Rescaldo do Paleozóico 2015
Começo por dizer que não gosto do cartaz. Aprendi na catequese que o ser humano descende de Adão e Eva. Acho por isso extremamente ofensivo que uma organização de Trail promova a Teoria da Evolução. Blasfémia. Ides todos arder nos quintos dos infernos. E o Anton Krupicka concorda comigo. Não é por acaso que ele é parecido com Jesus Cristo.

O atleta Americano aparece no cartaz como a última fase da evolução humana, dando a entender que ele descende do macaco. Mandei-lhe o cartaz pelo facebook e ele sentiu-se ofendido com tal sugestão: «Ai’me béri béri ofendéde», disse-me ele em americano via skype. E os direitos de imagem? Então ele aparece no cartaz e não pagam ao homem? Já sabem como são os Americanos: mais grave do que ofender a religião de Deus, é ofender o Capitalismo – a religião do dinheiro. Luís Pereira, põe-te a pau que vem aí um processo a caminho.
Estive para começar esta crónica com uma piada envolvendo o período Paleozóico e os Dinossauros do Trail Nacional. Só depois apercebi-me que o Paleozóico precedente os Dinossauros. No Paleozóico não havia dinossauros. Ao que parece, havia umas coisas chamadas trilobitas. Eu sei o que vocês estão a pensar: “trilobitas” é o conjunto formado por 3 crias de lobo do sexo feminino.

Não é. Infelizmente, trilobitas não tem nada a ver com lobos. É pena, pois com lobos já eu tinha pelo menos 3 piadas alinhadas: uma com os Lobos do Monte, outra com o Lobo [Albino Magalhães] e outra com o Wolf Lone. Paciência. Ficam guardadas no arquivo.
Segundo a Wikipedia, «os trilobitas são artrópodes característicos do Paleozóico, conhecidos apenas do registro fóssil.» Afinal são fósseis. Mas que azar! Com fósseis também não posso fazer piadas. Não quero que o José Capela pense que me estou novamente a meter com ele. Já disse que ele está a atravessar uma profunda crise de meia-idade – e seria o fim da picada se agora insinuasse que ele é um fóssil. Uma coisa é certa: para septuagenário, o Capela está muito bem conservado. Parabéns Capela!
Passei a prova toda a ouvir falar de um “elevador”. O “elevador” isto; o “elevador” aquilo. Enganaram-me. Não havia nenhum elevador. Nem elevador, nem teleférico, nem funicular, nem bondinho. A culpa é minha, no entanto. Fui eu que percebi mal: não é “elevador”; é “eleva-a-dor”. Assim já faz mais sentido, pois aquela subida elevou-me a dor a níveis estratosféricos. Malditos sejam.
No último terço da prova apanhámos muitos caminheiros – e todos sabemos o frete que é ultrapassar caminheiros. Quero por isso compartilhar convosco a minha técnica de ultrapassagem de caminheiros:
- Se o caminheiro é homem, peço muito educadamente: “Pela esquerda. Só um jeitinho, por favor”. O caminheiro encosta-se à direita e eu ultrapasso-o nas calmas. Termino agradecendo: “Obrigado.”
- Se for uma gaja boa, peço muito educadamente: “Pela esquerda. Só um jeitinho, por favor”. A gaja boa encosta-se à direita e eu vou contra ela, agarrando-me ao que estiver mais à mão. Termino desculpando-me: "Perdão.”
- Se pela traseira não conseguirem distinguir se é homem ou mulher, aconselho-vos a fazerem um desvio pelo meio do mato. Ultrapassem-no o mais ao largo possível, não vá o «coisinho» achar-vos graça e fazer-vos marcação serrada até à meta.
O último abastecimento tinha uma secção de gelatinas de fazer inveja. Fiquei intrigado com a gelatina com cafeína, mas optei por jogar pelo seguro e mandei abaixo duas doses industriais de gelatina com pau-de-cabinda. Por essa altura já ia a dar as últimas e não senti grandes melhoras a nível físico. O pau-de-cabinda só valeu mesmo pelos números de telefone que consegui sacar na última descida, aplicando a técnica de ultrapassagem (acima descrita) junto das gajas boas.
Recebi duas massagens depois da prova. Gostei da primeira, feita pelos massagistas da organização – gente muito profissional. Mas confesso que gostei mais da segunda, feita pela minha patroa assim que cheguei a casa. Os primeiros trataram-me das pernas; a minha patroa tratou do resto. Acabei a prova com as orelhas empenadas e a minha Maria fez o serviço completo. Para quem não sabe, eu padeço de um enfermidade anatómica extremamente rara: tenho o clitóris nas orelhas.



