Elogio aos que vivem sem medo
Não conhecia o João Marinho. Devo ter-me cruzado com ele um par de vezes – não mais do que isso – e sempre no âmbito do Trail. Não posso, por isso, falar dele enquanto pessoa. Posso, no entanto, por aquilo que é público, falar do seu estilo de vida.
O João era um apaixonado pela vida e, sobretudo, um apaixonado pela natureza. O João era um daqueles tipos que não se contenta por menos do que o máximo que a vida tem para nos oferecer. O João quis viver a sua vida ao máximo – isto é, sem medo – e viveu-a. Isto não é pouco. É muito. É tudo. Viver a vida sem medo é tudo a que nós podemos aspirar.
A morte é o único tabu que nos resta – e as pessoas encaram hoje a vida como se fossem viver para sempre. Daí a actual obsessão pela saúde associada à dieta, à estética e a um estilo de vida saudável. Estas pessoas esquecem-se do mais importante: de viver a vida sem medo. O João viveu a sua vida sem medo. Que é o mesmo que dizer: livre.
Claro que há o reverso da medalha, pois viver a vida sem medo implica correr riscos. Viver com "moderação" é, pois, o caminho mais sensato para quem deseja viver muitos e longos anos. Mas onde está o prazer de viver com moderação? Será que a qualidade de vida não é mais importante do que a quantidade de vida? O que é preferível? Viver sem medo durante 31 anos ou viver com moderação e morrer de tédio aos 92?
O grande drama da sociedade moderna é confundir conforto com qualidade de vida – e achar que o conforto é o caminho mais rápido para a felicidade. A verdade é que a nossa felicidade começa, justamente, fora da nossa zona de conforto. O João sabia isto – e por isso foi para a Montanha.
