

 

FT – Mais alguma coisa?

 

TM – Sim, foi o cachet e o facto desta ter sido uma oportunidade de ouro para ganhar ao Pedro Rodrigues.

 

FT – Como assim?

 

TM – Bem, o Pedro tinha feito o UTSM na semana passada e ia correr com uma unha a cair de podre. E eu sabia que só assim lhe conseguiria ganhar.

 

FT – E ganhaste-lhe.

 

TM – Pois ganhei.

 

FT – Como foi correr com ele?

 

TM – Não sei. Eu ultrapassei-o nos primeiros 10km e nunca mais o vi. Ele ainda me pediu para eu esperar por ele, para trabalharmos em equipa, mas eu mandei-o à fava.

 

FT – Porquê?

 

TM – Olha... porque queria ganhar-lhe, como disse anteriormente. Ó José, desculpa lá, mas tu hoje estás um bocadinho lento. Não estás?

 

FT – Tem toda a razão, Senhor TopMáquina. Eu hoje estou, de facto, um bocadinho lento.

 

TM – Um bocadinho é favor.

 

FT – Ontem estive nos copos com o Luís Semedo até às 4 da manhã e deu nisto.

 

TM – Pois... Mas, ao contrário de ti, o Luís não está lento. Até está rápido demais para o meu gosto, já que ele ganhou a prova e tudo. Deu-nos um bigode.

 

FT – Teres ficado à frente do Pedro Rodrigues é, portanto, um dos maiores feitos da tua carreira?

 

TM – Sem dúvida. Isso e ter terminado o UTAX 2014 após 8 horas de diarreia ininterrupta.

 

FT – Incrível. São dois feitos incríveis, de facto.

 

TM – Sim. Sem dúvida.

 

FT – Quanto ao percurso, o que achaste?

 

TM – Estou farto desta entrevista. Vou-me embora. Tenho o meu motorista à espera. Fui.

Rescaldo do Poiares Trail 2015

por Pedro Caprichoso, em 25.05.15

O Poiares Trail tinha tudo para correr mal: a organização não me inspirava grande confiança, estava um calor de rachar e tinha enfardado meio quilo de cerejas ‘de beira-de-estrada’ na véspera da prova – o que fez com que tivesse de parar 5 vezes durante a viagem para “arrear o calhau”. Surpreendentemente, foi um evento 6 estrelas!

 

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A organização do Poiares Trail convidou 2 Padrinhos: um homem (Jorge Martins) e uma mulher (Carmen Pires). Se os tipos do Viana Trail tivessem atendido os meus pedidos, também eu teria tido uma Madrinha na Taça Ibérica de Trail. Mas não: decidiram antes deixar-me sozinho e gastar o dinheiro todo em fitas, brindes e abastecimentos. Viana-Trail, ponham os olhos no Poiares Trail!

 

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Embora o nosso enviado especial à capital da chanfana tenha subido ao pódio enquanto 3.º classificado do escalão SM, este mostrou-se extremamente desagradado com o troféu que lhe foi atribuído. Os troféus do Poiares Trail 2015 têm a forma de um animal com o  focinho de bode (pois tem barbicha) e corpo de cabra (pois tem tetas). Ou seja, trata-se de um caprino transexual – e nós aqui no TopMáquina não gostamos dessas modernices. Ou bem que era uma cabra; ou bem que era um bode. Assim não.

 

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No escalão feminino, Patrícia Carreira apresentou, em exclusivo mundial, uma nova técnica de descida intitulada "O Cristo-Rei". Em declarações no final da prova, a vencedora do Poiares Trail admitiu que esta técnica tem vindo a ser desenvolvida em segredo com o seu treinador André Rodrigues – um dos maiores especialistas mundiais a descer.

 

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Pedro Rodrigues, o outro pupilo de André Rodrigues, correu com uma unha a cair de podre – danos colaterais do UTSM, que o atleta da Lousã terminou num brilhante 6.º lugar. Em conversa telefónica com o atleta, este confirmou à redacção do TopMáquina que a unha foi-lhe arrancada hoje de manhã, a sangue-frio, por um ferreiro da zona. Em baixo podem ver a reacção de nojo do público de Portalegre ao verem a unha do Pedro:

 

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Não sendo uma novidade no universo do Trail Nacional, não podemos deixar de fazer referência aos cartazes colocados ao longo da prova. Alguns serviam de motivação, outros para induzir a gargalhada e, um em particular, para gozar com a cara do fundador deste blog.

 

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Segundo reza a história, Luís Semedo, o vencedor da prova principal do Poiares Trail, apanhou uma piela de proporções bíblicas na noite anterior à prova. Tal significa que a organização falhou redondamente por não tê-lo submetido a um teste anti-doping – de maneira a medir o teor de cevada no sangue com que este se apresentou à partida. Relembramos que, na semana passada, a Agência Portuguesa de Anti-Dopagem adicionou a cevada à lista de substâncias dopantes. Eis o Luís a recuperar da ressaca (da prova):

 

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Por fim, quanto aos meios de socorro, nada a apontar. Não faltaram bombeiros e pessoal da organização nas partes mais perigosas do percurso, incluindo nadadores salvadores (na passagem por linhas de água) com o equipamento de salvamento adequado para o efeito.

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