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TOP MÁQUINA

Eu faço Trail e sou uma Máquina. E isso é Top!

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Eu faço Trail e sou uma Máquina. E isso é Top!

Jesus também tinha uma pilinha

por Pedro Caprichoso, em 27.02.16

A maior crítica que me fazem é a de que estou sempre do lado do contra. Mentira. Nem sempre. É certo que amiúde nado contra a corrente, mas por vezes também sigo a carneirada. A foto abaixo publicada é exemplo disso mesmo. Muitos foram os carneiros praticantes de Trail Running que hoje publicaram uma foto na neve—e eu não podia faltar à chamada. Mais uma foto na neve e o facebook explode. Esta é a gota que faz transbordar o copo.

 

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Não censurei o meu "malaquias" porque tenho medo de ser acusado de atentado ao pudor. Censurei-o porque ele é mesmo muito pequinino—e mais pequinino ficou porque estava um frio de rachar. Ou melhor: um frio de encolher pilinhas. A tapar o meu “malaquias” está uma imagem de Jesus com a seguinte inscrição: “Jesus também tinha uma pilinha”.

 

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Uma foto na neve e uma observação sobre a polémica do cartaz do Bloco de Esquerda. Se isto não é seguir o rebanho…

Os Casalinhos do Trail Nacional

por Pedro Caprichoso, em 24.02.16

aqui escrevi que um dos erros mais comuns cometidos pelos praticantes de Trail Running é apaixonarem-se uns pelos outros. No entanto, pelos vistos, não valeu de nada. Andam-se todos a marimbar para os meus conselhos. Depois digam-me que eu não vos avisei. Depois venham pedir-me colinho. Ombro posso dar. Colinho nem pensar.

 

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Nunca como agora se viu tanto casal pelos montes do nosso Portugal e arredores. Antigamente viam-se alguns, mas esses não chegavam a sair das viaturas. Que praga! Tanto mel, tanto «fofinho», tanto “bebé», tanto «xuxu», tanto sorriso rasgado, tanta selfie a dois, tanta mão dada ao nascer-do-sol, tanto linguado ao pôr-do-sol, tanta declaração armada ao pingarelho, tanta jura de amor eterno. Como se o amor não lhes bastasse, ainda fazem questão de esfregar a sua felicidade na cara dos outros. Até metem nojo! Só pensam neles. Não pensam nos atletas que vivem na solidão e—cuidado que vem aí uma metáfora da construção civil—ainda não tiveram a sorte de encontrar a porca para a sua bucha.

 

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Não percebem que exibir a sua felicidade diminui a felicidade dos outros. Depilar as pernas da nossa cara-metade é muito bonito; fazer uma massagem de recuperação à nossa respectiva é muito bonito; passar creme antifricção no rabinho da nossa mais-do-que-tudo é muito bonito. Agora imaginem fazê-lo sozinho. É muito triste. Quando era solteiro, lembro-me de carpir enquanto passava vaselina nas virilhas. Não ter quem nos passe vaselina nas partes baixas é muito triste. Nisto ninguém pensa. A crise dos refugiados também é triste, mas não se compara.

 

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O Trail é um desporto propício ao amor: calções de lycra justinhos, rabos empinados, decotes convidativos, o ar da serra e a libertação de dopamina (associada ao exercício) são o combustível que faz acender o fogo da paixão. Há que, por isso, resistir à tentação. Por quê? Porque não vai funcionar. Metam isso na vossa cabeça: não vai funcionar. Falo por experiência própria: apaixonei-me loucamente pela Analice, mas a nossa relação foi de pouca dura. Eu queria fazer os Abutres; ela fez a Marathon des Sables. Eu depilo-me; ela prefere homens peludos. Eu queria que usássemos equipamentos a condizer; ela veste o que lhe apetece. Eu queria assentar; ela quer divertir-se. Até que passei o prazo de validade e ela trocou-me por um mais novo. Deu-me à troca.

 

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Dito isto, esta é mais uma daquelas situações em que se aplica a máxima: “Faz aquilo que te digo. Não faças aquilo que eu faço.” Pois parece que não aprendi a lição e já me meti noutra embrulhada:

 

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Atropelei um Carro

por Pedro Caprichoso, em 19.02.16

Há muito tempo que não ficava tanto tempo sem correr. Da última vez que me lesionei ainda corria de t-shirt de algodão, relógio Casio e pêlos nas pernas. Corria o ano de 2001. A bem dizer não foi lesão. Foi desgosto amoroso. Apaixonei-me por uma fisioterapeuta estrábica, roubei-lhe um beijo e ela partiu-me o coração—e coração partido não configura lesão. A catraia não gostou do beijo e tencionava partir-me os cornos. Acabou por partir-me apenas o coração. Por sorte era estrábica. Apontou para a cabeça e acertou-me no coração. Do mal o menos.

 

Já passaram duas semanas e a clavícula ainda me doí. Esta, sim, uma lesão a sério. Também quem é que me mandou atropelar um carro? Estava a pedi-las. Mesmo. A vítima deslocava-se num veículo automóvel e eu—o culpado—fazia-me transportar num veículo de duas rodas desprovido de tracção motorizada—vulgo bicicleta. Eu ia de cima para baixo. Ele vinha de baixo para cima. Eu pretendia seguir em frente. Ele virou à esquerda, invadiu a minha via de trânsito, atravessou-se à minha frente, travou quando me viu e eu ainda tive a desfaçatez de ir contra ele. Minha culpa. Minha tão grande culpa.

 

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[créditos: Duarte Nuno Oliveira-Zahir]

 

O estimado leitor está neste momento a questionar os seus conhecimentos do código da estrada. Não esteja. Lamento confundi-lo. Não é essa a minha intenção. A prioridade era minha? Era. Nada porém justifica ter-me amandado para cima da viatura. Não havia necessidade. Popó a cheirar a novo, acabado de sair do stand, branco como a neve—e eu vou e risco-lhe a pintura? Não está certo. Faltaram-me os reflexos. Nem travar consegui. Devia ter guinado para a direita, evitado a viatura e embatido no muro contiguo à estrada. Antes o muro que o carro. Podia não estar agora aqui a contar a história, mas ao menos não estaria com peso na consciência. Morto não tem consciência. Mas não morri. Ao invés de falecer, fui projectado 3 metros a 40km/h por cima do capô da viatura, fiz um mortal à frente, dei finalmente uso ao capacete, beijei o chão com a clavícula direita e fui arrastado 4 metros sobre alcatrão fofinho. Culpa da velocidade cinética em conluio com a gravidade. Resultado: fractura da clavícula, costas pisadas e o rabinho assado.

 

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Embora não o tenha verbalizado, o condutor estava visivelmente aborrecido com o meu comportamento. Onde é que já se viu? Um tipo deslocando-se de carro para o trabalho e, vindo do nada, aparece-lhe um ciclista para riscar a pintura da sua nova viatura? No lugar dele ficaria pior que fodido. Daí que logo lhe tenha pedido desculpas. Ele aceitou-as e depressa se acalmou. Foi ele, aliás, que ainda me fez o favor de chamar a ambulância. Disse-lhe que não era preciso; que não tinha partido os braços; que conseguia alcançar o bolso do telemóvel. Mas ele insistiu. Santo homem.

Análise dos Resultados dos Melhores da Corrida 2015

por Pedro Caprichoso, em 09.02.16

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Os resultados de 12 das 13 categorias (da votação promovida pelo blogue Correr na Cidade) não me chocam. Alteraria a ordem dos pódios em algumas categorias, mas não me chocam. Parecem-me surpreendentemente aceitáveis. No entanto, no melhor pano cai a nódoa—e a última categoria estraga tudo.

 

David Quelhas (votação do público) e Armando Teixeira (votação do júri) foram considerados os melhores atletas nacionais masculinos. A sério? Mas vocês estão a brincar comigo? Não é comigo: vocês estão é a brincar com a tropa! Só pode. Melhores atletas de Trail? Tudo bem. Não digo que não. Seria discutível, mas não me chocaria. Agora, melhores atletas nacionais? Nacionais?

 

Deixem-me ver se eu percebi bem: vocês estão-me a dizer que atletas de uma modalidade amadora são melhores atletas do que atletas profissionais de atletismo? Em que planeta? Lembro-vos que alguns destes atletas são atletas olímpicos. Lembro-vos que um deles é campeão olímpico—o mesmo que no ano passado fez bronze no Campeonato do Mundo de Atletismo. Estamos a falar de um Campeão Olímpico, por amor do Santíssimo!

 

Comigo os hipócritas não fazem farinha, por isso tenham lá calma antes de me crucificarem na praça pública. Para evitar eventuais equívocos, quero deixar bem claro que eu não estou a desvalorizar em nada o valor do Armando e do Quelhas—dois dos atletas que mais admiro no Trail Nacional. Acontece que estamos a comparar coisas que não são comparáveis. Estamos a comparar atletas amadores de Trail— uma modalidade que está a dar os primeiros passos—com atletas profissionais de Atletismo—cujo nível competitivo é infinitamente superior ao do Trail. A nível nacional, seria o mesmo que comparar jogadores de futebol da Primeira Liga com jogadores de Futebol de Praia.

 

Digo mais: neste momento, em Portugal, tirando uma ou duas excepções, qualquer atleta profissional de atletismo é, em termos comparativos, melhor atleta do que qualquer atleta de Trail. Quem não perceber isto, não percebe nada de desporto. Os actuais praticantes de Trail parecem esquecer-se de que são os pioneiros da modalidade. Daqui a 20 anos, segundo a lei da evolução, os atletas de Trail serão infinitamente melhores do que os atletas actuais. Voltem a fazer esta votação em 2036 e, talvez, nessa altura, haja um atleta de Trail melhor do que um atleta profissional de Atletismo. Talvez.

 

Estou-me positivamente a cagar para a votação do público. O público vota por afinidade e isso deturpa os resultados. Agora, o júri? O que vos deu? Aceitaram algum suborno da ATRP? Só pode. Conheço alguns dos elementos do júri, mas tenho de perguntar isto na mesma: vocês percebem alguma coisa da poda?

 

É evidente que deveriam ter sido criadas duas subcategorias dentro da categoria de melhor atleta: uma para o Trail e outra para o Atletismo (Pista / Estrada). Fizeram-no com as outras categorias e não se percebe por que não o fizeram com esta. Vá lá que a Sara Moreira foi eleita a melhor atleta feminina. Do mal o menos.

Os Verdadeiros Vencedores da Corrida no Monte

por Pedro Caprichoso, em 09.02.16

Um dia depois do blogue Correr na Cidade ter divulgado os resultados d'Os Melhores da Corrida 2015, o TopMáquina ficou com ciúmes e deliberou, em reunião de conselho de administração, divulgar os resultados da votação por nós promovida no passado dia 23 de Janeiro.

 

Embora o universo de respostas da nossa votação seja inferior (270) ao da votação promovida pelo Correr na Cidade (751), é incontestável que os nossos dados são mais fiáveis. Isto explica-se pelo facto de que os nossos leitores têm, em média, um QI superior ao dos leitores do Correr na Cidade.

 

Parabéns aos vencedores. Ei-los:

 

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The Dream Team

por Pedro Caprichoso, em 06.02.16

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A EDV-Viana Trail (VT) não é melhor do que as outras equipas. Seria demagógico afirmar o contrário. Seria como afirmar que Portugal é o melhor país do mundo sem de ele nunca ter saído. Pior do que demagógico, seria ignorante. Não conheço por dentro as outras equipas e, como diz o povo, é feio meter a pilinha em penico alheio. Não obstante, se as outras equipas forem a soma dos seus membros, posso apenas inferir que equipas espectaculares é coisa que não falta no Trail Nacional. De gente boa está o Trail cheio.

 

Também nós somos espectaculares. Mais do que espectaculares, somos fofinhos. A melhor forma de nos definirmos é a seguinte: somos espectaculares, bué fofinhos e dotados de identidade guerreira. Não nos subestimem. Não cometam esse erro. Se fôssemos um animal, teríamos corpo de panda e temperamento de rinoceronte.

 

Não há equipa como a nossa. Por quê? Pela simples razão de que somos únicos. Não somos melhores. Somos diferentes. Os atletas do VT não existem fora do VT. Não é metafísica. É a opinião de quem está presentemente e fortemente sob o efeito de analgésicos.

 

Não somos clonáveis. Não andamos a reboque dos outros. Antes abrimos o nosso próprio caminho. Por vezes à catanada. Somos um grupo aberto. Somos de e para todos. Uns correm mais, outros correm menos e todos correm o que podem. A corrida é o instrumento, a amizade a fita-cola e o anti-vedetismo o ingrediente secreto. O VT "é um estado de espírito", como diz o nosso Presidente.

 

 

Moral da história: não corram sozinhos. Juntem-se a uma equipa. O resto é papo-furado.

Rescaldo dos Abutres 2016

por Pedro Caprichoso, em 04.02.16

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Tirando aquela vez em que dei o rabinho ao vigário da minha paróquia, estes foram os 500 paus que menos me custaram ganhar até hoje. Com cachês destes vou deixar de trabalhar. Gosto muito de dar o rabinho, mas prefiro ganhar dinheiro abrindo a boca de outra forma. Abri a boca 5 vezes, 4 das quais para bocejar. Não que a tertúlia não estivesse a ser interessante. Estava. Eu é que estava morto de sono. Havia passado a noite anterior a dar o rabinho. Já vos disse que dou o rabinho? Não é sempre. Só de vez em quando: quando tenho o saldo bancário negativo e preciso de sapatilhas novas. Prometo que não falo mais do meu rabinho neste parágrafo.

 

 

Viram como eu cumpro as minhas promessas? Cumprida a promessa, voltemos ao rabinho. Desta feita não ao meu. Vamos antes focar-nos no rabinho do Sérgio Duarte. O rabinho do Sérgio—mais conhecido como o tipo das Barras Olimpo—fez deflagrar uma bomba de metano a escassos minutos do tiro de partida dos Trilhos dos Abutres. Instantes após a explosão, formou-se uma cratera à volta do Sr. Olimpo—e este foi avançando pelotão acima de maneira a partir à frente do mesmo. Não estou a insinuar. Estou a afirmar, enquanto perito em flatulência, que o traque foi premeditado. O tipo peidou-se intencionalmente para partir melhor posicionado. Estão a ver aquela passagem da bíblia em que Moisés abre o Mar Vermelho para possibilitar a travessia dos filhos de Israel? É a mesma coisa.

 

Era ver o pessoal a tirar os buffs da cabeça e a colocá-los à frente da boca; um atleta asmático, que se encontrava no epicentro do rebentamento, viu-se forçado a sacar do inalador; um espanhol, que se encontrava ao lado do Paulo César, teve um ataque de pânico ao julgar que estávamos a ser alvo de um ataque químico perpetrado pelo Estado Islâmico; e eu, que me encontrava atrás do Sérgio a atacar as sapatilhas, fiquei com as sobrancelhas chamuscadas. Já me perguntaram se ando a fazer quimioterapia.

 

Posto isto, impõe-se a pergunta: que raio têm as Barras Olimpo para produzirem tamanha devastação?

 

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Passei a noite de Sexta para Sábado no Centro de Trail de Miranda do Corvo e não dormi nada. Estava lá um tipo que ressonava como um tractor e não preguei olho. Se soubesse teria ficado com os meus colegas de equipa no solo duro. Poderia acordar com dores nas costas, mas ao menos teria descansado. Além de que o ambiente era mais aconchegante, como se pode verificar pela foto abaixo publicada. Agora percebo por que lhe chamam “solo duro”. Ênfase no duro.

 

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Ai se vocês soubessem o quanto eu gosto daqueles tipos que dizem mal das Organizações durante as provas—e, depois, quando chegam a casa, vão para as redes sociais anunciar que, neste caso, os Trilhos dos Abutres são mágicos, deslumbrantes, a life changing experience e o raio que o parta. Só para informar que me cruzei com meia dúzia destes espécimes. O que durante a prova eram trilhos com lama a mais, depois da prova transformaram-se em trilhos pesados; o que durante a prova eram trilhos que punham em perigo a vida dos atletas, depois da prova transformaram-se em trilhos desafiantes; o que durante a prova eram trilhos para caminheiros, depois da prova transformaram-se em trilhos para duros. A estes aconselho adquirirem um fazedor de coerência. Este electrodoméstico está em promoção no Lidl. Aproveitem.

 

Os atletas são unanimes ao reconhecerem que a Organização dos Abutres esteve ao mais alto nível, nomeadamente ao nível das marcações. Das marcações ninguém se pode queixar. Estavam perfeitas. De uma fita via-se a fita seguinte; e o sentido errado, nos cruzamentos mais duvidosos, encontrava-se devidamente barrado. Estavam tão, mas tão boas, que nem se notou o facto de serem brancas. Por outro lado, a presença de gajas boas na prova curta (25k) é o único aspecto negativo que aponto à Organização. Não é a união de provas que me incomoda. Pode haver união; o que não pode haver é gajas boas a disputar a prova curta. Eu gordos ultrapasso bem: passo-lhes uma rasteira. O problema são as gajas boas. Um gajo distrai-se quando seguimos atrás delas naqueles single-tracks apertadinhos: estamos constantemente a tropeçar, roçamo-nos nelas sem querer e quedamo-nos junto delas mais tempo do que o necessário. Contei 22 gajas boas e, junto a cada uma, perdi cerca de 3 minutos. Percebem agora por que fiquei a mais de 1h do primeiro?

 

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Os Abutres são uma prova de Trail. No entanto, por vezes, dada a quantidade de linhas de água, parecem uma prova de natação; por vezes, dado o piso escorregadio, parecem uma prova de ski; e, a determinado momento, a edição deste ano assemelhou-se, inclusive, a uma partida de bowling. Na descida assistida por corda antes do abastecimento de Nossa Senhora da Piedade (29k), um pedregulho do tamanho de uma melancia soltou-se e desatou a rebolar encosta abaixo. Não fosse o aviso de um colega de equipa e a Fernanda Verde teria sido abalroada pelo calhau como se de um pino se tratasse. Por sorte estava um cavalheiro nas imediações. O José Feiteira fez-se homem, pegou na pedra e carregou-a até à base da descida. Partiram o molde quando fizeram o José. Um senhor.

 

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Os Trilhos dos Abutres são sinónimo de dureza. Tal dureza ficou bem demostrada este ano, não tanto pelo perfil ou altimetria, mas antes pelo facto de muitos atletas terem alucinado durante a prova: uns afirmam que viram um casal de javalis a acasalar; outros juram a pés juntos que se cruzaram com um veado; e até há um que diz que foi mordido por um cão. A meu ver, o que aconteceu foi: pensam que viram javalis, mas na verdade eram dois atletas do Arrábida Trail Team a fazerem miminhos um ao outro; pensam que se cruzaram com um veado, mas na realidade tratava-se de uma Gazela—a tal que ficou em 8.º lugar da geral; e o Délio foi mordido por um cão d’avenida com hipoglicemia, como é evidente.

 

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As cãibras não quiseram faltar à festa e marcaram presença em força nos Abutres 2016. Muitos foram os atletas que se queixaram delas no fim da prova. Uns tiveram-nas a subir, outros tiveram-nas a descer e até houve um desgraçado que as teve nos tomates. Perguntem ao Jorge que ele conta-vos os pormenores. Ainda na zona da genitália, o que dizer do homem com o maior badalo dos Abutres? Chama-se Romeu Gouveia, tem 12 anos e já lhe dá no badalo como gente grande. É de jovens atletas apaixonados pela modalidade que o Trail precisa. Mandem vir mais 3 paletes e 5 resmas de Romeus, sff. Farto-me de dizê-lo e volto a repeti-lo: mais malucos do que os malucos que correm no monte, são os malucos que vão para o monte ver outros malucos correr.

 

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O trio constituído por Ricardo Silva, André Rodrigues e David Quelhas dominou os primeiros 2/3 da prova, altura  (37k) em que o último decidiu atacar rumo à aldeia de Gondramaz. O atleta da equipa Coimbra Trail Running arriscou tudo na descida e seguiu isolado até à meta, deixando a luta em aberto pelo segundo lugar. No entanto, num bonito gesto de desportivismo, Ricardo e André decidiram cortar a meta juntos. Uma vez que seguiam juntos à entrada dos últimos 2km, não faria sentido resolver no alcatrão o que não ficou resolvido nos trilhos. E ainda andam por aí uns iluminados que dizem que o Trail já não é o que era. Façam-me um favor: ide dar banho ao cão.

 

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Tendo em conta a diferença de 10 minutos entre o primeiro e os segundos classificados, poder-se-á supor que o David ganhou com facilidade. É falso. Foi tudo menos fácil. Os seus joelhos ensanguentados contam outra história: a história de uma descida estabanada. É certo que o rapaz tem tomates de aço e o lastro fá-lo ganhar velocidade, mas não subestimem a sua técnica. Esta tem de ser apuradíssima. De outra forma, estaríamos no próximo Sábado a celebrar a sua missa de sétimo dia. Seja como for, certo é que o David teve ainda tempo de fazer 20 pull-ups. Testemunhas na meta afirmam que ele justificou o exercício pelo facto de usar aqueles trilhos como circuito de manutenção e que, por instantes, se esqueceu de que estava em prova.

