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Eu faço Trail e sou uma Máquina. E isso é Top!

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Os Inimigos do Trail

por Pedro Caprichoso, em 09.03.16

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Há inúmeros motivos para entrar no mundo do Trail: competição, superação, saúde, contacto com a natureza, divertimento, camaradagem, masoquismo, engatar gajas boas. Tudo razões válidas. Há porém uma subespécie de atletas que praticam Trail por outra razão: pelos aplausos. Apenas e só pelos aplausos. Custa-me dizê-lo, mas a procura de aplausos é mais evidente nas Ultras. Há tipos que fazem Ultras com o único propósito de se destacarem do comum dos mortais. Querem sentir que pertencem a um grupo restrito de “super-atletas” e que merecem os aplausos condizentes com esse estatuto, seja na forma de likes ou de comentários lambe-cu. Comentário lambe-cu é aquele tipo de comentário que nos dá a sensação de que nos estão a lamber o cu. Três exemplos: “És uma Máquina!”; “Campeão!”; “O céu é o limite.”

 

Esta gente não quer que o Trail cresça. A massificação, do seu ponto de vista, é a pior coisa que pode acontecer à modalidade. Pretendem, pelo contrário, que permaneça um desporto de nicho. Que saudades dos bons velhos tempos, quando eram apenas meia-dúzia os “maluquinhos” que se aventuravam por esses montes fora, percorrendo distâncias de três dígitos. Eram autênticos heróis aos olhos do comum dos mortais. Sentiam-se especiais. O problema é que o Trail entretanto empubesceu—ide consultar o dicionário que eu espero—e massificou-se. As pessoas começaram a perceber que fazer uma Ultra não é uma coisa do outro mundo; que todos, com um mínimo de preparação, conseguem fazer 100k; que tudo depende do ritmo; que uns fazem-nos mais depressa do que outros—e que essa é a única diferença.

 

Neste contexto, os aludidos já não se sentem especiais. Sentem-se desdenhados com tanta gente a fazer o mesmo que eles. Em vez de regozijarem com o crescimento do Trail, grunhem justamente o oposto. Atiram a desculpa esfarrapada de que o “Trail já não é o que era”. Daí a abandonarem a modalidade é um passo, trocando-a por outra que lhes ofereça o mesmo que o Trail lhes oferecia inicialmente: os tão cobiçados aplausos. Meus caros, falei com a modalidade e ela disse-me que não vos conhece de lado nenhum: “Não me apercebi que esses tipos me praticavam”, exclamou surpreendida a modalidade. Parece que o Ironman e o Crossfit é o que agora está na moda.

 

Dito isto, o leitor pergunta e com razão: e qual é o problema de um tipo deixar o Trail e trocá-lo por outra modalidade? Ao que eu respondo: tirando a hipocrisia, nenhum. Hipocrisia é quando se apregoa aos sete ventos de que se está no Trail pela superação, pelo contacto com a natureza e pela camaradagem—e depois abandona-se a modalidade, de um dia para o outro, com o argumento de que esta massificou-se. Em que é que a massificação altera a tua capacidade de superação, contacto com a natureza e camaradagem? Quem está no Trail por paixão, está-se a cagar para a massificação. Parece que fiz uma rima sem querer e encontrei a epígrafe do meu túmulo:

 

Quem está no Trail por paixão

Está-se a cagar para a massificação

2 comentários

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    De Pedro Caprichoso a 12.03.2016 às 15:54

    A ARTE DE INVENTAR DESCULPAS

    Nada é mais banal do que um tipo queixar-se depois de uma Ultra. É banal porque TODOS têm razões de queixa depois de uma Ultra. Uma Ultra sem motivos de queixa não é uma Ultra: é a Corrida do Pai. Indiquem-me um tipo a quem nada correu mal nos Trilhos do Paleozóico e eu indico-vos um mentiroso. Ou foi uma queda, ou o homem da marreta, ou uma entorse, ou uma diarreia, ou uma assadura nas partes baixas. Quem se queixa inventa desculpas na certeza de que nada correu mal aos atletas que ficaram à sua frente. Fica mal. Deixem-se disso. Um tipo queixar-se depois de uma Ultra é o equivalente ao Jorge Jesus dizer que para «ganhar temos de marcar golos». Banalidades.
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