 

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A EDV-Viana Trail foi a grande vencedora colectiva dos Trilhos dos Abutres 2016. A meio da prova, no entanto, para surpresa de todos, era a equipa da Satecnosol que liderava com 3 atletas posicionados entre o primeiro (Ricardo Silva) e os restantes atletas da equipa de Viana do Castelo. Atacando a prova desde o início, os amarelos da Satecnosol perderam gás na segunda metade e caíram para o segundo lugar. Nada que porém desvalorize aquilo que todos consideraram um resultado brilhante. Em terra de veados, o Gazela foi um dos que mais correu.

 

O nome “Satecnosol” deriva do apelido “Sá”, do diminutivo “tec” e do detergente “Sonasol”. “Sá” porque José Sá é o Presidente/Director-Desportivo/Atleta da equipa com sede em Paredes; “tec” porque o seu equipamento vem artilhado com tecnologia de ponta; e “Sonasol” porque esse é o ingrediente secreto que os seus atletas colocam no isotónico. É um nome com pedigree, embora um tanto ou quanto fleumático. Vai daí sugeri ao Sá que mudassem o nome para “Bandido Trail Running Fucking Team”. Tudo indica que ele fez ouvidos moucos da minha brilhante sugestão.

 

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A nota negativa desta edição dos Trilhos dos Abutres vai para a equipa Dr. Merino/Nutrifit. Não estou a falar da sua performance desportiva, que foi excelente. Não estou a falar do seu fair-play, que foi admirável. Estou antes a falar da forma como os homens da aludida equipa tratam as suas mulheres. Sabem o que os marmanjos fizeram? Terminaram a prova, foram ao banho, não esperaram pelas meninas, fugiram com a chave da viatura da equipa e deixaram-nas ao frio. Aliás, este parágrafo está a ser escrito a pedido das manas Vieira. Parece-me pois evidente que já não há cavalheiros em Paredes. Em nome da EDV-Viana Trail, venho nesse sentido demonstrar a nossa disponibilidade em acolher as manas Vieiras e restante contingente feminino da Dr. Merino/Nutrifit. Meninas, peçam recomendações à Fernanda Verde e releiam o episódio do pedregulho acima descrito. Nós tomamos conta das nossas mulheres.

 

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Por fim, suplico-vos: não corram sozinhos. Juntem-se a uma equipa. O resto é papo-furado.

 

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Antevisão dos Abutres 2016

por Pedro Caprichoso, em 27.01.16

Vejo muita gente assustada com os Abutres. Sobretudo os novatos. No facebook só leio publicações acagaçadas. Andam todos borrados de medo. Os finishers da última edição classificaram-na como a mais dura de sempre—e os novatos, com medo, andam por aí todos a borrar a cueca.

 

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Tenho inclusive um colega de equipa que tem padecido de pesadelos recorrentes. Não vou identificá-lo por uma questão de respeito. Dar-lhe-emos o nome fictício de Diogo Lopes. O Diogo confessou-me que já não dorme há uma semana e que o seu pesadelo é sempre o mesmo: escorrega, cai de cu em cima de um ouriço, esgaça o rabinho, não consegue levantar-se e é engolido pela lama. Perante isto, fiz o que estava ao meu alcance no sentido de tranquilizá-lo. Assegurei-lhe que o seu pesadelo jamais se concretizaria: «Em finais de Janeiro já não há ouriços», disse-lhe. «A época dos ouriços é no Outono, pelo que a probabilidade de algum se alojar no teu ânus é praticamente nula.» E rematei reconfortando-o: «Escorregar é garantido. Cair de cu uma certeza. Ser engolido pela lama uma possibilidade. Agora, esgaçar o rabinho num ouriço? Isso está fora de questão. Podes esgaçá-lo, mas não num ouriço. Talvez num eucalipto bebé ou numa pedra aguçada.» Penso que fui um bom amigo. Acredito que ele hoje já vai dormir mais descansado. Como um bebé.

 

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Dito isto, não tenham medo dos Abutres. Não acreditem em tudo o que vos dizem. Os Abutres não são esse bicho-papão que vos tentam vender. São muito piores. Preparem-se para o pior. Confessem-se, redijam o vosso testamento, acendam uma vela a São Olmo e escrevam uma carta de despedida aos vossos familiares. Pelo sim, pelo não. Acham que estou a exagerar? Então façam o favor de visualizarem o vídeo abaixo publicado. Tiro-vos o chapéu se conseguirem fazê-lo com as calças secas. O xixi vai estar em alerta vermelho. Depois digam que eu não vos avisei. A Dodot está em promoção no Continente. Aproveitem.

 

 

Por fim, um convite: apareçam e participem na tertúlia a realizar, sexta-feira, dia 29, no Mercado Municipal de Miranda do Corvo, por volta das 20h00. Para quê? Olha, por exemplo, para atirem ovos e tomates podres à minha pessoa sempre que eu disser um disparate. O que me dizem?

Os Melhores do Trail Nacional 2015

por Pedro Caprichoso, em 23.01.16

Plagiando (à descarada) o blogue Correr na Cidade, o TopMáquina vem por este meio promover uma votação no sentido de determinar os Melhores do Trail Nacional 2015. Os resultados serão divulgados a seu tempo. Ou seja, quando bem me apetecer.

 

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Os Melhores da Corrida 2015

por Pedro Caprichoso, em 20.01.16

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O blogue Correr na Cidade encontra-se a promover uma votação no sentido de determinar os Melhores da Corrida 2015. A votação é constituída por 3 temas agrupados em várias categorias e o júri composto por pessoas ou grupos convidados pelo supracitado blogue. Ainda estou em choque por não ter sido convidado. Falta de consideração. É o que é. Até aposto que o tipo do Tripas e Nortadas foi convidado. É por estas e por outras que. Vocês sabem o que eu quero dizer. Uns são filhos e outros enteados. É o sistema. Tráfico de influências. Corrupção. Cunhas. Padrinhos. Maçonaria.

 

Mas não julguem que me calam. Jamais calar-me-ão. Muito menos silenciarão. O que agora ficava bem era uma rima com tesão. Ou com feijão. Vocês ainda têm de comer muito arroz com feijão. E farofa. E picanha. Tal desconsideração não me vai porém impedir de influenciar a decisão dos jurados. And the running oscar goes to…

 

MATERIAL E MARCAS DE CORRIDAS

 

Melhor Marca de Running

Meia da Raquete.

 

Melhor Modelo de Sapatilha de Estrada

Crocs Z-Lab Sense 5.

 

Melhor Modelo de Sapatilha de Trail Running

Adidas Speedcross.

 

Melhor Acessório de Corrida

COMPREX – O Preservativo para o Trailer do Século XXI.

 

 

TREINOS E PROVAS

 

Melhor Treino Social

5F Bravas à Hora do Bagacinho na Cova da Moura.

 

Melhor Prova de Estrada

Ermesinde Night Urban Trail Fucking Running.

 

Melhor Prova de Trail Running

Légua Nudista.

 

Melhor Circuito de Provas

Maratona de Provas de Enchidos de Aguiar da Beira.

 

 

FACTOS E PESSOAS

 

Melhor contribuição do ano

Os 2,5 milhões de euros da Prozis à ATRP.

 

Melhor atleta Feminino

Missy TraiLab.

 

Melhor atleta Masculino

Não vou nomear ninguém para não ferir susceptibilidades. Digamos apenas que é aquele que acumula as seguintes características:

 

  1. Tem página de atleta;
  2. Exibe o nome no equipamento;
  3. Publica fotos em lojas de desporto ainda que por estas não seja patrocinado;
  4. Tira uma selfie sempre que sai para treinar;
  5. Liga para as organizações das provas para conhecer a lista de inscritos;
  6. Escolhe as provas com menos concorrência;
  7. Justifica os maus resultados com desculpas esfarrapadas;
  8. Escarrapacha nas redes sociais todos os seus treinos: os quilómetros percorridos, o desnível vencido e as calorias gastas;
  9. No fim das provas, publica a foto do conjuntinho formado pelos brindes, medalha, sapatilhas enlameadas, relógio com o tempo de corrida, t-shirt de finisher e dorsal;
  10. Na véspera das provas, publica a foto do dorsal, acessórios, alimentação e equipamento dobrado em cima da cama.

12 Coisas que detesto no Trail Running

por Pedro Caprichoso, em 18.01.16

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1.

Encontrar uma secção de trilho totalmente alagada, fazer um desvio de maneira a contornar a água e, mesmo assim, molhar os pés.

 

2.

Dar de focinhos com uma poça de água, contorná-la com todo o cuidado para não molhar os pés e depois o nosso companheiro de treino desatar a chapinhar na água, encharcando-me dos pés à cabeça. Isto é o prato do dia nas 5F Bravas.

 

3.

Gajas feias que inundam a minha caixa de correio com pedidos de envio de roupa interior autografada. Já só tenho 2 pares de cuecas.

 

4.

Gente que faz provas de estrada com mochilas de hidratação. Dão mau nome ao Trail.

 

5.

Sair para um treino de 4h e a meio aperceber-me que me esqueci de passar creme antifricção nas virilhas. Dica: passar água na zona afectada só agrava a situação.

 

6.

Começar a chover assim que começamos o treino e parar de chover assim que chegamos a casa.

 

7.

Apanhar uma gaja de rabo-de-cavalo a correr à nossa frente, aumentar o ritmo para apanhá-la e, ao ultrapassá-la, aperceber-me de que é um homem.

 

8.

Ter de aliviar a tripa num descampado em dia de ventania invernal. Aquele frio entra por ali adentro e erriça os pêlos do rabo. Além disso, o cocó larga vapor—o que é particularmente nojento. Prefiro que o meu cocó não largue vapor. Acho mais higiénico.

 

9.

Esquecer um par sapatilhas molhadas na mala do carro e, no dia seguinte, abrir o carro com a sensação de que morreu um animal dentro da viatura.

 

10.

Treinar em grupo, esperar nas subidas por aquele nosso amigo badochas e este depois disparar nas descidas, deixando-me para trás. Como os treinos no monte acabam geralmente em descida, é depois vê-lo achando-se o maior. Atenção: isto não é dirigido ao José Carlos Alcobia.

 

11.

Nas partidas ter de ultrapassar em gincana os dois tipos de gente que fazem de tudo (incluindo cotoveladas) para partir à frente das provas: (1) os velhos que ainda pensam que são novos e (2) os atletas de ginásio artilhados com tecnologia de ponta dos dedos dos pés à ponta dos cabelos.

 

12.

Páginas de atleta de atletas amadores. Eu também faço um bacalhau à brás de ‘comer e chorar por mais’ e não é por isso que tenho uma página de chef no facebook.

Os Jogos Olímpicos dos Caminheiros

por Pedro Caprichoso, em 14.01.16

Estou triste. Não fui seleccionado para o UTMB. Sinto que a minha vida deixou de fazer sentido. O UTMB é tudo para mim. Não há vida para além do UTMB. Participar no UTMB seria como participar nos Jogos Olímpicos dos Caminheiros. Recuso-me a encontrar alternativas ao UTMB. Comigo é tudo ou nada. É o UTMB ou o sedentarismo. Adeus UTMB. Olá sofá.

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Tinha a certeza de que era desta que seria seleccionado. Contei aos meus amigos, ao pessoal do trabalho e à minha emprega de limpeza. Disse-lhes que era desta. Tinha inclusive reservado um restaurante para comemorarmos o feito. Tive de desmarcar tudo. Agora até tenho vergonha de encarar o Jorge da contabilidade.

 

Tinha dado entrada para a compra de uma GoPro, pedi emprestado um stick para tirar selfies e já tinha garantido alojamento em casa da prima de um amigo da minha ex-mulher. A rapariga vive a 1h30 de Chamonix e é boa como o milho. Podia ser que…

 

O meu erro foi achar que o meu nível de notoriedade faria com que a organização me endereçasse um convite VIP. Esperei, esperei, desesperei e o convite nunca chegou. Parece que este ano vou ter mesmo de coleccionar os pontos obrigatórios e candidatar-me com o comum dos mortais.

 

Este ano limitar-me-ei às funções de mochileiro do Jérôme Rodrigues. É degradante, eu sei. Mas não tenho alternativa. Foi uma aposta. Tê-lo-ia de fazer se ele fosse seleccionado—e não é que o cagão foi mesmo seleccionado? Sorte de principiante. Candidatou-se pela primeira vez e foi logo seleccionado. Deus dá dentes a quem não tem nozes.

Toda a Verdade sobre o TopMáquina

por Pedro Caprichoso, em 13.01.16

O JN Running pediu-me uma entrevista e a primeira coisa que eu fiz foi elaborar um discurso todo xpto. Tenho pânico de falar em público e pensei que me safaria melhor se tivesse a lição estudada. Enganei-me redondamente. Vocês já viram este vídeo e sabem do que eu estou a falar. Algumas partes escaparam-se-me e outras não resistiram à edição. Um desastre completo. Posto isto, de maneira a não acharem que eu sou um perfeito anormal, transcrevo em baixo a versão completa. Eis toda a verdade sobre o TopMáquina:

 

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 [TopMáquina na véspera de ir para a tropa]

 

Infelizmente não comecei a correr porque pesava 220kg e fumava 5 maços de tabaco por dia, pois nesse caso teria uma história emocionante de superação para vos contar. A realidade é bem menos interessante.

 

Comecei a correr no século passado. Provavelmente em 1997. Na altura jogava futebol nos escalões de formação, e foi-me proposto por um colega de equipa começarmos a correr nas férias grandes para chegarmos melhor preparados ao início da época futebolística. Lembro-me de sentir que aquele circuito—que nos levava 25min a subir e outros 15 a descer—era o nosso Kilimanjaro. Sempre pensei que teria uns 10km. Anos mais tarde, equipado com um relógio GPS, descobri que nem 4km tinha.

 

Entretanto, em 1998, fui estudar para fora. Deixei o Futebol, continuei a correr e fiz a minha primeira prova em 2000—então com 20 anos. Sobrevivi à Meia-Maratona de Viseu com 1h35, federei-me e continuei a fazer provas de estrada até 2012—ano em que fiz a minha primeira prova de Trail.

 

Como sou um tipo que gosta de fazer as coisas com calma e não dar um passo maior do que a perna, escolhi os 70km do Ultra Trail Serra da Freita (UTSF 2012) para me estrear no Trail. A Freita é perto de casa dos meus pais, já tinha feito 3 Maratonas de estrada e julgava, do alto da minha sobranceria, que acabar o UTSF eram favas contadas. Fui ao engano. Completamente. Caí 10 vezes—sim, contei-as—e pensei em desistir outras tantas. Ainda hoje não sei como, mas lá consegui cortar a meta ao cabo de 11h30—já por essa altura o Mota havia tomado o seu duche e enfardado 3 bifanas. Depois da Freita fiz o UTAX, e depois outra e mais outra e mais outra… E agora aqui estou eu a ser entrevistado por aquilo que escrevo e não por aquilo que corro. No fundo, sou um atleta frustrado. Verdade.

 

Sempre escrevi. Tive muitos blogues ao longo dos anos, daqueles extremamente egocêntricos e nada interessantes. Entretanto, no final de 2014, comecei a escrever no facebook umas palermices relacionadas com o Trail e as pessoas pareciam reagir de forma positiva aos meus textos. Daí a criar o blogue foi um passo. O TopMáquina é a forma que eu tenho de não me levar a sério e de me rir de mim próprio. As provas são para competir, quanto mais não seja comigo próprio. Entre o tiro de partida e a meta só penso na competição. Fora isso, para não cair na obsessão da competição, sinto necessidade de apalhaçar. É quase como uma terapia, sendo que o melhor remédio é rirmo-nos de nós próprios.

 

Já que estou na televisão, posso mandar beijinhos para os meus Trail Runners preferidos? Refiro-me, como é evidente, aos primos Rodrigues (Pedro Rodrigues, Jérôme Rodrigues e André Rodrigues) e aos primos Silva (Nuno Silva, Ricardo Siva e Carlos Natividade Silva). Por fim, quero ainda mandar uma lambidela molhada à Missy TrailLab—a melhor atleta de 4 patas do Trail Nacional. [Nota para mim próprio: pegar na câmara e dar uma valente lambidela na lente de maneira a deixá-la embaciada.]

 

Já agora, em que canal é que isto vai dar?

7 Resoluções para 2016

por Pedro Caprichoso, em 12.01.16

Na passagem do ano decretei 7 resoluções para 2016. Decretei-as em voz alta enquanto dava as 12 tradicionais passas num charro de ervas daninhas e bebia uma taça do meu próprio xixi. Não me julguem. É uma tradição de família. O nosso xixi é extremamente efervescente. Faz bolhinhas. É genético.

 

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Sem surpresa, todas as resoluções tinham a ver com o Trail. Igualmente sem surpresa, 5 dias depois já tinha quebrado todas as promessas que havia jurado cumprir—e agora sinto-me um falhado. Ainda para mais eram resoluções totalmente realistas e exequíveis. Tive o cuidado de não dar um passo maior do que a perna, mas mesmo assim falhei em toda a linha.

 

1. Comer melhor.

 

Tenho tentado comer da forma o mais variada possível, mas em 2016 só tenho comido brasileiras. Suecas e Dinamarquesas nem vê-las. Todos sabem que as nórdicas são ricas em vitamina C, pelo que receio ficar com escorbuto.

 

2. Melhorar a minha técnica.

 

O André Rodrigues—também conhecido como o Rei da Cinestesia—aconselhou-me a correr no monte de olhos vendados como forma de aumentar os meus níveis de propriocepção. Aceitei a sugestão e, no dia seguinte, rachei os cornos ao embater com estes num poio de javali fossilizado. Ele veio visitar-me ao hospital e admitiu que estava a gozar contigo: «Nunca pensei que tentasses mesmo correr de olhos vendados. Tu és maluco? Não vês que isso é muito perigoso. O que eu faço é correr de noite sem frontal. É muito mais seguro.» O André não seria capaz de me enganar duas vezes, pois não?

 

3. Comprar menos sapatilhas.

Havia estipulado comprar apenas 2 pares de sapatilhas por ano. Já vou em 7: 1 para competir em piso molhado, 1 para competir em piso seco, 1 para os treinos longos, 1 para os treinos intervalados e 3 para andar no dia-a-dia de maneira a exibir-me com estilo. O que me vale é que são todas contrafeitas. Custaram-me 17€ o par no Aliexpress.

 

4. Treinar em grupo.

 

Todos me dizem que treinar em grupo é que é bom. A única vantagem que eu vejo é se correr com tipos mais fraquinhos do que eu: dou-lhes um bigode e depois gozo com eles ‘forte e feio’. Acontece que até hoje só 3 pessoas se mostraram interessadas em treinar comigo: o Ricardo Silva, o Jérôme Rodrigues e o Tino de Rans—e com esses eu não faço farinha. São muita areia para o meu camião. Nomeadamente o Tino.

 

5. Correr de meias.

 

Tentei. Acreditem que tentei. Mas não dá. Poder-vos-ia dizer que de meias fico com os pés ensopados, que de meias o pé escorrega-me dentro da sapatilha nas descidas, que de meias preciso de esganar o pé para conseguir um mínimo de estabilidade, ou que de meias o cheiro a chulé é insuportável. Tudo isso é verdade. A maior verdade de todas, porém, é que correr sem meias é uma das minhas imagens de marca e eu sou um tipo extremamente cagão. Se agora começar a correr de meias, sabem no que é que eu me transformo? Passo ao anonimato num estalar de dedos e transformo-me em mais um runner, mais um igual a tantos outros—e o meu objectivo de vida não é esse. Eu quero justamente o oposto: quero destacar-me entre a carneirada, ter muitos gostos no facebook e viver feliz para sempre. Também já tentei usar suplementação em pó, mas acabo sempre por voltar à Sopa da Mamã. Por quê? Porque, embora rançosa, é outra das minhas imagens de marca. Lamento, mamã, mas tu não sabes cozinhar.

 

6. Largar o doping.

 

Confessei-me antes da missa do galo e o padre da minha paróquia mandou-me largar o doping. O vigário garantiu-me que largá-lo melhora as minhas hipóteses de conseguir um lugar no paraíso. Perante tal dilema, pus a mão na consciência, tirei-a do rabinho passado 5 minutos, fiz um piço com a mesma, apontei-o ao sacerdote e mandei-o passear. Escolho o doping. Tudo indica, portanto, que passarei a eternidade nos quintos dos infernos. Paciência.

Aquilo que a Santa Sé não percebe é que o doping tem uma grande vantagem: faz-nos correr mais. Além disso, como os atletas ainda não são controlados, não há qualquer risco de sermos apanhados. Só os pelintras—sem dinheiro para comprar droga—é que não se dopam. E eu não sou pelintra. O rendimento mínimo chega-me e sobra.

 

7. Responder a todos os meus fãs.

 

Ao correio electrónico do TopMáquina chegam-me diariamente centenas de mensagens. A maioria são ameaças de morte e convites de cariz sexual. Cheguei contudo à conclusão de que é humanamente impossível responder a todos os meus fãs. Das duas uma: ou arranjo uma assistente, ou inverto as minhas prioridades. Não estou porém disposto a fazer nem uma coisa nem outra. Arranjar uma assistente está fora de questão: não há orçamento. Quanto às minhas prioridades, esta lista está por ordem decrescente e em primeiro está a minha alimentação (ver ponto 1).

 

Desde então tenho vindo a penitenciar-me por meio de palmadas no rabinho. Sempre que falho uma resolução, telefono ao Joel José Ginga e ele vem a minha casa açoitar-me as nalgas. Pode não parecer grande castigo, mas o que vocês não sabem é que ele trabalha na agricultura e tem aquelas mãos bem calejadas. O homem, afinal de contas, é praticamente queniano: quando não está a correr, está a cultivar a terra.

Entrevista Top a uma Máquina

por Pedro Caprichoso, em 08.01.16

Aqui há uns tempos, uma tal de Ivete meteu conversa comigo no facebook e eu pensei: “Pronto, mais uma que quer um par de cuecas autografadas.” Afinal queria uma entrevista. Ei-la:

 

Balanço 2016

por Pedro Caprichoso, em 05.01.16

Quem diria que 2016 ficaria na história como o ano da revolução no Trail Nacional? 2016 teve de tudo: controlos anti-doping positivos, prémios monetários de 4 dígitos, cancelamento de provas por falta de participantes, o primeiro português campeão do mundo de Trail, o primeiro escândalo de corrupção, o primeiro escândalo sexual e a coincidência dos 6 Campeões Nacionais de Trail serem todos do signo Balança.

 

Parte I

 

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Como bem se lembram, os primeiros casos positivos ocorreram logo no rescaldo dos Trilhos dos Abutres. Se um dos casos detectados pela Agência Portuguesa de Anti-dopagem (APA) não foi surpresa para ninguém, o mesmo não se pode dizer do outro.

 

Só os mais distraídos ficaram admirados com a confissão da Analice aos microfones da TSF Runners. Relembro que à atleta Luso-Brasileira foi aplicada uma pena de suspensão por um período de 2 anos, ao que acresce serviço comunitário por igual período. Sinceramente não sei o que é pior: se a suspensão, se ser forçada a rebentar as bolhas dos finishers das provas que fazem parte do Campeonato Nacional de Trail Endurance. Ainda que só fossem as bolhas do José Faria, tal já seria castigo suficiente.

 

Sejamos sinceros: a Analice já vinha a pedi-las e teve o que merecia. O que dizer, porém, do controlo positivo do Rui Pinho? Ao contrário da sua amiga, o Rui remeteu-se ao silêncio durante todo o processo. Os seus advogados continuam a afirmar que o seu cliente desconhecia que o Calcitrin é composto por uma substância proibida pela APA. A extroderimetadonatina, vulgo ‘extracto de colhão de touro’, foi detectada numa amostra de xixi do Rui e posteriormente confirmada através de uma segunda análise.

 

Na única vez que falou em público sobre o assunto, na já famosa conferência de imprensa realizada numa Tasquinha do Porto, o autor do blog Tripas e Nortadas comeu 3 francesinhas e depois leu uma breve declaração perante os jornalistas. Transpomo-la em baixo na sua totalidade:

 

«A idade não perdoa e comecei a tomar Calcitrin por recomendação do meu amigo Eduardo Merino. Ele disse-me que a minha estrutura músculo-esquelética não ia aguentar por muito mais tempo, que isto já lá não ia com fisioterapia e que a única solução passaria por recorrer aos químicos. E assim fiz. Ainda experimentei o cogumelo do tempo, mas aquilo só me fazia gases. O José Capela é testemunha.»

 

Alguns juram a pés juntos que o Rui é inocente; outros querem despi-lo, mergulhá-lo num barril de óleo queimado, despejar-lhe um saco de penas de galinha em cima e obrigá-lo a fazer o UTSF nesses preparos. Seja como for, facto é que a ATRP teve mão pesada e aplicou-lhe um castigo exemplar. A ATRP obrigou o Rui a aceitar o cargo de Director de Comunicação da associação em troca da redução da pena de suspensão que lhe foi aplicada de 3 para 1 ano. Escusado será dizer que ele foi entretanto despedido por “promover a discussão sobre o estado do Trail Nacional” e a sua pena agravada em 5 anos.

 

Parte II

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Segundo os especialistas, o pico de popularidade do Trail atingiu-se por volta das 17h04 (UTC) do passado dia 29 de Julho de 2016. A modalidade atingiu aquele ponto em que todos os nossos amigos fazem Trail e já não temos mais ninguém para impressionar com os nossos feitos trailiteiros. Qual o interesse em praticar uma modalidade que todos praticam? Qual é a gaja que fica ‘com o pito aos saltos’ por um tipo que pratica a mesma modalidade da mãe dela? Namorado e mãe a praticarem a mesma modalidade não é, definitivamente, a coisa mais sexy do mundo. A prática do Trail, em meados de 2016, tornou-se assim o equivalente à prática de levantamento de copos na esplanada da Associação Cultural e Recreativa da Pontinha; ou, se quisermos, na versão feminina, à prática de croché numa tarde soalheira de inverno sob o calor das duas da tarde.

 

O Trail banalizou-se e a maior motivação do Zé-Povinho—Atleta, que consistia em cagar os seus feitos nas redes sociais, foi perdendo o seu encanto. Daí aos primeiros atletas trocarem o Trail pelo Ironman foi um passo. Começaram-se a verificar os primeiros cancelamentos de provas por falta de atletas, as Organizações viram-se obrigadas a abrir os cordões à bolsa e, no dia 18 de Dezembro, o V Curral de Moinas Christmas Trail atribuiu ao vencedor o inaudito prémio monetário no valor de €9.000. Começou-se também a verificar uma vaga de afogamentos entre o pessoal que se meteu no Triatlo sem saber nadar, mas isso são outros quinhentos.

 

Parte III

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Aqui há uns anos, se bem se lembram, o BPI respondeu a uma OPA do BCP com uma contra-OPA ao BCP. Ou seja, o gigante BCP ameaçou adquirir o pequenino BPI e este, em resposta, pôs-se em bicos de pés e ameaçou adquirir o BCP. Na altura, tais manobras não deram em nada. Acontece que a ATRP pegou no exemplo do BPI e, como é do conhecimento público, apresentou uma OPA à FPA no dia 28 de Maio de 2016. Aproveitando o crescimento do Trail e o definhamento do Atletismo, a ATRP pegou nas cotas dos seus 350 mil associados e fez uma Oferta Pública de Aquisição à Federação Portuguesa de Atletismo. Em 2015, a ATRP integrava a FPA enquanto “associado extraordinário”. Hoje, dia 5 de Janeiro de 2017, é a FPA que integra a ATRP enquanto “secção amadora”. No seguimento desta aquisição têm-se vindo a verificar algumas alterações ao nível do Atletismo em Portugal, das quais destacamos as seguintes:

 

  1. Criação de novas disciplinas, de que são exemplo os ‘100 metros com lama até aos joelhos’ e o ‘quadruplo-salto por cima de bosta de cavalo’;
  2. A designação “Maratona” passou a ser atribuída a qualquer prova entre 30k a 70k;
  3. O lançamento do bastão foi introduzido em substituição do lançamento do dardo;

 

Parte IV

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A ATRP, em conluio com a ATRB (*), promoveu uma festa de pijama entre uma dezena de brasileiras e os principais candidatos estrangeiros à vitória no Campeonato do Mundo de Trail, disputado no Parque Nacional da Peneda-Gerês no passado mês de Outubro. A festa teve lugar na véspera da prova e metade dos favoritos não se conseguiram sequer apresentar à partida. Os restantes ficaram-se pelo primeiro abastecimento, com problemas intestinais e dores insuportáveis ao nível do rabinho. Veio-se mais tarde a descobrir que as brasileiras eram transexuais.

 

O escândalo sexual foi espremido até à última gota pela comunicação social e não vale a pena estar a chover no molhado. O que muitos desconhecem, porém, é que ao escândalo sexual está associado um igualmente escandaloso escândalo de corrupção envolvendo as altas esferas da ITRA. Embora não se tenha provado a existência de pagamentos em dinheiro, a acusação alega que teve lugar o crime de corrupção por terem sido encontrados produtos regionais nos quartos de hotel dos representantes da ITRA. Para que estes fechassem os olhos à referida festa do pijama, cada elemento terá alegadamente recebido um cabaz recheado com um sortido de produtos de fumeiro, dois garrafões de vinho carrascão, três queijos de bode e um presunto de porco malhado.

 

No meio disto tudo, Jérôme Rodrigues acabou por sagrar-se Campeão do Mundo de Trail e Barcelos decretou 7 dias de festa. As buscas levadas a cabo pela PGR encontraram ainda uma peruca (semelhante às usadas pelas brasileiras) na residência do atleta barcelense. Uma vez que se tratam de provas circunstanciais, nenhuma acusação foi instaurada contra o Lince Ibérico.

 

(*) Associação de Trail Running do Brasil.

 

Parte V

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Se 2016 não foi um bom ano para o Trail, foi-o ainda pior para a Astrologia. A coincidência dos 6 Campeões Nacionais de Trail serem todos do signo Balança fez cair em descrédito a pseudociência do oculto. Relembro-vos que todos os Astrólogos garantiram que 2016 seria um ano péssimo para os nativos de Balança, apontando Carneiro como um dos signos mais beneficiados pelo ano que agora acabou. Há milhares de estudos científicos que refutam os princípios da Astrologia, mas foi preciso uma coincidência destas para que as pessoas abrissem finalmente os olhos. Acabaram-se os grupos de treino com signos compatíveis; acabaram-se os planos de treinos baseados no Mapa Astral do atleta; e acabaram-se os Treinadores / Astrólogos, de que é exemplo esta menina.

 

to be discontinued…

UltraPiropos

por Pedro Caprichoso, em 29.12.15

Parece que agora «os piropos com teor sexual podem valer pena de prisão até três anos, fruto das alterações ao Código Penal estabelecidas em Agosto passado».

 

«Piropos com teor sexual»? Por quê? Há-os de outro tipo? Existem piropos sem teor sexual? Desconheço. Piropo que é piropo tem obrigatoriamente de sugerir a intenção de saltar à cueca do seu destinatário. Removendo-lhe o seu carácter sexual, deixa de ser um piropo. «A menina deixa-me louco ao ponto de enfiar-lhe uma aliança no dedo e fazer de si uma mulher honrada». Isto, meus amigos, não é um piropo. É o refrão foleiro de uma música pimba—passe a redundância. O que foi? Que cara é essa? Não vais agora defender a música pimba, pois não? Queres ver que há refrões de música pimba não foleiros. Há? Tem juízo. Vai dar uma volta e vê se está a chover. Se estiver, aproveita e dá banho ao cão.

 

Quanto à lei em si, concordo. Leram bem. Peço desculpa ao trolha que existe em cada um de vós, mas considero que esta alteração legislativa já fazia falta. Soubessem o que eu tenho sofrido e compreenderiam a minha posição. Nada contra os piropos atirados às mulheres na vizinhança de estaleiros de construção civil. Quero lá saber. Não sou gaja. Nada contra os piropos gays lançados aos homens nos balneários dos estádios de futebol. É-me igual ao litro. Aceito e respeito o facto do futebol ser um desporto de e para panisgas. Só fico sentido quando os piropos são projectados em direcção à minha pessoa, em especial durante a competição. Aí já não gosto. É uma falta de respeito.

 

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Já não me lembro da última vez que fiz uma prova sem ser verbalmente violado por uma fã do TopMáquina. A intensidade do  assédio é sempre pior nas Ultras. Nas Ultras tudo é a dobrar: os km são a dobrar, o desnível é a dobrar, os abastecimentos são a dobrar, o xixi e o cocó é a dobrar, às vezes até vemos o trilho a dobrar—e os piropos, esses, também são a dobrar. Estamos a falar, portanto, de UltraPiropos. Exemplo: «Comia-te como um gel: apertava-te esse pacote e chupava-te todo!», bradou aos sete ventos uma Alentejana que foi de propósito a Barcelos ver-me correr os Amigos da Montanha.

 

O piropo em si não faz mal a ninguém. O problema é que o piropo representa a fase intermédia entre a boa-educação e a javardice completa. O piropo, no fundo, é como a cannabis: é uma droga leve que, se não tivermos cuidado, pode levar ao consumo de drogas duras. Um tipo manda uns piropos e, quando dá por ela, está a violar um inocente à partida de uma prova:

 

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Episódio na vida de um casal

por Pedro Caprichoso, em 22.12.15

Ele é praticante de Trail. Ela é uma pessoa normal.

 

– Para o ano quero ir às Canárias. – atira ela.

– Pode ser. – responde ele, contendo-se para não parecer muito excitado.

– A sério? Tu detestas praia e só queres saber de monte. – diz ela desconfiada.

– Sim, é verdade. Mas eu faço o esforço e vou por ti.

– Oh… Que querido! Anda cá xuxu.

 

Ela salta para cima dele, despem-se e fazem amor louco na alcatifa da sala durante dezanove minutos. Exaustos, ele vira-se para ela e pergunta:

 

– E quando é que vamos? – pergunta ele.

– Onde?

– Às Canárias.

– Não sei.

– Que tal no início de Março? – sugere o manhoso.

 

Na véspera da viagem, ele confessa-lhe que se inscreveu na Transgrancanaria. Ela fica pior do que estragada e obriga-o a dormir no chão do quarto de Hotel. Ele finge-se chateado, mas no fundo não se importa. Vale a pena.

 

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Prémios Monetários no Trail Running

por Pedro Caprichoso, em 21.12.15

Sou a favor da introdução de prémios monetários no Trail. A minha linha de argumentação é muito simples: se se anda a fazer dinheiro com o Trail, parte desse dinheiro tem de reverter para os atletas – e uma das formas de fazê-lo é através dos prémios monetários.

 

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Se vos perguntar qual é o elemento mais importante da Indústria do Trail, nove em cada dez dirão que são os Atletas. Se assim é, por que carga de água é que o elemento mais importante é o único que não vê a cor do dinheiro? As organizações fazem dinheiro, as empresas de cronometragem fazem dinheiro, as lojas de material desportivo fazem dinheiro, as lojas de suplementação fazem dinheiro, a comunicação social faz dinheiro, o comércio local faz dinheiro, os ginásios fazem dinheiro, etc. Só o Zé-Povinho—Atleta é que não faz dinheiro. Sim, todos os apoios são bem-vindos e já vão aparecendo alguns para os melhores atletas da nossa praça. No entanto, mesmo para os melhores atletas, os apoios ainda são insipientes. Limitam-se a material desportivo, fisioterapia e suplementação. Dinheiro, bagulho, massa, guita, pastel, grana, carcanhol… isso nem vê-lo.

 

Muitos recusam a introdução do dinheiro no Trail com o argumento de que exterminará o espírito do Trail. Desde logo, não faço ideia o que seja o espírito do Trail. Deve ser uma mistura do espírito do Natal com a mística desportiva. O que eu sei é que há pessoas boas e más neste mundo – e que a esmagadora maioria das pessoas que tenho conhecido no Trail são boas. Quanto ao mais, se o dinheiro fizer com que certas pessoas se comecem a comportar de maneira diferente, isso quererá apenas dizer que eu estava enganado em relação a elas.

 

Esta não é a única medida nem sequer a mais importante, mas só o campeão olímpico da ingenuidade acredita que o dinheiro não é um factor motivador para os atletas. Como se os atletas vivessem do ar e não precisassem do dinheiro (como complemento ao seu salário) para pagar a creche da Tânia Vanessa e as fraldas do Jorge Nuno. Não se esqueçam de que estamos a falar de uma modalidade completamente amadora.

 

O aumento exponencial do número de participantes e a história de que as provas só servem para nos divertirmos – ideia com a qual discordo por completo – é o que tem alimentado esta situação. Estou careca de dizê-lo e vou repeti-lo até ao meu último pintelho capilar: as provas são para competir. Ver mais sobre este fascinante tema aqui.

 

Aquilo que eu crítico em muitas organizações, com o crescimento exponencial da modalidade, é que o enfoque passou da competição para a massificação. O enfoque passou de tentar fazer a melhor prova a nível competitivo para tentar fazer a melhor prova no sentido de garantir o maior número de participantes. Muitas organizações têm recursos para atribuir prémios monetários, mas não o fazem. Por quê? Porque não precisam. Estamos no auge da popularidade da corrida e o critério que hoje mais conta é a quantidade e não a qualidade. É tão simples quanto isso.

 

Seja como for, em última análise, o que verdadeiramente conta é a lei do mercado. Quando a moda passar (porque vai passar), quando começarem a surgir provas anuladas por falta de participantes (porque vão começar a surgir) e quando os melhores atletas começarem a competir mais em Espanha do que em Portugal, nessa altura podem ter a certeza de que os prémios monetários aparecerão. Quero é ver com que legitimidade iremos no futuro imediato encarar os Campeonatos Nacionais de Trail, quando os nossos melhores atletas optarem por fazer provas em Espanha em detrimento das provas que integram os Campeonatos. Em boa verdade, se pensarmos bem, já há alguns que preferem competir no país vizinho, onde têm obtido resultados de relevo. Agora imaginem que todos começam a fazê-lo de forma regular. Ainda vamos ver o Pedro Caprichoso sagrar-se Campeão Nacional e depois é o descrédito total.

 

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[Prémios Monetários do Ehmumilak] 

 

Posto isto, a minha sugestão passa pela ATRP obrigar as organizações a introduzirem prémios monetários nas provas que fazem parte dos Campeonatos Nacionais. Deveria ser um requisito obrigatório. Não tenho noção dos valores. Inicialmente, pode ser muito ou pouco. Não interessa. O que interessa é que se comece a criar o princípio de que também tem de chover para o lado dos atletas. "Quem não chora não mama" é uma verdade universal. Daí este texto em forma de choradeira.

Portugal é Feio

por Pedro Caprichoso, em 17.12.15

É preciso fumar muita droga para afirmar que Portugal é bonito. Façam-me um favor: comparem as imagens captadas pela Volta à França e pela Volta a Portugal – e depois venham-me dizer que Portugal é que é bonito.

 

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Bonitas são algumas zonas da nossa costa, as ilhas, a planície alentejana, o Douro e algumas zonas demarcadas da floresta original que nos resta – Gerês, Lousã, Açor, Montesinho, Arrábida, Estrela, etc. Tirando isso, Portugal, no geral, é feio.

 

As pessoas confundem paisagem com natureza. Portugal tem paisagem (i.e. vistas), mas a natureza – em termos de fauna e flora – já não é o que era. E a culpa, em grande medida, é da praga do eucalipto e pinheiro bravo. As montanhas portuguesas são bonitas de longe; de perto é só pinheiro e eucalipto.

 

20 dos 38% de território nacional ocupado por floresta é constituído por pinheiro e eucalipto, muito por força da indústria da madeira e da pasta e papel. A floresta portuguesa não é eucalipto (espécie invasora originária da Austrália) e pinheiro-bravo. Que se lixe o eucalipto e o pinheiro. Que arda tudo!

 

Onde estão os carvalhos? As azinheiras? Os salgueiros? Os castanheiros? Os loureiros? Os sabugueiros? Sabem onde eles estão? Estão nas zonas protegidas que ainda não foram invadidas pelo eucalipto e pelo pinheiro.

 

Pinhal não é floresta. Eucaliptal não é floresta. Num pinhal e num eucaliptal não existe mais nada para além de mato. Não há solo, não há água, não há biodiversidade. Não há vida.

 

Dito isto, não me venham dizer que um Trail feito exclusivamente em Pinhal e Eucaliptal é bonito. Não é. É medonho!

“Movimento Machista” Luta Contra Discriminação de Género no Trail

por Pedro Caprichoso, em 15.12.15

Apresento-me como o rosto de um novo movimento nas redes sociais, que visa a igualdade de género nas provas. Ainda que de forma marginal, o “grunho do macho latino” já ecoa no submundo do Trail Nacional.

 

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O meu “grunho” soltou-se por verificar que o número de machos latinos a participar em provas de Trail aumentou substancialmente nos últimos anos. No entanto, pese embora o referido aumento, o macho latino continua a ser descriminado pelas Organizações.

 

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As Organizações impõem regras cada vez mais feministas e nós, enquanto machos latinos, não podemos simplesmente meter o rabinho entre as pernas, anuir em consonância e ficar calados. Era o que faltava! Há regulamentos que impõem a utilização de camisolas térmicas de gola alta, impedindo que o macho exiba a sua farfalheira peitoral. Outros penalizam o porte de cordões de ouro, pulseiras anti-stress e unhacas com mais de 5cm de comprimento, com o argumento de que tais elementos colocam em perigo a integridade física dos atletas. Outros vão ainda mais longe e proíbem a utilização de pochetes, coagindo os machos latinos a correrem, obrigatoriamente, com um “sistema de hidratação com capacidade para 1litro”.

 

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Como se não bastasse, querem-nos ainda tirar a essência daquilo que nos faz ser machos. Se já não se podia atirar lixo para o chão, agora também não se pode arrotar, arrear o calhau no meio do trilho ou coçar a tomateira. As Organizações precisam de perceber que as pessoas são diferentes e que há que respeitar essa diferença. Exemplo: os rabetas usam cremes antifricção; os machos coçam a tomateira com a unhaca. Todos diferentes, todos iguais.

 

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Estou a tentar encabeçar um movimento machista e é com satisfação que recebo mensagens de atletas machistas que já começaram a tomar uma posição. Alguns deles, inclusive, já não se inscrevem em provas onde não há minis nos abastecimentos ou gajas com mamas grandes nos pontos de controlo. Outros, em protesto, agrafam o dorsal aos mamilos e correm em tronco nu. Estas são apenas algumas das formas de protesto que temos realizado no sentido de consciencializar a opinião pública para este drama.

 

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A solução passa por haver uma maior união entre os machos. Maior mas não demais, pois a união em excesso pode levar a actividades abichanadas e nós não gostamos disso.

BALANÇO 2015

por Pedro Caprichoso, em 10.12.15

2015_16.jpgFoi um ano para esquecer. Pior era impossível. Faço um balanço muito negativo do ano que está prestes a terminar. O facebook está constantemente a dizer-me que «não há impossíveis» e que «para ganhar basta acreditar». Pois bem, eu acreditei, nunca desisti, evitei as provas com mais concorrência e caguei-me no facebook com todas as forças que tinha. E o que é que eu ganhei? Eu digo-vos: nada.

 

Ao contrário de outros, que andam nisto pelo convívio e contacto com a natureza, eu ando no Trail para ganhar. Estou-me a cagar para a superação pessoal. O que eu quero é ganhar. Não me interpretem mal. Não é só ganhar. Para além de ganhar, também quero ter muitos gostos no facebook.

 

Se exceptuarmos o homem da marreta, não tive o prazer de conhecer ninguém em particular. Se exceptuarmos fazer xixi em andamento, não aprendi nada de especial. Por outro lado, uma vez que a corrida não é só amizades e beleza natural, em 2015 fiz muitos inimigos e fartei-me de vazar lixo no monte.

 

Competir com os melhores não é o que mais me motiva. A minha maior motivação é identificar-me nas fotos dos outros e ficar horas a ver os gostos a cair às pinguinhas. Brinco com a pilinha sempre que uma publicação minha chega aos 100 gostos. É assim que eu alcanço os meus objectivos e ultrapasso os meus limites.

 

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Nos Abutres, à falta de melhor adjectivo, foi um desastre. Fiquei aquém das espectativas e fui torturado pela Mafia Chinesa de Barcelos, que em mim apostou 1 milhão de euros na Betclic. Os mafiosos tiraram-me um rim e venderam-no no mercado negro para cobrir parte do prejuízo. O atleta desilusão dos Abutres não conseguiu sequer atingir o seu principal objectivo: chegar ao fim com os pés secos. Cheguei com eles ensopados e cheios de lama. Um verdadeiro desastre.

 

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Em Sicó, passei a integrar os quadros do TopMáquina. Calcei os ténis, rezei dois Pai-Nossos e duas Avé-Marias, besuntei o rêgo do cu com vaselina PACU e parti para os 111km com o objectivo de chegar ao fim com a cueca enxuta. Relembro-vos que havia borrado a cueca na minha última prova de 3 dígitos. O UTAX e o Município da Lousã ainda estão em dívida comigo pela qualidade com que adobei a Serra da Lousã. A cueca chegou enxuta e isso, em si mesmo, já foi uma vitória.  Por outro lado, estive com o homem da marreta ao km 95. Ele mandou cumprimentos. A conversa com o marreteiro foi tão boa, mas tão boa, que fiz os 5km seguintes a passo. Inclusive as descidas. Despedi-me dele no abastecimento dos 100km, quando entornei um caldinho verde que me soube pela vida.

 

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No Paleozóico, passei a prova toda a ouvir falar de um “elevador”. O “elevador” isto; o “elevador” aquilo. Enganaram-me. Não havia nenhum elevador. Nem elevador, nem teleférico, nem funicular, nem bondinho. A culpa é minha. Fui eu que percebi mal: não é “elevador”; é “eleva-a-dor”. Assim já faz mais sentido, pois aquela subida elevou-me a dor a níveis estratosféricos. Malditos sejam.

 

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Em Cerveira, dado enorme contigente espanhol, aprendi mais palavras em Castelhano durante a primeira contagem de montanha do dia (com 450D+) do que em toda a minha adolescência vendo o Canal Íntimo. Eis algumas das bonitas expressões que agora utilizo sempre que me desloco ao país vizinho: Estoy hasta los cojones; Que coño; Me cago en la leche; A tomar por culo; Que putada; No jodas!; Que coñazo; Que hijo(a) de puta!; Eso está de puta madre; Está cojonudo;

 

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Em Poiares, recebi um troféu muito esquisito. O dito cujo exibe focinho de bode (pois tem barbicha) e corpo de cabra (pois tem tetas). Ou seja, trata-se de um caprino transexual – e nós aqui no TopMáquina não gostamos dessas modernices. Ou bem que era uma cabra; ou bem que era um bode. Assim não.

 

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Na Padela, corri com um veterano do Trail Nacional e cheguei à conclusão de que o Pedro Marques é um estroina. De maneira a não ferir susceptibilidades, vou dar apenas 3 exemplos ligeirinhos do terror que é correr com o Pedro: (1) O Pedro mete conversa connosco para que a gente se desconcentre e bata com os cornos no chão; (2) O Pedro come bananas e depois atira as cascas em direcção aos nossos pés para ver se a gente escorrega e bate com os cornos no chão; (3) O Pedro dispara subida acima, pára, espera por nós, incentiva-nos como se estivéssemos em Zegama, depois arranca novamente, ultrapassa-nos e volta a fazer o mesmo. Tudo para psicologicamente nos deitar a baixo e ver se a gente leva com a marreta.

 

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No Mont-Blanc, a minha estratégia – que passava por fazer marcação cerrada ao Kilian Jornet – ficou comprometida pelo facto do espanhol não ter participado na Maratona. O morcão fez (e ganhou) as últimas 3 edições, mas este ano lembrou-se de disputar apenas no km vertical. Ser vedeta é isto: é ser egoísta; é pensar apenas em si próprio; é ignorar as necessidades dos outros – sobretudo nas minhas. O Kilian era um ídolo para mim, mas hoje morreu. Atirei um paralelo à vitrine de uma loja da Salomão, risquei-lhe a roulotte com a minha medalha de finisher, rasguei os posters dele que tinha colados no meu guarda-fatos e estou a usar o livro "Correr ou Morrer" para limpar o rabinho.

 

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Em Óbidos, apanhei boleia no autocarro da minha futura equipa e fiquei surpreendido com o ambiente que encontrei. As vedetas da equipa vianense partilharam experiências para facilitar a minha integração no grupo – e foi muito gratificante ouvir histórias bonitas de entreajuda e superação, como daquela vez em que o Jérôme foi atacado por um Lince Ibérico no Gêres enquanto arreava o calhau – o Jérôme, não o Lince. O Ricardo e o Faria passaram a viagem a cantar ao desafio e a mamar do garrafão do vinho: enquanto um cantava, o outro mamava. O Saleiro conduzia o pão-de-forma, o Rocha enfardava rissóis directamente do Tupperware, a Iva e o Pedra jogavam à sardinha, o Amândio automotivava-se falando sozinho, a Sónia fazia um gorro em malha para o Jérôme – muito frio apanha aquela careca – e os restantes mostravam o rabo aos transeuntes. Sinto a mística do Viana-Trail a apoderar-se de mim como uma doença contagiosa. Só não gostei da segregação de género imposta pelo Presidente, com as mulheres na parte da frente do autocarro e os homens escorraçados para a parte de trás. “Temos de poupar energia para a prova”, dizia ele. Ao menos deu o exemplo, já que a sua cara-metade fez a viagem toda na bagageira.

 

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Em Arga, o Rui Seixo e o André Rodrigues resolveram adubar a Serra D’Arga como se não houvesse amanhã. Apanhei os dois, de cócoras, a cagar à caçador. Quem não soubesse melhor, diria que eles haviam sido contratados pelo Ministério da Agricultura. Se os problemas gastrointestinais do Seixo não tiveram reflexo na classificação colectiva da sua equipa, o mesmo não se pode dizer em relação ao André. A Juventude Vidigalense contava com apenas 3 atletas, pelo que estes teriam obrigatoriamente de terminar a prova para classificar a equipa. Ou seja, a desistência do André deitou por terra as aspirações da equipa de Leiria. «As fezes do André souberam-me a mousse de chocolate», confessou o Presidente do Viana Trail a este vosso mui estimado cronista.

 

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Na Senhora do Salto, levei uma penalização de 6h por ter engravidado uma caminheira durante a prova. Jamais esquecerei esta prova. Ao km 16 concebi o meu primeiro filho. Vou ser pai... Pelo menos isso é o que diz a caminheira contra a qual embati pela retaguarda no passado Domingo. A culpa é do viagra. Troquei os comprimidos de imodium pelos de viagra – ambos azúis – e tomei dois a meio da prova. O problema é que fiz a segunda metade com a tenda armada e depois deu-se o azar de ter apanhado a futura mãe do meu filho numa curva mais apertada. A coitada, ainda por cima, estava de rabo empinado à procura de uma lente de contacto. É o destino. A rapariga não é da terra. A Christine é uma estudante francesa a fazer Erasmus em Ermesinde.

 

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Em Afife, constatei que sou o único gajo do Trail Nacional que não rapa os pêlos da pila. Os meus pêlos púbicos são como o cabelo do Sansão. Se os cortar, perco a força! Não percebo o que se passa com os jovens de hoje em dia. Que moda é essa de deixar crescer a pelugem facial e rapar a tomateira? Por um lado são lumbersexuais; por outro parecem actores porno. Cá para mim é tudo uma questão de insegurança. Só rapam porque rapado parece maior.

 

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Por fim, nos Amigos da Montanha, descobri que o meu limite situa-se entre as bolhas de sangue e as bolhas de terra. Uma coisa é um tipo fazer bolhas de sangue em resultado da sujidade que inevitavelmente entra nas sapatilhas; outra coisa são as bolhas de sangue rebentarem e transformarem-se em bolhas de terra quando a sujidade se aloja entre a pele e a carne, provocando dores dilacerantes sempre que o pé toca o chão. Imagino que isto é o equivalente a ser torturado por um mestre de acupunctura. Assim sendo, parece que é desta que vou começar a usar meias. Fiquei convencido pela cara de nojo com que o Ricardo Silva olhou para os meus pés depois da prova. O coitado teve um refluxo gástrico e só não vomitou à minha frente para não parecer mal. Para além das meias, também vou começar a pintar as unhas como a Tu Xa. A pintura, porém, é apenas por questões estéticas. Acho que me vai ficar a matar.

 

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Apesar de uma época miserável, tenho de agradecer a todos os que me apoiam. Não é que me apeteça muito, mas sou contratualmente obrigado a fazê-lo. O meu Contrato de Casamento é bem claro nesse ponto, pelo que o meu primeiro agradecimento vai para o meu companheiro moçambicano.

 

Obrigado Xuxu. Tens sido o meu apoio emocional desde que me estreei nas lides do Trail Running. Contigo não me falta motivação para treinar, pois treinar é a melhor desculpa para sair de casa e não ter de te aturar. Obrigado por seres a pessoa mais chata do mundo.

 

Obrigado Meia da Raquete. Não conseguiria sobreviver sem os 500 paus que vocês me enviam todos os meses. Embora não corra com elas, as meias da raquete são óptimas como forma de evitar queimaduras ao usar saco de água quente, ou para dar uma berlaitada na falta de papel higiénico. Não posso recomendá-las mais.

 

Obrigado Adipas. Com o vosso apoio tive oportunidade de experimentar e usar material top. O representante da Adipas na Feira de Ponte de Lima tem sido incansável, mimando-me com os melhores produtos do mercado. Sem o meu amigo Lelo ainda estaria a correr nas distritais.

  

Obrigado Sopa da Mamã. Graças a ti não me recordo de nenhuma queda de tensão durante as provas. Lembro-me de um ataque violento de flatulência, mas isso foi porque uma vez exagerei na dose e enfardei 5 sopas de feijão de seguida. Graças à tua hortaliça, terei a afinação perfeita para mais um ano de grandes desafios!

 

Siga para 2016!

Os Cagões

por Pedro Caprichoso, em 04.12.15

Estão a ver aqueles atletas que correm extremamente bem equipados, trasbordando estilo e ostentando pelo corpo uma caderneta de logotipos das melhores marcas? Aqueles cujo nível desportivo é inversamente proporcional ao dinheiro que gastam em equipamento? Aqueles que são extremamente activos nas redes sociais, atirando-nos constantemente à cara todos os treinos, provas, medalhas de finisher e “unboxing” de novo equipamento? Pois bem, os nossos vizinhos espanhóis têm um nome para esta subespécie de desportistas. Qualificam-nos de “postureadores”.

 

 

 

 

“Postureador” é aquele que se dedica ao “postureo” – neologismo usado nomeadamente no contexto das redes sociais e novas tecnologias, para expressar determinadas formas de comportamento e de pose (i.e. armanço), mais pelas aparências do que por uma verdadeira motivação. Acontece que, em bom português, também há um neologismo excelente para aplicar neste caso.

 

Eu, Máquina da Fonseca, reverendo da Igreja Universal do Reino do Trail, baptizo-vos de “cagões”.

Se não os consegues vencer, junta-te a eles

por Pedro Caprichoso, em 03.12.15

Como dizia o José Castelo Branco: “Se não os consegues vencer, junta-te a eles.” Penso que era ele que dizia isso. Se não era ele, era a minha avó. Era um deles.

 

Seja como for, espero que as outras equipas não fiquem chateadas por eu copiar a sua estratégia de motivação. Tenho a certeza de que não vão ficar. É tudo gente do mais melhor bom no mundo que há.

 

Nesse sentido, de maneira a melhor motivar os meus colegas de equipa, também eu vou distribuir alguns títulos recorrendo à hipérbole e à falta de bom senso. Creio que não há nenhum mal nisso.

 

José "Presidente" Alcobia

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  “O melhor Presidente de uma Equipa de Trail Running da Península Ibérica e ilhas.”

 

 

Jérôme "Lince Ibérico" Rodrigues

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 “O melhor Atleta Careca de Trail Running do Sistema Solar. Plutão incluído.”

 

 

Gabriel "Chaimite" Meira

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 “O atleta mais «Todo-o-Terreno» do Panorama Internacional. Síria não incluída.”  

 

 

Rui "Leão" Seixo

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  “O atleta mais fofinho e mais assustador do Universo e não só.”  

 

 

Pedro "Fininho" Caprichoso

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 “O atleta sexualmente mais activo do Hemisfério Norte.”  

 

 

Ricardo "Robocop" Silva

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 “Um dos melhores.”

(Engraçado verificar que com este não precisei de recorrer à hipérbole.)

A Sobrevalorização dos Atletas nas Redes Sociais

por Pedro Caprichoso, em 01.12.15

Começo por deixar bem claro que o meu alvo não são os atletas. Estes merecem o meu maior respeito, pois enquanto atletas amadores fazem o melhor que podem com muito esforço e dedicação. O meu alvo são determinadas equipas de Trail Running, que aproveitam-se da ignorância desportiva do Zé-Povinho e dizem os maiores disparates sem que ninguém as questione. Hoje em dia, aparentemente, vale tudo.

 

Dois exemplos recentes:

 

1. GAIA TRAIL

 

A propósito do excelente resultado do Luís Gil na Maratona do Gerês, a sua equipa qualificou-o como “o atleta mais completo do panorama português do atletismo”. A sério?

 

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Antes de mais, tenho de felicitar o Luís Gil pela sua excelente performance. Convivi um pouco com o Luís quando corríamos pela Juventude Vidigalense e só tenho boas coisas a dizer sobre ele. Excelente atleta e melhor pessoa. Agora, qual é a necessidade de cair no exagero? O atleta mais completo do panorama português do atletismo? A sério? O Luís é um atleta completo? Sim, podemos considerar que sim: campeão de Marcha, bom atleta amador de estrada e bom atleta de trail. Agora, o mais completo? Por quê?

 

  1. Se é porque fez Marcha, nesse caso não há termo de comparação, pois não conheço outro campeão de marcha que compita em estrada e no trail. Ou seja, nesse caso o “mais” não faz sentido. Só faria sentido em comparação com outros atletas em iguais circunstâncias.

 

  1. Andamos aqui todos a brincar ao desporto amador e alguns de nós fazem-no com muito mérito, como é o caso do Luís. Mas não há comparação possível entre um atleta amador e um atleta profissional. Vamos comparar 2h40 com 2h10 na Maratona, é isso? 2h40 é um excelente tempo para um amador, mas ainda assim fica a anos-luz da performance alcançada por um atleta profissional – de que é exemplo o Rui Pedro Silva. Há que ter noção das coisas.

 

  1. Todos somos amadores e estar a afirmar que um de nós é o “mais”, seja em que categoria for, não faz qualquer sentido. Ainda para mais, tal comparação é totalmente injusta para o Luís (pois estão a compará-lo com o que não é comparável) e injusta para os atletas profissionais da nossa praça (que estão muitos patamares acima de qualquer um de nós).

 

 2. FAFE RUNNERS

 

A propósito do «Prémio de Mérito Desportivo» atribuído pela Cidade de Fafe ao Nuno Fernandes, a sua equipa qualificou-o como um dos “um dos melhores atletas de Trail Running Nacional.” A sério? Um dos melhores? Mas estamos a brincar com a tropa ou quê?

 

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Ao contrário do Gil, não conheço o Nuno pessoalmente. Em boa verdade, até tive de pesquisar para saber quem ele é. E o que eu descobri é que ele tem feito uns resultados engraçados. Nada mais do que isso. Resultados esses que foram alcançados maioritariamente em provas de segunda linha, em que a concorrência deixa muito a desejar. Não estou a retirar mérito ao atleta. O atleta, enquanto amador, faz o que pode com todo o sacrifício e dedicação – e a mais não é obrigado. Estou simplesmente a constatar um facto: as suas melhores classificações foram alcançadas em provas que não fazem parte dos Campeonatos Nacionais de Trail, onde aí sim se vê quem são os melhores.

 

O busílis da questão é que hoje em dia há 1254 provas de trail por semana, e só quem está por dentro do trail é que sabe avaliar o mérito de um resultado tendo em conta a concorrência que se apresenta à partida de cada prova. Para o Zé-Povinho uma vitória é uma vitória, independente de ter sido obtida nos Trilhos dos Abutres ou no Trail de Curral de Moinas, e há equipas que se estão a aproveitar disso para sobrevalorizar os seus atletas. A verdade, para um conhecedor do trail, é que um Top20 nos Abutres é melhor do que uma vitória em Curral de Moinas. É tão simples quanto isso.

 

Posto isto, quando se diz que o Nuno é “um dos melhores atletas de Trail Running Nacional”, estamos a compará-lo exactamente com quem? É que assim, de repente, por ordem alfabética, apresento-vos 30 atletas melhores do que o Nuno. Quero ver quem se atreve a questionar esta lista:

 

1. Albino Daniel

2. André Castro

3. André Rodrigues

4. Armando Teixeira

5. Bruno Coelho

6. Carlos Sá

7. Délio Ferreira

8. Diogo Fernandes

9. Gabriel Meira

10. Hélder Ferreira

11. Jérôme Rodrigues

12. Leonardo Diogo

13. Luís Duarte

14. Luís Fernandes

15. Luís Mota

16. Luís Semedo

17. Manuel Faria

18. Marcolino Veríssimo

19. Nelson Graça

20. Nuno Silva

21. Paulo Lopes

22. Pedro Marques

23. Pedro Rodrigues

24. Ricardo Silva

25. Romeu Gouveia

26. Rui Luz

27. Rui Pacheco

28. Rui Seixo

29. Telmo Veloso

30. Vítor Cordeiro

Desporto de Macho

por Pedro Caprichoso, em 30.11.15

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O que eu mais gosto no Trail Running é que é um desporto para machos. De e para machos. No Trail não há lugar para aquelas paneleirices que se vêem no Futebol. Os jogadores da bola simulam faltas, simulam agressões, abraçam-se, dão palmadinhas no rabo uns dos outros e, em certas situações, até se beijam. Tais comportamentos abichanados não são tolerados no Trail Running. Quando muito, em último recurso, dá-se a mão para retirar um companheiro atascado numa poça de lama. Mais do que isso é visto com desconfiança.

 

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Os praticantes de Trail não se depilam. Deixam a farfalheira ao natural como o Tony Ramos. É das pernas peludas que elas gostam mais.

 

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Os macho-runners não usam roupa justa de lycra. Correm com sapatilhas de futsal e fato-de-treino da feira, com o cordão de ouro oscilando sobre um vistoso tapete de pêlos que do peito irrompem de forma viçosa. Os macho-runners não usam roupa a combinar, não têm 20 pares de sapatilhas, não tiram selfies e não vão para o monte mostrar o rabo.

 

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Um sujeito homem não passa creme antifricção nas partes baixas. Um cabra-macho não tem medo de chamuscar a tomateira. Nem de chamuscar a tomateira, nem de queimar o rabinho. Lubrificante é para maricas!

 

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Para terem noção do nível de macheza – não confundir macheza com machismo – dos homens do Trail, basta dizer que nem os massagistas têm autorização para nos tocar nos glúteos.

 

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Homem do Trail que é homem do Trail nunca diz que não. Homem do Trail que é homem do Trail aguenta uma noite inteira sem falhar uma única vez. Homem do Trail que é homem do Trail é um verdadeiro macho latino. Homem do Trail que é homem do Trail tem força de vontade suficiente para recusar um convite tão apetitoso quanto este:

 

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Rescaldo UTAM 2015

por Pedro Caprichoso, em 25.11.15

Parafraseando o grande Marco Paulo:

 

Eu tenho dois amores

Que em nada são iguais

Mas não tenho a certeza

De qual eu gosto mais

Um deixa-me a pilinha tesa

O outro é o favorito dos meus pais

 

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Após liderarem a prova de fio a pavio, a dupla Robocop / Lince Ibérico cortou a meta de mãos dadas, olhar sensual e rabinho empinado, numa demonstração de grande desportivismo e extraordinária paneleirice. O Cyborg fez questão de oferecer a vitória ao Felino, mas este mostrou-se reticente em aceitar semelhante honraria. Nada que a ameaça de umas bastonadas no lombo não resolvessem. Não queiram ver o Robocop a puxar do cassetete. O animal em vias de extinção baixou então a bolinha e cruzou a meta com o rabinho entre as pernas. Não se via uma coisa assim desde que aquele branco obrigou aquele preto a ganhar aquele corta-mato no país vizinho. Não se faz.

 

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A EDV-Viana Trail bateu o recorde do mundo do maior número de atletas a cortar a meta de uma prova de Trail de mãos dadas. Foram 6 no total: as duas «Amélias» acima referidas e um ajuntamento constituído pelo Presidente do clube e 3 atletas aurinegros. Estamos, portanto, perante o primeiro ménage à quatre do Trail Nacional.

 

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De destacar ainda o terceiro lugar de Gabriel Meira no escalão M40. Embora padecendo de problemas intestinais durante a segunda metade da prova, o atleta veterano “puxou dos galões” e aguentou a terceira posição com muita valentia. O chaimite teve problemas no cano de escape, foi fazer a revisão e voltará mais forte do que nunca.

 

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A primeira metade da prova não correu nada bem à minha pessoa. Desde logo porque encontrei o José Capela e o Bruno Sousa na bicha para cagar no WC de uma pastelaria. Eu cago em casa. Depois porque fui alertado, a escassos 10 minutos do tiro de partida, que o frontal fazia parte do equipamento obrigatório. Não li o regulamento e não tinha o dito frontal. O mundo caiu-me ao chão e, por breves instantes, passou-me pela cabeça atacar o Ricardo Silva com um paralelo e roubar-lhe o frontal. O tipo já tinha assegurado o título de Campeão de Trail Ultra e não precisava desta prova. Felizmente não foi preciso recorrer à violência. Graças a Nosso Senhor Jesus Cristo que o nosso Presidente é um homem precavido e emprestou-me um que tinha em reserva. Por fim, já em prova, enfaixei-me contra um árvore que se encontrava atravessada no trilho à altura da cabeça. Que marrada! Até fiquei a ver estrelas. Literalmente.

 

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Tudo mudou, no entanto, por volta do km38, quando o meu companheiro de equipa José Faria me insultou. Dei de caras com um tronco atravessado na perpendicular de um ribeiro e borrei a cueca. O tronco parecia escorregadio, tive medo e preferi atravessar o ribeiro com a água pela cintura. O Faria – que seguia atrás de mim – alcançou-me nesse momento e, escolhendo atravessar pelo tronco, chamou-me «mariquinhas». Maquinhas? Eu? Se há coisa que eu não sou é maricas, como se pode comprovar pela última foto publicada nesta crónica. “Já vais ver quem é o mariquinhas”, disse eu de mim para comigo. Colei-me a ele, fui um bom tempo na sua roda e depois dei-lhe um bigode na última subida. Ora toma que já almoçaste!

 

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Sou um bocadinho masoquista. Gosto de correr com duas molas da roupa atarraxadas aos mamilos, gosto que derretam uma vela no meu corpinho durante o coito e gosto de correr sem meias. No entanto, um tipo tem de começar a pensar na vida e coiso quando as coisas começam a ultrapassar o limite do aceitável. No meu caso, descobri no último fim-de-semana que esse limite situa-se entre as bolhas de sangue e as bolhas de terra. Eu explico: uma coisa é um tipo fazer bolhas de sangue em resultado da sujidade que inevitavelmente entra nas sapatilhas; outra coisa são as bolhas de sangue rebentarem e transformarem-se em bolhas de terra quando a sujidade se aloja entre a pele e a carne, provocando dores dilacerantes sempre que o pé toca o chão. Imagino que isto é o equivalente a ser torturado por um mestre de acupunctura. Assim sendo, parece que é desta que vou começar a usar meias. Fiquei convencido pela cara de nojo com que o Ricardo Silva olhou para os meus pés depois da prova. O coitado teve um refluxo gástrico e só não vomitou à minha frente para não parecer mal. Para além das meias, também vou começar a pintar as unhas como a Tu Xa. A pintura, porém, é apenas por questões estéticas. Acho que me vai ficar a matar.

 

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Tenho andado a fumar 5 maços de cigarros de chocolate por dia e preciso da vossa ajuda para tentar perceber uma coisa que me anda a afligir a alma. A esmagadora maioria dos praticantes de Trail Running dizem que praticam Trail apenas pelo divertimento e que se estão a marimbar para as classificações. Não é verdade? Posto isto, que sentido faz que esta gente depois fique chateada quando não há classificações? Parece que o Trail Longo não teve classificações. E então? Qual é o problema? É só para o divertimento, esqueceram-se?

 

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Pronto, agora toda a gente já conhece o nosso ritual antes das provas. Espero bem que o Jérôme tenha usado preservativo, pois sei que ele na noite anterior estive com o nosso Presidente e ele tem herpes genital.

Entrevista ao Serafim

por Pedro Caprichoso, em 20.11.15

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Num exclusivo TopMáquina, os nossos jornalistas encetaram esforços, traficaram influências, corromperam políticos e torturaram prisioneiros de guerra para conseguir chegar à fala com o único associado da ATRP que está de acordo com a alteração da data do UTAX.

 

Com medo de represálias, o Serafim – nome fictício – pediu anonimato e o seu rosto foi pixelizado. A entrevista que se segue pode conter linguagem ou cenas susceptíveis de ferir a sensibilidade dos espectadores:

 

 

 

Os 8 Truques do Trail Runner

por Pedro Caprichoso, em 18.11.15

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1 – Não descures o treino em plano

 

Treina as subidas e as descidas, mas não descures o treino em plano. É o treino em plano, nomeadamente na horizontal, que te dará mais prazer. O treino na horizontal deve ser feito com parcimónia. Caso contrário, há a possibilidade da ocorrência de lesões precoces. Enfoque no «precoce». Vai com calma e vem-te au ralenti. Dica: realiza este treino acompanhado. Quantos mais, melhor.

 

2 – Exercita o pipi

 

Trabalha os quadricípites, isquiotibiais, gémeos, glúteos e o pipi. Este trabalho pode ser realizado no ginásio com máquinas ou em casa com halteres, bandas elásticas, vibradores e penis enlargers. Vais melhorar nas subidas, ter mais segurança nas descidas e ganhar controlo sobre os teus órgãos reprodutores, evitando lesões e gravidezes indesejadas.

 

3 – Treina em meios instáveis

 

Exercícios em meios instáveis, como montar um porco ou correr na Serra da Freita de saltos altos, acrescenta um extra ao nível da proprioceção, melhorando o teu equilíbrio.

 

4 – Larga-te nas subidas

 

Nas descidas com desnível acentuado, abre os braços para ganhar estabilidade. Nas subidas, peida-te sempre que possível de maneira a seres projectado para a frente. Dica: come feijoada no dia anterior.

 

5 – Travar é para fracos

 

As descidas são uma tentação para ganhar tempo, mas são muito intensas pelo esforço muscular de travagem. Solução: não travar. Travar é para fracos. A vantagem de não travar é que evitas cair para trás e esbandalhar o rabinho. Se caíres para a frente, paciência. Podes partir os queixos, é verdade, mas ao menos experimentaste a sensação de voar como o Super-Homem. Além de que daí pode resultar uma foto espectacular caso esteja um fotógrado nas imediações.

 

6 – Andar é para fracos

 

Há zonas com desnível nas quais caminhar te pode envergonhar para o resto da vida. Dica: caminha apenas em locais onde não esteja nenhum fotógrafo presente.

 

7 – Usa os braços

 

Os braços também correm: apoia-os alternadamente nos joelhos para empurrar e ajudar a extensão da perna; e usa-os para puxar os calções dos atletas que seguem à tua frente num single-track e não te querem deixar passar.

 

8 – Descansa antes da competição

 

Precisas de estar nas tuas plenas capacidades para enfrentar um Trail: não faças trabalho de velocidade nem vás com a tua mulher para o centro comercial nos três dias antes de uma prova.

Correr não é Andar

por Pedro Caprichoso, em 16.11.15

“Correr por gosto não cansa”

É ditado popular

Mas o que é que o povo pensa?

Que correr é andar?

 

O povo não sabe do que está a falar

É claro que correr cansa

Cansa até quem não tem pança

E a correr parece flutuar

 

Nada é mais cansativo nesta vida

Cansa todos em igual medida

Cansa o profissional e o amador

Cansa no prazer e ainda mais na dor

 

Bem vistas as coisas,

A dor mais não serve

Do que para nos relembrar:

Ainda estás vivo: vamos vomitar!

 

“Do homem da marreta ninguém escapa”

É o único lema que deves respeitar

Ignora-o e vais ver o que te acontece…

Está tudo bem e de repente estás a estourar

 

Haverá acto mais libertador

Do que correr no monte de madrugada

Sem o insuportável efeito poluidor

Da via de tráfego congestionada?

 

O verdadeiro prazer está na competição

É uma explosão colorida de movimento

Ao ritmo do bater do coração

É o reflexo do nosso divertimento

 

Mas cuidado: é errado correr demais

Podemos ficar com a perna lesionada

São os chamados “efeitos colaterais”

Para quem o descanso não vale nada

 

(Em suma)

O Trail é um estilo de vida

É um brotar de emoções

É o libertar da energia contida

É o superar das nossas limitações

Lotaria Abutrica

por Pedro Caprichoso, em 12.11.15

Segundo esta notícia da RTP, depois das inscrições para a prova de 50km (abertas na segunda-feira) terem esgotado em 45 minutos e as vagas para a prova de 25km terem ficado preenchidas em 5 minutos, a organização dos Trilhos dos Abutres vai amanhã sortear 200 vagas para as referidas provas, de entre uma lista de espera de 2.000 interessados, a partir do auditório municipal de Miranda do Corvo, numa sessão que vai ser transmitida aqui na internet.

 

Nesse sentido, o TopMáquina faz serviço púbico e releva o Regulamento do Sorteio:

 

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1 — Na Lotaria Abutrica o sorteio realiza–se da seguinte forma:

 

a) Os dorsais a sorteio são atribuídos aos números de cartão de cidadão premiados de entre os candidatos a concurso;

 

b) A extracção dos algarismos que compõem o número de cartão do cidadão sorteado far-se-á por meio de 8 testículos de touro numerados que, da esquerda para a direita, correspondem sucessivamente à ordem das dezenas de milhão, milhão, centenas de milhar, dezenas de milhar, milhar, milhares, centenas, dezenas e unidades;

 

c) Na esfera correspondente à ordem das dezenas de milhão serão introduzidos 2 testículos homogéneos de touro, iguais em material, volume, peso e número de espermatozóides, numerados de 0 a 1;

 

d) Em cada uma das outras sete esferas serão introduzidos 10 testículos homogéneos de touro, iguais em material, volume, peso e número de espermatozóides, numerados de 0 a 9;

 

e) Terminado o ingresso de todos os testículos de touro numerados nas respectivas esferas, estas serão accionadas mediante comandos eléctricos ou manuais, de acordo com o equipamento utilizado, de modo que os testículos criem movimentos giratórios;

 

f) Em dado momento, sairá um testículo de touro numerado de cada esfera;

 

g) O número de cartão de cidadão premiado será o que resultar da justaposição, em ordem decimal, dos algarismos inscritos nos oito testículos de touro saídos;

 

h) Após conferência e registo do número formado, os testículos de touro serão reintroduzidos nas esferas respectivas de modo a garantir absoluta equiprobabilidade na formação de novo número;

 

i) A extracção de algarismo só se concretiza quando o respectivo testículo de touro sair completamente fora da esfera, não existindo antes desse momento;

 

j) Dentro de cada prova (25k e 50k) considerar-se-á nulo qualquer número que vier a repetir-se, extraindo-se, então, um novo número;

 

Júri das extracções

1 — O júri das extracções superintende e fiscaliza as extracções da Lotaria Abutrica, nos termos dos artigos 36.º e 87.º dos Estatutos da Santa Casa da Associação Abutrica, aprovados pelo artigo 1.º do Decreto –Lei n.º 2775/2015, de 31 de Fevereiro.

 

2 —O júri será constituído por finishers de edições anteriores e pessoas responsáveis ao nível da moral e dos bons costumes.

 

3 — Em caso de impossibilidade de efectivação das extracções, estas serão adiadas pelo júri, que fundamentará a decisão atirando as culpas para cima de um bode respiratório previamente definido.

 

4 — A nova data, a hora e o local da extracção são anunciados por aviso afixado nos locais habituais e divulgados ao público em geral através de sinais de fumo, código morse, telepatia ou quaisquer outros meios julgados adequados.

 

5 — Compete ao membro mais anafado do júri presidir ao acto de extracção e guardar em segurança os testículos de touro nos suportes informáticos do sistema central, prevista na alínea b) do n.º 16 do artigo 10.º

 

6 — Ao júri das extracções compete ainda o controlo do direito aos prémios, o qual tem lugar por comparação entre o relatório dos registos genitais e a leitura da cópia de segurança dos testículos de touro, prevista no artigo 10.º, n.º 16, alínea b), prevalecendo esta sobre aquele em caso de divergência ou dúvida.

 

7 — Dos actos previstos nos números 5 e 6 são lavradas actas e memorandos com a troika.

 

8 — Dos actos das extracções são lavrados actas e memorandos com a troika, que são assinadas pelos membros do júri e pela Sô Doutora Angela Merkel.

 

Reclamações

1 — O público presente no Sorteio pode reclamar para o júri caso identifique algum aspecto que repute irregular. A reclamação pode ser feita verbalmente, por escrito ou via enxerto de porrada.

 

2 — O júri regista a reclamação e pode, no caso de reclamação via violência física e/ou psicológica, fazer um choradinho e pedir misericórdia, devendo tal constar da respectiva acta.

 

Policiamento do local do Sorteio

1 — O Sorteio será devidamente policiado por agentes de autoridade com o estatuto de finishers dos 50km. Estes agentes serão liderados pelo Ricardo Silva e pelo Pedro Rodrigues.

 

2 — Os referidos agentes da autoridade não intervêm em caso de reclamação via violência física e/ou psicológica por parte do público.

 

Arrábida Trail Team Assusta a Concorrência

por Pedro Caprichoso, em 09.11.15

Reunida uma vara com ‘javalis de qualidade’, a equipa «Arrábida Trail Team» (ATT) explodiu na cena do Trail Nacional e pôs a concorrência em sentido com uma vitória arrebatadora no I Trail de Belas. Fizeram 3.º, 4.º e 5.º lugares da classificação geral numa prova fustigada por uma chuva de estrelas.

 

Perante a promessa da ATT de que “temos no grupo javalis a lutar em todos os pódios de todas as serras”, face a certeza de que vão ‘soltar a vara’ nos Trilhos dos Abutres e tendo em conta que são “um grupo focado, competitivo e com uma grande capacidade de adaptação ao meio, às serras e aos trilhos”, a Direcção do Viana-Trail disse aos microfones do TopMáquina que “estamos a pensar seriamente retirar a nossa equipa dos Campeonatos Nacionais de Trail de maneira a evitar uma humilhação.”

 

A ATT avisa que é preciso ter muito cuidado da “próxima vez que se cruzarem com um javali em prova”, pois esse “javali vai fazer o possível e o impossível para chegar primeiro”. Os actuais Campões Nacionais puseram-se a pau e estão a levar este aviso muito a sério: já há rumores de que o Viana-Trail vai mudar de nome para «Viana-Asfalto» e que doravante participarão apenas em provas de estrada de modo evitar cruzarem-se com a aludida vara de suínos.

 

Embora os Leões (Panthera leo) cacem os Javalis (Sus scrofa) na natureza, até o Rui “Leão” Seixo se diz amedrontado por estes porcos-bravos. Tanto assim é, que já anulou a sua inscrição dos Abutres.

 

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PAN contra a participação de cães no Trail

por Pedro Caprichoso, em 05.11.15

Depois de criticar o voo picado da águia Vitória no Estádio da Luz, um dos rituais mais famosos do mundo do futebol, o partido Pessoas Animais Natureza (PAN) declara-se agora contra a utilização de cães no Trail.

 

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O representante do PAN, que surpreendeu nas eleições de 4 de Outubro com a eleição para a Assembleia da República pelo círculo de Lisboa, manifestou a posição do partido contra «a utilização de animais no desporto» e defende que este tipo de actividade não deveria de existir porque «afasta o animal do seu habitat».

 

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«O PAN não se revê na presença de animais domésticos em eventos desportivos, pois estes são afastados do seu ambiente natural e ficam impedidos de expressar o seu comportamento natural e de interagir com outros animais que integram o seu próprio ecossistema», explicou o deputado André Santos em entrevista ao JN Running, referindo-se em concreto à Missy TraiLab e ao treinador do Nuno Silva.

Rescaldo Trail de Afife 2015

por Pedro Caprichoso, em 03.11.15

Soube que este evento desportivo iria ficar para a história assim que vi 2 atletas à partida dos 26k com sapatilhas Skechers de Estrada. As minhas orações vão para as famílias destes atletas. Espero que tenham sobrevivido.

 

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A primeira edição do Trail de Afife ficará para sempre marcada na minha memória (e no meu corpinho) por uma queda aparatosa à passagem do km 20. Caí no chão – quem diria? – esfolei um joelho e dei um mau-jeito ao pulso esquerdo. Parece pouco. Acontece que a esquerda é precisamente a mão com a qual eu esgaço o pessegueiro. Tudo o resto é com a mão direita, mas sou canhoto quando chega o momento de fazer a coisa mais importante na vida de um homem: dar uma berlaitada em solitário. Alguém me consegue indicar uma pessoa do sexo feminino que me consiga ajudar neste momento difícil? Não sou esquisito: tanto pode ser uma gaja boa como uma gaja moderadamente boa.

 

Como seria de esperar, Jérôme Rodrigues foi a vedeta maior do Trail de Afife. O atleta do Viana-Trail é conhecido pelas suas performances extraordinárias e provou, novamente, em Afife, a razão pela qual é um atleta do outro mundo. Literalmente. O tipo é, com efeito, sem margem para dúvidas, extraterrestre. Provas? Ora bem, estudem a imagem abaixo publicada e digam-me o que vêem? Uma dica: mãos. São desproporcionalmente gigantes, não são? São muito esquisitas, tanto mais que eu não reparei nelas enquanto ele me esfregava as costas no duche. Talvez por que ele mas estava esfregar tão bem! Importa esclarecer que ele, o Faria e o Artur Matos só me esfregaram as costas por que eu me encontrava debilitado ao nível dos membros superiores no seguimento da queda supramencionada. Se duas mãos esfregam melhor do que uma, imaginem seis.

 

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A publicidade diz-nos que “quando estás com fome transformas-te numa diva”. E o Jérôme não é excepção. «Ó Bizarro, olha que a seguir sou eu!», gritava ele das bancadas em direcção ao seu Fisioterapeuta, que em baixo dava prioridade aos atletas do sexo feminino. O E.T. havia perdido a sua senha de almoço e o Faria havia-lhe dado apenas uma trinca da sua bifana. Apenas uma. «Esta semana só recorri trinta e sete vezes aos teus serviços e já estou com saudades das tuas mãos de macho latino», rematou ele aos gritos no exacto momento em que a música de Loja da Zara (que ecoava no Gimnodesportivo) parou de repente. Todos quedaram-se paralisados e rodaram a cabeça na direcção dele, inclusive as crianças que do lado oposto brincavam num insuflável. Que vergonha! “Tu não és tu quando estás com fome.”

 

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Após este “piripaque” momentâneo, três colegas de equipa conseguiram imobilizá-lo e o Presidente do Viana-Trail enfiou-lhe 5 Snickers pela goela abaixo. Saiu-lhes o tiro pela culatra. O Jérôme está habituado às barras Olimpo e os Snickers provocaram-lhe uma reacção alérgica. É o mesmo que dar metadona a uma viciado em heroína. O composto activo é o mesmo, mas não é a mesma coisa. O desgraçado parecia um Pitbull com raiva a espumar da boca. Não espantou, por isso, que este tentasse dar um pézinho de Kizomba no pódio. O Ricardo, infelizmente, não estava para aí virado. É pena. Teríamos todos a ganhar com uma Kizombada no pódio do I Trail de Afife. Ganhavam os atletas, ganhava o Kizomba e ganhava o público em geral.

 

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Este vosso mui estimado cronista ingressou nas fileiras do Viana-Trail a meio da época e já não havia equipamentos à homem para lhe dar. Só equipamentos de gaja. Acontece que ganhei 2 provas de aldeia desde que comecei a correr com roupa de mulher e os meus colegas agora dizem, no gozo, que na próxima época vão seguir o meu exemplo. Que piadinha! Para vossa informação, isso de correr com camisola de gaja não afecta em nada a minha masculinidade. Em boa verdade, até gosto do corte. Por outro lado, constatar que sou o único gajo do Trail Nacional que não rapa os pêlos da pila, isso já me deixa um pouco angustiado. Os meus pêlos púbicos são como o cabelo do Sansão. Se os cortar, perco a força! Não percebo o que se passa com os jovens de hoje em dia. Que moda é essa de deixar crescer a pelugem facial e rapar a tomateira? Por um lado são lumbersexuais; por outro parecem actores porno. Cá para mim é tudo uma questão de insegurança. Só rapam porque rapado parece maior.

 

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O tamanho do vosso tufo é-me esteticamente indiferente. O que impressiona, de facto, é a carga de trabalhos que dá manter a tomateira depilada. Os pêlos púbicos, em termos de consistência, estão entre a barba e o cabelo – e aquilo pica que se farta passado 3 dias. É o equivalente a ter barba de 3 dias ao nível das partes baixas. Ou seja, um tipo tem de andar sempre a roçar o matagal para se manter minimamente confortável – e eu não tenho tempo para isso. O meu tempo livre é usado para desenvolver actividades mais úteis para a sociedade, como seja fazer um álbum com as boazudas do Trail Nacional e classificá-las numa escala de 1 a 10.

As Especificidades do Engate no Mundo do Trail

por Pedro Caprichoso, em 30.10.15

Rapaz conhece rapariga num Trail e pede-lhe amizade no Facebook. Ela não aceita logo para não parecer fácil. Aceita passado 2 dias. Ele examina as fotos dela e comenta aquelas em que ela aparece de top justinho a exibir a medalha de finisher. Ela leva a cabo uma investigação aprofundada do histórico de publicações dele à procura de ex-namoradas, amigas badalhocas e potenciais locais de treino onde os dois possam esbarrar um no outro por mera coincidência.

 

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"Olá Máquina!", escreve ele. Ela vê a mensagem mas só responde um dia depois. Ele massacra-a durante três dias. Põe "gostos" em posts como "Never give up!”, “Prefiro as sapatilhas aos saltos altos" ou "Girls just wanna have fun run!". Ela dá-lhe o número de telemóvel. Ele manda-lhe stickers com cães a correr de mãos dadas sobre um mar de corações cor-de-rosa.

 

Partilham links de promoções de material desportivo. Treinam juntos. Curtem. Fazem "o" amor no meio do monte.

 

Mudam o estado civil no Facebook para "numa relação com". Postam fotos juntos. A correr na praia, a cortar a meta de mãos dadas, acampados em Chamonix. Selfies com o Mont-Blanc em pano de fundo. "O Trail é melhor a dois" na legenda.

 

Ele adiciona as amigas dela. Ela descobre que ele colocou um gosto numa foto da Anna Frost quando esta veio a Portugal participar na Légua Nudista. Zangam-se. Ela posta frases enigmáticas como "Mais vale correr sozinha do que mal acompanhada".

 

Acabam. Ela elimina-o do Facebook.

 

Ele volta a atirar “barro à parede” e envia um pedido de amizade à Anna.

 

"Olá Máquina!"

 

[Baseado num texto hilariante d'A Gaja]

Sopa da Mamã Campeonatos Nacionais de Trail

por Pedro Caprichoso, em 27.10.15

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O circuito de provas que farão parte dos Campeonatos Nacionais de Trail, Trail Ultra e Trail Ultra Endurance foram ontem divulgados. A grande novidade para 2016 passa pela parceria firmada entre a ATRP e a maior loja asiática de suplementação desportiva. A “Sopa da Mamã” dará assim nome aos doravante designados Sopa da Mamã Campeonatos Nacionais de Trail, Trail Ultra e Trail Ultra Endurance.

 

 

O melhor do vídeo acima publicado é a música e o grafismo. Quanto às provas, estou em completo desacordo. Segundo um espião que temos a trabalhar infiltrado na ATRP, o critério de selecção das provas corresponde aos destinos de férias dos dirigentes da ATRP. Está mal, é uma vergonha e é por isso que este país não anda para a frente. A meu ver, o critério mais justo passaria por seleccionar as provas mais próximas da minha área de residência. De preferência próximas o suficiente para que eu não precise de tirar o meu Mini Cooper S da garagem da minha Vivenda de 5 assoalhadas.

 

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Muitos criticam o facto de nenhuma prova do Sopa da Mamã Campeonato Nacional de Trail se disputar acima de Vouzela (Viseu). “Esqueceram-se do norte”, dizem eles. Isso, a mim, não me chateia absolutamente nada. É para o lado que eu durmo melhor e é-me igual ao litro. Digo-vos mais: tanto se me dá como se me deu. Espero não chocar muita gente com esta declaração: a verdade verdadinha é que o Sopa da Mamã Campeonato Nacional de Trail  não interessa a ninguém… nem ao menino Jesus. Por alguma razão os melhores atletas nacionais disputam apenas o Circuito de Trail Ultra e o Circuito de Trail Ultra Endurance, e não existe nenhum Campeonato do Mundo de Trail Curto. Um atleta experiente a disputar o Campeonato de Trail Curto é o equivalente a um motociclista quarentão a disputar o Campeonato do Mundo de Moto 3.

 

O Trail Curto só faz sentido para o pessoal que se inicia no Trail, para atletas jovens com potencial (de que é exemplo o Romeu Gouveia) e para os Ultras ganharem ritmo competitivo. Fora isso, bah... Dito isto, fiquei extremamente excitado – para não dizer molhado – ao saber que o Poiares Trail fará parte do Circuito. Eles merecem. É gente boa. Se este ano lá for outra vez, é para ganhar... e depois posar para as fotos e cagar-me no facebook.

 

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É muito curioso verificar que os mais críticos do Calendário dos Campeonatos são justamente aqueles que menos correm e, consequentemente, aqueles que supostamente menos interesse teriam em disputá-los. Não estou a dizer que as críticas não são válidas. Acho é simplesmente adorável que aqueles que mais criticam o calendário são os mesmos que desvalorizam a competição, afirmando que o mais importante é a camaradagem e o divertimento. Ora, se a competição não vos interessa, qual o vosso interesse no local onde esta se disputa?

 

No entanto, não vou negar que fiquei bastante surpreendido pela presença no calendário de uma prova disputada no Algarve. A primeira coisa que me ocorreu foi: Será esta a Maratona das Areias à Portuguesa? Queres ver que vamos correr nas dunas e nas arribas! Afinal, parece que a prova disputar-se-á na Serra de Monchique (cuja altitude máxima é de 902m) e que o padrinho da prova será o Joaquim Monchique (cujo guarda-roupa contém 902 peças de roupa).

 

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Rescaldo nos bastidores do UTAX 2015

por Pedro Caprichoso, em 22.10.15

Tirei uma sabática após 3 participações consecutivas no Ultra Trail Aldeias do Xixi. Muitos acham que eu borrei a cueca por ter borrado a cueca na edição do ano passado. É falso. Em 2014 padeci 4 horas com diarreia e outras 4 com caganeira, mas não foi por isso que borrei a cueca. Para vossa informação, eu nem sequer corro de cuecas. Eu sou dos que gosta de andar com o material ao pendurão. Acontece que cheguei à conclusão de que este ano havia muita concorrência no UTAX e decidi poupar-me para as provas de aldeia, nas quais existe a possibilidade de fazer pódio, posar para as fotos e armar-me em cagão no Facebook. Mais um exemplo: no próximo fim-de-semana realiza-se o Trail de Santa Catarina na minha zona de residência (Vila Nova de Famalicão) e eu telefonei à Organização para saber quem é que lá ia. Eles disseram-me que o Diogo Fernandes e o Nuno Silva estavam inscritos e eu anulei a minha inscrição na hora.

 

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Não corri, mas também não fiquei em casa. O Jeremias Rodrigues – vencedor eventual do UTAX – implorou que eu o acompanhasse nas funções de mochileiro. “Preciso do teu carinho durante a noite”, disse-me ele, ajoelhado aos meus pés, com as lágrimas a pingarem-lhe nas minhas sapatilhas novas da Salomão: 170€ + IVA. Como sou um tipo ‘coração de manteiga’ e escroto de aço, aceitei. Mas impus algumas condições. A saber:

 

[1] Em nenhuma circunstância passar-lhe-ia creme nos mamilos. Só nas virilhas e no rabinho.

[2] Massagens só acima dos joelhos e abaixo do umbigo.

[3] Não lhe seguraria no cabelo em caso de vomito.

[4] Em caso de hipotermia, não faria conchinha para aquecê-lo. A não ser que ele se despisse e ficasse nu. Nesse caso, faria o sacrifício.

[5] Caso ele ganhasse a prova, os papéis inverter-se-iam e ele teria, perdão, terá de ser o meu escravo na próxima edição da Corrida do Pai. Vem ao Pai.

 

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O vencedor do UTAX fez a prova para meter ritmo com vista ao Ultra Trail da Baixa da Banheira, tendo inclusive cochilado meia hora em Castanheira de Pêra. No entanto, ao contrário do Nuno Silva, não foi uma menina vestida com Salomão que acordou o Jeremias. Fui eu. Com um beijinho na careca!

 

Foi uma noite mmmuuuiiitttooo longa. Fiquei todo rotinho. Sem dúvida mais rotinho do que o Jeremias, que cortou a meta mais fresco do que uma alface a ser trincada pelos lábios carnudos do José Capela. É o que dá andar uma noite inteira a fazer de ama-seca das princesas do Viana-Trail. Não confundir ama-seca com ama-de-leite.

 

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Aprendi muito. Aprendi que não devemos apressar os atletas nos abastecimentos. O melhor é deixá-los respirar e adaptarmo-nos à velocidade (ou lentidão) com que eles abastecem. Aprendi que não devemos bombardeá-los com perguntas. O melhor é colocar as coisas à disposição deles e esperar que eles as peçam. E aprendi que apalpar-lhes o rabo, como fazem os jogadores de voleibol, não é a melhor forma de incentivá-los. O melhor é dar-lhes um beijinho no cocuruto, à semelhança do que fazia o Laurent Blanc com o Barthez antes do pontapé de saída. Para dar sorte. O que ainda faz mais sentido no caso do Jeremias, uma vez que este também nasceu em França e tem tanto cabelo quanto o ex-guarda-redes da selecção gaulesa.

 

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Os campeões não se medem só pelos resultados. Também se medem pela forma como comem presunto directamente do tupperware e pela forma como dão porrada nos agricultores que cometem o erro, perdão, o crime de roubar fitas. “Onde é que estão as fitas, caralho?!”  é a frase que vai ficar para a história do UTAX 2015. Esta frase transformou num inferno a vida do lavrador que roubou meia-dúzia de fitas entre o penúltimo (94k) e o último abastecimento (104k). O tipo tem acordado estremunhado a meio da noite com a imagem do Jeremias a gritar-lhe aos ouvidos e, segundo os vizinhos, até já anda no Psicólogo.

 

Quanto ao responsável máximo do Viana-Trail, já foi tudo dito. A dedicação, o esforço e o sex appeal deste homem não tem comparação a nível nacional. No entanto, se o Sô José Carlos é o Pinto da Costa do Dirigismo do Trail Nacional, eu sou o Reinaldo Teles. Foi uma honra e ao mesmo tempo um terror tê-lo servido enquanto seu braço direito. O terror explica-se pela condução alucinada do Presidente, que desesperava quando achava que não ia chegar a tempo ao abastecimento seguinte. Acho que deixei um buraco no chão do carro no lado do pendura, pois o meu pé direito fartava-se de carregar num travão fantasma ao reagir por reflexo aos pneus a chiar e às curvas negociadas em contramão. A honra, essa, está bem expressa no vídeo em baixo. Eu também verti uma lágrima, mas disfarcei melhor.

 

 

Para além do Jeremias, há que destacar o Faria, o Rui Seixo e o Pedro Rodrigues. O primeiro é uma lêndea viva! Depois do EstrelaAçor (onde acabou mais morto do que vivo)  e do GTSA (onde correu abaixo das suas potencialidades), o ‘ovo de piolho’ renasceu das cinzas e fez 5.º numa das provas mais duras a nível nacional. Dizem que o segredo está nas uvas. Não sei. Apenas sei que o vi despachar um cacho de uvas antes do tiro de partida. Seja ceguinho se não é verdade. Além disso, já ultrapassou o José Capela na categoria de “Atleta Minhoto sem Desistências no Currículo“. Depois desta performance, José “Krupicka” Faria entrou directamente para o Top3 dos meus atletas preferidos do Trail Nacional. Neste momento, à frente do Faria, só mesmo o e o Pedro “Troncos” Rodrigues. O Pedro é 100% trail. O tipo respira trilhos, come desnível e caga lama.

 

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O Rui “Leão” Seixo encara o treino como um pugilista em preparação para um combate. Uma vez que os combates são disputados consoante um determinado limite de peso, os pugilistas passam as últimas semanas a perder peso de maneira a respeitar esse limite. Da mesma forma, o nosso Leão perdeu cerca de 36 quilos em 2 meses – metade dos quais na Serra D’Arga via diarreia – e apresentou-se à partida do UTAX em pico de forma. Que isto sirva de exemplo àqueles que acham que conseguem competir todos os fins-de-semana sem um plano de treino bem definido e com objectivos a médio-longo prazo.

 

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Apesar da vitória no UTAX, o Jeremias saiu do meu Top3. Reparei que pintou um clima entre ele e o Bruno Coelho – e fiquei triste. E eu não quero cá tristezas no meu Top3.

 

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Para rematar em beleza, resta-me dizer que só é pena o vermelho não combinar com tanto amarelo!

 

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Rescaldo Trail Senhora do Salto

por Pedro Caprichoso, em 16.10.15

Desloquei-me a Aguiar de Sousa a convite do Presidente do Viana-Trail e Padrinho da prova. A Madrinha era, nem mais nem menos, do que a SuperMulher Lucinda Sousa. Não podia recusar, pois tratava-se de uma excelente oportunidade para aplicar a 3.ª Dica Para Seres Um Grande Atleta. Evitei as provas com mais concorrência que se disputavam nesse fim-de-semana, como o Trail da Guarita e o RedcrossTrail, e parti com a intenção de fazer pódio, posar para as fotos e depois cagar-me no Facebook. Mas não pensem que foi fácil. Só alcancei o segundo classificado a 2km da meta e o primeiro dentro do último quilómetro.

 

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A partida foi dada por uma pistola muda. A Organização esqueceu-se de carregar a arma e o tiro saiu em falso. Também em falso, um atleta deu um passo em falso e espalhou-se ao comprido ainda dentro do primeiro quilómetro. A queda foi provocada pelos afloramentos de xisto, tão característicos daquela zona, que pontuavam todo o percurso. Saltei por cima da vítima de maneira a evitá-la, parei, assegurei-me de que ela bulia e continuei no encalço dos primeiros. Foi pena. Naquele primeiro quilómetro, ficou claro aos olhos de todos que o sinistrado ia ganhar a prova com uma perna às costas. Enfim… como se costuma dizer, ácido sulfúrico no cu dos outros é chá de camomila na minha barriguinha.

 

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O percurso surpreendeu-me pelo equilíbrio apresentado entre zonas rolantes, zonas técnicas e zonas erógenas (i.e. húmidas). Entre as últimas, destaco uma secção de rio com água pela cintura. Nesta secção, algumas caminheiras resolveram tirar o biquíni da mochila e transpô-la a nado – e em boa hora o fizeram. Gostei.

 

Fiquei em 147.º Geral em 8h26. Sim, acabei em primeiro, mas levei uma penalização de 6h por ter engravidado uma caminheira durante a prova. Jamais esquecerei a primeira edição do Trail Sra do Salto. Ao km 16 da prova concebi o meu primeiro filho. Vou ser pai... pelo menos isso é o que me disse a caminheira contra a qual embati pela retaguarda no passado Domingo. A culpa é do viagra. Troquei os comprimidos de imodium pelos de viagra – ambos azúis – e tomei dois a meio da prova. O problema é que fiz a segunda metade com a tenda armada e depois deu-se o azar de ter apanhado a futura mãe do meu filho numa curva mais apertada. A coitada, ainda por cima, estava de rabo empinado à procura de uma lente de contacto. É o destino. A rapariga não é da terra. A Christine é uma estudante francesa a fazer Erasmus em Ermesinde.

 

Ao km 12 encontrei um cadáver humano em avançado estado de decomposição. Penso que se trata de uma vítima das Quintas-Feiras bravas, uma vez que os “bravos” realizam as suas touradas por essas bandas.

 

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Esqueci-me de referir que me esqueci das calças no carro. Despi-me, tomei banho, limpei-me e só então me apercebi que não tinha calças. Uma vez que sou um tipo desenrascado, saí do balneário com o corta-vento enrolado à cintura. Acontece que fui imediatamente cercado por outras 3 caminheiras – e agora tudo indica que vou ser o pai babado de 4 crianças. A prova não me estafou, já as caminheiras… Se não fossem as 5 fêveras que comi à pala da Organização, não sei não. O mais provável é que neste momento ainda estivesse a soro no hospital de Recarei.

Campeões de Campismo de Montanhismo de Portugal

por Pedro Caprichoso, em 14.10.15

Depois do Campeão Nacional de Trail Ultra Endurance, do Campeão Nacional de Skyrunning e do Campeão Nacional de UltraSkyrunning, a ilha da Madeira produziu mais um Campeão Nacional. Trata-se do Campeão Nacional de Km Vertical.

 

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O problema do Campeonato Nacional de Km Vertical não tem a ver com o local e muito menos com os atletas. A ilha da Madeira é um dos melhores locais – senão o melhor – para realizar este tipo de eventos e os campeões em causa (Luís Fernandes e Ricardo Gouveia) são excelentes atletas. Vou mais longe: são do que de melhor temos em Portugal. Mas e os outros?

 

O problema tem a ver com as entidades (no caso Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal) que legitimam um campeonato nacional sem garantir a presença dos melhores atletas nacionais.

 

Enquanto no MIUT estiveram os melhores atletas nacionais de Trail e o Luís Fernandes sagrou-se com toda a legitimidade Campeão Nacional de Trail Ultra Endurance, o mesmo não aconteceu com os campeonatos disputados sob o aval da FCMP. É pena, sobretudo para os campeões, já que estes seriam igualmente candidatos à vitória na presença de mais e melhor concorrência – e, se ganhassem, veriam os meus títulos devidamente validados.

 

As pessoas precisam de meter na cabeça que as vitórias não são medidas pelo nome do título, mas pelo valor dos nossos adversários. São os outros atletas que legitimam e dão valor às nossas vitórias.

TRAIL RUNNING 15

por Pedro Caprichoso, em 09.10.15

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O Nuno Miguel Maia chamou-me a atenção para o lançamento do muito aguardado TRAIL RUNNING 15 – e em boa hora o fez. Descarreguei o torrent, instalei o jogo, copiei o crack, joguei 5 horas seguidas e agora estou aqui para fazer a review do jogo.

 

A EA mantém a tradição e lança TRAIL RUNNING 15 para consolas e PC. Para começar podemos afirmar que a espinha central do jogo permanece a mesma. Isto não é surpresa tendo em conta o sucesso de TRAIL RUNNING 14. Entre as novidades, é de realçar a agilidade e controle de cada atleta, apresentando um comportamento corporal mais realista quando estão a alimentar-se, a atravessar uma linha de água, a ultrapassar um obstáculo ou a levar com a marreta nos cornos, possibilitando que estes tropecem e sofrem quedas mais realistas. As expressões faciais dos atletas demonstram mais emoção, as animações do público foram melhoradas, os trilhos desgastam-se ao longo da corrida e os atletas vassoura estão mais “inteligentes”.

 

Temos à nossa disposição todos os percursos das provas que integram o Circuito Nacional de Trail, Ultra-Trail e Endurance, com destaque para os Trilhos dos Abutres em modo “temporal”. O que mais salta à vista, porém, são os detalhes dos atletas: as suas reacções com base nos outros atletas tanto podem provocar alegria como desespero. O público dá espectáculo entoando os cânticos oficiais de cada equipa, empurrando-a para a vitória. A narração fica por conta de Rui Pinho e Bárbara Baldaia.

 

Em relação aos modos de jogo, não há grandes mudanças. Apenas algumas melhorias em relação à versão anterior. O sistema de localização de atletas foi melhorado e agora é possível criarmos e compartilharmos as nossas equipas "ideais". Também foram introduzidos um máximo de 3 parâmetros a serem definidos de modo a variar o estilo de corrida de cada atleta. Por exemplo, podemos “dizer” a um atleta para atacar na primeira metade da prova ou, pelo contrário, para se guardar para a segunda parte da mesma. Temos também a opção de usar bastões, ténis minimalistas ou maximalistas. Infelizmente, em termos de alimentação, estamos limitados à água / isotónico e às barras / géis. Há muito que os jogadores exigem que sejam introduzidas mais variantes a este nível, tais como marmelada, canja, enchidos e minis.  

 

Como prometido pela EA, os atletas vassoura estão agora mais inteligentes e motivam de forma fantástica os atletas mais lentos. No entanto, não estão totalmente livres de erros. Em determinadas ocasiões vai tudo por água abaixo e somos surpreendidos por um atleta vassoura que saca de um bastão e dá o golpe de misericórdia a um caminheiro em sofrimento.

 

Em suma, quem é fã da série notará muitas diferenças (para melhor) nessa nova versão. Veredicto final: 8/10.

 

Resta saber qual será o atleta escolhido para a capa da versão portuguesa. Fala-se em Quim Sampaio, mas ainda não está nada confirmado. O mais provável é que a ATRP promova um referendo junto dos seus associados.

TraiLeaks

por Pedro Caprichoso, em 08.10.15

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TraiLeaks é uma rubrica do TopMáquina que visa divulgar a parte oculta do Trail. Infelizmente, o desporto que tanto amamos está podre e é altura de dizer basta. Fundos, comissões, negociatas, tudo serve para enriquecer certos parasitas que se aproveitam do Trail, sugando os clubes e atletas.

 

Irei aqui divulgar resmas e resmas de material que me chegaram às mãos nos últimos meses através de fontes anónimas. Muita polémica, muitas curiosidades e muitas ameaças de bomba. Aceito doações, pois adquirir todo este material levou-me imenso tempo e é sempre bonito contribuir.

 

Iremos aqui divulgar os dados contratuais do Biana Trail, entre os quais a publicação integral do milionário vínculo laboral de Ricardo Silva à equipa de Biana do Castelo. E depois voltaremos à carga com uma nova palete de documentos supostamente confidenciais, não só do Biana-Trail mas também do Desnível Negativo e da Proxis.

 

O TraiLeaks, que anuncia como missão "divulgar a parte oculta do Trail", fará esta madrugada 4 novas revelações, disponibilizando os contornos do contrato proposto pela Proxis à Ester Alves, mas que a atleta de Vila do Conde se recusou a assinar em meados de Setembro. A fazer fé no contrato divulgado, a Proxis queria impor uma cláusula de exclusividade de €40 milhões caso a atleta venha a ingressar num clube português até 2021, acrescida de mais €25 milhões de compensação. Se a proposta viesse de um clube estrangeiro na próxima janela de transferências, o valor baixaria para €15 milhões.

 

Poremos a nu o diferendo entre o Biana Trail e o fundo de investimento “Chamonix Sports”, e publicaremos documentação relativa à transferência de Kilian Jornet para o Desnível Negativo. Revelaremos, ainda, que o Paredes Desventura tem uma dívida de dez milhões de euros ao empresário de Bruno Coelho, referente a duas prestações vencidas e não pagas pela transferência do referido atleta, a primeira das quais datada do mês de Julho.

 

Os casos Rodrigues e Caprichoso têm dado que falar, e o TraiLeaks dará agora acesso aos “contratos da discórdia”. Importa recordar que o desentendimento começou quando o Biana Trail rescindiu contrato com “Chamonix Sports”, contrato esse que atribuía 75% do passe de Pedro Rodrigues ao fundo.

 

De uma coisa podem estar certos: o TraiLeaks fará correr muita tinta.

As Alcunhas do Trail Nacional

por Pedro Caprichoso, em 06.10.15

A beleza do Trail está no facto de ser um desporto multidisciplinar. É muito mais do que uma variante do atletismo. Em parte é atletismo, pois implica correr e marchar. Em parte é escalada, pois amiúde implica escalar. Em parte é ski, pois por vezes implica fazer sku. E em parte é boxe, não porque andemos à porrada, mas porque todos os trail runners têm alcunhas. Se no boxe temos o Floyd “Money” Mayweather, o Manny “Pacman” Pacquiao e o Mike "The Baddest Man on the Planet" Tyson, no Trail Nacional temos o:

 

 

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 Rui "Leão" Seixo

 

 

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 Jérôme "Gigi" Rodrigues

 

 

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 Gabriel "Chaimite" Meira

 

 

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  Pedro "Fininho" Caprichoso

 

 

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Jorge "Relógio Suíço" Rocha

  

 

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 André "Homem-Bicho" Rodrigues

 

 

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 Pedro "Troncos" Rodrigues

  

 

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 José "Krupicka" Faria

 

 

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 Armando “Alta-Tensão” Teixeira

  

 

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José “Papa-Quilómetros” Capela

  

 

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Luís “Bombardeiro” Duarte

  

 

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  Paulo “(Ex)Terminador” Lopes

 

 

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 Rui “O Último dos Moicanos” Luz

 

 

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Ricardo “Robocop” Silva 

 

 

Esta lista  de alcunhas tem também o condão de ajudar os novatos a saberem como se devem dirigir aos veteranos do Trail Nacional. Cheguem-se ao pé do José Capela, tratem-no por “José” e depois admirem-se de levaram um par de bufardos nas fuças. Não é “José”. Não é “Sr. Capela”. É Sr. “Papa-Quilómetros”. Depois digam que eu não vos avisei. Ele tem um cinturão negro em “Jiu jitsu” e não está para brincadeiras.

 

Uma vez que não conheço as alcunhas de todos os trail runners nacionais, solicito que o leitor indique as que conhece na caixa de comentários em baixo. Não se esqueçam, porém, que as consequências decorrentes do que vocês escreverem é exclusivamente da vossa responsabilidade. A redacção do TopMáquina recusa qualquer tipo de responsabilidade a esse nível.

 

Estou muito curioso para saber, por exemplo, quais as alcunhas do Nuno Silva, Ester Alves, Analice e Vitorino Coragem.

12 Dicas para Correr em Tempo de Crise

por Pedro Caprichoso, em 02.10.15

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1. Adoptar o minimalismo e o barefoot running

 

Nada melhor para poupar dinheiro em sapatilhas do que correr descalço ou de sandálias. Se quiserem ir mais longe, podem aplicar o minimalismo a outras áreas, como a alimentação e o vestuário. Jejuar com fartura e aderirem ao nudismo far-vos-ão poupar centenas de euros em comida e roupa.

 

“Isso é tudo muito bonito mas só há uma prova nudista em Portugal”, diz o nudista que existe dentro de ti. É verdade. Mas com o sucesso da “Légua Nudista”, desconfio que 2016 será o desabrochar – salvo seja! – das provas de pipi ao léu.

 

 

2.Vender o relógio GPS

 

Vendam o vosso relógio GPS e com o dinheiro comprem um Rolex de imitação nos Marroquinos. Isto fará sentido mais à frente. O resto podem investi-lo em Papel Comercial do Novo Banco. Para substituir o GPS, puxem pela imaginação. Eu tenho por hábito atar as extremidades de um cordel de 1 metro aos tornozelos e contar passos.

 

 

3.Fazer isotónico e géis caseiros

 

Receita: 1 litro de água, 2 colheres de chá de sal de cozinha, 2 colheres de sopa de açúcar amarelo e sumo de limão a gosto. Outra forma de obteres bebidas desportivas à borlix é treinares como gente grande, ganhares umas quantas provas e conseguires o patrocínio de uma marca de suplementação desportiva. Mas isso, como bem sabemos, dá muito trabalho. Cansa.

 

Quanto aos géis, recolham as embalagens usadas, lavem-nas, desinfectem-nas, injectem-lhes mel com café e fechem a embalagem com fita-cola. Não sabem onde encontrar embalagens usadas de géis? Basta procurar ao longo do percurso de uma prova realizada no dia anterior.

 

 

4.Correr com sapatilhas antigas

 

Atenção: não estou a falar em comprar ténis da colecção do ano anterior. Isso é para milionários. Estou a falar, isso sim, em arrombarem um daqueles contentores para recolha de roupas e calçado usado. Daqueles que depois são enviados para os pretinhos de África. Procurem bem e eventualmente encontrarão um par de sapatilhas à vossa medida.

 

 

5.Comprar roupa a custo zero

 

Poderíamos usar a dica indicada no ponto anterior? Poderíamos. Acontece que é difícil encontrar roupa técnica nos contentores para recolha de roupas e calçado usado. Falo por experiência própria. O melhor, mesmo, é comprá-la sem pagar. Há quem lhe chame «roubar», mas não se deixem dissuadir por uma palavra. Só custa a primeira vez. Dica: ninguém revista a barriga de uma mulher (supostamente) grávida. A minha Maria é a maior!

 

 

6.Casem-se com um treinador(a)

 

Ter um personal trainer não é para todos. Custa dinheiro. Mas não tem de custar. Eu sou casado com uma treinadora pessoal há coisa de 10 anos. Ou serão 15? Ou são 10 ou 15. Pensando bem, podem ser 7. São 9. Acho eu…

 

Seja como for, não gosto dela. É uma chata de primeira. Mas ao menos estou sempre em forma. Façam assim: paguem uma ou duas aulas particulares e seduzam-na(o). Às meninas basta-lhes usarem um decote até ao umbigo. Aos homens basta-lhes usarem um relógio de 10.000€. Lembram-se do Rolex que vocês trocaram (ponto 2) pelo vosso Relógio GPS? Pois bem, é aqui que vocês vão capitalizar o vosso investimento.

 

Não se finjam chocados. Há quem se case por razões mais fúteis: por dinheiro, por amor ou porque o tipo encontrava-se nu… e a determinado momento escorregou numa casca de banana… e acidentalmente enfiou a pilinha na pombinha da namorada… e embuchou a coitada.

 

 

7.Prolonguem a vida das vossas sapatilhas

 

Já ouviram falar em recauchutagem de pneus? Pois bem, não tem nada a ver. A melhor forma de fazer exercício sem danificar as vossas sapatilhas é andar de bicicleta. De bicicleta o calçado não toca no chão, impedindo o seu desgaste. Sim, é preciso uma bicicleta. E então? Hoje em dia já se encontram bicicletas mais baratas do que determinados modelos de determinadas marcas de sapatilhas. Além de que podem sempre aplicar o ponto 6 às bicicletas e gamá-las. Aquelas que se dobram todas, então, ‘é como limpar o rabinho a uma criança’. Tenho lá 7 em casa. Alugo-as à hora. Mandem-me uma mensagem privada e acertamos os honorários do aluguer.

 

 

8.Planeiem o vosso calendário com antecedência

 

A maior parte das provas oferecem descontos na primeira fase de inscrições. Inscrevam-se assim que possível nas provas que têm a certeza que farão. Eu não brinco em serviço e já inscrevi o meu filho (que ainda não nasceu) no UTSM 2045.

 

 

9.Voluntariem-se

 

As Organizações ganham milhões e estão sempre à procura de escravos, perdão, voluntários. A única diferença entre escravos e voluntários é que os primeiros trabalham de graça contra a sua vontade e os últimos trabalham de graça por vontade própria. Embora não vejam a cor do dinheiro, os voluntários recebem inúmeros benefícios e incentivos por parte das Organizações. Podem ficar com a t-shirt da organização, comem ‘à pato’ nos abastecimentos – não se esqueçam do tupperware – e ainda ficam com brindes que sobram. Querem melhor do que isto?

 

 

10.Evitem lesões

 

Muita massa gastam os meus amigos em fisioterapia, massagens, consultas médicas, acupunctura e idas à bruxa. Tudo para se curarem da epidemia de lesões que afecta o pelotão nacional. Um tipo lesionar-se é tão 1998! Deixem-se disso. Já não se usa. Hoje em dia só se lesiona quem quer. Da mesma forma que a melhor solução para evitar uma gravidez indesejada é a abstinência, a melhor forma de evitar lesões é não correr. Não corram e garanto-vos que não se lesionarão. Palavra de TopMáquina. Também podem aplicar o ponto 7 aos Fisioterapeutas e casar com um. Ouvi dizer que o Pedro Bizarro está livre como um passarinho e é um tipo extremamente bem apessoado.

 

 

11.Compitam perto de casa

 

É muito fixolas viajar, correr em novos trilhos e conhecer pessoas novas. Mas tudo isso tem custos. O transporte, alojamento e refeições saem-nos do bolso. Considerem isto: pelo preço de uma participação no MIUT poderão fazer 20 Trails de Curral de Moinas. Melhor ainda: organizem provas no quintal de vossa casa, convidem os vossos amigos mais fraquinhos, ganhem a prova e publiquem as fotos no facebook. Durante um ou dois dias vais sentir-te como um verdadeiro campeão.

 

 

12.Encornem o vosso cônjuge no monte

 

Em vez de levarem a vossa amante para o Hotel, que tal marcarem um treino / escapadinha no meio do monte? Fazem exercício, dão a queca atrás de um eucalipto e poupam dinheiro na diária. Só vantagens.

Rescaldo GTSA 2015

por Pedro Caprichoso, em 01.10.15

Sábado. Dez da manhã. Tirei o meu Volkswagen Golf TDI da garagem, apanhei o Jérôme pelo caminho e partimos rumo à Senhora do Minho. Pelo caminho matei 2 ciclistas e 3 militantes do PCTP/MRPP. Não faleceram via atropelamento. O seu óbito foi provocado pelos fumos de escape emitidos pelo meu bolinhas. Ao enterrarmos os 5 cadáveres na berma da estrada, apercebi-me que o Jérôme tem muito jeito para cavar buracos. Se a sua carreira enquanto actor porno não resultar, espera-lhe um futuro brilhante enquanto coveiro. Bem vistas as coisas, tem tudo a ver com buracos.

 

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Era a puta da loucura! A Senhora do Minho rebentava pelas costuras. Nem em dias de romaria. As pedras não eram suficientes para tanto rabo nelas alapado. Estariam lá, seguramente, 10 mil pessoas. Metade pertencia aos quadros do Viana Trail. Uns de binóculos, outros de fio dental – facilmente identificável pela posição em que se encontravam sentados – e outros exibindo a t-shirt de cagão (i.e. finisher) da prova mais difícil que fizeram até à data. Todos com os olhos postos no ponto em que no horizonte surgiriam os primeiros atletas do GTSA – Vertical. Apostas eram feitas sobre o vencedor quando, ao longe, reconheci o Keanu Reeves sentado num calhau gigantesco. Não dá para ver, mas na foto abaixo publicada estão cinco atletas do Viana Trail atrás da pedra a tentar empurrá-la. Não percebo o que eles têm contra o actor norte-americano.

 

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Jérôme (a.k.a. “Escroto de Aço”) convenceu-me a descer até meio do Cerquido para acompanhar a prova mais de perto. Passou o Carlos Sá em funções de safety car, passou o Carlos Dias – o futuro vencedor – e passou o Diogo Fernandes em tronco nu. Não resistimos aos seus encantos e fomos atrás dele. «A Erica Fontes está à tua espera na meta», disse-lhe eu de maneira a motivá-lo. E acrescentei: «Jérôme, dá-lhe um empurrão pela rectaguarda». «Ele não faz o meu género», respondeu o Gigi de pronto. E rematou: «Se fosse o Bruno Sousa, já era outra história».

 

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Acompanhámos o Diogo até à base da ‘rampa da meta’. Deixámo-lo então partir em solitário sob os aplausos e incentivos da multidão de fãs do atleta de Santo Tirso. Assentámos arraiais, o Keanu Reeves juntou-se-nos e aí ficámos a apoiar os demais atletas, inclusive os utilizadores de muletas. A determinado momento apanharam-me a olhar para o rabo de um indivíduo do sexo feminino. O Jérôme, como não gosta de gajas, estava a olhar para o tronco nu do Penetra e do Paulo Machado, que vinham a seguir.

 

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Ficaram todos chocados ao tomarem conhecimento que o vencedor do GTSA-Vertical não corre. Só faz zumba. Posto isto, já marquei 10 aulas de zumba com a Tu Xa.

 

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Regressei da Senhora do Minho com a barriga a dar horas. Almocei sarrabulho, fiz crioterapia no rio de Outeiro, jantei sarrabulho, dormi 8 horas, comi os restos do sarrabulho e rumei em direcção a Dem.

 

 

Domingo. Sete da manhã. Era noite, estava nevoeiro e não se via a ponta de um corno. Não obstante, o tagarela Sô Doutor Eduardo Merino era facilmente identificável no meio da multidão. Aquela voz de barítono não engana ninguém. E assim é que se vê a diferença entre os amadores e os profissionais: enquanto uns apalhaçam e ficam no paleio até ao tiro de partida, outros há que se remetem ao silêncio de maneira a melhor se concentrarem na tarefa em mãos. Escusado será dizer que o Ricardo Silva pertence ao grupo dos profissionais – ele que acabou por fazer segundo e assegurar o título de Campeão Nacional do Circuito de Ultra-Trail. Consegui arrancar-lhe um bom-dia e nada mais.

 

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Dado o tiro de partida, os peões começaram a moverem-se (de acordo com a vontade da nossa Senhora do Minho) e a Juventude Vidigalense apanhou-se na liderança da prova à passagem por São Lourenço da Montaria (33k). O Presidente do Viana Trail estava de tal forma borradinho de medo, que a determinado momento despiu-se à minha frente, porventura na esperança de que eu me distraísse, tropeçasse e mandasse com os cornos no chão. Acontece que eu não gosto de homens de meia idade. Prefiro-os mais novos e tenrinhos.

 

Como se o estrume das vacas e dos garranos não fosse suficiente, o Rui Seixo e o André Rodrigues resolveram adubar a Serra D’Arga como se não houvesse amanhã. Apanhei os dois, de cócoras, a cagar à caçador. Quem não soubesse melhor, diria que eles haviam sido contratados pelo Ministério da Agricultura. Se os problemas gastrointestinais do Seixo não tiveram reflexo na classificação colectiva da sua equipa, o mesmo não se pode dizer em relação ao André. A Juventude Vidigalense contava com apenas 3 atletas, pelo que estes teriam obrigatoriamente de terminar a prova para classificar a equipa. Ou seja, a desistência do André deitou por terra as aspirações da equipa de Leiria. «As fezes do André souberam-me a mousse de chocolate», confessou o Presidente do Viana Trail a este vosso mui estimado cronista.

 

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Na última subida passei por um tipo estendido no chão. Estava com cãibras, o desgraçado. Baixei-me para ajudá-lo, mas tive uma cãibra e acabei sentado ao lado dele. Alonguei, rezei um Pai-Nosso e duas Avé-Marias, despedi-me dele e continuei. Graças à Senhora do Minho que por essa altura apareceram dois anjos do Trail Curto (23k) que se ocuparam dele. Bendita sejas, Senhora do Minho. Aleluia!

 

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Os atletas cabo-verdianos perderam-se inúmeras vezes. Primeiro na descida após a Pedra Alçada e, mais tarde, no Cerquido. Perderam-se, atalharam e foram parar ao topo do Cerquido, falhando o controlo que se encontrava na base deste. Tiveram por isso de descê-lo, passar pelo controlo e voltar a subi-lo. Ainda assim conseguiram correr atrás do prejuízo e acabar, respectivamente, em 8.º e 12.º lugares. No entanto, não foi isso o que mais me impressionou nos nossos amigos vindos de Cabo-Verde. Tendo em conta o calor que se fazia sentir, o que me deixou com os queijos no chão foi o facto de os ver correr com luvas. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo…

 

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Jérôme Rodrigues, o cabo-verdiano mais albino de Portugal, também se perdeu no Cerquido. Mas as duas situações não são comparáveis. Os problemas de orientação dos nossos amigos lusófonos apresentam atenuantes, pois era a primeira vez que corriam em Portugal. Já a avaria do GPS do atleta barcelense não tem desculpas. É imperdoável. Arga é o seu campo de treinos, por amor do santíssimo!

 

Para terem noção do à-vontade e classe dos 2 primeiros classificados, considerem estes 2 episódios:

 

  1. No segundo km de prova passei pelo Nuno Silva a atar os cordões das sapatilhas. O tipo nem se dá ao trabalho de verificar os atacadores antes da partida. Isto é a brincar com os atletas que dão três nós cegos com medo de terem de parar para os voltarem a atacar durante a prova.

 

  1. O Ricardo Silva encontrou um telemóvel (da marca com nome de fruta) durante a prova e entregou-o no final à organização. Pelo caminho ainda teve tempo de usá-lo para publicar um post sobre as barras Olimpo. Isto é a brincar com as pessoas que não têm patrocínios e têm de ficar com as coisas que encontram nos trilhos para conseguirem ganhar a vida. Relembro que o contrato do Ricardo com as barras Olimpo ascende a 2 milhões de euros por época.

 

Por fim, vejam só a tabela toda catita que eu fiz. Nela poderão verificar os tempos realizados pelo Top20 do GTSA entre os 33k - 53k. Três homens "estouro" são facilmente identificáveis: Délio, Pacheco e aqui o "fininho". O paneleiro do homem marreta apanhou-me no calor da última subida. Parecia que estava a andar de marcha-atrás. Tirando os mais rápidos, podemos também concluir que o Paulo Lopes (Paulo Silva) continua a marcar a diferença como um dos melhores "terminadores" do pelotão nacional. Ou será exterminador?

 

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Antevisão do GTSA

por Pedro Caprichoso, em 24.09.15

Domingo, todos os caminhos vão dar a São João da Pesqueira. O Salão Erótico de São João da Pesqueira é o evento a não perder por todos os aficionados da pornografia nacional. Caso São João da Pesqueira vos fique fora de mão, podem sempre dar um salto à Serra de Arga e assistir, ao vivo e a cores, ao Grande Trail Serra D’Arga.

 

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À semelhança do Salão Erótico, também em Arga poderão assistir a um espectáculo erótico de elevadíssima qualidade. Homens e mulheres usando linguagem badalhoca e gemendo em trajes reduzidos é coisinha que não faltará em Arga, nomeadamente nas subidas mais inclinadas do percurso. Não fiquem por isso chocados se derem de caras com um espanhol de muletas, com os calções de lycra enfiados na regueifa, lançando obscenidades pela boca fora. «Estoy hasta los cojones» (Estou farto), «Que coño» (Que raio/que chatice/que merda) e «Me cago en la leche» (Puta que o pariu) são algumas das bonitas expressões que poderão apreciar à conta da dureza da ascensão à Senhora do Minho.

 

Não nos cansamos de alertar os progenitores de crianças pequenas no sentido de protegerem as orelhas dos seus rebentos. Não queremos que os vossos filhos saiam de Arga a dizer asneiras, muito menos em espanhol. Posto isto, sugerimos a utilização de abafadores com um mínimo de atenuação de 25 decibéis.

 

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A tendência é querer assistir à passagem dos atletas no topo da Senhora do Minho. Acontece que os atletas são recebidos no topo ao som de chocalhos, pelo que o seu ruído abafará tudo o resto. Recomendamos antes a “zona espectáculo” localizada no último terço do Cerquido. É aí que os gemidos e palavrões atingirão o volume mais elevado. Podem fazer a experiência no Sábado aquando da realização do GTSA – Vertical. O Diogo Fernandes vai passar por vocês a gemer como se estivesse na marmelada com a Erica Fontes.

 

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Outra das “zonas espectáculo” definidas pela Organização localizar-se-á na descida da Pedra Alçada. Dadas as características da descida e o cansaço dos atletas a 4km da meta, a probabilidade de assistirem a um malho, espalhanço ou trambolhão é para cima de muita. Os atletas não gostam que o público se ria das suas quedas, mas eles que se lixem. Riam-se à vontade. Riam-se, tirem-lhes uma foto e depois gozem com eles no facebook. Não sejam egoístas. Partilhem as quedas.

 

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Tendo-se perdido na edição do ano passado, o nosso enviado especial ao GTSA reconheceu o percurso a pente fino e de fio-a-pavio. Pedro Caprichoso diz que é capaz de fazê-lo com os olhos fechados. Só não o fará porque tem medo que um tipo de muletas lhe vaze uma vista. Na vizinhança destes tipos convém estar com os olhos bem abertos. Segundo o próprio, o percurso encontra-se em excelentes condições para a prática da caça à toupeira. Ao descerem a Pedra Alçada perceberão o que ele quer dizer. Encontrarão subidas, descidas e partes planas. Podem ou não ter de atravessar cursos de água. Deparar-se-ão com zonas técnicas, zonas assim-assim, zonas lixadas e zonas erógenas. E, em jeito de cereja em cima do bolo, receberão uma beijoca da Emelie Forsberg. O Carlos Sá convidou a atleta sueca para saudar os atletas masculinos e entregar-lhes o seu merecido colete de finisher.

 

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«Fruto das condições meteorológicas previstas para o dia da prova (temperaturas na casa dos 30ºC), a organização decidiu eliminar a obrigatoriedade do impermeável como material obrigatório. Todo o restante material constante no regulamento continua a ser obrigatório.», anunciou hoje a organização. Isso é que era bom. Em mim ninguém manda. Por acaso não estava a pensar levar impermeável, mas agora que dizem que não é obrigatório é da maneira que o vou levar. Vou mais longe: só para meter nojo, em vez de impermeável, vou levar uma samarra alentejana. Segundo a Wikipédia, “a Samarra aquece nos dias frios e protege do calor nos dias quentes”.

 

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Para além do GTSA – Vertical, Trail Jovem, Caminhada, Ultra Trail, Trail Longo e Trail Curto, o GTSA contará este ano com duas novidades: O GTSA Sunsent e o Ultra Peso-Pesado. O Carlos lembrou-se de introduzir esta prova no seguimento das queixas de alguns dos principais candidatos à vitória. O André Rodrigues queixa-se que está gordo como um chibo; o Rui Sexo afirma que está com excesso de peso; o Ricardo Silva come 12 donuts por dia; o Jérôme Rodrigues confessou-me que já não cabe no tutu. Os atletas são pesados no início e no fim da prova. Quem perder mais peso em percentagem corporal será o vencedor. O prémio é um arroz de sarrabulho a seguir à prova e uma lipoaspiração no dia seguinte.

 

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A Massificação do Trail

por Pedro Caprichoso, em 22.09.15

Sinto-me feliz, contente e alegre com o crescimento exponencial do Trail Nacional. No entanto, nem tudo são rosas. Assim de repente, identifico 3 problemas associados à sua massificação:

 

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1. Chico-espertismo

 

Aproveitando o facto de o Trail estar na moda, o que não faltam por aí são chico-espertos procurando lucrar à conta do Zé—Povinho Atleta. Das 2 toneladas de provas que se realizam semanalmente em Portugal, é inevitável aparecerem provas sem qualidade. Este, porém, é o menor dos nossos problemas. A selecção natural encarregar-se-á de eliminar essas provas. É tudo uma questão de tempo.

 

2. Ganhar sem evoluir

 

A meu ver, a massificação do Trail tem prejudicado a evolução dos atletas. Há bons atletas que preferem ganhar a evoluir, escolhendo provas com menos concorrência em detrimento de provas mais concorridas. A massificação promove o aproveitamento de atletas medianos que “fogem” às provas com mais renome – onde sabem que terão mais concorrência – para alcançarem pódios nas provas mais pequenas. E o problema está justamente aqui, pois para evoluir é necessário competir com atletas melhores do que nós. O Trail precisa que os melhores atletas não se evitem – e compitam nas mesmas provas de maneira a evoluírem. A evolução advém da competição. Quem faz apenas provas pequenas não está interessado em evoluir; está apenas interessado nos aplausos.

 

3. Banalização dos campeões

 

Banalizou-se a palavra campeão. É-se campeão por tudo e por nada. Hoje, com as redes sociais, qualquer um é campeão. Pode não correr nada, mas basta fazer pódio no Trail de Curral de Moinas e publicar as fotos da prova no facebook para automaticamente receber o título de «campeão». A ignorância desportiva do Zé-Povinho faz com que seja difícil olhar para as características de uma prova (km e D+) e avaliar se o tempo do vencedor é digno de um campeão. Na estrada é fácil, pois as provas são geralmente planas – e ninguém fica impressionado, por exemplo, com um pódio numa Meia-Maratona se esta for corrida acima de 1h15. Já no Trail é complicado fazer essa avaliação, pelo que poucos olham para o tempo final dos vencedores – e estes são automaticamente encarados como “Campeões”, quando na verdade não passam de atletas mediados.

 

Neste momento, no activo, sem dizer nomes, são estes os verdadeiros campeões do Trail Nacional: para além dos incontornáveis Carlos Sá e Armando Teixeira, temos o André Rodrigues, o Nuno Silva, o Ricardo Silva, o Hélder Ferreira, o Luís Duarte e o Luís Fernandes. Numa prova com todos os melhores atletas nacionais, o vencedor sairia deste grupo. Qualquer um deles poderia ganhar aos outros dependendo das características da prova em causa. Pelo seu historial, temos obrigatoriamente de também aqui incluir o Leonardo Diogo e o Luís Mota. Mas é isto. São dez. No máximo. Os dedos de duas mãos. Temos depois bons atletas, atletas mediados e atletas fraquinhos.

 

Só vos peço uma coisa: tenham mais cuidado da próxima vez que usarem a palavra "campeão".

5 Dias em Cativeiro

por Pedro Caprichoso, em 21.09.15

Depois de 5 dias em cativeiro, estou finalmente em condições de vos relevar os factos ocorridos na última quinta-feira. Fui treinar para Valongo a convite do Jérôme Rodrigues. Não gosto do tipo, mas aceitei na mesma.

 

Choviam cães, gatos e canivetes. Por vezes a potes. Atacámos a primeira contagem de montanha do dia e fomos surpreendidos, no topo desta, por um bando de lunáticos. Contei nove. Seis de cara destapada, dois encapuzados e um tipo – o mais tagarela – com pinturas de guerra espalhadas pelo corpo. Dado o meu olfacto extremamente apurado, creio que as pinturas resultavam de uma mistura fétida de cinzas – decorrentes dos incêndios que fustigaram Valongo – com bosta de vaca. Seja como for, a GNR já tem em sua posse o retrato robô dos meliantes. Uma vez que o Ricardo Silva está à frente das investigações, a captura dos bandidos – que neste momento se encontram a monte – está para breve.

 

Fomos surpreendidos, mas não capturados. Não logo aí. Escapámos por um triz a essa primeira investida e eles só nos apanharam, 5km mais à frente, porque um ramo de eucalipto prendeu-se ao cabelo do Jérôme. Algemaram-nos as mãos e os braços, e conduziram-nos até à base do famoso “elevador”. Fizeram-nos trinta por uma linha: molharam-nos saltando nas poças de água, empurram-nos contra zonas enlameadas, peidaram-se na nossa direcção e insultaram-nos repetidamente. A mim, que trajava de amarelo florescente, apelidavam-me de “homem da Brisa”.

 

No elevador voltámos a escapar. Ainda que de pés e mãos algemadas, os malfeitores não nos conseguiam acompanhar elevador acima. Prevendo essa possibilidade, dois deles anteciparam-se, atalharam caminho e fizeram-nos uma emboscada no topo do elevador. De maneira a prevenir nova fuga, deixaram-nos aí atados a um eucalipto de cara virada para a árvore.

 

Passámos 5 dias a Barras Olimpo e água da chuva. Os raptores trazia-nos uma ração de barras Olimpo ao nascer do dia e, sempre que lhes dirigíamos a palavra, respondiam com a mesma lengalenga de sempre: «Dos fracos não reza a história? Uns ganham nas provas. Outros ganham todos os dias.» Durante esse tempo fui violado por dois ursos, um lenhador e três escuteiros. Urso, se me estás a ouvir, o lenhador que me violou antes de ti tem uma doença sexualmente transmissível. Vai fazer análises. (*)

 

O Jérôme encontrava-se na mesma posição que eu, mas nele ninguém lhe tocou. Apenas o meu rabinho sofreu as consequências. Escangalharam-no. O dele permaneceu inviolado. Desconfio que tal tenha a ver com o facto do tipo tagarela me ter obrigado a vestir a sua t-shirt suada.

 

Na faculdade declarei-me anti-praxe e agora tenho de passar por esta humilhação?

 

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*Sim, isto é uma referência aos gatos fedorentos.

TRILHOS NA CIDADE? ONDE?

por Pedro Caprichoso, em 17.09.15

Com os Urban Trails de Lisboa e Porto à porta, importa ‘voltar à vaca fria’ e questionar que sentido faz usar o termo “Trail” na cidade.

 

904021_617191868309462_1882397384_o.jpgQuero deixar bem claro que não estou aqui para fazer juízos de valor. Não estou aqui para vos tentar convencer que o Trail em meio natural é melhor do que o Trail em meio urbano. Não é isso que está em causa. Gostos não se discutem.

 

Venho, isso sim, questionar simplesmente o facto de se associar o termo "Trail" a uma corrida feita na cidade. Porque não chamar-lhe outra coisa qualquer? Que tal “Urban Run”? “City Run”? “Street Run”? Ou, porque não, em bom português, tão-simplesmente “Corrida de Rua”? Sei lá. Puxem pela imaginação.

 

Porquê “Trail”? Apenas porque tem partes técnicas com bastante desnível? Isso chega para levar o carimbo de “Trail”? É que isso são apenas dois dos aspectos inerentes ao Trail Running. E a Natureza? E a Montanha? Não será isso mais importante?

 

A pergunta dos 10 milhões de euros é esta: Onde estão os trilhos na cidade?

 

Chamem-me conservador e bota-de-elástico, mas eu não consigo conceber o “Trail” sem ser na Natureza – e não me venham dizer que existe o conceito de “Natureza Urbana”, porque não existe. Vou mais longe: a Natureza, para mim, é o elemento essencial do Trail. A meu ver, por exemplo, é mais Trail uma prova plana disputada na natureza sem dificuldade técnica do que uma prova com muito desnível e tecnicidade disputada na cidade. São opiniões.

 

O conceito de "Trail Running", cuja origem remonta aos Estados Unidos, a meados da década de 70, está intimamente ligado à Natureza e à Montanha – e não tem nada a ver com o Ambiente Urbano. Estarei a dizer alguma asneira?

 

O que é que se segue? O “Track Trail”? O “Road Trail”? O “Gym Trail”? Pois para isso bastará introduzir obstáculos artificiais com muito desnível e dificuldade técnica em pistas, estradas e ginásios.

 

Eu crítico a utilização da palavra "Trail" no "Urban Trail" da mesma maneira que crítico a sua utilização noutro tipo de provas que, embora se disputem na natureza, nada têm a ver com o "Trail". Exemplo: seria como se os organizadores da “Marathon des Sables” mudassem o nome da prova para "Ultra Trail des Sables", visto que correr no Deserto também pouco ou nada tem a ver com o conceito de "Trail Running". Percebem onde eu quero chegar?

 

A verdade é esta: as organizações deste tipo de eventos apropriam-se da palavra “Trail” porque o Trail está na moda – e esperam com isso atrair mais participantes. Essa é a única razão pela qual o fazem.

10 Dicas para correr à chuva

por Pedro Caprichoso, em 15.09.15

Quem veio aqui ter através do facebook é um coninhas. Sim, leram bem: coninhas. És um coninhas. Dicas para correr à chuva? A sério? Só os coninhas precisam de dicas para correr à chuva. Alertas amarelos é para coninhas. Um trail runner corre debaixo de chuva, debaixo de granizo, debaixo de tempestades eléctricas, debaixo de porrada... Se fossem atletas de estrada, ainda se percebia. Agora, trail runners com medo da chuva? Onde é que isso já se viu? Tipos que atravessam rios têm medo de umas gotinhas de água e de umas rajadas de vento – e precisam de dicas para levantarem a peida do sofá em dias de chuva? Façam-me o favor. Vocês metem-me nojo!

 

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Estou a meter-me com vocês. Vocês vieram ao sítio certo. Ver em baixo as dicas do TopMáquina para correr à chuva:

 

1. Correr acompanhado

 

Correr acompanhado dá logo outra motivação, mais ainda em dias de chuva. Além da motivação, podemos também nos divertir empurrando os nossos amigos para as poças de água.

 

2. Correr de boné

 

Corro sempre de boné, faça chuva ou faça sol, para disfarçar o facto de estar a ficar careca. Mas o boné em tempo de chuva tem outra serventia: impede que a chuva nos bata nos olhos, coisa que me irrita profundamente. Este conselho pode igualmente ser adoptado pelas actrizes porno na medida em que o boné evita que a ranheta dos homens lhes vaze uma vista.

 

3. Tomar duche antes de sair de casa

 

«Que sentido faz tomar banho, se banho é o que vamos tomar ao correr à chuva?», pergunta o leitor. À primeira vista, de facto, não faz muito sentido. Mas eu não estou a falar em tomar duche nu. O segredo está em tomá-lo vestido, com água quente, de maneira a que aqueles primeiros quilómetros debaixo de chuva custem menos. Como bem sabem, o que custa mesmo é ficar ensopado. Depois de ficarmos ensopados, já nem ligamos. Até saltamos nas poças de água e tudo. Tal e qual as crianças.

 

4. Usar um escudo humano

 

O vento é outro dos nossos inimigos em dias de temporal. No seguimento do ponto 1, convém convidares amigos mais volumosos do que tu. Desta forma poderás usá-los como escudo humano de forma a te abrigares do vento.

 

5. Usar contra-pesos

 

Se fores um tipo lingrinhas, um pau-de-virar-tripas ou um trinca-espinhas, tens de correr com lastro para não levantares voo em dias de temporal. Pelo sim e pelo não, o melhor é correres com uma barra de ferro enfiada pelo rabo acima. Eu não preciso porque tenho tomates de aço, que me mantêm sempre ao nível do solo.

 

6. Usar calçado velho

 

Com ténis novos ficamos sempre mais relutantes em molhar os pés. Ninguém vai usar as suas novas Salomão Raptor 15 – adquiridas pela módica quantia de 160€ – à chuva, pelo que o melhor é correr com sapatilhas velhas. O ideal, mesmo, é que as sapatilhas tenham a sola esburacada de maneira a melhor escoar a água.

 

7. Correr sem meias

 

Sem meias o pé seca mais depressa. É um facto. Com meias o pé permanece ensopado, enruga e ganha bolhas com mais facilidade. A única desvantagem de não usar meias é que ficamos sem sítio onde limpar o rabo em caso de caganeira. Só se levarmos o papel higiénico dentro de uma bolsa de plástico, mas quem é que se lembra disso?

 

8. Correr sem roupa interior

 

Correr à chuva com roupa interior faz com que as nossas partes baixas permaneçam ensopadas – e, como bem sabemos, fruta húmida apodrece. Eu não quero que a minha fruta apodreça, a modos que a minha tomateira anda sempre à pendura de encontro à licra dos calções. Molha-se? Molha, mas não apodrece.

 

9. Beber um batido

 

Para prevenir pneumonias ou possíveis resfriados, tenho por hábito tomar um batido de fruta em dias de chuva. O segredo está nas vitaminas. Às frutas adiciono uma pitada de libidium fast de maneira a ficar com a tenda armada – e de tenda armada só se molha quem quer.

 

10. Ganhar um par

 

E que tal ganharem um par de tomates e treinarem sem desculpas? É água. Não é ácido sulfúrico.

Actor de filmes alternativos

por Pedro Caprichoso, em 14.09.15

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Depois de brilhantemente sagrar-se vice-campeão do Ultra Trail Canfranc-Canfranc, Jérôme Rodrigues foi entrevistado pela Organização da prova Espanhola. A entrevista ainda não foi oficialmente divulgada ao público, mas também não é preciso. O TopMáquina antecipou-se à concorrência, contratou um pirata informático e obtivemos o Making Of da entrevista registado pelo telemóvel do Presidente do Viana-Trail.

 

Devido ao vento que se fazia sentir, a qualidade sonora do vídeo deixa muito a desejar. Contratámos então um especialista em leitura labial e um editor de vídeo para legendar a entrevista. O problema é que estes parecem terem confundido o Jérôme com um actor de filmes alternativos. Confiram no vídeo em baixo:

 

 

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